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A HORTA DO SENHOR COSTA

Segunda-feira, 12.08.13

HO Senhor Costa tinha uma horta. Tinha uma horta o Senhor Costa. Horta pequena, simples, modesta, singela mas muito fértil e produtiva, porque muito bem trabalhada, extremamente cuidada e ainda melhor zelada pelo Senhor Costa.

Na horta do Senhor Costa havia tudo, mas apenas tudo o que normalmente há em qualquer horta. No entanto, o que mais produzia a horta do Senhor Costa eram frutos. Frutos de várias qualidades, de tamanhos diversos, de formas e feitios diferentes e de sabores diversificados. Frutos coloridos, maduros, apetitosos com os quais o Senhor Costa se regozijava e que faziam crescer água na boca a quantos passavam, caminhavam, rodopiavam e cirandavam junto à horta do Senhor Costa, sem poder lá entrar ou sequer colher um único fruto que fosse. É que o Senhor Costa, para a proteger dos assaltantes, construíra um alto e robusto muro ao redor da sua horta.

O Senhor Costa vivia feliz, com a sua horta. Passava lá os seus dias, não apenas a cavar, a sachar, a arrancar ervas e a juntar pedregulhos mas sobretudo a cuidar das árvores de fruto, a podá-las, a adubá-las, a chegar-lhes terra e estrume e, sobretudo a defendê-la de vendavais e intempéries. Depois, nos dias de bonança, o Senhor Costa sentava-se à sombra das árvores da sua horta, a saborear a frescura reconfortante das suas folhas, a deliciar-se com o perfume adocicado das suas flores, a deleitar-se com o colorido aveludado dos seus frutos ou simplesmente a ouvir o sibilar melódico do vento nos seus ramos.

A horta do Senhor Costa era uma verdadeira maravilha! Um éden, um paraíso!

Mas um dia, o dia mais triste da sua vida, o Senhor Costa, como tantos senhores Costas e muitos senhores com outros nomes, impelido pela necessidade de dar uma vida melhor aos seus filhos, foi obrigado a partir, para longe, isto é, a emigrar para a América. E a horta deixou de pertencer ao Senhor Costa. Vieram senhores Pereiras, senhores Silvas e senhores Machados e vieram senhores com outros nomes, mas nenhum deles cuidou da horta como cuidava o Senhor Costa. E com o passar do tempo e dos anos, na horta dos senhores que não eram Costa, as árvores foram murchando, as folhas amarelecendo, as flores definhando e os frutos apodrecendo. Finalmente veio um Senhor que também se chamava Costa, mas que não era nem parente nem amigo daquele Senhor Costa que no início desta história era o dono da horta, e tão mal cuidou e tanto se desinteressou e tão pouco protegeu a horta que outrora fora do outro Senhor Costa, que ela embraveceu, encheu-se de ervas daninhas, de mondas, de silvados, de cana roca, de faias e de incensos e desfigurou-se de tal maneira que, passados muitos anos, quando o Senhor Costa regressou da sua prolongada estadia na América, podre de rico, já nem sequer reconheceu o local onde outrora se situava a sua horta, a tal horta que tinha sido sua, que cuidara com desvelo e dedicação, que estava sempre a abarrotar de árvores carregadinhas de frutos coloridos, maduros, apetitosos com os quais se regozijava, naqueles tempos e a fazerem crescer água na boca de quantos passavam.

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publicado por picodavigia2 às 16:31

CAMPEONATOS NACIONAIS DE JOVENS, EM TÉNIS DE MESA - EQUIPA AÇORIANA DO JUNCAL (ILHA TERCEIRA) VICE-CAMPEÃ NACIONAL

Segunda-feira, 12.08.13

O Ténis de Mesa é, infelizmente, uma das modalidades desportivas mais esquecida pelos meios de Comunicação Social. Raramente se abre um jornal, mesmo dos de índole “desportiva”, e se encontra qualquer referência à realização de uma ou outra prova desta modalidade, com excepção do relato sucinto, uma vez ou outra, dos campeonatos nacionais de seniores bem como alguma informação sobre a prestação das selecções nacionais, com destaque para as de seniores, nos campeonatos europeu ou mundial. De resto um ignorar constante e permanente de todas as actividades que envolvem uma das modalidades que, sobretudo a nível das camadas jovens, mais atletas movimenta e que mais pavilhões enchem, semanalmente, numa sã e salutar prática desportiva.

Foi o que aconteceu nos passados dias 2 e 3 de Abril, durante os quais teve lugar, no Pavilhão Desportivo de Grijó,em Vila Novade Gaia, mais uma edição dos Campeonatos Nacionais de Jovens, equipas, nas classes de Cadetes, Infantis e Iniciados Masculinos e Femininos. A prova que se desenrolou sobre a égide da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa contou com a participação de 37 clubes e com um total de quase meio milhar de atletas.

