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ROTA DO ROMÂNICO – VALE DO SOUSA

Domingo, 03.11.13

A Rota do Românico do Vale do Sousa é uma rota turístico-cultural, composta por 21 monumentos de estilo românico na região do Vale do Sousa. Esta rota surgiu a partir da necessidade, entendida pelos poderes políticos locais, de aproveitar o potencial de qualificação cultural e turística e desenvolver de forma sustentável a região. Assim e por iniciativa conjunta dos municípios do Vale do Sousa, foi criada esta rota, graças ao Plano de Desenvolvimento Integrado do Vale do Sousa, em colaboração com o Instituto Português do Património Arquitectónico e a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Inicialmente, constituíam a Rota do Românico 19 monumentos identificados na região. Algum tempo depois, juntam-se mais dois e contratualizam-se os direitos e deveres de todas as entidades envolvidas, bem como o conjunto base de acções necessárias para a dinamização desta interessante iniciativa cultural e turística. Além disso, a criação desta rota turística teve um outro interesse, por quanto os monumentos a ela pertencentes foram alvo de várias obras de restauro e de conservação, entre 2003 e 2007.

Em Março de 2010, deu-se um novo alargamento da Rota do Românico, passando a abranger, agora, todos os municípios da sub-região do Tâmega, passando, os seus membros, de seis para doze. Aos concelhos pertencentes à Associação de Municípios do Vale do Sousa - Paredes, Penafiel, Lousada, Felgueiras, Castelo de Paiva e Paços de Ferreira - juntaram-se os concelhos de Amarante, Baião, Celorico de Basto, Marco de Canaveses, da Associação de Municípios do Baixo Tâmega, e ainda Cinfães e Resende.

No contexto do românico português, a arquitectura românica do Tâmega e Sousa apresenta características muito peculiares e muito regionalizadas.

No que à escultura diz respeito, esta mostra uma personalidade muito própria optando, quase sistematicamente, por elementos vegetalistas. A sua singularidade reside nos temas e nas técnicas. Nos capitéis e nos longos frisos a escultura é muito bem desenhada e plana, utilizando a técnica do bisel, muito utilizada nas Épocas Visigótica e Moçárabe. Correspondendo, quase sempre, a reformas românicas de igrejas anteriores, as novas construções utilizaram modelos patentes nas antigas igrejas pré-românicas, então reformadas, e inspiraram-se nos reportórios decorativos da Sé Velha de Coimbra, da Sé do Porto e da Sé de Braga/São Pedro de Rates, formando uma nova sintaxe, muito própria e muito regionalizada.

Nas igrejas do Tâmega e Sousa poucas vezes pontua a figura humana. Já os temas animalistas surgem sustentando os tímpanos dos portais, tendo claramente a função de defender as entradas do templo.

A arquitectura desta região adopta, geralmente, cabeceiras de perfil rectangular, embora haja exemplos mais eruditos que utilizam absides semicirculares, e fachadas onde se encaixam portais bastante profundos. Na maioria dos casos não existem, nestes portais, programas figurativos, mas o cuidado posto no seu arranjo e a profusão da escultura que ostentam mostram a vontade de os nobilitar e defender.

A Igreja do Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa, em Penafiel, constitui um monumento nuclear no contexto da arquitectura românica da região. Terá sido em Paço de Sousa que se forjou uma corrente com base na tradição pré-românica influenciada, igualmente, por temas originários do românico de Coimbra e do Porto, dando origem ao que designou por românico nacionalizado. Este dialeto privilegia a decoração vegetalista aplicada em capitéis, frisos e impostas, usualmente plana, executada a bisel e de nítido desenho.

Outro dos aspectos mais significativos e peculiares da arquitectura românica do Tâmega e Sousa reside na aceitação dos modelos construtivos e das soluções decorativas, próprias da época românica, durante longo tempo.

A Rota do Românico recebeu, também, inúmeros prémios a nível nacional e internacional.

 Nesta rota destacam-se, entre outros, os seguintes monumentos: Ermida da Nossa Senhora do Vale, Paredes, Igreja de Santa Maria (Meinedo), Lousada, Igreja de Santa Maria de Airães, Felgueiras, Igreja de São Gens de Boelhe, Penafiel, Igreja de São Mamede de Vila Verde, Felgueiras, Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios, Penafiel, Igreja de São Pedro de Cete, Paredes, Igreja de São Pedro de Ferreira, Paços de Ferreira, Igreja de São Vicente de Sousa, Felgueiras, Igreja do Salvador de Aveleda, Lousada, Igreja do Salvador de Cabeça Santa, Penafiel,  Igreja do Salvador de Unhão, Felgueiras, Igreja Matriz de Abragão, Penafiel, Marmoiral de Sobrado, Castelo de Paiva, Memorial da Ermida, Penafiel,  Mosteiro de Paço de Sousa, Penafiel, Mosteiro de Pombeiro, Felgueiras, Ponte de Espindo, Lousada, Ponte de Vilela, Lousada, Torre de Vilar, Lousada e Torre do Castelo de Aguiar de Sousa, Paredes.

