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SOPA DE FEIJÃO

Quinta-feira, 24.10.13

Um dos pratos mais comuns nas casas fajãgrandenses, na década cinquenta, era a sopa de feijão. Servia-se, geralmente, ao jantar, ou seja à refeição do meio-dia e, embora sendo habitualmente designado por sopa, era, no entanto, um prato tão substancial que só por si só, juntamente com o pão, constituía uma refeição completa.

O feijão foi sempre um produto muito cultivado na Fajã pois “dava-se” bem em todos os terrenos e tinha boas condições de produção, tanto nas terras junto do mar como nas mais interiores. Além disso, o cultivo do feijão não exigia a exclusividade de um campo, isto é, não precisava de um terreno só para si, dado que crescia, florescia e frutificava muito bem em simultâneo com outros produtos agrícolas, nomeadamente com o milho. Neste caso com uma dupla vantagem: não era preciso trabalhar os terrenos de propósito para semear o feijão, pois aproveitava-se os que estavam preparados para o cultivo daquele cereal e nem era necessário espetar na terra estacas de cana ou de vimes para os feijoeiros subirem, uma vez que o faziam enroscando-se no próprio milheiro e ainda por cima enrolavam-se de maneira tão graciosa, admirável e de tal modo funcional que parecia que as vagens eram fruto do próprio pé de milho. Uma vez apanhadas as maçarocas, as vagens do feijão ficavam ali, penduradas nos milheirais, a amadurecer e a secar. Mais tarde, o feijão era apanhado, descascado, posto a secar nos pátios e estava pronto a guardar para com ele se confeccionar a tal sopa.

Havia muito feijão na Fajã! E havia-o de várias cores e raças. Mas o encarnado e o raiado eram os mais usados para a sopa. Uma vez demolhado de um dia para o outro, era posto a cozer em bastante água, com cebola, tomate e alho picados e outros temperos, nunca esquecendo uma boa colher de “graxa” de porco, preferencialmente da que cobria a linguiça. Quem tinha possibilidades juntava uma ou duas talhadas de toucinho ou um pedaço de osso da cabeça do porco. Em muitas casas mais pobres cozinhava-se simplesmente sem nada, ou melhor, apenas com colher de banha. Uma vez bem cozida em caldeirão de ferro, esta espécie de sopa era retirada do dito cujo, ainda a fumegar, com uma conha, sendo baldeada para uma terrina onde haviam sido colocadas fatias de pão de trigo. Nas casas com menos posses, nas quais a minha se incluía, colocavam-se fatias de pão de milho em vez do pão de trigo. E não é que a sopa de feijão parecia ainda ficar melhor… e então se levasse a talhadinha de toucinho… Era um verdadeiro manjar dos deuses!

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publicado por picodavigia2 às 17:41





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