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A LENDA DO “MORRO DOS FRADES E A ENTREVADINHA”

Domingo, 20.10.13

Há muitos anos havia na ilha das Flores uma família pobre que tinha uma menina doente e de cama há vários anos. Era entrevadinha. A sua cama estava junto a uma janela, donde se via uma bela paisagem do mato, na qual havia um enorme e alto morro constituído por rochas de basalto negro. A menina chamava-se Mariana e sofria muitas dores. A sua mãe tentava confortá-la com tudo o que tinha para lhe dar, sobretudo muito carinho, muito amor e grandes sacrifícios. Poucos alívios davam os remédios que seus familiares, até da América, lhe mandavam.

Mariana passava a maior parte do tempo sozinha. A sua única distracção nos momentos de solidão era observar todos os dias e todas as horas, da janela do seu quarto, aquele lindo morro, cujas pedras pareciam estátuas ou imagens, que ao fixarem-se nos seus olhos, a faziam pensar que eram pessoas verdadeiras, talhadas no basalto negro e esverdeado. Aquelas pessoas eram a sua companhia de todos os dias, desde o amanhecer até ao anoitecer.

O morro para a menina já era um verdadeiro amigo e sonhava muito com ele e, muito especialmente com as figuras lá desenhadas. Mariana sonhava, sobretudo, que aqueles seus amigos talhados no basalto a iriam salvar daquela triste vida que tinha e daquele sofrimento que tanto a atormentava. Por isso fixava o morro durante horas e horas. Ela via naquela rocha negra, entre as várias pessoas, um frade e imaginava-o a celebrar missa, segurando nas suas mãos o cibório, do qual tirava as hóstias consagradas para dar a comunhão aos fiéis, também fixados na rocha e que pareciam erguer-se pela montanha acima. A sua cara cor do sol sorria-lhe e sentia uma paz dentro do seu peito, tão doce que as suas dores quase chegavam a desaparecer.

Num certo noite de lua cheia, numa daquelas noites tão claras que até parecia dia, a menina observava o lindíssimo morro e, num de repente, viu o senhor frade voltar a sua cara para a janela do seu quarto, fixar-lhe o seu olhar terno e sorrir-lhe meigamente. O tempo estava calmo não se ouvia um rumor; os cães calaram-se, os pássaros dormiam nos seus ninhos, o vento não existia pois as folhas dos serrados de milho não mexiam. Como por encanto, Mariana sentia que se aproximava da rocha e que subia a difícil montanha. Caminhava sozinha e à vontade e nada lhe fazia sentir dor, apesar dos seus pés tropeçarem nas pedras do caminho. Ao chegar perto do frade, a menina sentiu uma enorme felicidade e um grande desejo de o abraçar. De seguida, sentiu que os braços do frade a abraçavam fortemente, enquanto uma das suas mãos lhe tocava na cabeça e, acariciando-a, abençoava-a ao mesmo tempo que lhe dizia:

- Minha linda menina, vais curar-te e voltarás a brincar como todas as outras crianças.

Mariana acordou e sentiu um frio enorme por todo o seu corpo. De repente saltou da sua cama e a correr foi deitar-se na cama da sua mãe, aconchegando-se junto dela e aquecendo o seu corpo trémulo e gelado. Foi então que percebeu que estava completamente curada daquela terrível doença, graças ao senhor Frade. O milagre divulgou-se pela ilha e o rochedo passou a chamar-se “O Morro dos Frades”. E todos os anos, naquele dia a menina e a sua mãe iam visitar o rochedo, rezar e contemplar em veneração o tronco basáltico do senhor Frade, cravado naquela rocha.

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publicado por picodavigia2 às 10:18





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