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publicado por picodavigia2 às 23:38

UMA LATINHA DE MILHO

Domingo, 03.11.13

Nos dias seguintes ao naufrágio do Papadiamandis, nos escolhos da Ponta do Baixio, nos mares revoltos e bravios da Fajã Grande, a área circundante ao acidente, quer em terra quer no mar, encheu-se, não apenas de destroços do navio, mas também de todo o tipo de objectos, latas, caixas, caixotes e bugigangas diversas. Como era natural em situações semelhantes, a maioria dos habitantes da freguesia dirigiu-se, depois de salvos os náufragos, para o local do acidente, não apenas para ver e observar de perto os restos do navio naufragado, mas também, para vasculhar o baixio de uma ponta à outra, na esperança de juntar um ou outro objecto que tivesse alguma utilidade ou simplesmente pudesse ser guardado, para a posteridade, como recordação e testemunho de tão trágico evento. É que, para além da destruição do navio, foram vinte e oito vidas que estiveram em perigo durante horas e horas, as quais, a muito custo, foram salvas devido aos esforços e empenho não só das autoridades mas também da população da freguesia.

Perante esta “caça ao tesouro”, cedo se prontificou a Guarda-Fiscal para defender, com unhas e dentes, o local dos “temíveis predadores”. De Santa Cruz, veio uma brigada de homens, que fez círculo àquela zona do baixio, na tentativa de impedir que, quem quer que fosse, tirasse dali coisa nenhuma. Nunca se soube o que cada um conseguiu encontrar e, à socapa dos guardas, levar para casa. Uns terão levado muito, outros, alguma coisa, alguns pouco e a maioria, nada. Francisco, apesar de criança, órfã, frágil e indefesa também tentou a sua sorte. Deslocou-se ao Areal, transpôs a orla negra do baixio e observou, de perto, o navio com o seu casco negro a desfazer-se nos rochedos e as ondas altivas a saltarem-lhe sobre o convés, já quase desfeito. Por fim decidiu regressar a casa, afastando-se do local, sem procurar muito ou se esforçar por encontrar o que quer de fosse. Eis senão quando, de repente, viu, debaixo da aba duma pedra, uma pequena lata. Baixou-se e juntou-a, num misto de alegria e felicidade. Era uma lata, uma pequena lata, uma simples lata, mas era o seu troféu. Talvez levasse apenas um quarto de litro de leite. Mas estranho! As letras que tinha nos papéis que estavam colados naquela lata, eram iguais às que já aprendera na escola, mas não conseguia ler o que ali estava escrito. Grego não era, devia ser americano. Curiosamente no papel, ao lado das letras, estavam desenhadas maçarocas de milho. O enigma estava decifrado: a lata continha milho. Francisco achou aquilo muito esquisito. Então os gregos ou os americanos metem milho dentro de latas!? Ele cuidava que dentro de latas só se metiam sardinhas e atum! Pensou atirar com a lata, pois milho pronto para cozer ou assar tinha ele muito, nas Furnas, no Porto, no Mimoio, na Bandeja e no Descansadouro. Não precisava daquele, nem nunca havia comer milho guardado dentro duma lata. Bom para comer era o milho fresquinho, com a maçaroca bem assada e embrulhada na própria casca, ainda verde. Mas depois lembrou-se do orgulho que seria chegar a casa com aquele pequeno troféu, mostrá-lo aos irmãos, aos tios, aos amigos e até na escola, aos colegas e à senhora professora. Por isso guardou-a muito bem escondida, debaixo da soera, sobre a barriga, o mais disfarçadamente possível. É que um guarda estava mesmo ali, à frente dele, à mão de semear. Este, vendo o fedelho a esquivar-se, desconfiou. Aproximou-se e de imediato, carregando no tom de voz e na postura da autoridade que cuidava representar, gritou:

- Olha lá, ó badameco! Mostra o que levas aí escondido!

- Mas eu não levo nada! – Respondeu a criança, tentando esquivar-se.

