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AFRODITE

Terça-feira, 29.10.13

Cronos era o deus do tempo. Certo dia, após uma esporádica rebelião entre os deuses do Olimpo, decidiu castigar Úrano, castrando-o e atirando-lhe os genitais ao mar. De imediato, formou-se, na água, um enorme remoinho de espuma, da qual surgiu uma bela mulher, Afrodite. Perdida no mar, foi Zéfiro, o vento norte, que, soprando suavemente, a transportou numa concha e a levou até à ilha de Chipre, onde as Horas a esperavam. Vestiram-na com um traje imortal e, adornando-lhe os cabelos com vistosas violetas, conduziram-na ao Olimpo, onde foi apresentada à assembleia dos deuses. A sua excelsa e ímpar beleza foi aclamada por todos. Jamais as divindades celestes tinham visto tão sedutora formosura, pelo que, de imediato, Afrodite foi consagrada e entronizada como a deusa do amor, da sedução e da sensualidade.

Afrodite cresceu e tornou-se tão linda, tão bela, tão atraente e tão sensual, que os deuses temiam que tanta beleza provocasse, entre eles, ondas de ciúme que haviam de por termo à paz e à harmonia, até então, reinantes no Olimpo. É que para além duma excelsa beleza, duma divinal sedução e do seu ar sensual e provocante, Afrodite era voluntariosa, amante do prazer e permanentemente dada a paixões provocantes e a eflúvios amorosos, mas inimiga da sensatez, da estultícia e da fealdade. Representava a doçura dos apaixonados, o ímpeto dos desejosos e o delicioso idílio da entrega dos corpos. Foi ela quem prometeu o amor da bela Helena ao príncipe Paris, comprometendo-os emocionalmente, a fim de que vivessem uma profunda e sublime paixão, sem se importar com as consequências que daí adviriam, consubstanciadas numa guerra sangrenta que devastaria e arrasaria, por completo, a cidade de Tróia.

Mais tarde, Zeus ficou ressentido, pois, tão grande era o poder sedutor de Afrodite que ele e os demais deuses do Olimpo lutavam, permanentemente, uns contra os outros, na disputa pelos encantos da bela diva, enquanto esta os desprezava a todos, como se de nada valessem. Como vingança e punição, Zeus obrigou-a a casar-se com Hefesto, o deus mais horroroso que existia no Olimpo e que, para além de feio, era coxo. Mas, apesar de inconformada com o casamento, a deusa não deixou de viver a voluptuosidade impetuosa das suas paixões. Assim, começou por trair Hefesto, não só com os mais belos deuses, mas também com muitos mortais. Hefesto apercebeu-se a tempo do embuste e, cuidando que estava a usar uma sábia perícia, cobriu-a com as melhores jóias do mundo, oferecendo-lhe, inclusivamente, um cinto mágico do mais fino ouro, mas entrelaçado com filigranas mágicas, com o fim de ela se sentir atraída por ele, não se apercebendo, o palerma, de que, mais do que por ele, aquele cinto mágico, mais a faria apaixonar-se e entregar-se a outros, em permanentes e irresistíveis paixões.

Afrodite sempre adorou o prazer sensual, a volúpia e o glamour. Amou e foi amada por muitos deuses e por outros tantos mortais. De entre todos os seus amantes, os mais famosos foram Anquises e Adónis, este também apaixonado por Perséfone, de quem a deusa era rival, tanto pela disputa do amor de Adónis, como no que se à sua beleza dizia respeito. É que Afrodite não admitia que nenhuma outra deusa ou mulher tivesse uma beleza comparável à sua, punindo os mortais que se atrevessem a desafiá-la, comparando a sua formosura com quem quer que fosse. Adónis era o jovem mais belo de toda a Grécia. Aprendeu com Afrodite a arte do amor, os segredos do corpo e do prazer. Um dia, enquanto a deusa descansava à sombra de uma árvore, Adónis caçava javalis. Ao atirar, atingiu um deles com uma flecha. Mesmo ferido, o animal teve forças para atacar e abater mortalmente o belo caçador. Ao ouvir os gritos de Adónis, Afrodite correu em seu auxílio. Mas chegou tarde demais, encontrando o seu jovem apaixonado, já sem vida. Abatida por uma dor infinita, a deusa recolheu algumas gotas do sangue do amado, regando com elas o chão, onde o jovem havia tombado. Do sangue de Adónis nasceu uma flor, a anémona, de vida efémera, florindo e renascendo em cada primavera, a relembrar o amor perdido pela deusa, também ele passageiro.

Outro dos amantes de Afrodite foi o próprio Zeus que, no entanto, nunca quis divulgar este seu enlevo, uma vez que a sua esposa Hera era muito ciumenta e Zeus tinha medo que Afrodite e ela fizessem algo que prejudicasse o seu casamento.

Outro deus que se apaixonou perdidamente por Afrodite, foi Ares que levava sempre para os seus encontros com a deusa, o jovem Aletcrião, deixando-o de vigília enquanto amava a bela deusa. Uma noite, porém, Alectrião deixou-se adormecer, enquanto Ares e Afrodite se entregaram, voluptuosamente, um ao outro. De manhã, quando Hélio, o deus Sol, despontou o dia, surpreendeu o ilícito idílio dos dois amantes. Indignado, Hélio procurou Hefesto e contou-lhe da traição da esposa. Na sua fúria de marido traído, Hefesto deixou-se abater pela tristeza, mas passado algum tempo, já recuperado, traçou um plano de vingança. Confeccionou uma rede invisível com finíssimos fios de ouro, tão resistente que nenhum homem ou deus a pudesse romper. Hefesto armou a sua rede sobre o próprio leito da traição, dizendo à esposa que se iria ausentar por alguns dias, partindo, de imediato, sem maiores explicações.

Cuidando que Hefesto estaria ausente, Ares e Afrodite entregaram-se, de novo ao prazer louco, enchendo-se de felicidade. Viveram uma noite de amor, descansados, sem o medo de serem surpreendidos. Movidos por uma arrebatadora paixão, deitaram-se, felizes, sobre o leito armadilhado. Só deram pelo ardil minutos depois, quando se viram prisioneiros da rede invisível. Naquele instante, Hefesto surgiu, cheio de cólera, gritando com uma voz tão forte, que se fez ouvir em todo o Olimpo. Todos os deuses acorreram e, presenciando a traição, testemunharam o crime dos dois amantes.

Hefesto estava disposto a deixar para sempre os amantes prisioneiros. Só através da mediação de Apolo se predispôs a soltá-los. Livre e envergonhada, Afrodite partiu para Chipre, sua ilha predilecta, enquanto Ares foi degredado para os campos de batalha da Trácia, a fim de esquecer, na guerra, as dores do amor findado.

Depois do degredo, Afrodite raramente descia à terra, relacionando-se com os mortais, adquirindo uma forma humana, possuindo o sublime poder de manipular um homem não só com a sua beleza e formosura, mas também com o seu olhar, ou simplesmente com o contacto físico ou mental.

Ainda hoje, Afrodite desperta o fascínio dos humanos, e dela se contam lendas das mais difundidas sobre a mitologia greco-romana, sendo o mito do seu nascimento, um dos mais explorados nas artes, nomeadamente, na pintura.

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publicado por picodavigia2 às 15:41





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