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DINHEIRO, SAÚDE E CARÁCTER

Domingo, 18.08.13

“Dinheiro perdido, nada perdido;
Saúde perdida, muito perdido;
Carácter perdido, tudo perdido." 

Provérbio Chinês           

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publicado por picodavigia2 às 15:11

CONFEITOS E GULOSEIMAS

Domingo, 18.08.13

O Confeito é um doce ou guloseima feito à base de açúcar em ponto vítreo, a que se adiciona um sabor e, por vezes, uma cor artificiais. Muitos confeitos destinam-se a confeitar bolos e doces, por isso estes doces recebem o nome de confeitos. Também é costume colocar-se dentro do preparado de açúcar uma semente comestível, como por exemplo a do funcho.

A palavra confeito tem a sua origem na língua portuguesa, pois trata-se duma palavra utilizada para nomear pequenos doces de açúcar que confeitam bolos e doces. O confeito foi introduzido no Japão por comerciantes europeus entre os séculos XV e XVI, quando a tecnologia de refinação do açúcar ainda não havia sido estabelecida naquele país. Como os confeitos necessitavam de muito açúcar, eram um doce muito raro e, por isso, caro. Reza a história que em 1569, Luís Fróis, um missionário português, ofereceu um frasco de confeitos ao imperador Oda Nobunaga, a fim de obter permissão para o estabelecimento das missões cristãs. Os confeitos eram muito apreciados no Japão.

Os confeitos têm geralmente forma circular, com 5 a 10 mm de diâmetro e estão cobertos de pequenas protuberâncias geradas no processo de cozedura. Demoram de 7 a 10 dias a serem confeccionados, e, actualmente, ainda são feitos à mão, num processo de fabrico artesanal. São um doce muito tradicional, usado em Portugal para as chamadas Amêndoas de Moncorvo ou das Noivas. Daí a sua relação com os festejos do casamento. Em certos lugares é costume atirarem-se confeitos aos noivos.

Doce, apetitoso, desejável e muito atraente, o confeito mais apreciado é o Depierrô, originário da França mas muito comercializado, há alguns anos, no nosso país. Actualmente a sua comercialização está em declínio, quase abandonada.

O confeito e as outras guloseimas afins, estão-me interditas, por razões de insuficiência renal.

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publicado por picodavigia2 às 15:05

O CHINELINHO E O RIBEIRENSE

Domingo, 18.08.13

O António Barbeiro era um dos homens mais inteligentes e mais cultos da Fajã. A estas qualidades aliava a de artista primoroso. Quer como relojoeiro, a principal actividade que desempenhava e em que era exímio, quer noutras actividades em que se envolvia, nomeadamente na carpintaria e na apicultura, executando todas as tarefas com uma perfeição invulgar e um zelo excessivo. Aliava-se ainda o facto de na freguesia ser o único a resolver a maioria dos inúmeros e pequenos problemas quotidianos, como o de consertar uma fechadura, amolar uma tesoura, pôr um badalo na campainha duma vaca ou até os grampos num prato partido. A fama de que gozava era imensa e granjeara o respeito de todos. Só que, de vez em quando, gostava de se divertir um pouco à custa dos outros.

Enviuvou bastante novo e, passados alguns anos, passou a viver maritalmente com a Ester, tornando-se assim como que o pioneiro da moderna e actual “união de facto” na Fajã Grande. Na altura, um escândalo monumental e um falatório desusado, sobretudo por parte dos mais crentes e beatos que acreditavam que não havia matrimónio verdadeiro sem água benta e estola cruzada sobre as mãos dos nubentes.

Na Fajã, por essa altura, todos ou quase todos tinham apelidos, que em momentos de ódio ou vingança vinham ao de cima e eram lançados à cara. O de meu pai era “O Chinelo”. Certo dia, à tardinha, lavou os pés e decidiu, como habitualmente, ir sentar-se com os outros homens à Praça, num curto descanso, à espera da ceia. Para não ter que lavar os pés ao regressar a casa, antes de se deitar, teve a ousadia de se apresentar, naquele areópago do descanso e da má-língua, com uns chinelos muito velhos que, pelos vistos e ainda por cima eram da minha avó. Não foi preciso mais nada: passou a ser “O Chinelo”. Eu, sem culpa nenhuma, herdei aquele epíteto, na sua forma diminutiva, “O Chinelinho”, facto que me revoltava e enraivecia. A Ester, por sua vez, não sei porque motivo, tinha o apelido de “O Ribeirense”, nome de um dos iates que na altura fazia carreira entre as ilhas do grupo central mas que raramente ia às Flores. No entanto, quase ninguém tinha coragem de lho chamar, não fosse granjear o desprezo do António Barbeiro e, quando precisasse de um favorzinho… nicles.   

Certo dia, estava eu com meu tio Luís, no palheiro de cima, no arranjo de um tamoeiro que a Moirata e o Damasco haviam rebentado ao lavrar cerrado das Furnas. Para o consertar, meu tio, precisava de lhe pregar umas tachas. Deu-me vinte centavos e mandou-me à loja do Senhor Rodrigues.

De imediato rodopiei sobre mim próprio, lesto em cumprir o recado. Desci a Fontinha num instante, rodei junto à casa do Caixeiro, percorri em catadupa o Caminho de Baixo, ultrapassei a Casa do Espírito Santo de Cima e o largo do Chafariz e, entrando na Rua Direita, cheguei esbaforido à loja.

Era uma tarde de Verão e de calor. Como habitualmente estavam ali sentados muitos homens, descansando, refugiando-se do Sol abrasador e metendo o nariz no que os clientes iam comprar. Entre eles estava o António Barbeiro.

Entrei e dirigi-me ao balcão, sobre o qual o Rodrigues, face à ausência de clientela, se havia debruçado, de braços cruzados.

O António Barbeiro levantou-se e pôs-se muito atento a olhar para mim. O Rodrigues, adivinhando a minha qualidade de fraco cliente, perguntou-me desinteressadamente:

- Que queres?

- Este dinheiro de tachas – e mostrei-lhe, timidamente, a pequenina moeda castanha.

O homem, para desespero meu, continuou mais algum tempo debruçado sobre o balcão, dando conversa a uns e a outros, como que a dizer-me que tão pouco dinheiro nem justificava a deslocação que teria que fazer do balcão à prateleira onde estava a mercadoria solicitada.

Como eu permanecesse teimosamente junto ao balcão, agarrando a moeda com unhas e dentes, o homem lá se decidiu por ir buscar as tachas. Trouxe-as, colocou-as em cima de um pequeno pedaço de papel que embrulhou distraidamente. Depois, pegando no dinheiro, guardou-o numa gaveta e atirou, desdenhosamente, o embrulho para a minha frente. Agarrei-o e meti-o no bolso.

Foi então que o António Barbeiro, tendo observado meticulosamente toda aquela operação comercial, se dirigiu a mim, perguntando com cínico sarcasmo e atrevida arrogância:

- Então? As tachas são para pregar “O Chinelinho”?

Enraiveci. Afastei-me do balcão e parei junto da porta de saída da loja. Assim, perto da rua, a fuga estava mais facilitada. Voltei-me para trás e gritei bem alto para que todos ouvissem:

- Não! São para pregar a borda “ d’o Ribeirense”.

E escapuli porta fora numa grande correria.

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publicado por picodavigia2 às 14:41





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