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O CAMINHO DA MISSA

Segunda-feira, 28.10.13

O caminho que ligava a Fajã Grande à Fajãzinha, na direcção norte-sul, era conhecido por “Caminho da Missa”. O nome advinha-lhe, indubitavelmente, do facto de outrora, por ali transitar a população da Fajã quando se deslocava à Fajãzinha, para aí assistir à missa. Nessa altura a Fajã ainda era um simples lugar pertencente à freguesia das Fajãs, com a sua sede na Fajãzinha, onde havia a igreja paroquial, sendo esta, também, o maior e mais importante lugar das Fajãs à qual pertenciam ainda a Cuada e a Fajã dos Valadões, lugares actualmente desabitados. A Cuada transformou-se numa aldeia turística enquanto a Fajã dos Valadões, como povoado, pura e simplesmente desapareceu, mantendo-se, apenas, como nome de lugar. A Ponta, por sua vez, pertencia à freguesia de Ponta Delgada. Sendo assim, o referido caminho recebeu nome, pelo facto de não havendo igreja na Fajã, ser através dele que o povo se deslocava à Fajãzinha sempre que pretendia assistir à missa e participar noutras celebrações litúrgicas ou até para se casar, baptizar os filhos ou sepultar os seus mortos. Dai o ter recebido este nome que perdurou ao longo dos tempos.

Acrescente-se, no entanto, que o “Caminho da Missa” é apenas o nome do caminho que liga o Cimo da Assomada à Eira da Cuada. A partir daí inicia-se a Ladeira do Biscoito que termina na Ribeira Grande, fronteira natural entre as duas localidades. A seguir à Ribeira Grande, logo a assomava a Fajãzinha, com as suas tortuosa ruas e vielas a desembocar no mítico Rossio e, por fim, na igreja paroquial.

No Cimo da Assomada, o Caminho da Missa tinha, do lado direito de quem o subia, duas casas, ambas ainda habitadas na década de cinquenta. Uma pertencia ao Garcia e a outra, a última da Assomada, à Senhora Estulana. Hoje é um restaurante denominado “Casa da Vigia”, gerido por um casal italiano, que também se dedica ao cultivo de produtos biológicos. O Caminho da Missa seguia, depois, rectilíneo, enquanto se prolongava quase paralelo ao Pico e ao Pico da Vigia. O acesso a um e outro fazia-se por uma canada que existia logo a seguir à casa da Estulana, percurso percorrido quotidiana, na época estival, pelo vigia da baleia, mestre Manuel Manquinho. Era da casa da vigia, existente no alto do monte, que observava os bufos das baleias. De resto, este caminho ligava-se apenas a mais uma pequena canada aqui ou a um outro atalho além, seguindo até uma horta que opor ali havia com um enorme portão, formando, aí, uma curva e estendendo-se, logo a seguir, na direcção do mar para, mais adiante, caminhar de novo paralelo ao Oceano até à Eira da Cuada, formando, antes desta, uma pequena ladeira. No alto de Eira da Cuada, havia um largo muito grande, formando um descansadouro. Era aí que as pessoas se sentavam a esperar os passageiros em dia de chegada do Carvalho. A partir daí, iniciava-se, então, a descida da ladeira do Biscoito. No entanto se voltássemos à esquerda entrávamos na sinuosa Canada da Cuada, que ligava esta localidade ao Caminho da Missa e à Fajãzinha.

No Caminho da Missa passava pouco gado, uma vez que as relvas por aqueles lados eram raras. Apenas havia terras de cultivo e, por conseguinte, por ele circulavam somente as pessoas que tinham terras de agricultura para aqueles lados, quem queria uma alternativa para se deslocar à Cuada, quem necessitava de ir para as Lajes, para a Vila ou para outra freguesia da ilha excepto Cedros e Ponta Delgada e para quem ia esperar os passageiros vindos mensalmente no Carvalho Araújo. Era por lá também que entravam os visitantes da Fajã, oriundos de quase toda a ilha, com excepção dos residentes nos Cedros, os quais atravessavam os matos e desciam a rocha e os vindos de Ponta Delgada que desciam a rocha da Ponta.

Assim o Caminho da Missa era uma espécie de caminho mítico, na altura, pois, para além de tudo, era o único caminho por onde circulavam cavalos que traziam o clero para celebrar as festas e fazer confissões na desobriga pascal, as autoridades para fiscalizar, governar e explorar a população e, uma vez ou outra, o médico para curar os doente

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publicado por picodavigia2 às 09:20





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