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A RUA DR JOSÉ BRAGANÇA TAVARES ENGALANADA

Quinta-feira, 08.08.13

A minha rua, a quem aprouveram denominar de Dr José Bragança Tavares, aqui para os lados da Fonte Sacra, na cidade de Paredes, a exemplo ou seguindo as pisadas de todas as outras ruas e artérias da mesma cidade, e possivelmente das ruas de muitas outras cidades do norte do país, engalanou-se de alto a baixo, hoje, nesta tarde de Páscoa, para receber com pompa e circunstância a “Visita Pascal”, ou seja o tradicional “Compasso” nortenho,  acompanhado pelos os harmoniosos, estridentes e nada habituais por estas bandas, sons duma filarmónica. Dando cumprimento a uma secular tradição religiosa, algumas cruzes, devidamente ornamentadas e acompanhadas pelo singelo badalar de campainhas, transportadas por acólitos vestidos de branco e homens trajando opas vermelhas, durante largos minutos, percorreram os passeios, ultrapassaram os portões e halls e entraram pelas casas, assinaladas, fora da porta, com os tradicionais “tapetinhos de flores” anunciando a Boa Nova da Páscoa, enquanto a filarmónica expelia acordes melodiosos e cadenciados, num bucólico e nada habitual peregrinar por estas bandas. Das varandas e janelas, outrora ornamentadas com colchas multicolores (o que hoje em dia já rareia) ou debruçados em pátios e terraços o povo aclamava, acompanhava, rezava e manifestava gestos de alegria, de paz e de felicidade, anestesiando, por momentos, o tumulto, e o burburinho quotidianos e frenéticos desta diariamente bastante movimentada Circular Rodoviária Interna de Paredes que liga Mouriz a Penafiel.

 

Texto colocado no dia 4 de Abril, domingo de Pásco, de 2010

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publicado por picodavigia2 às 17:56

O MENINO E O ARAÇÁ

Quinta-feira, 08.08.13

Era uma vez um menino, mas um menino igual a tantos outros meninos. Um menino que andava descalço, com calças remendadas, a cara suja e o cabelo por pentear, um menino que brincava sozinho mas que amava muito a sua mãe. Esta, porém, passava a maior parte dos seus dias deitada numa velha enxerga, num quarto mal iluminado, com uma janela sempre fechada, agastada entre doenças e maleitas. O seu estado, por vezes era tão grave, tão plangente e tão deplorável que nem sequer se levantava para ir à cozinha acender o lume, para arrumar a casa, ou simplesmente para tratar do próprio filho. Pelo contrário, era ele que, entre os conselhos e as consumições da sua progenitora e a vontade inexorável de brincar, lá ia apanhar um fruto aqui outro acolá, pedinchar pela vizinhança uma côdea de pão ou um pingo de leite, acarretar um balde de água da fonte mais próxima. A pobre mãe, aflita e debilitada, bem queria levantar-se mas era-lhe de todo impossível.

Certo dia o menino entrou num quintal perto da sua casa, onde havia algumas árvores de fruto, entre as quais um belo e formoso araçazeiro. Era uma árvore esguia, delicada, esbelta e garbosa, com um tronco avermelhado e liso e umas folhas macias, aveludadas e muito verdinhas, por entre as quais se viam algumas flores branquinhas, a exalar um perfume adocicado e dois enormes araçás. Feliz, o menino igual a tantos meninos aproximou-se da planta e colheu um dos araçás: o maior, o mais vermelho e o mais maduro.

- Vou dá-lo à minha mãe! Há-de deliciar-se com um fruto tão belo, tão fresco e tão apetitoso! – Pensou o menino, em voz alta. – Decerto que comendo este belo fruto ela há-de melhorar.

Colocou-o na palma da mão para que se não esborrachasse, saltou o muro e iniciou uma correria louca e feliz em direcção de casa, cuidando que trazia nas mãos toda a riqueza do mundo e toda a magnitude do universo.

Os caminhos, no entanto estavam pejados de transeuntes e as ruas apinhadas de pessoas que se empurravam, se atropelavam, se abalroavam e se amesquinhavam umas às outras, provocando uma balbúrdia inaudita e uma mixórdia desusada.

O menino ainda tentou evadir-se e esquivar-se a tão exagerado frenesi. Não conseguiu. O araçá caiu-lhe da mãozita aberta e rolou, rolou de tal maneira e com tanta força pelo chão que foi esmagar-se debaixo dos pés de um homem todo vestido de negro e com o rosto crispado de malignidade.

Aflito, angustiado, alvoraçado, lamentando a má sorte, ripostando o infortúnio, o menino voltou ao quintal a fim de apanhar o outro araçá que tinha ficado a amadurecer no araçazeiro.

Mas o outro araçá… bem, o outro araçá, um melro já o havia comido.

                                                                 

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publicado por picodavigia2 às 17:50





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