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AOS SALTOS NAS ILHAS

Domingo, 24.11.13

Ontem, numa viagem entre o Pico e o Porto, andei aos saltos de ilha para ilha, fui forçado, a uma paragem, devidamente programada, na ilha de São Miguel, onde pernoitei.

Na realidade, quem visita os Açores, vindo da Europa ou da América, está forçado a esta espécie de “saltos” de ilha para ilha, a fim de chegar ao destino pretendido. Na vinda, do Porto para os Açores, há quinze dias, os “saltos” que tive de efectuar para chegar ao Pico, ainda foram mais numerosos, embora menos demorados. Saindo do Porto num Boing da SATA, que até confundira com o charter da mesma companhia que seguia para São Petersburgo com os jogadores do Futebol club do Porto, depressa se iniciaram os saltos - São Miguel, Terceira, Pico, este, com a especificidade de se efectuar por cima de São Jorge. Curiosamente esta ilha, juntamente com a Graciosa, não beneficiam de voos oriundos do Faial ou do Pico. Assim, quem viajar entre o Faial e uma ou outra destas ilhas terá que o fazer também aos “saltos” sobre outras ilhas, nomeadamente sobre a Terceira. Mas como, quer a Graciosa, quer São Jorge estão, geograficamente, mais perto do Faial, sendo a Terceira mais afasta, exigindo, por isso, um percurso aéreo mais longo, quem viaja do Faial para a Graciosa paga menos do que se viajar para a Terceira. Sendo assim há que aproveitar e pelos vistos já houve quem, pretendendo ir para a Terceira comprou bilhete para a Graciosa. Ao fazer a programada escala na Terceira, mandou às urtigas o seu estatuto de passageiro de trânsito, abandonou o aeroporto, pois apenas levava bagagem de mão e fixou-se na Terceira, durante o tempo que quis e entendeu..

No entanto, estes “saltos” entre as ilhas tem as suas vantagens. Primeiro em termos paisagísticos permitem aos passageiros observar paisagens de uma beleza rara e inconfundível, das quais ressalta o quadro natural e telúrico da imponente montanha do Pico, plantado sobre um almofadado tapete de nuvens. Lá do alto, muito acima das nuvens, na viagem de São Miguel para a Terceira, pouco depois de se abandonar a ilha do Arcanjo, vê-se com uma nitidez invejável, aquele triângulo de lava, lá bem espetado sobre o esbranquiçado das nuvens. Uma outra vantagem que este saltitar de ilha para ilha nos oferece é o de nos permitir ir saboreando, delirantemente, os perfumes e sobretudo os sabores que emanam e se evaporam de cada ilha, como o anás com a morcela ou os variados licores de São Miguel, o bolo lêvedo e a doçaria variada da mesma ilha, a alcatra e os torresmos da Terceira, a linguiça e os inhames do Faial, o feijão assado e as queijadas da Graciosa, o queijo de São Jorge, o caldo de peixe e a molha de carne do Pico, mesmo que não se chegue a sair do aeroporto. Depois há os recuerdos e as lembranças, os acepipes e as bugigangas, as bebidas e os doces que se vendem nos aeroportos, o encontro com um ou outro amigo e, sobretudo, a simpatia contagiante dos ilhéus.

Ontem, ao entrar no táxi, entre o aeroporto e o hotel, o taxista, imediatamente, após fechar a porta, deu o pontapé de saída a um diálogo amigo e simpático, indagando sobre a viagem, a origem do voo, o estado do tempo…

- Do Pico! – Exclamou, entusiasmadíssimo. – É a melhor e a mais bonita ilha dos Açores!

Claro! E esclareceu de imediato que era natural do Pico e, para cúmulo, com raízes profundas em São Caetano.

 

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publicado por picodavigia2 às 22:25





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