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A VIA LÁCTEA

Quinta-feira, 10.10.13

Conta-nos um dos muitos mitos da Grécia Antiga que Faetonte, o mais importante filho de Hélios (Sol), estando um dia a jogar apaixonada e emotivamente aos dados com o seu amigo Epapo, este, ao ser derrotado, como mau perdedor, desentendeu-se com ele e lançou-lhe à cara alguns insultos, nos quais se incluía uma grave e ofensiva suspeita de que ele não era filho de Hélios, o que punha linearmente em causa a seriedade da ninfa Climene, sua progenitora. Faetonte, preocupado com o insulto, foi interrogar Climene que, de imediato, o mandou certificar-se junto do seu pai, Hélios. Este confirmou que era o seu pai de verdade e, como prova dessa paternidade, despojou-se dos seus próprios raios em benefício do filho, ao mesmo tempo que jurava conceder-lhe, como real prova da sua efectiva paternidade, tudo o que Faetonte ali mesmo lhe pedisse. O jovem Faetonte pediu-lhe, então, que o deixasse conduzir, apenas por um dia, as rédeas do seu próprio carro. Não era essa a vontade de Hélios, mas como prometera em juramento, não podia voltar atrás com a palavra dada. Assim, Hélios emprestou-lhe o seu carro puxado por fortíssimos cavalos, deu-lhe a respectiva certificação de condutor e indicou-lhe a rota que devia seguir. Os fulgores juvenis de Faetonte, porém, levaram-no, em louca correria, até ao horizonte terrestre, numa desordenada condução, ora subindo em demasia e provocando oscilações nos astros, ora descendo abissalmente e aproximando-se demasiado da Terra. Os cavalos assustaram-se e os raios de Faetonte começaram, de imediato a queimá-la e a incendiá-la, ao mesmo tempo que afastando-se, ela arrefecia. Gerou-se, assim, um caos tremendo e universal, que culminou em tempestades ciclónicas e diluvianas, trovoadas contínuas, cataclismos destruidores e inundações arrasantes. A fim de salvar a Terra de um cataclismo destruidor, Zeus, pai dos deuses, viu-se obrigado a fulminar Faetonte com um raio, caindo o seu corpo no rio Eridano, perante o choro e o lamento de suas irmãs Helíades, que de tanto chorar se transformaram em choupos enquanto o seu amigo Cícuo, também por chorar em demasia, se transformou num cisne, eternamente errante pelas margens do Eridano. A desordem no universo foi tal que, durante um ano, não houve Sol e a corrida dos cavalos foi tão violenta que do carro ficou um rastro no firmamento, que se prolongou até hoje e que ainda se pode observar no céu, todas as noites - a Via Láctea ou o Carreiro de São Tiago.

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publicado por picodavigia2 às 14:33





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