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JOSÉ JACINTO BOTELHO

Quinta-feira, 28.11.13

António Moreno, pseudónimo de José Jacinto Botelho, nasceu em Ponta Garça, ilha de S. Miguel, a dois de Março de 1876 e faleceu nas Furnas, em Abril de 1946. Poeta e orador sacro, usou o pseudónimo literário, por que ficou conhecido, de António Moreno, e, raramente, o de Maria Angelina. Fez ocurso de Teologia no Seminário de Angra do Heroísmo e foi ordenado sacerdote em Braga, chegando a frequentar a Universidade Gregoriana, em Roma, não completando nenhum curso, por motivos de saúde, sobretudo primordialmente causados pelo afastamento da ilha. Amigo íntimo de Armando Cortes Rodrigues, António Moreno passou bastante à margem dos movimentos e escolas do seu tempo. Autor de uma obra dispersa por jornais e sem ambições literárias, foi porém reunida e estudada criteriosamente por Eduíno de Jesus, abrangendo os «livros» Ronda da Saudade, Sete Espadas, Urze do Monte, Ave Maria, Pai Nosso, cujos títulos já são significativos. A poesia de António Moreno, alheia a escolas e movimentos do seu tempo, ocupa-se, fundamentalmente, de temas religiosos, piedosos e mariânicos, em que o culto da saudade, da mãe como entidade protectora, o louvor da Virgem e a recordação da infância e das coisas simples do campo avultam. A preocupação «clássica» com o soneto e a presença insistente de dezenas de quadras ao gosto popular demonstram não só uma disciplina formal de seguimento da tradição e com os esquemas rimáticos, mas também o isolamento geográfico-cultural do vigário das Furnas. Uma linha de simplicidade e reacção religiosa fim de século, que se poderia ir buscar a António Nobre e, no meio micaelense, ao seu amigo Armando Cortes Rodrigues, vem transparecer no poeta furnense numa sensibilidade extremada e quase franciscana. A própria concepção cristã da vida, que lhe impunha a vida sacerdotal, e a sua tendência contemplativa e triste confluem em versos nos quais correm o sentimento da vida breve, da vida como «vale de lágrimas» e das «visões» do passado, as doces recordações da infância quando confrontadas pungentemente com a dureza presente. O conjunto de poemas reunidos sob o título Sete Espadas, apesar do seu caracter descritivo e prosaico relativo à Paixão de Cristo e aos sofrimentos da Virgem, consegue atingir um alto grau de exaltação religiosa e constitui um poema mariânico com certa unidade estrutural. Ao poeta, crítico e professor, Eduíno de Jesus, que se deve um fundamental estudo crítico e de recolha e ordenação da poesia de António Moreno.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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publicado por picodavigia2 às 15:43





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