- Ai levas, levas – e agarrando-o por um braço, ordenou. – Ora deixa ver o que levas aí debaixo da soera.

Como o garoto teimasse, tentando fugir e resistir às potentes garras da autoridade, o guarda pegou no cacete, atirando-lhe uma forte paulada nas pernas. A lata de milho caiu, rolou pelo chão, enquanto o miúdo, lavado em lágrimas, fugia dali a sete pés, não fosse o guarda dar-lhe uma segunda cacetada, mais forte e mais dolorosa do que a primeira.

Passados alguns dias, toda a Fajã ficou alarmada com o fumo e o fogo que saíam da chaminé duma casa, pertencente aos pais de um dos guardas que tinham feito vigilância ao naufrágio do Papadiamandis. Cuidando que era um incêndio, acorreram os vizinhos, acudiram os transeuntes e até os sinos da igreja tocaram a rebate. Labaredas de lume enormes e alaranjadas saíam pela chaminé, acompanhadas por negros rolos de fumo e de rebentamentos e estalidos estranhos. Nada de grave, afinal. Apenas alguém, inadvertidamente, incendiara alguns very lights retirados do Papadiamandis. Além disso, espalhados por toda a casa, podiam ver-se variadíssimos objectos e bugigangas diversas retirados dos destroços do navio naufragado. Entre eles estavam várias latinhas de milho.

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publicado por picodavigia2 às 18:15

PADRE LUÍS CARDOSO

Domingo, 03.11.13

O Padre Luís Cardoso faleceu no dia 3 de Junho de 2011, com 80 anos de idade. Luís Cardoso era natural da Fajã Grande, Ilha das Flores, onde nasceu a 11 de Outubro de 1930, numa das últimas casas da Rua da Via d’Água. Filho de António Augusto Cardoso (Ti Francisco Inácio) e de Maria Augusta Fagundes Cardoso. Era também irmão do Pe António Cardoso, também já falecido e que durante muitos anos paroquiou na ilha do Faial, mais concretamente nas freguesias da Praia do Norte e Feteira. Frequentou o Seminário de Angra ente os anos de 1946 e 1958, a expensas da Diocese de Fall River dos Estados Unidos da América, dadas as dificuldades económicas dos pais, comuns à maioria das famílias da Fajã Grande, na altura. Essa foi a razão também porque entrou para o seminário, já um jovem com dezasseis anos.Terminado o curso Teológico, ordenou-se sacerdote em 15 de Junho de 1958, na Sé Catedral de Angra, pelo então bispo da diocese, D. Manuel Afonso Carvalho. Após a ordenação seguiu para os Estados Unidos, mais concretamente para a diocese de Fall River onde trabalhou ao longo de toda a sua via, paroquiando como Vigário as Paróquias de S. João Batista e da Imaculada Conceição em New Bedford e como Pastor as Paróquias de Nossa Senhora da Saúde, do Espírito Santo e de S. Miguel em Fall River. Desde 2008, altura em que se deslocou a Angra para celebrar as bodas de ouro sacerdotais, que residia na Casa Sacerdotal "Cardeal Medeiros" naquela cidade. Tendo abandonado a Fajã Grande ainda jovem, a ela voltava durante uma boa parte das suas férias de verão, quando seminarista. Anos mais tarde, quando já residia e paroquiava nos Estados Unidos, também visitou a sua terra natal por várias vezes. Na década de cinquenta ainda viviam na Fajã alguns de seus irmãos: o Francisco, o Antonino, o José, o João e a irmã Maria., com os quais passava as suas férias, dado que, nessa altura, os seus pais já haviam falecido devido à sua avançada idade, uma vez que ele era o filho mais novo.

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publicado por picodavigia2 às 15:12

OS BOIS DO CORVO

Domingo, 03.11.13

Contavam as pessoas mais antigas da Fajã Grande que, noutros tempos, quando não havia gado suficiente nas Flores para matar pelas festas do Senhor Espírito Santo, as pessoas, por vezes, tinham que ir ao Corvo comprá-lo para assim o poder matar, a fim de que todos, ricos e pobres, no dia de Pentecostes, tivessem pão e carne, à sua mesa, em honra do Divino Espírito Santo. A dada altura do ano, os cabeças da festa iam à ilha vizinha, escolhiam as rezes que achavam mais gordas e bonitas e apalavravam-nas. Mas os animais continuavam lá, a crescer e a engordar até às vésperas da festa, altura em que eram trazidos, de barco, para as Flores.

