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A UM CONSTRUTOR DE BARCOS QUE FOI MEU PAI

Quinta-feira, 31.10.13

(POEMA DE URBANO BETTENCOURT)

     Os punhos que ergueste contra

     um tempo de promessas

     e a tua voz que não passou além

     do cume dos nossos montes adormecidos,

 

MEU PAI:  os barcos que fizeste

     eram pequenos de mais para viajar

     o teu sonho

     a tua raiva

     o teu cansaço

 

     tu fabricante de viagens

     amordaçadas

     arquitecto de ilhas

     naufragadas

 

MEU PAI:  sei bem do tempo

     em que os carangueijos roíam as raízes

     da tua ilha - apodrecendo

     e os barcos murchavam

     na baía

     (recordo que a viola perdeu

     a voz num prego da parede.)

     E daí

     o teu barco de tédio e cansaço

     único a não esbarrar

     contra os muros das ilhas vizinhas.

 

Urbano Bettencourt

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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