Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A PONTE DE AMARANTE

Sexta-feira, 18.10.13

Baluarte de uma persistência inglória e vítima de uma loucura vácua, a ponte sobre o Tâmega, em Amarante, possui uma história de beleza singela, ou melhor, uma lenda de encanto inigualável. Consta que foi São Gonçalo que, em vida, miraculosamente a construiu. Mas mesmo com tão santo e douto construtor, a ponte, algum tempo após a sua construção, acabou por ruir e desaparecer, definitivamente.

Reza a lenda que Frei Gonçalo decidiu construir uma ponte, nas margens do Tâmega. O frade havia-se compadecido das dificuldades e agruras dos seus conterrâneos, que ali labutavam, sendo, vezes sem conta, impedidos de atravessar o rio de uma para outra margem, devia à força da sua corrente e ao perigo do seu caudal, sobretudo em momentos de grandes chuvadas. O seu objectivo era, simplesmente, o de ajudar a vida e aliviar a miséria dos pobres e humildes camponeses. Como não tinha dinheiro para fazer a ponte, mandou pedi-lo a um homem muito rico mas também muito avarento. O somítico não queria dar o dinheiro mas também temia recusar um pedido do frade. Para resolver o imbróglio, informou o frade de que lhe dava apenas o dinheiro equivalente ao peso de uma folha de papel. Frei Gonçalo concordou e levou-lhe um papel. O avarento colocou o papel num dos pratos da balança e começou a deitar pequeninas e leves moedas no outro prato mas, por milagre, o papel pesava tanto, tanto que o homem foi obrigado, para não faltar com a palavra dada, a colocar na balança uma grande quantidade de dinheiro. Foi com este dinheiro que Frei Gonçalo conseguiu construir a ponte.

Conta ainda a lenda que, sendo o diabo um ganancioso, quando viu que Frei Gonçalo construía uma ponte sobre o Tâmega, em Amarante, ficou roído de inveja e encheu-se de raiva. Cuidava o mafarrico que os camponeses se haviam de voltar ainda mais para Deus e para o frade. Por isso mesmo, decidiu também construir uma ponte igual, numa outra localidade, próxima d’ali, a fim de também conquistar a gratidão dos fiéis. Se bem o pensou, melhor o fez. Ao terminar a sua obra, o diabo, simulando uma estranha galhardia, veio convidar Frei Gonçalo para ir vê-la, recomendando-lhe, no entanto, que nem por sombras pensasse em tocar-lhe ou, muito menos, benzê-la. Frei Gonçalo aceitou o convite e acabou por reconhecer que, a obra do diabo era, na verdade, melhor do que a sua, pelo que teceu grandes elogios à ponte, enaltecendo a sua beleza, louvando a sua grandiosidade, exaltando o seu encanto, regozijando-se com a sua excelência.

O diabo, pelos vistos, ainda mais vaidoso ficou com tanta galantaria, começou a caminhar à frente de Frei Gonçalo. Mas este vendo o diabo enlevado e distraído com tão grandes gabos, ergueu o cajado na direcção da ponte e fez, no ar, uma enorme cruz, em sinal de bênção. A ponte que o diabo construíra ruiu com enorme estrondo, desfazendo-se por completo.

O diabo ficou furioso e começou a correr espavorido até ao cimo de um monte, sobranceiro à ponte que Frei Gonçalo construíra. Cheio de ódio, de raiva e de fúria, começou a atirar pedras ao frade. Só que estas eram tão grandes e tanto rolaram e voltaram a rolar pelas encostas, atingindo tão grande velocidade que chegaram até a Amarante, acabando por derrubar e destruir, quase por completo, a ponte que Frei Gonçalo construíra para benefício do seu povo.

Como sobrassem alguns vestígios da ponte, Frei Gonçalo ainda encetou algumas tentativas de a restaurar. Porém, sempre que o fazia, o diabo enfurecia-se ainda mais, voltava ao cimo do monte, rolando enormes pedregulhos na direcção da ponte, até que a destruiu por completo, fazendo com que desaparecesse para sempre.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 00:00





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Outubro 2013

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031