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TABUINHAS E FORMAS

Domingo, 01.12.13

Na Fajã Grande, nos anos cinquenta, praticamente, todas as casas tinham uma ou mais tabuinhas de madeira e várias tiras de lata, cada uma das quais se podia transformar numa espécie de círculo, de vários tamanhos. Eram os tradicionais utensílios necessários ao fabrico do queijo e ao seu posterior tratamento.

As tabuinhas eram fáceis de arranjar, pois eram simplesmente pequenos pedaços de madeira de criptoméria, geralmente excedentes do assoalhar ou tabicar da própria casa, da de um vizinho ou amigo ou de quem quer que fosse e que deles não necessitasse. Outras vezes tábuas pedidas nas lojas de comércio e que sobravam dos caixotes de sabão. Mas como nos anos cinquenta muitas famílias da Fajã procediam ao arranjo e melhoramento das suas casas, quer tabicando as salas e os quartos de cama, até aí sem forro e com os tirantes à mostra, quer assoalhando as cozinhas, muitas das quais, na altura, ainda tinham chão de terra ou de tijolo, era fácil arranjar as ditas tabuinhas. Mas havia também quem não as conseguisse obter. Nesse caso ou ficava com as que os antepassados lhes haviam deixado como herança ou adoptavam e adaptavam, então, a frágil madeira dos caixotes de sabão, que os comerciantes da freguesia, de vez em quando lá iam deitando fora. Num caso e noutro estas tabuinhas deviam ser sempre muito bem lavadas e limpas.

As formas feitas de lata, por sua vez, eram adquiridas no único latoeiro da freguesia, o Antonino de Francisco Inácio, pelas quais geralmente não levava dinheiro, uma vez que também eram resultantes das sobras das latas que ele próprio ia fabricando e vendendo. As formas deviam ser muito bem furadinhas pelos lados e eram presas nas pontas formando um círculo e sendo amarradas com um pano ou cordão, o que permitia torná-las maiores ou menores, consoante a quantidade de leite que se tinha disponível para fazer o queijo, assim como para apertar o queijo à medida que ele ia “curando”.

Depois era deitar o coalho no leite morno e esperar para que coalhasse. Uma vez coalhado o leite era colocado aos poucos dentro da forma, prensado com a mão, colocando-a, de seguida, sobre a tabuinha, ficando assim, suspensa em cima de uma selha, de forma a escorrer o soro pelos furos, permitindo que este fosse aproveitado para alimento dos porcos. No que às formas diz respeito, havia geralmente em todas as casas uma maior e mais alta, destinada, fundamentalmente, fazer os queijos com “crostes”, ou seja com o leite tirado às vacas nos oito dias seguintes a “dar bezerro” e durante os quais não podia ser vendido pois era impróprio para ser desnatado.

Depois de retirados das formas os queijos eram colocados a “curar” em armações de canas presas nos tirantes da cozinha, a fim de que nem as crianças e os gatos a eles se atirassem…

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publicado por picodavigia2 às 22:30





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