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ANDRÓMEDA

Quinta-feira, 10.10.13

Há muitos e muitos anos, num longínquo e legendário reino, vivia um poderoso monarca, chamado Cefeu, casado com a rainha Cassiopeia. Tinham, apenas, uma filha, de nome Andrómeda. Mãe e filha eram detentoras de tão grande e invulgar beleza, que reis e príncipes vinham, em caravana, das mais recônditas partes do mundo, exclusivamente, para contemplá-las. A mãe, porém, era vaidosa, soberba e arrogante enquanto Andrómeda era humilde, modesta e bondosa.

Certo dia, a rainha que se considerava a mulher mais bonita do mundo, perante uma multidão que a aclamava, ousou proclamar que era mais bela do que as próprias Nereidas, as princesas do mar, muito belas, gentis e generosas, sempre prontas a ajudar os marinheiros em perigo e que, pela sua beleza conquistavam os corações dos homens. Poseidon, deus dos mares, decidiu punir a rainha Cassiopeia por tão grande e arrogante atrevimento e por tão inusitada ofensa às mais belas criaturas do orbe - as filhas do seu amigo e companheiro Nereu, um velho e pacato deus marinho, com quem elas compartilhavam as águas do mar e que era justo, benevolente e sábio, sempre pronto a perdoar e, por isso mesmo, representando a calma e a serenidade das águas do oceano. Para castigar Cassiopeia, por tamanha ousadia, Poseidon enviou à terra um monstro marinho, chamado Ceteu, que havia de atacar e destruir por completo o reino de Cefeu e da sua vaidosa e arrogante consorte. Desesperado, Cefeu, ao tomar conhecimento de tão catastrófica ameaça, foi consultar um oráculo que lhe revelou que o seu reino só poderia ser poupado à hecatombe e salvo das ferozes garras de Ceteu, se ele sacrificasse a sua própria filha Andrómeda, entregando-a ao monstro, a fim de que este a devorasse. Cefeu decidiu salvar o seu reino e imolar a sua própria filha, acorrentando-a a um rochedo de uma ilha longínqua, para que o monstro a devorasse.

No entanto, algum tempo depois, passou pela ilha onde Andrómeda estava acorrentada, um jovem, chamado Perseu, que a salvou.

Perseu era filho de Zeus e de Dânae. Logo após o seu nascimento, seu avô Acrísio meteu-o numa arca, juntamente com a mãe e atirou-a ao mar, a fim de que ambos perecessem. Assim Acrísio, um velho e ambicioso monarca, via-se livre deles para sempre. A correnteza das ondas, porém, arrastou a arca em que foram metidos Perseu e Dânae, até a ilha de Sérifo, no reino de Polidectes. Foi o próprio Polidectes que os encontrou na praia, os recolheu e os levou para o seu palácio, onde os hospedou. Passado algum tempo Polidectes apaixonou-se por Dânae e tomou-a como esposa e rainha. No entanto, com receio de que Perseu se opusesse, Polidectes decidiu afastá-lo do palácio e de junto da mãe. Para isso impôs-lhe uma tarefa, aparentemente, impossível: Que lhe trouxesse a cabeça de Medusa, uma perigosíssima górgona que transformava em pedra todos os que se aproximassem e olhassem para ela. Cuidava assim o déspota que Perseu nunca havia de vencer o monstro. Ao contrário, seria transformado num pedregulho e, por conseguinte, ver-se-ia livre dele, para sempre. Mas o jovem Perseu, com a ajuda da deusa Atena, que lhe emprestou as suas próprias armas e escudo, venceu Medusa, decapitando-a enquanto ela dormia. Perseu, triunfante, decidiu, regressar ao reino de Polidectes para resgatar a mãe e vingar-se do facínora.

Foi nessa viagem de regresso à ilha de Sérifo, que Perseu, ao passar por uma outra ilha, encontrou uma jovem acorrentada a um rochedo. Ao perguntar-lhe quem era e porque estava ali amarrada, a donzela, lavada em lágrimas, respondeu-lhe:

- Eu sou Andrómeda, filha do rei Cefeu. A minha mãe, Cassiopeia, ousou comparar a sua beleza com as filhas de Nereu, as ninfas do mar, e fomos castigados por isso. Poseidon mandou o monstro Ceto destruir, por completo, o reino do meu pai que, assim, me ofereceu como sacrifício, para o resgatar da ira de Poseidon.

- Salvar-te-ei, bela Andrómeda, se prometeres casar comigo. – Retorqui Perseu.

Palavras não eram ditas e eis que uma gigantesca onda se abriu no meio do mar, trazendo consigo um terrível monstro. Ao vê-lo, Perseu aproximou-se o mais que pôde e mostrou-lhe os olhos petrificantes da cabeça de Medusa que havia guardado e trazia consigo, para mostrar a Polidectes. Imediatamente o monstro transformou-se numa enorme pedra que se precipitou no fundo do oceano. No entanto, quando o perigo parecia ter terminado e Perseu se aproximou-se de Andrómeda para soltá-la, uma gota de sangue da cabeça de Medusa, caiu no mar. É que Poseidon também era apaixonado por Medusa, uma das três górgonas que povoavam os mares e que eram extremamente belas mas desregradas e sem escrúpulos. Mas a gota de sangue em contacto com a água provocou um estrondo medonho e transformou-se em espuma branca, da qual emergiu um belíssimo cavalo alado - Pégaso. Era, afinal, um presente de Poséidon a Perseu, para que ele abandonasse a ideia de vingar-se de Polidectes e de Dânae, casasse com Andrómeda e fugissem ambos, montados no cavalo Pégaso. Mas Andrómeda, tempos antes havia sido prometida em casamento, por seus pais, a Phineus e, por isso, no dia do seu casamento com Perseu, voltou a ocorrer nova adversidade - uma desavença entre Phineus e Perseu, pela disputa de Andrómeda. Mas Perseu, mais uma vez, servindo-se da cabeça da górgona Medusa, transformou Phineus num grotesco rochedo que também se afundou, para sempre, no oceano.

Andrómeda e Perseu, finalmente, casaram e viveram uma vida de alegria, de enlevo e de felicidade. Tiveram filhos, netos e construíram um reino de sonho, de paz e de magnificência. Para recompensar a dignidade, a nobreza e os sacrifícios que Andrómeda fizera em vida, após a sua morte, Atena, a quem Perseu oferecera a cabeça de Medusa, a fim de que a deusa também se visse livre da temível górgona, transformou Andrómeda numa bela constelação e colocou-a, para sempre, no firmamento, entre as mais brilhantes constelações do universo, onde ela, ainda hoje serve de guia aos humanos.

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publicado por picodavigia2 às 00:39





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