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TI BRITSA

Quinta-feira, 31.10.13

António Maria de Sousa, mais conhecido na Fajã por “Ti Britsa”, morava no cimo da Fontinha, mais concretamente na última casa, do lado direito de quem subia aquela rua. Filho de José Maria de Sousa e de Maria José Teodósio, ambos naturais da Cuada, tio Britsa era irmão da minha avó materna. Tio Britsa e a minha avó, porém, foram criados por pais adoptivos desde de pequeninos, em virtude do falecimento precoce da sua progenitora. Minha avó foi entregue a José Cristiano Ramos e sua mulher Margarida de Jesus, enquanto Tio Britsa foi criado por duas irmãs, já de idade avançada, conhecidas por “As Brígidas”. Daí a deturpação popular do nome “Britsa” em substituição de “Brígida”, epíteto que ele angariou e a que teve jus. Tio Britsa casou com uma irmã das senhoras Mendonças de cujo casamento nasceram seis filhos: a Maria da Paz, a Rosa, a Matilde, a Alice, o Daniel, o Leonardo e a Joana, tendo estes dois últimos falecido, quando ainda eram muito jovens.

Tio Britsa era um homem simples, bondoso e humilde mas honrado e muito trabalhador pese embora já ser de avançada idade. Raramente se via sentado à Praça, sendo, pelo contrário, frequente vê-lo a passar no Batel carregando molhos de lenha, ou a descer a Bandeja com um feixe de espiga às costas, ou a subir a Fontinha vergado ao peso de um pesado cesto de batatas, trazidos das Furnas ou do Areal. Como o peso dos anos já não lhe permitisse grande desenvoltura e ainda porque os carregos que transportava eram pesados e a Fontinha bastante inclinada, Tio Britsa subia-a muito lentamente. Dizia-se então, em ar jocoso, quando alguém andava muito devagar que “era como Tio Britsa pela Fontinha acima: dava um passo para a frente e dois para trás.”

Tio Britsa era uma pessoa honesta, virtuosa, vivia para si e para os seus, metido consigo próprio mas, dado que era muito simples e um pouco incauto, alguns, julgados mais sábios ou importantes, metiam-se com ele, com chalaças, brincadeiras e, por vezes até com alguma chacota ou ar trocista. Porém, pelo menos aparentemente, nada o incomodava. Contava-se até que certa vez utilizando o arame dos Paus Brancos para lançar uns molhos de lenha por ele abaixo, o arame rebentou. Muito aflito e considerando-se culpado, tio Britsa veio denunciar-se a si próprio ao Mancebo, na altura presidente da Junta. Muito nervoso e preocupado ter-lhe-á dito simplesmente: “Eu quebrei a verga”. A partir daí ele ficou com apelido de “Eu quebrei a verga”, o qual se propagou até aos netos.

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publicado por picodavigia2 às 16:17





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