Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



CIRCE

Segunda-feira, 21.10.13

Ulisses era filho de Laertes, rei de Ítaca, de quem herdou uma enorme astúcia e uma nobre valentia, e de sua mulher Anticleia. Cresceu e sucedeu ao seu pai no trono de Ítaca. Mais tarde, embora apaixonando-se por Helena de Esparta, casou com Penélope, de quem teve um filho, Telémaco.

Terminada a guerra de Tróia, na qual teve um papel de relevo, Ulisses regressou a Ítaca, sendo vítima duma atribuladíssima viagem. No decurso da mesma, juntamente com a sua tripulação, depois de passar por muitos tormentos, foi levado, pelo acaso, até uma praia, na ilha de Eana, aparentemente deserta. Ulisses desembarcou na ilha, subiu a um morro e, olhando ao redor, nada mais viu do que um grande e belo palácio, rodeado de árvores frondosas, situado no interior da ilha. Na tentativa de saber quem o habitava e se haveria ali alguém que o pudesse auxiliar e dar-lhe as informações julgadas necessárias para prosseguir viagem, Ulisses enviou a terra, com destino ao palácio, um grupo de homens, chefiados por Euríloco, para verificar com que hospitalidade poderia contar. Ao aproximarem-se do palácio, os homens viram-se rodeados por leões, tigres, lobos e outros animais ferozes mas que, estranhamente, não os atacavam. Eram domados pelas artimanhas duma bela mulher que habitava o palácio, chamada Circe, uma espécie de deusa com um misto de feiticeira, muito bela, poderosa e deslumbrante que ali vivia, rodeada de luxo e sumptuosidade. Circe era filha de Hélio, deus-sol e da ninfa Pérsia. Por ter envenenado o seu marido, o rei dos sármatas que habitavam o Cáucaso, foi obrigada a exilar-se naquela ilha, cujo nome significava "pranto". Da sua beleza e grandiosidade emanava uma luz ténue e fúnebre, que a identificava como a deusa da Lua Nova, da morte, do amor físico, da feitiçaria, dos encantamentos e dos sonhos precognitivos. Junto ao palácio viviam muitos animais que outrora tinham sido homens e que a bela Circe, com as suas artimanhas e encantamentos, havia transformado em feras.

Os homens enviados por Ulisses não sabiam disso e deixaram-se encantar por uma música suave e, sobretudo, pelo som de uma maviosa voz de mulher, vinda do interior do palácio. Era a misteriosa deusa e feiticeira Circe. Euríloco chamou-a em voz alta, e a deusa apareceu e convidou os recém-chegados a entrarem, o que fizeram de boa vontade, excepto Euríloco, que desconfiou de embuste. A deusa recebeu muito bem os visitantes, cada vez mais encantados com a sua beleza e os seus encantos e convidou-os a se sentarem ao seu redor, servindo-lhes vinho e guloseimas diversas. Os homens divertiram-se à farta, beberam em demasia, embriagando-se por completo. Foi então que Circe lhes deu um licor especial e, tocando-os com uma varinha de condão, fez com que se transformassem, imediatamente, em porcos, com cabeça, corpo e voz de porco, mas conservando a inteligência e os sentimentos de homens.

Euríloco, espreitando por uma janela, viu tudo e apressou-se a voltar ao navio e a contar, a Ulisses, o que se tinha passado. Ulisses, então, resolveu ir ele próprio, tentar a libertação dos seus companheiros. Enquanto se encaminhava para o palácio, atravessando a ilha, encontrou-se com a deusa Minerva que o ajudou, informando-o sobre o triste destino de seus companheiros, transformados em animais pelo poder de Circe, e instruiu-o sobre a maneira como se devia proteger dos seus feitiços. Para tal deu-lhe uma erva mágica, dotada de um poder enorme, capaz de resistir às bruxarias de feiticeira e ensinou-lhe o que deveria fazer, para lhe não acontecer destino idêntico ao dos seus companheiros. Ulisses prosseguiu e, ao chegar ao palácio, foi recebido cortesmente por Circe, que o obsequiou como fizera com os outros. Depois de ele comer e beber, deu-lhe o licor mágico e tocou-o com sua varinha de condão. Mas Ulisses, apenas, simulou beber o licor e, desembainhando a espada, investiu contra Circe, que caiu de joelhos, diante dele, implorando-lhe clemência. Ulisses ditou-lhe uma fórmula de juramento solene que ela havia de proferir e que a obrigava a libertar os seus companheiros e a não cometer novas atrocidades contra eles ou contra o próprio Ulisses. Circe repetiu o juramento e prometeu deixá-lo partir são e salvo, assim como os seus marinheiros. Depois recebeu-os a todos de bons modos e hospitaleiramente.

Circe cumpriu o que prometera - os homens readquiriram as suas formas humanas, o resto da tripulação foi chamado da praia e todos foram tratados magnificamente bem durante vários dias, a tal ponto que Ulisses, parecendo ter-se esquecido de Penélope e de Ítaca, decidiu ficar ali, resignando-se àquela vida de ócio, de prazer e de paixão intensa. Ulisses passou algum tempo na companhia de Circe, da qual teve um filho a que deram o nome de Telégono.

Passado algum tempo, a pedido dos seus companheiros, Ulisses decidiu partir. Circe, inicialmente, solicitou-lhe que o não fizesse, mas depois anuiu e até o ajudou nos preparativos para a viagem, ensinando-lhe como devia proceder para passar são e salvo, ele e os seus companheiros, ao atravessar o mar das Sereias. As Sereias eram ninfas marinhas que tinham o poder de enfeitiçar com seu canto todos os que o ouvissem, de modo que os infortunados marinheiros, na ânsia de a elas se juntarem, sentiam-se irresistivelmente impelidos a se atirarem ao mar, onde encontravam a morte.

Circe aconselhou Ulisses a tapar com cera os ouvidos dos seus marinheiros, de modo que não pudessem ouvir o canto e a amarrar-se ele próprio no mastro dando instruções a seus homens para não libertá-lo, mesmo que, desesperadamente, lho pedisse.        

Apesar de Circe o impedir de ser engolido no mar das Sereias, Ulisses abandonou-a para sempre, deixando-a só e triste, no seu palácio da ilha de Eana.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por picodavigia2 às 15:36





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

VISITANTES

free web counter

calendário

Outubro 2013

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031