Presentes na prova e com várias equipas dos diversos escalões estiveram quatro clubes açorianos: o Grupo Desportivo do Centro Social do Juncal e a União Sebastianense Futebol Clube, da Ilha Terceira e o Grupo Recreativo dos Toledos e a Casa do Povo da Madalena, ambos da Ilha do Pico.

Desempenho notável foi o da equipa de Infantis Femininos do Juncal que atingiu a final daquele escalão, onde defrontou o Clube de Ténis de Mesa de Chaves, perdendo, no entanto, por um equilibradíssimo 3-2, numa jogo muito disputado e, consequentemente, sagrando-se vice campeã nacional da modalidade. Por sua vez uma equipa da União Sebastianense obteve o 5º lugar no escalão de Iniciados Masculinos enquanto classificação idêntica obteve a equipa do Grupo Desportivo dos Toledos, no escalão de Infantis Femininos.

Acrescente-se que desde há alguns anos o Ténis de Mesa tem-se implementado e desenvolvido com algum sucesso e resultados muito significativos em algumas ilhas açorianas, nomeadamente no Pico e na Terceira, ilhas que participam nos campeonatos nacionais de seniores com duas equipas: Juncal (Terceira) e Toledos (Pico).

 

Texto publicado no dia 05/04/10, no blogue “Pico da Vigia”.

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publicado por picodavigia2 às 15:11

RIO VERDE

Segunda-feira, 12.08.13

O trajecto até ao jardim era curto e sinuoso, mas suficientemente longo e propício a que se quebrasse aquele silêncio estranho, misterioso e angustiante. Ele tentou dar-lhe a mão. Talvez assim recuperasse um gesto, descortinasse um sinal, partilhasse um sorriso ou, quem sabe, até lhe espicaçasse um som, uma palavra. Em vão! O seu estranho alheamento era tamanho, dir-se-ia envolto em tão gigantesca imobilidade, que quase permitia ouvir-se-lhe a respiração e o seu assumido silêncio era tão persistente que parecia perverso.

Agora já bordejavam o vetusto muro do jardim, salpicado de respingos de lama, cravejado de limos e de musgos mas ainda capaz de resistir às investidas de intempéries e salteadores. Finalmente, ela quebrando aquele demolidor suplício: «É aqui! Não percas. São raros os que têm o privilégio de entrar e, sobretudo de comungar, ainda que por breves minutos, esta aparição.»

Tentou, novamente, dar-lhe a mão, dizer-lhe alguma coisa, talvez pedir-lhe explicações, manifestar desejos e confirmar vontades, mas sentiu-se perdido. Nem um olhar afável, nem um gesto de ternura, nem uma palavra de animação, nem, muito menos, uma troca de vontades. Continuava em silêncio, a envolver alheamento, a confirmar indiferença, a expelir mistério, a derrubar esperanças, diluindo-se em enigmas. E o jardim já ali, tão perto, com o portão escancarado, a convidá-lo sem o olhar, a pedir-lhe sem lhe falar, a abraçá-lo sem lhe tocar. «Como é que se pode suportar um silêncio destes e envolver-se em tão estranha indefinição?»

 E o portão, ali mesmo em frente, tão aberto, cada vez mais escancarado… mas a insinuar que havia de fechar-se, em breve, muito em breve…

A manhã crescia a olhos vistos! A cidade, ali ao lado era uma nuvem entontecida, uma torrente de ruídos a destruir aquele estranho silêncio, pintado de verde e salpicado de esperança, de mistérios e de enigmas. Devia ter posto de lado o receio, a hesitação e o medo para, enquanto o portão se mantivesse aberto, poder entrar, ver e sentir aquele estranho universo, sempre a abarrotar de tanto silêncio e de confuso mistério.

Mas era tarde, demasiado tarde e o portão, há pouco aberto, agora de nada lhe servia. Estava a fechar-se. É verdade que, por uma nesga entreaberta, ainda vislumbrou a frescura dos lagos, sentiu o perfume das flores, saboreou o amaciado das pétalas, acariciou a doçura dos frutos e até se emaranhou entre as estranhas sombras das copas das árvores, mas, para espanto seu, ali não era um jardim. Era um enorme, infinito e misterioso rio… Um rio verde, todo verde, traçado pelo fascínio das madrugadas, sulcando planícies desconhecidas, com o leito carregado de correntes imprevisíveis, deslizando suavemente ao sabor de neblinas, de nuvens e do luar, com um enorme e avassalador caudal, porque, na realidade, era bem verde e tinha a sua sina registada nas neblinas, o seu destino escrito nas nuvens e o seu fulgor estampado no luar.

Mas quando chegou a noite, fria e branca, o rio verde desfez-se e desapareceu, deixando atrás de si um rastro de cinza espessa, terrificante, quase déspota, que se apoderou dele, agora a caminhar sozinho, entregue a si próprio, sem silêncio, sem jardim, sem a torrente de ruídos da cidade, sem nada.

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publicado por picodavigia2 às 11:45





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