Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



ESTER

Terça-feira, 08.10.13

Assuero era um rei poderosíssimo, vivendo num belo palácio, luxuosamente decorado, com cortinados de púrpura, presos por cordões de algodão branco e com anéis de prata, a colunas de mármore. Os leitos eram de ouro e prata, o pavimento de mármore branco e o tecto de nácar. Em sua companhia vivia a rainha Vasti, esposa exuberante e bela, mas altiva e presumida.

Certo dia, Assuero ofereceu um grande e lauto banquete a todos os reis e príncipes da vizinhança, a fim de lhes mostrar todo o esplendor da sua glória. No final do festejo, Assuero convidou-os para passarem, na sua companhia, sete dias, durante os quais seriam seus hóspedes, convivendo no seu palácio. Todos os presentes aceitaram e, chegado o sétimo dia, Assuero ordenou aos seus eunucos que trouxessem, à presença de todos os convidados, a rainha Vasti, que havia de vir vestida com as melhores roupas e ornada com o diadema real, a fim de que a exibisse, perante todos, a sua beleza, a sua formusura e, sobretudo, o seu luxo e a sua riqueza, A rainha recusou-se a obedecer a tal ordem e o rei, tomado de uma enorme ira, reuniu os conselheiros do reino e decidiu que iria destituí-la, despojando-a de todos os bens e retirando-lhe todos os direitos de rainha e esposa. Cuidava o monarca que com o seu exemplo, daí em diante, no seu reino, todas as mulheres haviam de obedecer aos seus maridos e todo o homem, desde o mais alto dignitário da corte até ao mais humilde camponês, passaria a ser o senhor da sua casa e a fazer-se respeitar pela sua esposa.

Mas Assuero ficou muito triste com esta decisão e, pouco tempo depois, ordenou que se procurassem, por todo o reino, donzelas virgens e belas de aspecto. Trazidas à presença do rei, Sua Majestade havia de escolher, entre elas, a que mais lhe agradasse, a qual se tornaria rainha, ocupando o lugar da rebelde Vasti. Hegai, o eunuco do rei encarregado de zelar pelas mulheres do palácio, havia de providenciar às necessidades do seu toucador, preparando, também, os seus aposentos.

Ora, havia na cidade, uma jovem, chamada Ester, filha adoptiva de Mardoqueu. A moça, apesar de órfã de pai e mãe, era de belo porte, agradável de aspecto e ornada de virtude e sabedoria. Ester foi apresentada ao rei, juntamente com numerosas jovens, mas foi ela quem mais agradou a Assuero, granjeando as graças de sua Real Majestade que, de imediato, lhe ofereceu roupas, jóias, unguentos e perfumes para seu adorno. Além disso, providenciou-lhe sete damas que a acompanhariam e a serviriam dia e noite, reservando-lhe o melhor apartamento do palácio. Ester não lhe revelou a sua vida, simples e humilde, nem sua família, nem do seu povo, porque Mardoqueu lhe tinha proibido falar sobre isso.

O rei todos os dias passeava diante do pátio do apartamento de Ester, para a ver e para ter notícias dela, admitindo-a, ele próprio, no seu apartamento, à tarde e até pela manhã, não a tendo mais junto de si, a não ser que disso tivesse manifesto o desejo ou exígua oportunidade.

Assuero amou Ester mais do que todas as outras mulheres que, assim, granjeou todas as graças e favores reais e, por isso, lhe colocou sobre sua cabeça o diadema real e a fez rainha.

Passado algum tempo o rei deu, novamente, um grande banquete, desta feita, em honra de Ester, para o qual convidou todos os reis e príncipes da vizinhança. Ora Ester tinha um inimigo chamado Hamã, que era amigo e ministro do rei Assuero e que também foi convidado para o banquete. Hamã odiava Mardoqueu, o pai adoptivo de Ester, por ele não se inclinar perante ele e, por isso, elaborou um plano diabólico para o destruir, assim como o seu povo. Durante o banquete, Assuero, exaltando a beleza e a virtude de Ester, disse-lhe:

- Minha adorada Ester, pede-me o que quiseres e eu to darei de imediato.

- Eis o meu desejo, senhor: salva Mardoqueu da morte e salvando-o a ele salva também o seu povo. - Disse Ester, com firmeza e acrescentou - Mardoqueu e o seu povo, foram votados ao extermínio, à morte, ao aniquilamento. Se tivessem sido vendidos como escravos, eu me calaria, mas eis que agora o opressor não poderia compensar o prejuízo que causa ao meu rei e senhor.

- Quem é esse tirano, – perguntou o rei, - e onde está quem maquina tal projecto em vosso coração?

- O opressor, o inimigo, - disse a rainha, - é Hamã. Eis aí o infame!

Hamã ficou tomado de terror diante do rei e da rainha. Assuero, num acesso de cólera, levantou-se, abandonou o banquete e dirigiu-se para o jardim do palácio, enquanto Hamã permanecia ali, a fim de implorar o perdão de Ester, porque via bem que no espírito do rei estava decretada a sua sentença de morte. De nada serviram os seus choros e pedidos. Passado algum tempo, Assuero mandou suspendê-lo na forca que ele próprio tinha preparado para Mardoqueu.

Nesse mesmo dia Assuero ofereceu à rainha Ester a casa de Amã, que ela de imediato deu a Mardoqueu. Ester voltou de novo à presença do rei e, prostrada a seus pés, desfeita em lágrimas, suplicava-lhe que destruísse as maquinações que Hamã tinha, perversamente, urdido também contra o seu povo. O rei estendeu o ceptro de ouro a Ester, a qual se pôs em pé diante dele.

- Se parecer bem ao rei, - disse ela, - e se achei graça diante do meu senhor e se isso que lhe peço parecer justo e se sou agradável a seus olhos, revogue as cartas, que Hamã, redigiu para perder o seu povo, destruindo todas as províncias do reino. Como poderia eu consentir nas desgraças que aguardam o meu povo, sem vos implorar que tal não permitais?

Então o rei Assuero, comovido com a bondade de Ester, mandou aos escribas, que escrevessem cartas a todas as cidades do reino para que não fossem executadas as leis que o déspota Hamã havia decretado, sem o seu consentimento.

Foi assim que Ester provou ser uma sábia e muito digna mulher, permanecendo humilde e respeitada não só pelo rei Assuero mas também por todos os seus súbditos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 00:07





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Outubro 2013

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031