Num certo ano, em que se apalavrou uma junta de bois no Corvo, chegou-se à quinta-feira antes do domingo de Pentecostes e o mar embraveceu. O barco em que iam buscar os animais era pequeno e fraco e não aguentava com a braveza do mar e a altivez das ondas. Ficaram todos consumidos sem saber o que haviam de fazer e pensaram que só se fossem à volta da ilha, ver se encontravam alguém que tivesse uma junta de bois e a pudesse e quisesse vender. Ainda tentaram, mas não o conseguiram e o tempo já era muito pouco, pois no dia seguinte, como era costume, teriam que matar o gado. Estavam os cabeças, juntamente com outras pessoas a discutir o que haviam ou não haviam de fazer, quando, de repente, viram chegar junto deles dois bois gordos e grandes mas todos alagados e a tremer de frio. Muito espantados, perguntaram uns aos outros:

 - De quem serão estes lindos bois? Quem os terá trazido para aqui? De onde terão vindo para estarem assim todos alagados e enregelados?

Mas ninguém sabia dar respostas a estas perguntas. Um dos homens, porém, chegou-se para junto dos animais e passou-lhes a mão pelo lombo e depois de levar um dedo molhado à boca percebeu que os bois estavam molhados com água do mar.

Muito admirados os homens compreenderam, então, que aqueles eram exactamente os bois que tinham sido apalavrados no Corvo, algumas semanas antes, os quais, face à impossibilidade de serem transportados de barco, se tinham atirado à água e tinham feito a nado a viagem, de várias milhas, entre o Corvo e as Flores, para que assim se cumprisse a promessa que os cabeças tinham feito de dar pão e carne a toda a gente, em louvor do Divino Espírito Santo. 

Todos louvaram e agradeceram aquele milagre do Senhor Espírito Santo e a festa, naquele ano, foi de arromba e feita ainda com mais fé e com muita alegria do que era costume.

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publicado por picodavigia2 às 15:03

O FOGÃO PRIMUS

Domingo, 03.11.13

No final da década de quarenta e início da de cinquenta, a maioria das casas da Fajã, no que concerne à cozinha, sofreram uma grande e vantajosa revolução, com a chegada do “Fogão Primus”, utensílio doméstico hoje praticamente considerado peça de museu ou objecto de adorno. Na altura porém era de uma utilidade extrema, devido à sua eficácia, rapidez, eficiência, limpeza e facilidade de manuseamento, vantagens obtidas sobre as vetustas grelhas de ferro, colocadas sobre os lares, debaixo das quais se fazia o lume para em cima se colocarem os caldeirões, as chaleiras, os tachos ou as panelas. É que os Primus, para aqueles que os podiam comprar e que dispunham de dinheiro para o petróleo sobrepunham-se, inequivocamente, aos processos tradicionais de fazer o lume para cozinhar, sujos, tisnados, demorados, cansativos, gastadores de lenha e sobre os quais praticamente só se podiam utilizar caldeirões e chaleiras de ferro. Tacho colocado sobre grelha de lume ficava todo sujo e defumado.

O Fogão Primus era uma pequena e simples máquina que funcionava a petróleo. Este era colocado num recipiente ou depósito redondo, feito de latão amarelado, ao redor do qual estavam cravadas três hastes de ferro, arqueadas na parte superior, de forma a que pudessem sustentar uma grelha, também feita de ferro, sobre a qual eram colocados os tachos para cozinhar, os fervedores para ferver o leite ou os simples canecos de alumínio para o aquecer. O depósito do petróleo tinha três orifícios: um, muito fininho, bem no centro, outro na parte superior com um rosca accionada por um manípulo e que se destinava a introduzir o combustível e um outro na parte lateral onde estava colocada uma bomba a que se anexava uma espécie de êmbolo. Uma vez accionada, esta bomba forçava o petróleo a subir através do orifício existente no centro do depósito, com uma espessura cujo diâmetro era mais estreito do que uma corda de viola e no qual estava aplicada a “cabeça” do fogão. Esta era feita de um tubo de metal, no qual estavam aplicados, na parte mais baixa uma espécie de pequeno prato, também de metal, e na parte superior uma ampola, também de metal com pequenos orifícios. Para acender o Primus colocava-se um pouco de álcool ou petróleo no pequeno prato a que se ateava lume. Passado algum tempo e, quando o combustível do prato estava prestes s consumir-se, dando-se à bomba, o petróleo subia, sob pressão, através do fino tubo central e ia alimentar a parte superior da cabeça, saindo pelos pequenos orifícios, formando uma chana azulada que se poderia tornar mais forte ou mais fraca consoante a maior ou menor pressão que se dava na bomba. Quando o tubo entupia, desentupia-se com um espevitador, feito com uma tirinha de lata a que se prendia, numa das extremidades, um pedacinho de arame muito fino ou de corda de viola rebentada. Depois era colocar o tacho em cima da grelha e esperar que os alimentos cozessem. No caso do leite, porém, era preciso estar muito atento. É que caso ele fervesse e não estivesse ninguém ali por perto para apagar a chama ele subia, transbordava o tacho, sujava o fogão e, pior do que isso, derramava-se todo pelo chão.

