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O PINTO PINTÃO

Terça-feira, 22.10.13

(Conto Tradicional)

Era uma vez um pinto graúdo, pançudo e carrancudo. Era o Pinto Pintão, um matulão.
Um dia, o Pinto Pintão achou um grão de milho à beira da estrada. Ia para comê-lo, quando se levantou uma grande poeirada. Era o cortejo real, com cavaleiros e carruagens, que vinha a passar.

Depois do cortejo passar, o Pinto Pintão foi procurar o grão de milho mas não o encontrou.
A culpa foi do rei, que vinha à frente do cortejo, por isso, o Pinto Pintão, muito furioso, pôs-se a caminho do palácio real, para exigir ao rei o seu grão de milho. Sua Majestade iria saber do que o Pinto Pintão era capaz, olá se ia!

No caminho, encontrou uma raposa que lhe quis fazer frente. O Pinto Pintão disse-lhe, muito despachado:

- Arreda-te da minha frente para eu passar.

Mas a raposa não ligou e o Pinto Pintão não esteve com meias medidas. Abriu o bico e - zás! - Engoliu a raposa.

Mais adiante, encontrou um enorme pinheiro, caído na estrada. O Pinto Pintão disse-lhe logo, muito despachado:

- Arreda-te da minha frente para eu passar.

É claro que o pinheiro não se moveu e o Pinto Pintão não esteve com meias medidas. Abriu o bico e zás! - Engoliu o pinheiro.

Ainda mais adiante, foi ter a um rio sem pontes nem barca. O Pinto Pintão disse-lhe logo, muito despachado:

- Arreda-te da minha frente para eu passar.

O rio não se afastou e o Pinto Pintão não esteve com meias medidas. Abriu o bico e zás! - Engoliu o rio com a água toda.

Quando chegou à porta do palácio, o Pinto Pintão, graúdo, pançudo e carrancudo, cada vez mais matulão, pôs-se gritar:

- Qui quí ri qui. O meu bago de milho, quero já aqui.

O rei ouviu-o e mandou que o metessem na capoeira das galinhas, mas o Pinto Pintão não esteve com meias medidas. Botou cá para fora a raposa e ela comeu as galinhas todas. Depois voltou para a porta do palácio e voltou a gritar:

- Qui qui ri quí. O meu bago de milho, quero já aqui.

O rei, muito irritado, mandou que o metessem na cavalariça, mas o Pinto Pintão não esteve com meias medidas. Botou cá para fora o pinheiro, que, ao cair, rebentou com a porta da cavalariça e os cavalos fugiram todos. Voltou para a porta do palácio e pôs-se de novo a gritar:

- Quí quí ri quí. O meu bago de milho, quero já aqui.

Então o rei, sem saber o que mais havia de fazer, mandou que aquecessem o forno e metessem o Pinto Pintão lá dentro. Mas ele mais uma vez não esteve com meias medidas e botou cá para fora toda a água do rio, que, de imediato, apagou o lume do forno e inundou todo o palácio. Já estava o palácio quase a afundar-se quando, finalmente, o rei ordenou, que dessem um bago de milho ao Pinto Pintão.

 Foi o que ele quis:

- Qui qui ri quí. O meu bago de milho, já eu tenho aqui. – E voltou para casa todo orgulhoso.

E o Pinto Pintão, com o bago de milho no bico, virou costas ao rei e ao palácio e voltou para sua casa.

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publicado por picodavigia2 às 16:37





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