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VALHA-NOS O PAPA FRANCISCO

Terça-feira, 27.08.13

(TEXTO DE ABEL NÓIA GONÇALVES VIEIRA)

 

Por enquanto, até me dá jeito que tenham «um cantinho no céu» Hitler, Mussolini, Savimbi, Cadafi, Saddam Hussein, Salazar e outros monstros de estimação...que povoam ainda a nossa memória colectiva em momentos de pesadelo. Nem me custa rezar para que, livres das vãs glórias terrenas, possam agora contemplar a glória eterna, na mais inclusiva das escatologias.

Só não acompanho quem pretende escrever a história ao contrário, como se não tivessem cometido crimes contra os povos que os geraram e contra a própria humanidade em tempos relativamente recentes. Penso que se exagera na tinta reabilitadora desta gente.

 Não é por acaso que, por esta Europa fora, crescem as extremas direitas para assaltar o poder, avança um liberalismo económico selvagem e os mais pobres são ameaçados de extermínio. Vindos dessas «juventudes salazarentas», apresentam-se hoje enfatuados, sem competência nem vergonha, promissores quadros tecnocráticos alojados na esfera do poder. Nunca imaginei que houvesse tantos no meu país, agora de fácil identificação à lupa. Parece que nem as universidades vão escapar à decapitação da massa cinzenta nacional, quando os magníficos reitores se sentem incapazes de as dirigir sem os meios necessários. Atacar a educação é comprometer irremediavelmente o futuro e abrir a porta a novos ditadores.

Dentro da própria Igreja, permitam-me reconhecer, o refluxo da onda era do mais preocupante clericalismo integrista: afogados nos colarinhos de antanho, dormindo de batina e saciados de água benta, ambiciosos e insaciáveis de um poder não evangélico, aí estão para as curvas os protagonistas da nova evangelização. Esses conheço razoavelmente bem.

Valha-nos o Papa Francisco!

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publicado por picodavigia2 às 15:42

TORRESMOS DE VINHA-D’ALHOS

Terça-feira, 27.08.13

Os torresmos de vinha-d’alhos eram um dos pratos mais comuns no cardápio fajãgrandense, na década de cinquenta, sobretudo nos meses que se seguiam â matança do porco, que, regra geral tinha lugar em Dezembro. Dado que na ilha das Flores, como aliás em todas as outras ilhas açorianas, o clima não permitia a conservação da carne de porco sob a forma de presunto, toda a carne, ou era guardada, depois de frita, debaixo de banha, dentro de umas vasilhas de barro vidrado, chamadas “barranhas” ou salgada e guardada, no caso dos ossos, da cabeça e dos pés, e guardada nas “salgadeiras”, também estas feitas de barro. Assim, a carne propriamente dita era toda picada. Uma boa parte para a linguiça e a outra para os tradicionais torresmos de vinha-d’alhos, que depois de temperados e fritos eram colocados debaixo de banha. Quando se pretendia utilizá-los, bastava apenas retirá-los da banha e aquecê-los. Estavam prontos a serem servidos e eram deliciosos.

Para a sua confecção, nos dias subsequentes à matança do porco, era seleccionada a carne na quantidade desejada, devendo conter anexa alguma gordura, pois essa dava-lhes um melhor sabor e tornava-os mais tenros e gostosos. A carne partia-se em pequenos pedaços, sob a forma de cubos e depois era temperada com alhos, cominhos, malagueta, sal e pimenta-da-jamaica, deixando-a neste tempero durante alguns dias. Depois os pedaços partidos que dariam origem aos torresmos, eram fritos em banha, arrefecidos e guardados na “barranha”, misturados com a própria banha, de modo a que a camada superior ficasse totalmente coberta.

Na altura em que se pretendia comer os torresmos, retirava-se da vasilha a quantidade pretendida, deixando os outros cobertos com a banha. Voltavam a ser fritos, mas muito ligeiramente e eram servidos acompanhados com batata-doce ou inhame cozido ou com pão de milho ou bolo do tijolo. Uma delícia!

 

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publicado por picodavigia2 às 11:42

A IGREJA MATRIZ E OUTROS MONUMENTOS ARQUITECTÓNICOS DE VILA DO CONDE

Terça-feira, 27.08.13

Quem passa por Vila do Conde não pode ficar indiferente à quantidade e variedade de monumentos arquitectónicos que a cidade possui. Terra milenária e, no dizer de José Régio, “espraiada entre pinhais, rio e mar”, a cidade de Vila do Conde, na realidade, encerra no seu seio um conjunto notável de monumentos históricos com destaque para a igreja Matriz, para o Convento de Santa Clara e a igreja gótica que lhe é anexa.

Dedicada a São João Baptista, a igreja Matriz de Vila do Conde, cuja construção recebeu forte impulso, segundo ainda hoje se conta, com a passagem e estadia na cidade do rei D. Manuel I, é de facto um belo monumento, datado dos séculos XV e XVI, revelando, consequentemente, um estilo arquitectónico de declarada transição entre o gótico e o manuelino. O gótico é mais notório na fachada exterior, nomeadamente no pórtico da entrada principal, ladeado por uma notável torre sineira, enquanto no interior de três naves, separadas por quatro arcos de volta inteira, assentes em pilares com capitéis, se revela mais o estilo manuelino, já com alguns sinais do barroco. De realçar ainda algumas imagens, nomeadamente a do padroeiro em pedra ançã, a pia baptismal, o púlpito, os retábulos de talha dourada e a capela da Senhora dos Mareantes, esta a necessitar de restauro urgente. Anexo à igreja e numa pequena sacristia existe um Museu de Arte Sacra, fenómeno pouco vulgar nas igrejas portuguesas, mas extremamente louvável, que se encontra permanentemente aberto ao público e onde estão expostas, para além de estatuária diversas dos sec.s XVI, XVII e XVIII, alfaias litúrgicas diversas e de grande interesse histórico, com realce para uma bela casula romana de cor branca bordada e debruada a ouro.

O património arquitectónico de Vila do Conde, no entanto, não se fica por aqui. A igreja de Santa Clara, anexa ao convento do mesmo nome, é um interessantíssimo monumento gótico do sec. XVI, onde repousa um dos filhos bastardos de el-rei D. Dinis, Afonso Sanches e a esposa, em duas das mais belas obras-primas da estatuária fúnebre portuguesa. Ao lado restos de um antigo mosteiro gótico, do qual esta igreja faria parte, com destaque para um fontanário, ainda existente, celebrando a chegada da água através de um famoso aqueduto, do qual sobram muitas ruínas que percorrem grande parte da cidade e da qual são uma espécie de ex-libris. Sobre este mosteiro gótico foi construído, no sec. XVIII, o actual convento de Santa Clara.

Um visitante atento, no entanto, na cidade de Vila do Conde ainda poderá apreciar muitos outros monumentos dos quais se destacam: o pelourinho, o edifício dos Paços do Concelho, a igreja de S. Francisco, a igreja da Misericórdia, o Forte de S. João Baptista, a igreja da Senhora da Lapa, as capelas da Sra da Guia e do Socorro, variadas casas senhoriais restauradas e muitos outros edifícios com fachada manuelina. Nas freguesias limítrofes da cidade são notáveis a igreja românica de Rio Mau, a igreja Matriz de Azurara, o povoado pré-romano de Bagunte e o castro de Labruge.

 

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publicado por picodavigia2 às 11:31





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