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CELEIRO DE OUTUBRO

Sábado, 09.11.13

“Em Outubro vai ao celeiro e enche o mealheiro.”

 

A palavra “celeiro” no sentido real – e aqui só pode ser entendida desta forma - é o local ou casa rural onde, comumente, os agricultores armazenam grãos, assim como outros produtos das suas colheitas e onde também, por vezes, se guardo gado e os veículos ou os utensílios agrícolas. No entanto esta palavra, com este sentido não era utilizada na Fajã Grande, onde aquele o local de guarda do milho com se chamava “estaleiro” e os edifícios onde guardavam quer o milho debulhado, quer os utensílios agrícolas “casas velhas”. Sendo assim, este provérbio, muito provavelmente, terá sido trazido do continente pelos primeiros povoadores, sendo que as pessoas que o utilizavam conheciam perfeitamente o significado da palavra “celeiro”.

Assim a mensagem que pretendiam transmitir com o uso de tal provérbio, era por mais evidente. Sendo em Setembro que se faziam as colheitas, Outubro era mês de abundância, era mês rico, pois muitas pessoa tendo milho em abundância podiam vender o excedente e conseguir algum dinheiro. Decerto que o simbolismo de tudo isto é o facto de noutros tempos, as formas de ganhar algum dinheiro serem muito escassas e raras. Outubro, para os que mais produziam, era uma excepção.

Não parece que existisse nenhum sentido figurado na utilização deste adágio.

 

 

Segunda Versão

 

Um provérbio muito utlizado na Fajã Grande nos anos 50 e com o qual se queria significar que, em termos de quantidade de cereais armazenados, Outubro é, incontestavelmente, o mês mais farto do ano, o que nada é estranho, uma vez que é por esta altura do ano que se recolhia a maior parte dos cereais e muitos outros produtos agrícolas. Na Fajã Grande era em Outubro que os estaleiros escondiam a sua nudez, revestindo-se por completo, por dentro e por fora, com as maçarocas do milho presas em “cambulhões”. No sentido real, o adágio significa que Outubro era um mês abundante e, até, era altura de se ganhar algum dinheiro, vendendo cereais. Aparentemente não terá nenhum sentido figurado.

Estranho é que este provérbio utilize a palavra “celeiro” que não fazia parte do vocabulário fajãgrandense na altura, nem sequer na Fajã Grande se chamava celeiro a qualquer lugar onde se guardassem os cereais. Isto prova afinal que este, como muitos outros, não é um adágio “endémico”, terá sido levado pelos primeiros povoadores oriundos do Norte do país. Assim teria mais sentido dizer-se: “Em Outubro, vai ao estaleiro e enche o mealheiro.” Mas os adágios, são como são e não se mudam, embora por vezes, sejam adaptados e modificados, pois existem muitos que adquirem nuances diferentes, de terra para terra ou de região para região.

 

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publicado por picodavigia2 às 16:40





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