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A LENDA DAS SETE CALDEIRAS DAS FLORES (DIÁRIO DE TI’ANTONHO)

Quinta-feira, 28.11.13

Domingo, 23 de Junho de 1946

Outra estória que a minha avó contava era esta sobre a maneira como se formaram as lindas lagoas que temos nesta nossa ilha das Flores. Contava ela que havia nesta ilha um homem que tinha um filho que se chamava João, um nome muito usado por aqui. O monço era muito sonhador, mas simples e bom, como era toda esta gente da ilha das Flores.

Ora um belo dia o pequeno caminhou para esses matos, sozinho, carregando duas bilhas de água às costas para dar de beber ao seu gado que tinha lá pra riba. O rapaz tinha ido buscar a água longe, lá prás bandas da Burrinha. Ia sozinho e a sonhar, com os pés na terra e a cabeça na Lua, como é natural na maioria dos rapazes da sua idade. Ao chegar ao mato encontrou, a certa altura, um buraco no caminho e disse em voz alta, para si mesmo:

 - Dizem que nas outras ilhas e em muitos lugares por esse mundo fora há lagoas e caldeiras muito bonitas. Porque será que aqui na minha ilha das Flores não as há? Pois eu vou mas é deitar esta água neste buraco pra fazer uma lagoa bem bonita.

Se bem o pensou melhor o fez e aproximou-se do buraco, pegou numa das bilhas de barro que trazia cheia de água e despejou-a no buraco que encontrara no chão. Com a facilidade com que tinha sonhado em fazer as lagoas, logo se formou a primeira caldeira. O monço deu pulos de contentamento e logo pensou: "Sempre que encontrar buracos no chão, vou fazer o mesmo!"

 Ali ao lado estava outro buraco, ainda mais fundo e o rapaz, com confiança, vazou-lhe dentro a outra bilha de água. Formou-se outra vez uma lagoa, muito funda mas também muito bonita. Cada vez mais animado com o que via o moço voltou atrás e foi de novo encher as bilhas. Levado pelo sonho, foi andando, andando, pela ilha, tendo encontrado mais cinco buracos, onde foi deitando a água das bilhas. Assim se foram formando todas as sete caldeiras da ilha das Flores: a Caldeira Funda das Lajes, a Caldeira Rasa, a Caldeira da Água Branca, a Comprida, a Funda, a da Lomba e a Seca, porque para esta o monço já estava muito cansado e sem forças para ir buscar mais água para deitar no último buraco que encontrou.

Assim nasceram as sete lagoas das Flores, todas elas muito diferentes, mas muito bonitas, de águas limpas e transparentes, como foi desejo daquele rapaz, chamado João, que as sonhou e as fez.

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publicado por picodavigia2 às 16:31





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