PICO DA VIGIA 2
Pessoas, costumes, estórias e tradições da Fajã Grande das Flores e outros temas.
VASSOURAS DE MILHO DE VASSOURA
As vassouras eram absolutamente necessárias na Fajã, pois eram usadas contínua e permanentemente, não apenas para varrer o cisco das casas, mas também para efectuar a limpeza dos pátios, dos logradouros, das lojas e de outros locais de arrumo. As vassouras ainda eram usadas para apanhar os cacos do que se partia, para juntar o trevo, o feijão, as favas e o milho quando postos a secar e, para os que produziam trigo, para o varrer e juntar na eira. Eram pois muito usadas, as vassouras.
Ora para as adquirir havia dois processos: ou se compravam nas lojas, as que vinham do Faial e que o Teófilo produzia e exportava para as Flores ou cada um construía as suas próprias vassouras. No primeiro caso era preciso ter dinheiro. No segundo, para além do cabo e de um pouco de fio, era preciso ter milho de vassoura, o que, no entanto, era fácil obter. Bastava semeá-lo.
O chamado milho de vassoura era semeado geralmente nos cantos das terras, ao mesmo tempo que se semeava o outro milho, dado que não era preciso grande espaço para o seu cultivo, uma vez que um simples punhado de palha chegava para fazer uma vassoura. Para além do milho e para fabricar uma vassoura era necessário apenas um cabo de madeira, semelhante a um bordão e barbante ou outro fio resistente.
O cabo era fácil de adquirir. Bastava ir ao cepo da lenha e arranjar um bom pau de incenso ou de araçazeiro, cortar-lhe os nós, tirar-lhe a casca e alisá-lo bem alisado, o que até poderia ser feito com um simples vidro partido. O milho, depois de apanhado, era seco e ripado, guardando-se uma parte do grão, uma espécie de painço, para semente, no próximo ano. As palhas, depois de secas, eram muito bem amarradas no cabo e de seguida espalmadas formando uma espécie de leque. De seguida e para que mantivesse essa forma achatada, a palha era cosida com uma agulha bastante grande e com fio barbante ou outro igualmente resistente. No entanto, havia quem o fizesse com tiras de pano, o que obviamente baixava o custo da vassoura, reduzindo-o praticamente a zero. Esta operação era efectuada um pouco abaixo do cabo e em mais do que um sítio, a fim de que a resistência da dita cuja fosse maior. Finalmente e com uma tesoura, as pontas das palhas opostas ao cabo eram muito bem aparadas de maneira que ficassem todas do mesmo tamanho. E estavam prontas as nossas vassouras. Força houvesse para manejá-las! E havia…
Constava que estas vassouras artesanais fabricadas pelos nossos antepassados eram de boa qualidade e bastante resistentes, ultrapassando em durabilidade e firmeza as que vinham do Faial e que em duas ou três varredelas mais exigentes, começavam a deixar cair palhinhas e a desfazerem, sendo necessário, por vezes, reforça-las, cosendo-as de novo ou colocando-lhes à volta um pedaço da canela duma meia velha de senhora.
Diziam as varredoras mais experientes que a vassoura se devia guardar encostada, junto ao forno, com o cabo para baixo, para não deformar a palha, dificultando ou tornando menos eficaz a sua função principal – varrer