O grande problema do Fogão Primus, para muitas famílias é que a sua compra implicava um custo elevado e, além disso, gastava muito petróleo, bastante mais caro e, sobretudo, mais difícil de adquirir do que a lenha ou os garranchos de incenso e “faeira” que consumiam os velhos lares e que eram apanhados nas terras de mato. Além disso, a pequena e frágil estrutura do Primus, não permitia que se lhe colocassem em cima grandes tachos, dado que a maioria das famílias era bastante numerosa. Por estas razões algumas pessoas não compravam o Fogão Primus

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publicado por picodavigia2 às 14:00

A POPULAÇÃO DAS FLORES

Domingo, 03.11.13

Segundo os «Censos 2011», realizados em Portugal, no pretérito mês de Março, a população actual da ilha das Flores é de apenas 3.789 habitantes, dos quais 2.228 pertencem ao concelho de Santa Cruz e 1.501 ao das Lajes. Relativamente às freguesias, obviamente que a mais populosa é a freguesia de Santa Cruz, que inclui a Vila com o mesmo nome e o lugar da Fazenda e tem, de acordo com aqueles censos, 1.810 habitantes, enquanto a freguesia das Lajes, na qual se situa a outra vila da ilha, tem, apenas, na actualidade 627 habitantes. Quanto às restantes freguesias da ilha o seu número de habitantes é o seguinte, a começar pelas mais populosas: Ponta Delgada 358 habitantes, Fazenda das Lajes 257, Lomba 206, Fajã Grande 199, Cedros 152, Lajedo 93, Caveira 77, Fajazinha 76 e Mosteiro apenas 43 habitantes.

Números muito reduzidos, se tivermos em conta que na década de setenta a ilha das Flores tinha mais de seis mil habitantes e na de cinquenta, quase oito mil. Nessa altura, ou seja no início da década de cinquenta a Fajã Grande tinha 794 habitantes ou seja mais do que a vila das Lajes tem actualmente. Em meados da referida época esse número já seria aproximadamente de 550 habitantes. De todos os recenseamentos de que há memória, realizados nas Flores, sabe-se que aquele em que o número de habitantes da ilha foi mais elevado foi o de 1814, altura em que foram recenseados 11.827 pessoas na ilha, um número bem mais elevado do que o actual. No último recenseamento realizado no ano de 2002, a população das Flores era de 3.992 habitantes. Assim, verifica-se que a ilha, numa década perdeu 206 dos seus habitantes.

Texto publicado no “Pico da Vigia “ em 07/06/11

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publicado por picodavigia2 às 09:31

O MÊS DE NOVEMBRO E AS NOVENAS DAS ALMAS

Domingo, 03.11.13

A devoção e o culto das almas ocupavam literalmente um lugar de relevo no top da religiosidade e das celebrações litúrgicas, na Fajã Grande. Havia entre toda a população uma muito acentuada espécie de “cultura do além”, repleta, por um lado, de mitos, lendas, tradições, extravagâncias, ingenuidades e medos, mas, por outro, eivada de convicções embora limitadas, certezas geralmente inconsequentes, esperanças inexplicavelmente obscuras e de quotidianas e convictas realizações. Daí que o mês de Novembro se tornasse um mês especial, uma espécie de mês mítico, do além, por ser o mês das almas. Todos os dias, com excepção dos dias um e dois e dos domingos, realizava-se, na igreja paroquial, a “novena das almas”. Tratava-se logicamente de uma expressão popular pouco correcta, uma vez que as celebrações não se limitavam aos tradicionais nove dias próprios das novenas, mas prolongavam-se por todo o mês. Por isso, o mês de Novembro também era chamado mês das almas.

