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A LENDA DA ERMIDA DE SANTA CATARINA DAS LAJES DO PICO

Segunda-feira, 03.06.13

Antes de ser freguesia, grande parte do território pertencente, actualmente, a São Caetano do Pico pertencia à freguesia de São Mateus e nele se situava o lugar da Prainha do Galeão, assim como o do Caminho. Por sua vez, o lugar da Terra do Pão, nesses tempos recuados, pertencia à freguesia de São João.

Nesses tempos, o lugar da Prainha, alojada no regaço de uma enorme baía, onde assentava um pequeno e rústico porto, era um lugar pobre, onde viviam algumas dezenas de famílias, alimentando-se do que a terra lhes dava, do leite e da carne das ovelhas e cabras que criavam e, sobretudo, do peixe que apanhavam e que era abundante naquelas redondezas. Os primeiros colonos que ali se fixaram, fundaram, junto ao mar, uma pequena povoação, hoje, denominada por Prainha do Galeão, por ter sido ali que um dos seus habitantes fez construir um galeão, como forma de pagamento de dívidas ao rei. Junto ao mar edificaram, também, uma pequena ermida, escolhendo São Caetano, como seu padroeiro.

Conta-se que em tempos muito recuados, certo dia, um grupo de homens daquela localidade decidiu ir pescar, ao largo da baía. Servindo-se de um pequeno e tosco batel lançaram a rede por fora da ponta dos Coxos. Passado algum tempo puxaram-na e, como a sentissem muito pesada, alegraram-se, por quanto cuidaram que tinham apanhado grande quantidade de peixe. Qual não foi o seu espanto, quando ao despejar, por completo, a rede dentro do batel, se aperceberam de que, afinal, em vez de peixe, haviam encontrado uma linda imagem que lhes pareceu ser uma Santa, cujo nome nenhum foi capaz de identificar e que, muito provavelmente, havia sido trazida, milagrosamente, pelo mar.

Quando chegaram a terra com o precioso achado, os familiares e outras pessoas que os aguardavam no porto, manifestaram-se em grande alarido, mas ninguém foi capaz de identificar o nome da santa. Foi então que um dos pescadores sugeriu que a trouxessem para as Lajes, para a igreja mais imponente da ilha, a igreja do Convento dos Franciscanos. Decerto que algum dos frades daquele convento havia de identifica-la.

Foi fácil para os frades franciscanos residentes no convento identificar a imagem como sendo de Santa Catarina. Além disso, empolgados com a sua beleza e porque naqueles tempos rareavam nas igrejas imagens de santos, os frades logo decidiram que a imagem havia de ser colocada num dos altares da igreja que pertencia ao seu convento e que acabara de ser construída, havia pouco tempo.

Mas no dia seguinte, quando os frades se aproximaram do altar para, mais atentamente, contemplarem a santa e prestar-lhe veneração, já não a viram ali. Cuidando que os pescadores da Prainha do Galeão, durante a noite, a tivessem vindo buscar, mandaram emissários àquele pequeno povoado. Ficaram, então, a saber que a imagem de Santa Catarina, sem que ninguém lhe tivesse tocado, tinha ido outra vez parar à Ponta dos Coxos, em frente à Prainha do Galeão. Os pescadores voltaram a levar Santa Catarina de volta para as Lajes, para junto dos frades, que de novo a colocaram sobre o altar da sua igreja.

Mas, no dia seguinte, sem que ninguém lhe tocasse, a Santa voltou, novamente, para a Prainha, repetindo-se este vaivém durante vários dias. As pessoas impressionadas com o facto, cuidaram que fosse um milagre e começaram a dizer que Santa Catarina queria ficar perto de S. Caetano, padroeiro da pequenina ermida, construída na Prainha do Galeão. Mas os frades e o povo das Lajes não querendo separar-se da imagem de Santa Catarina, decidiram construir uma pequena ermida, num sítio bem alto, donde se avistasse a Prainha do Galeão e onde a santa pudesse, ao menos, ver aquela pequenina localidade da ilha do Pico onde tinha sido encontrada.

Assim se fez. Num terreno mais alto, sobranceiro ao centro da vila das Lajes, mesmo por cima da lindíssima costa com o nome de Lajedo, os frades e o povo ergueram uma pequena ermida que dedicaram a Santa Catarina. Do adro desta ermida, pode-se desfrutar uma bela paisagem: as Lajes, a montanha do Pico, alguns promontórios e várias freguesias da parte sul da ilha, inclusive a freguesia de S. Caetano ou Prainha do Sul, onde Santa Catarina desejava estar.

Mas o altar ficava no interior, sem qualquer vista para a rua e, reza ainda a lenda, que a santa não estava satisfeita e, por isso, continuou a fugir para a Prainha do Galeão.

Os frades e o povo das Lajes não sabiam mais o que fazer para que Santa Catarina aceitasse a morada que lhe tinham construído. Foi então que um dos frades, o mais velho e experiente, lembrou que se abrissem uma janelinha voltada para os lados da Prainha Galeão, através da qual Santa Catarina visse a sua localidade predilecta, talvez se aquietasse e ali permanecesse descansada.

Puseram logo a ideia em prática e abriram uma pequena janela. Consta que assim Santa Catarina ficou, finalmente, satisfeita, permanecendo no seu altar, olhando através da pequena janela, com saudade, para a Prainha do Galeão, onde viviam os pescadores que a haviam encontrado e em cuja pequenina e tosca capela estava o seu amigo S. Caetano.

 

Fonte de Inspiração – Texto de Ângela Furtado-Brum, com o mesmo título.

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