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O GIRÃO

Sábado, 02.11.13

Um dos barcos de carga que outrora escalava a ilha das Flores e que intercalava com as escalas mensais do Carvalho Araújo era o Girão, que demandava a ilha em alternância com o Terceirense e por vezes com o Lima, fazendo serviço geralmente o porto das Lajes, deslocando-se raramente à Fajã, apenas quando o mar em Santa Cruz não permitisse fazer a carga e descarga. O Girão era o navio que transportava para as Flores carga das restantes ilhas, nomeadamente de S. Miguel. A sua carga fundamentalmente reduzia-se ao transporte das botijas ou garrafas de gás e o combustível líquido, este em bidões de 200 litros, uma vez que o Carvalho, como navio de passageiros não podia nem devia transportar estas mercadorias, devido ao perigo que representavam para um navio que transportava passageiros. O Girão era bem mais pequeno do que o Carvalho, mas maior do que o Terceirense, outro navio de carga que também demandava a ilha das Flores nos anos cinquenta e que fez serviço, várias vezes, no porto da Fajã. O Girão tinha um comprimento de 47,80 metros, boca 7,80, calado 3,65, um motor de 400 hp e uma velocidade próxima dos 8 nós. Construído em 1931, em Foxhol, na Holanda, pelo construtor J. Smit & Zoon, ainda fez parte da frota da CTM até 1974. Altura em que foi retirado da navegação e vendido para a sucata.

No Pico, contava-se que certa vez que o Girão escalou o porto do Cais, enquanto se carregavam uns bidões vazios, alguns terão caído do guindaste que os içava e rolado sobre o convés do navio provocando um ruidoso estrondo. Muita gente ficou alarmada, incluindo o comandante, que veio à ponte e, depois de se inteirar do que se passava, advertiu o homem do guindaste: "Por favor, não me rebente com as costuras do navio!"

Este navio de carga, de saudosa memória para os florentinos e fajãgrandenses, chamava-se, inicialmente, "Oceaan", passando a chamar-se Gorgulho, na altura em que chegou a Portugal e foi registado na Capitania de Lisboa, no ano de 1948. Posteriormente e porque foi adquirido pela mesma companhia um outro barco com o mesmo nome, o “Oceaan” holandês passou a chamar-se Girão, nome que permaneceu até ao fim dos seus dias, quando foi vendido para a sucata.

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publicado por picodavigia2 às 15:58





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