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A FESTA DA SENHORA DO ROSÁRIO NA FAJÃ GRANDE

Terça-feira, 08.10.13

Na Fajã Grande, na década de cinquenta, todos os anos se realizava, num dos domingos de Outubro e de forma a não coincidir nem com a Festa da Senhora do Rosário das Lajes nem com a festa do Patrocínio da Fajãzinha, a festa da Senhora do Rosário, também denominada, sobretudo por pessoas mais antigas, pela festa do Terço.

Esta festa, segundo contavam algumas pessoas mais idosas, tivera a sua origem por volta do ano de 1917, altura da primeira Grande Guerra Mundial e remontava também ao tempo em que começaram a ser divulgadas as aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima, altura em que, obviamente, ainda não existia a devoção à Mãe de Deus sob a invocação de Senhora de Fátima. Na altura, paroquiava a Fajã o padre Francisco Vieira Bizarra, homem de grande cultura e de acentuada espiritualidade, grande amigo de Nunes da Rosa que fora pároco o Mosteiro e a quem este escritor dedica um dos contos do seu livro “As Pastoraes do Mosteiro”. O padre Bizarra era natural de São Roque do Pico, tendo-se ordenado sacerdote em 1893, sendo nesse ano, nomeado coadjutor da Fajã Grande, onde era pároco o padre Manuel Augusto de Lima. O padre Bizarra permaneceu, como cura, na Fajã Grande, apenas durante dois anos, após os quais foi transferido para a vila das Velas, na ilha de São Jorge. Regressou à Fajã em 1909, agora como pároco, cargo que exerceu até 26 de Fevereiro de1922, dia em que faleceu com apenas cinquenta e dois anos de idade. Foi durante esta sua segunda e mais longa passagem pela Fajã Grande que criou a festa do Terço, em honra da Senhora do Rosário com o objectivo de solicitar à Virgem o regresso de todas aqueles que da Fajã Grande e de toda a ilha das Flores foram chamados a participar na primeira Grande Guerra e implorando também â Mãe de Deus que aquele terrível flagelo que devastou o mundo, no início do século XX, acabasse o mais depressa possível, para o bem de toda a humanidade. A festa continuou nos anos seguintes como cumprimento do voto feito, incentivou-se a quando da Segunda Guerra e mais tarde com a ocupação de Goa, Damão e Diu e, sobretudo, já nos anos sessenta, em plena guerra do Ultramar.

Na igreja da Fajã, no altar lateral sul, existia uma bela imagem da Virgem, de estilo barroco, pintada a ouro, com o menino ao colo e segurando nas mãos um enorme rosário de prata. Era essa imagem, conhecida como a Senhora do Rosário que era colocada em andor, no dia da festa, percorrendo algumas ruas da Fajã. Num dos domingos anteriores era feito um peditório por toda a freguesia. Ofereciam-se produtos agrícolas, galinhas, ovos, queijos, ofertas de massa e bolos doces, a fim de serem arrematados. Com o dinheiro resultante das arrematações e outros donativos era organizada a festa com confissões, tríduo preparatório, missa cantada, sermão, procissão e um pequeno arraial, mais tarde abrilhantado pela filarmónica Senhora da Saúde. Geralmente vinha um padre de fora, mais concretamente o padre António da Fajãzinha.

Acrescente-se que mês de Outubro era o mês consagrado ao Rosário de Nossa Senhora e que, durante o mesmo, era realizada, diariamente, na igreja paroquial, uma celebração denominada “Novenas do Rosário” em que se rezava o terço, havendo também uma prática ou pequeno sermão sobre cada um dos quinze mistérios do Santo Rosário, na altura, agrupados apenas em três categorias: gozosos, dolorosos e gloriosos. 

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publicado por picodavigia2 às 20:21





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