PICO DA VIGIA 2
Pessoas, costumes, estórias e tradições da Fajã Grande das Flores e outros temas.
A LENDA DOS SETE SÁBIOS DA GRÉCIA
Paralelamente, ao desenvolvimento inicial do conhecimento racional, o ser humano, mais concretamente a civilização grega, foi adquirindo, embora muito lentamente e através de um processo moroso e progressivo, gerador de um afastamento, embora parcial, das explicações mitológicas quer acerca do cosmos quer sobre a sua própria origem e natureza, uma espécie de reflexão moral, como que estampada na chamada “lenda” dos Sete Sábios, alguns deles simultaneamente considerados como primeiros filósofos ou homens amigos do saber (filósofo = amigo da sabedoria)). A estes sábios se atribuem máximas, ou seja, breves sentenças morais de grande importância para a sociedade grega, algumas das quais se tornaram tão famosas que foram inscritas no templo de Apolo, no Santuário de Delfos e outras perpetuaram-se ao longo dos séculos e ainda hoje se usam como princípios morais e éticos das sociedades e civilizações, embora os seus utilizadores, muito provavelmente desconheçam a sua origem. São os seguintes os sete sábios que a lenda consagrou e aos quais se devem, entre várias outras, estas máximas morais:
“Conhece-te a ti mesmo.” – Tales.
“A maioria é perversa.” – Bias.
“Sabe aproveitar a oportunidade.” – Pítaco.
“Nada em excesso.” – Sólon.
“A medida é coisa óptima.” – Cleóbulo.
“Cuida de ti mesmo.” – Quílon.
“Indaga as palavras a partir das coisas e não as coisas a partir das palavras.” – Míson.
Trata-se de frases de natureza prática ou moral, que preludiam uma verdadeira e peculiar reflexão sobre a conduta do homem no mundo. Na “República” Cícero, referindo-se aos sete sábios da Grécia escreveu: "Os sete homens a quem os gregos chamaram de sábios foram todos versados na administração pública e, realmente, em nada se aproxima tanto a virtude humana da divina como a fundação de novas nações ou a conservação daquelas já fundadas".

