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A FESTA DA SENHORA DO CARMO DA PONTA

Segunda-feira, 18.11.13

Era em meados de Julho que se realizava a festa da Senhora do Carmo, na Ponta, de cuja ermida era a Padroeira. Era a primeira festa de Verão da ilha das Flores. Aliás era costume, na altura, dizer-se que as festas de Verão, nas Flores, começavam e terminavam na Fajã Grande: em Julho com a Senhora do Carmo e em Setembro com a Senhora da Saúde. Antigamente a festa era celebrada no dia dezasseis de Julho, data em que, segundo a tradição carmelita, Nossa Senhora apareceu a S. Simão Stock e lhe entregou o escapulário. Mais tarde porém e para que um maior número de fiéis pudesse demandar a Ponta e participar na homenagem à Virgem do Carmo, a festa passou a celebrar-se num dos últimos domingos de Julho.

Para além do tríduo de preparação, de duas missas no dia (a da comunhão e a da festa), desta festividade, em honra de Nossa Senhora do Carmo, também fazia parte uma grandiosa procissão pela principal artéria da Ponta e ainda um arraial no Outeiro, num largo que existia frente ao adro e à Casa de Espírito Santo. Vinham padres e forasteiros de toda a ilha e a procissão incorporava as várias imagens existentes na ermida da Ponta, guiões, o Santo Lenho e muitos fiéis, alguns dos quais descalços e de escapulário ao peito, em cumprimento de promessas feitas para obter a protecção, as graças e bênçãos da Virgem.

Mas o que mais caracterizava esta festa era a cerimónia da imposição escapulário da Senhora do Carmo, a quem o solicitasse e que se realizava geralmente antes da missa da festa. O escapulário era constituído por duas pequenas tiras de pano castanho, presas uma à outra com dois elásticos que devíamos colocar ao pescoço de forma visível apenas no dia da festa e nos restantes dias por debaixo da roupa, uma tira sobre o peito e a outra nas costas. Isto no caso de se aderir apenas à ordem menor, porque mulheres havia que aderindo à ordem maior, teriam que andar vestidas com um vestido castanho sobre o qual usavam o escapulário, também imposto numa cerimónia ainda mais solene. Neste caso, as tiras, também de cor castanha, eram muito maiores cobrindo-lhes o corpo quase por completo como se fosse um avental ou uma bata aberta nos lados. Na Ponta havia muitas mulheres assim vestidas permanentemente, fruto de promessas que haviam feito.

O escapulário da Ordem do Carmo, que ainda hoje é reconhecido pela Igreja Católica e que todos os Papas do século XX terão usado, foi aprovado em 1226, pelo papa Honório III e embora inicialmente fosse usado apenas pelos frades e freiras da Ordem do Carmelo, mais tarde passou a ser usado pelos fiéis que o desejassem, quer sob a forma de hábito, quer limitando-se apenas às pequenas tiras de pano. Em 1964, o Papa Paulo VI autorizou, em virtude dos incómodos que o seu uso por vezes implicava, que o escapulário pudesse ser substituído por uma simples medalha com uma das faces a ostentar uma imagem de Maria e a outra com uma imagem do Sagrado Coração de Jesus

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publicado por picodavigia2 às 13:21





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