Já noite escura a igreja enchia-se de gente como se de domingo se tratasse e era celebrada missa, geralmente missa dos defuntos, excepto nos dias em que tal não era permitido liturgicamente, por se tratar duma festividade de 1ª classe. A igreja permanecia propositadamente escurecida, sendo apenas iluminada pelas velas do altar-mor e por outras seis encravadas em outros tantos gigantescos castiçais colocados ao redor de um enorme tapete preto debruado a amarelo, estendido bem no centro do cruzeiro, logo a seguir à capela-mor. A escuridão do templo, por um lado, convidava e proporcionava aos crentes um ambiente mais propício à oração e à reflexão sobre o mistério da sua própria morte e, por outro encenava uma espécie de enquadramento daquilo porque todos, sem distinção, já tinham passado – a lembrança da morte de algum familiar.

De seguida o pároco envergando a capa de asperges preta e barrete de três quinas, colocava-se estrategicamente à cabeceira do tapete e, voltado para o povo, rezava um responso por cada um dos agregados familiares da Fajã, agrupados ao longo dos vários dias, desde o cimo da Assomada e até ao fim Via d’Água. Como as famílias obviamente eram muitas mais do que os dias do mês, o pároco agrupava em cada dia o número razoável e adequado de agregados familiares, sendo que, no entanto, rezava separadamente os responsos, ou seja um pelos defuntos de cada família. Entre a reza de cada responso o pároco pegando no hissope encharcava-o na caldeirinha da água benta que o sacristão lhe apresentava, dava uma volta ao tapete e aspergia-o em cruzes sucessivas dos quatro lados, enquanto os sinos dobravam a finados.

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publicado por picodavigia2 às 00:09

CINCO MIL

Sábado, 02.11.13

Conforme texto publicado em 29 de Junho de 2011, o “Pico da Vigia” na sua edição anterior e primeira, hoje emérita, contabilizara na véspera, dia 25 de Setembro, cinco mil entradas ou visitas. Nessa altura, acrescentou-se ao texto divulgado, o seguinte: “Note-se, no entanto, que este número diz respeito apenas a um período de aproximadamente nove meses, uma vez que o actual contador de visitas foi colocado no blogue, apenas no dia 29 de Dezembro de 2010. No entanto, o “Pico da Vigia” teve um anterior contador, colocado no início de Janeiro de 1910 e que, até ao fim de Abril do mesmo ano, contabilizou cerca de três mil visitantes. Acrescente-se que este contador foi anulado quando a “blogs iol.pt” restruturou substancialmente a plataforma dos seus blogs.

Ora como o blogue teve o seu início em 9 de Março de 2009, decorreram 18 meses durante os quais não foi feita nenhuma contagem aos visitantes do Pico da Vigia, a que se contrapõem os 13 meses durante os quais se contaram cerca de 8 mil visitas. Tendo em conta que durante os primeiros meses de vida do “Pico da Vigia”, as visitas terão sido muito mais raras, talvez se possa estimar o número global de visitantes do “Pico da Vigia”, desde do seu início até hoje, em cerca de 18 ou 19 mil. Acrescente-se, no entanto, que uma boa parte destas visitas, talvez umas cerca cinco mil, serão da responsabilidade do autor do blogue, uma vez que nele tem que aceder com alguma frequência, para colocar os textos, emendar um ou outro erro, rectificar alguma incorrecção, corrigir algum gralha, substituir ou alterar alguma palavra ou expressão, consultar os “tags” a fim de verificar os textos já colocados ou até e simplesmente para o visitar o Pico da Vigia.

Ficam assim em cerca de doze mil as visitas ao Pico da Vigia, desde da sua criação até hoje. A existência de diversos sistemas de contagem e de vários tipos de mapas, permite-nos identificar não apenas os países mas até as localidades de cada pais onde se efectuam as visitas. No caso dos países foram vinte e seis, aqueles cujos cidadãos ou residentes visitaram o “Pico da Vigia”, embora muitos nele terão entrado apenas por mera casualidade. Não é crível que alguém da China, da Rússia, da Islândia, ou do Taiwan tenha visitado intencionalmente este blogue, mas o mesmo já não se poderá dizer da Bélgica, do Brasil ou do Canadá, para não falar dos Estados Unidos e de Portugal.

È pois altura de se alterar o formato do “Pico da Vigia”, embora mantendo os objectivos iniciais: “regressar” à Fajã Grande das Flores, recordar pessoas, contar estórias. Lembrar costumes e tradições e, de mistura, abordando um ou outro tema da actualidade, não apenas da ilha das Flores mas das restantes ilhas açorianas, com especial referência para a ilha do Pico.”

