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DOUTOR JOSÉ ENES

Domingo, 04.08.13

Natural das Lajes do Pico, o Dr. José Enes nasceu a 18 de Agosto de 1924, tendo ingressado no Seminário de Angra em 1936 e na Universidade Gregoriana em Roma, em 1945, voltando depois em 1964. Fez um Doutoramento em Filosofia em 1968, com distinção máxima (Summa Cum Laude e Medalha de Ouro). É licenciado em Teologia. Recebeu um Doutoramento “Honoris Causa” em 1978 da Universidade de Rhode Island e fez a Agregação em Ontologia na Universidade dos Açores em 1983. Para além de Professor do Seminário de Angra, foi Professor, Presidente do Conselho Directivo e Vice-Reitor da Universidade Católica; Professor da Universidade de Luanda; Professor do Instituto Politécnico da Covilhã; Reitor da Universidade dos Açores; Presidente do Conselho Municipal da Câmara de Ponta Delgada; Professor Catedrático da Universidade Aberta, tendo sido seu Vice-Reitor. Exerceu ainda muitos outros cargos. Fundou a página cultural do diário A União intitulada “O Pensamento”, o Instituto Açoriano de Cultura, o Movimento Regional “Semanas de Estudos nos Açores.” Foi designado em 1964 para presidir à primeira Comissão Promotora do Desenvolvimento Regional dos Açores. É muito vasta a lista das suas publicações, incluindo um livro de poemas.

Membro de várias associações açorianas: membro-fundador da Sociedade Científica da Universidade Católica Português, membro do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Sócio Honorário da Sociedade Brasileira de Filósofos Católicos. Membro honorário da Aula Castelão de Filosofia da Galiza. Membro do Prince Henry Society da Nova Inglaterra e membro do Clube Micaelense.

José Enes foi condecorado pelo Corpo Nacional de Escuteiros, com a Medalha de Ouro e Gratidão. Foi agraciado em 1964, pelo Chefe de Estado Português, com o “Oficialato da Ordem do Infante,” por serviços prestados a Bem da Nação no Arquipélago dos Açores. Em 1983 foi agraciado pelo Presidente da República com o Grau de “Grande Oficial da Ordem da Instrução Pública.” Em 1992 o Município de Ponta Delgada concedeu-lhe o Diploma de Cidadão Honorário de Ponta Delgada. Em 1999 a Câmara Municipal das Lajes do Pico atribuiu-lhe o Título de Cidadão Honorário. Recebeu ainda a Medalha de Honra da Universidade Aberta, em 1994.

Foi um grande homem, um grande açoriano e um grande espírito da actualidade.

João Carlos Tavares, o Presidente da Casa dos Açores, abriu a sessão (…) O orador principal foi o Dr. Onésimo Almeida, antigo aluno do homenageado e seu amigo pessoal, que preferiu não fazer discurso, uma vez que a biografia do “Mestre” se encontrava à disposição dos presentes no Boletim da Casa dos Açores, mas chamou-o de “educador,” de “cérebro” das Semanas de Estudo de onde saiu o conceito da açorianidade, afirmando que entre os presentes e em muitos ausentes, estavam pessoas que foram tocadas pelo Dr. Enes.

Algumas mensagens foram lidas: Do Presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, na qual referia que o nome de José Enes estava entre os maiores e os melhores no mundo das letras. A Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, também enviou uma mensagem, na qual dá a conhecer uma outra homenagem a prestar ao Dr. José Enes — uma Praça numa nova urbanização em Ponta Delgada, com o seu nome. O Presidente da Câmara Municipal do Nordeste, enviou um abraço do concelho, chamando ao Dr. Enes “um dos açorianos de maior relevo de sempre.”  Pedro Bicudo, jornalista da RTPi, que esteve presente, disse que cresceu com o nome do Dr. Enes (colega do pai) como referência. Que, como membro da Comissão de Estudantes da Universidade dos Açores, criticou o reitor, mas que sempre admirou o homem e o professor, tendo mais tarde modificado a sua opinião acerca do reitor, terminando dizendo que “Os Açores muito devem a este Mestre.” Manuel Estrela, antigo aluno do Dr. Enes, recordou factos passados entre os dois e leu uma mensagem de Heitor Sousa, outro antigo aluno, na qual afirmava: “Não posso esquecer a sua influência na minha vida...” Noutro passo, Sousa escreveu: “Alto (como a sua ilha) na estatura, mas essencialmente no espírito, o Dr. José Enes merece esta homenagem.”

Na sua apresentação, o Dr. José Enes recordou aspectos da sua vida, nomeadamente o esforço que foi preciso fazer para se conseguir um diálogo com a intelectualidade açoriana, necessário para uma organização que tentasse resolver o problema dos Açores, nomeadamente no campo da formação profissional. Daí surgiram as Semanas de Estudos e mais tarde, depois do 25 de Abril, a Universidade. “Tive a ideia, atendendo ao ambiente em Portugal e à nova situação de escrever ao General Altino Magalhães, no sentido de se criar uma universidade nos Açores, o que antes tinha sido impossível, pois julguei ser aquela a hora da universidade, e recebi com surpresa um telegrama em resposta, a dizer: ‘Siga e tudo o mais se resolverá.’ Cheguei a Ponta Delgada a 29 de Setembro de 1975, e aproveitamos o que havia sido feito anteriormente. Formaram-se comissões. Tudo correu com firmeza e ritmo, e em Janeiro de 1976 foi criada a Universidade dos Açores,” disse o Professor.

Recordando, o Dr. Enes continuou: “O que fiz nunca foi sozinho...” Mas volto hoje a estar preocupado com os Açores... O arquipélago perde população. Neste momento por mais que façam não há forma de avançar... Vejo na ‘Lusolândia’ uma comunidade activa, inteligente e poderosa...”

Talvez seja esta a solução para o problema açoriano...

E o “Mestre” finalizou: “Já nada posso fazer...”

O Doutor José Enes faleceu no dia um de Agosto de 2013.

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publicado por picodavigia2 às 01:03





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