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PERSISTENTE

Domingo, 10.11.13

MENU 16 – “PERSISTENTE”

 

ENTRADA

Esparguete cozido com feijão-verde laminado embebido em creme de queijo ralado e

tirinhas de alface com doce de laranja e figo

 

 

PRATO

 

Lombinhos de porco grelhados, com rodelas de pêssego salteadas e barradas com mel

e rodelas de pepino gratinadas e barradas com creme de queijo fresco.

 

SOBREMESA

 

Gelatina de Pêssego.

 

Preparação da Entrada:

Cozer o esparguete, juntamente com tiras de feijão-verde. Cortar as folhas de alface em tiras, misturar com a colher de doce e o queijo ralado.

Preparação do Prato:

 Temperar os bifinhos de lombo, deixá-los marinar. Grelhá-los numa fritadeira barrada com azeite, juntamente com a salsicha. Cortar o pêssego em calda, às rodelas e gratiná-las na gordura dos bifinhos. Cortar o pepino, grelhá-lo juntamente e barrar as rodelas com creme de queijo fresco e as de pêssego com o mel. Dispor os ingredientes.

Preparação da Sobremesa: - Processo tradicional.

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publicado por picodavigia2 às 21:28

A CASA DA SENHORA ESTOLANA E O RESTAURANTE “CASA DA VIGIA”

Domingo, 10.11.13

A casa da Senhora Estolana era a última do Cimo da Assomada, do lado do Caminho da Missa, ou seja, do mesmo lado e um pouco antes da canada que dava simultaneamente para as terras e relvas do Pico e para a Vigia da Baleia, ou seja para o Pico da Vigia. Era uma casa muito branquinha, com as barras das portas e das janelas pintadas de azul, mas um pouco misteriosa e enigmática, uma vez que quer a Senhora Estolana depois de enviuvar, quer todos os seus filhos e filhas partiram para a América. Daí que a casa ficasse abandonada, isolada, deserta, descaída e envelhecida criando aquele ar tenebroso e de mistério, para quem, como eu, criança, por ali passava, até porque ficava um pouco distante das outras casas da freguesia.

Hoje vejo-a através de imagens da Internet, da mesma forma que era outrora, quando ainda era habitada pela senhora Estolana, branquinha, com as barras de um azul muito claro, mas anunciada de forma muito diferente, ou seja, como sendo um restaurante, denominado por “A Casa da Vigia”, com as indicações de que está localizado apenas a 2 km da Aldeia da Cuada e situada na Fajã Grande, freguesia considerada como “lugar ideal para tomar uns bons banhos no mar”, depois do qual se pode ir ao referido restaurante mimar as papilas gustativas. A “Casa da Vigia” é dirigida por uma senhora italiana e os ingredientes ali servidos, segundo consta das informações recolhidas no site, uns são cultivados e crescem numa horta biológica que existe mesmo ali ao lado da antiga casa da Senhora Estolana, enquanto outros são produtos locais, à excepção dos deliciosos vinhos tintos que são importados da Toscânia, Itália, dado que nem a Fajã Grande nem a ilha das Flores são produtoras do precioso líquido.

Destaque-se ainda para um pormenor interessante: o restaurante  “Casa da Vigia” possui no seu terraço uma biblioteca.

 

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publicado por picodavigia2 às 21:23

NOVEMBRO (DIÁRIO DE TI’ANTONHO)

Domingo, 10.11.13

Domingo, 5 de Novembro de 1946

Novembro é o mês do ano de que menos gosto. Nunca me agradou muito. Primeiro porque aqui na nossa ilha das Flores é um mês de muito mau tempo, de muita chuva e de muitas ventanias. Os dias em Novembro são muito pequenos, mesmo que esteja bom tempo, de tal maneira que permita ir trabalhar para os campos, o dia não chega para nada. Mal amanhece daí a pouco é noite escura. Além disso, Novembro parece um mês triste, pois para além de escuro, cinzento, negro, é o mês dos defuntos. É verdade que nos devemos lembrar dos nossos, dos que já morreram, mas os sinos a tocarem a finados logo desde o dia dois, as novenas das almas, as idas ao cemitério, tudo me faz ficar triste, muito triste, lembrando-me dos familiares que já partiram, sobretudo dos meus pais. Novembro é o mês dos finados, da tristeza, da saudade e da dor.

Aqui na nossa freguesia há um costume muito antigo que já meu avô falava que existia no teu tempo de criança. Na igreja, todos os dias à noite fazia-se a novena das almas. A igreja, segundo ele contava, enchia-se de gente como se fosse domingo. Até muitos que nem aos domingos entravam na igreja iam à novena das almas. No cruzeiro da igreja colocavam o catafalco coberto com um pano negro, com uma cruz amarela. Desenhada ao meio. Vestido com uma capa preta, o pároco rezava responsos em latim pelos mortos de todas as famílias, mas com uma certa ordem. Depois de dividir as famílias pelos dias do mês, no dia três começava no Cimo da Assomada, terminando na Via d’Água, no final do mês. No fim da novena rezava por todos os fiéis defuntos uma oração em latim que era mais ou menos assim: "Requiem aeterna dona eis, dona" e o povo respondia: “Et luz perpétua luziat’eius”. No fim o sacerdote concluía: “Anima omnium fidelium defunctorum requiescão in paxe”. Hoje já é tudo muito mais moderno, mas ainda continua a haver novena das almas para lembrar os nossos mortos e rezar pelas suas almas. O povo tinha muita devoção e muito respeito pelas almas do Purgatório. Mas nós, os mais pequenos, até nos assustávamos com aquelas rezas e aquele luto, assim como o virar dos sinos, sobretudo no dia dois em que se fazia o enterro do velho Laranjinho.

Meu avô contava que antigamente, em algumas casas, durante este mês deixava-se desocupada uma cadeira que era o lugar do último familiar que falecera naquele ano e muitas pessoas ofereciam a um pobre a refeição que deveria ser do falecido se ele estivesse vivo. Também, no Dia dos Defuntos, tiravam uma derrama pela freguesia, chamada “Esmola Prás Alma”. Com o dinheiro que se recolhia e com o resultante da venda dos produtos doados, mandavam-se celebrar missas por todos os defuntos da freguesia.

No entanto, em Novembro, se o tempo o permite, já se realizam alguns trabalhos nos campos e, antigamente, faziam-se algumas sementeiras como o trigo que nesse tempo era muito cultivado pois havia pouco milho, semeavam-se as favas, plantavam-se as couves, os alhos e as cebolas. Por isso havia um provérbio na Fajã Grande que dizia “Pelo São Martinho, mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.”

E por falar em porquinho era realmente neste mês que se começava a preparar tudo para a matança do porco que em breve chegará. Isto era o que Novembro tinha de melhor.

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publicado por picodavigia2 às 15:28





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