Esta nova edição, designada por “Pico da Vigia 2”, neste aspecto ultrapassou a primeira, dado que iniciado no início de Junho, em cinco meses, ultrapassou as cinco mil visitas, quase em metade do tempo da primeira versão. Tem tido, pois um sucesso bem maior e que resulta numa média de mil visitas por mês e cerca de trinta e quatro por dia. Excelente!

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publicado por picodavigia2 às 22:57

COGUMELOS

Sábado, 02.11.13

Os cogumelos são fungos ou frutificações de fungos que assumem um papel fundamental ao nível do equilíbrio dos ecossistemas. Assim, os cogumelos são úteis e necessários à natureza e até muito importantes para o seu equilibro e a sua sustentabilidade, uma vez que, por um lado, contribuem para a reciclagem da matéria orgânica, eliminando as espécies vegetais menos saudáveis e, por outro, favorecem o estabelecimento das mesmas em condições adversas através de relações que se estabelecem entre os fungos e as raízes das plantas. Os cogumelos têm um papel importante na protecção das espécies vegetais, defendendo-as de alguns agentes patogénicos, ou seja, dos que lhe provocam doenças. Relativamente à sua relação com o ser humano, os cogumelos, no que concerne à sua variedade, são contraditórios, dado que alguns são tóxicos e outros venenosos, chegando alguns a provocar a morte a quem os ingerir, enquanto outros, porém, são comestíveis, estando na base ou no acompanhamento de saborosos pratos de culinária.

Ora na Fajã Grande, outrora, existiam muitos cogumelos, sobretudo nas chamadas terras de mato, como as do Pocestinho, da Cabaceira, do Espigão, do Pico Agudo, da Fajã das Faias e em outros lugares. Uns eram simplesmente esbranquiçados, outros porém tinham um matiz de cores variadíssimas, com tons alaranjados, cinzentos, encarnados, beges, esverdeados, castanhos, etc. Esta variedade de cores fazia com que os cogumelos se tornassem esteticamente muito belos, atraentes, apetecíveis e agradáveis à vista e não só. Porém tocá-los era apenas um sonho ou um desejo, porque nessa altura consideravam-se todos venenosos e maléficos.

De todos os cogumelos, os do Pocestinho eram os mais belos e atraentes. As suas cores eram muito vivas, a sua copa muito frondosa e aveludada e o tronco bastante esguio e altivo. Por isso mesmo eram os mais desejados e apetecidos e, por vezes, esquecia-se a proibição de se lhes tocar e lá se apanhava um ou outro para colocar, com muito cuidado e carinho na palma da mão e sentir o aveludado do seu corpo, o colorido da sua copa e a beleza do seu ser.

Que pena os belos cogumelos de outrora, das terras de mato da Fajã, não existirem hoje, para se poderem saborear aqueles que na realidade seriam comestíveis. E decerto que não eram poucos,

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publicado por picodavigia2 às 21:14

AS ILHAS

Sábado, 02.11.13

(POEMA DE COELHO DE SOUSA)

As ilhas que tenho e conto

Em minhas mãos pelos dedos

Fazem mais que um arquipélago

Com mistérios e segredos

 

E os sonhos também são ilhas

Com arabescos e certezas

Mais ainda o grande amo

Que nos traz as almas presas.

 

Água do mar é espelho

Onde a gente se revê

De me rever estou velho

Sem saber bem por que é

 

Dorme, dorme ilha do sonho,

Cantam as ondas do mar.

Que as ilhas também se adormem

Com cantigas de embalar

 

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publicado por picodavigia2 às 18:34

NOME PAZ

Sábado, 02.11.13

Com a singeleza da aurora no teu rosto,

Com o verde das montanhas nos teus olhos,

Com a murmurar das fontes nos teus lábios

E com o sossego dos vales no teu peito,

 

Só poderias ter por nome – Paz!

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publicado por picodavigia2 às 17:10

O PADROEIRO

Sábado, 02.11.13

São José é o padroeiro da paróquia da Fajã Grande.

José é um dos personagens mais célebres do Novo Testamento, marido da mãe de Jesus Cristo. Segundo a tradição cristã, nasceu em Belém da Judeia, no século I a.C., descendia da tribo de Judá e era descendente do rei David. Segundo a tradição, José foi designado por Deus para se casar com a jovem Maria, mãe de Jesus, que era uma das consagradas do Templo de Jerusalém, e passou a morar com ela em Nazaré, uma localidade da Galileia. Segundo a Bíblia, era carpinteiro de profissão, ofício que terá ensinado a Jesus. Por essa razão as imagens de São José representam-no, geralmente, de mão dada com o menino e com uma serra na mão.

