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A ANTIGA PARÓQUIA DAS FAJÃS (ILHA DAS FLORES)

Quinta-feira, 21.11.13

A zona das Fajãs, ou seja o espaço encastoado entre a rocha e o mar que vai da Portal ao Risco e que constitui a costa mais ocidental das Flores terá começado a ser desbravada em meados do século XVI, com os primeiros núcleos populacionais estáveis a surgirem pouco depois Já estruturado como povoado, o lugar da Fajãzinha foi em Julho de 1676, por provisão do bispo de Angra D. Frei Lourenço de Castro, desanexado da paróquia das Lajes das Flores, à qual pertencia apesar da grande distância e dos maus ou inexistentes caminhos, e erecto na paróquia de Nossa Senhora dos Remédios das Fajãs, então com sede na igreja de Nossa Senhora dos Remédios da Fajãzinha, mas com jurisdição que abrangia toda a costa oeste da ilha, desde a Ponta da Fajã até ao Mosteiro, englobando assim os lugares de Ponta, Fajã Grande, Caldeira e Mosteiro e alguns outros desabitados desde o fim do século XIX. A freguesia da Fajãzinha é assim a quarta mais antiga da ilha, precedida em idade apenas pelas duas vilas e por Ponta Delgada.

Para constituir a nova freguesia, o lugar da Ponta da Fajã foi desanexado da paróquia de São Pedro de Ponta Delgada, à qual pertencia desde a criação daquela freguesia, e integrado com o lugar da Fajã Grande na nova paróquia, cuja delimitação teve lugar nos dias 12 e 13 de Julho de 1676, na presença do ouvidor eclesiástico, padre Domingos Nunes Pereira, e do primeiro pároco da freguesia, padre André Alves de Mendonça. A freguesia das Fajãs estendia-se por mais de duas léguas ao longo da costa oeste da ilha, desde a Ribeirinha do Miradoiro, na Rocha do Risco da Ponta da Fajã, até à Ribeira da Lapa, no Mosteiro. Para além das actuais povoações, incluía ainda alguns lugares então habitados, como sejam a Fajã dos Valadões, a Ribeira da Lapa, o Pico Redondo e os Pentes, todos hoje abandonados.

A escolha do lugar da Fajãzinha para sede da nova paróquia deveu-se ao facto de já lá existir, desde o ano anterior (1675), uma pequena igreja localizada no chamado Adro Velho, nas imediações da actual igreja. Esta igreja ou ermida era muito pequenina e incompleta, apenas vindo ter uma torre sineira no ano de 1747, conforme consta de uma lápide ainda existente e colocada no actual templo. A igreja hoje existente começou a edificar-se a 7 de Abril de 1776, embora em 1771 já se partisse pedra para a obra. A sacristia norte apenas foi construída em 1787. A torre ficou por acabar durante muitos anos, já que apenas no verão de 1896 se deu início à obra para a sua conclusão. O último enterramento no interior da igreja ocorreu a 23 de Maio de 1834, ficando o cemitério concluído antes de 1868.

Assim, desde muito cedo a Fajãzinha desempenhou um papel administrativo muito importante de relevo no conjunto da ilha das Flores, já que ela foi, desde o longínquo ano de 1676 e até meados do século XIX, sede paroquial das Fajãs, englobando na sua jurisdição quase toda a costa ocidental da ilha. O Mosteiro só em 1850 ascendeu a freguesia, a que se seguiu, em 1861, a criação da freguesia da Fajã Grande, estabilizando a actual divisão administrativa da zona.

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publicado por picodavigia2 às 09:38





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