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A FESTA DE SANTO AMARO

Sábado, 10.08.13

Uma das maiores e das mais importantes festas celebradas, nos anos cinquenta, durante o Inverno, na Fajã Grande, era a de Santo Amaro.

Amaro, segundo uns, Mauro ou Amauro, segundo outros, nasceu em Roma em 1512 e foi frade beneditino, tornando-se célebre, sobretudo, pelo seu poder taumaturgo. Já em vida, ao ser enviado por São Bento de Roma para a Gália (hoje França), a fim de, a pedido do Bispo de Le Man, estabelecer a vida monástica beneditina naquela região, foi vítima de grandes e variadas atribulações durante a viagem, mas a todas, no entanto, de acordo com os seus biógrafos, escapou milagrosamente. Foi sobretudo, após a sua morte que os milagres se multiplicaram eem breve SantoAmarotornou-se conhecido,  celebrado e venerado por toda a Europa Católica, sendo também escolhido para patrono dos aleijados e especialmente invocado para a cura de reumatismo, epilepsia, gota, rouquidão, resfriados e muitas outras doenças e maleitas.

Muito provavelmente por influência dos primeiros colonos e povoadores, nos Açores Santo Amaro também foi sempre alvo de grandes devoções por parte da população de todas as ilhas, sendo até que algumas freguesias o têm como padroeiro e, nalguns casos, o Santo até deu nome à própria localidade. Nas ilhas açorianas, o fiel e pioneiro discípulo do patrono da Europa, também é invocado para a cura milagrosa de inúmeras maleitas e é considerado o patrono dos sapateiros e dos artesãos de cobre.

Na Fajã Grande, Santo Amaro era invocado para cura de tudo o que fosse quebrado, torcido, desmanchado, fora do lugar ou para tudo o que tivesse qualquer tipo de lesão, mazela ou achaque em qualquer parte do corpo humano, desde das pontas dos pés até ao cocaruto da cabeça. Para além disso, o Santo ainda era invocado na cura das doenças das crianças, na eficiência e normalidade dos partos e até nas doenças ou mal olhados dos porcos, das vacas e das galinhas. Na igreja paroquial, num dos nichos laterais do altar da Senhora do Rosário havia uma pequenina imagem de Santo Amaro, vestido com o seu hábito de monge beneditino e em sua honra fazia-se uma enorme e grandiosa festa no segundo ou terceiro domingo de Janeiro, normalmente a seguir ao dia 15 do mesmo mês e agendado no calendário litúrgico como o dia a ele dedicado, por se comemorar a sua morte.

Para além de missa votiva, cantada e com sermão, tinha lugar de destaque, após as celebrações litúrgicas, um enorme leilão, onde eram arrematadas inúmeras ofertas feitas em massa sovada com o formato ou feitio da parte do corpo humano, da criança ou do animal que o Santo milagreiro havia curado miraculosamente. Antes da missa o altar enchia-se por completo de promessas, personificadas por pães de massa sovada em forma de cabeça, braços, estômago, pernas, pés, de crianças (umas já crescidas outras acabadas de nascer), de porcos, vacas e até galinhas que ali ficavam durante a missa, finda a qual eram solenemente benzidas e depois arrematadas em leilão, no adro da igreja.

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publicado por picodavigia2 às 08:11





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