A escolha de José, para esposo da Virgem Maria, segundo uma lenda que se contava na Fajã Grande, aconteceu depois de Deus seleccionar um grupo de homens bons, generosos e de grande virtude, entregando a cada um, uma vara retirada de uma bela planta, mas ainda sem flor. Avisou-os Deus que as guardassem, pois uma delas, a do mais virtuoso, do mais santo e do que tivesse melhor coração, mesmo arrancada da planta, havia de florir. Na realidade e passado algum tempo a vara que José guardara foi a única a florir, sendo ele o eleito para esposo de Maria, Mãe de Jesus. Por essa razão em muitas das suas imagens colocadas nos altares, em vez da serra, São José surge, segurando na mão um ramo florido e, neste caso com o Menino Jesus ao colo.

São José é um dos santos mais populares da Igreja Católica, tendo sido proclamado "protector da Igreja Católica Romana", pelo seu ofício, "padroeiro dos trabalhadores" e, pela fidelidade à sua esposa, "padroeiro das famílias", sendo também padroeiro de muitas igrejas e lugares do Mundo. Uma delas é a da Fajã Grande das Flores.

A festa em memória do seu padroeiro, realizava-se, na Fajã Grande, no dia dezanove de Março e era a maior festa da freguesia depois da realizada em honra da Senhora da Saúde, no mês de Setembro.

 Precedida de um tríduo, em que geralmente era convidado para pregar um “padre de fora”, ou seja, de outra freguesia da ilha, a festa, no seu dia, explodia em três epicentros ou pontos altos. De manhã, tinha lugar a chamada “Missa da Comunhão”, celebrada por um dos sacerdotes de fora, solenizada e com sermão. Demorava uma eternidade porque toda a gente comungava e, nesse tempo a comunhão era recebida, de joelhos, à grade e distribuída apenas pelo celebrante. Mas era um momento de grande emoção, sobretudo nos anos de Comunhão Solene, o que acontecia de três em três anos. Depois e mais tarde a “Missa da Festa”, também demoradíssima, cantada e com sermão, celebrada pelo pároco e acolitada por dois sacerdotes, um a fazer de diácono e outro de subdiácono, estes revestidos de dalmáticas brancas, bordadas a amarelo, as únicas que a igreja possuía, para além de duas pretas. Momentos solenes eram o canto da Epístola pelo subdiácono, o Evangelho e o “Ite missa est” pelo diácono e o Prefácio e o “Pater Noster” pelo presbítero celebrante. Finalmente à tarde, precedida de sermão, realizava-se a procissão.

O pároco aproveitava o facto de esta festa se realizar sempre na Quaresma e antes da Páscoa para também proceder à desobriga pascal. Assim, com um tiro matava dois coelhos. Na véspera da festa, vários sacerdotes deslocavam-se à Fajã e durante a tarde procediam ao confesso. Os sinos anunciavam a hora do perdão, a igreja enchia-se, os sacerdotes colocavam-se nos confessionários e à grade onde estavam encravados dois ralos e desatavam a perdoar pecados e a impor as respectivas penitências. Depois e até ao dia seguinte deveria haver muito cuidadinho para não se pecar, caso contrário “estragava-se” a confissão feita e, pior do que isso, ficava-se incapaz de comungar, não dando cumprimento à desobriga.

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publicado por picodavigia2 às 16:07

O GIRÃO

Sábado, 02.11.13

Um dos barcos de carga que outrora escalava a ilha das Flores e que intercalava com as escalas mensais do Carvalho Araújo era o Girão, que demandava a ilha em alternância com o Terceirense e por vezes com o Lima, fazendo serviço geralmente o porto das Lajes, deslocando-se raramente à Fajã, apenas quando o mar em Santa Cruz não permitisse fazer a carga e descarga. O Girão era o navio que transportava para as Flores carga das restantes ilhas, nomeadamente de S. Miguel. A sua carga fundamentalmente reduzia-se ao transporte das botijas ou garrafas de gás e o combustível líquido, este em bidões de 200 litros, uma vez que o Carvalho, como navio de passageiros não podia nem devia transportar estas mercadorias, devido ao perigo que representavam para um navio que transportava passageiros. O Girão era bem mais pequeno do que o Carvalho, mas maior do que o Terceirense, outro navio de carga que também demandava a ilha das Flores nos anos cinquenta e que fez serviço, várias vezes, no porto da Fajã. O Girão tinha um comprimento de 47,80 metros, boca 7,80, calado 3,65, um motor de 400 hp e uma velocidade próxima dos 8 nós. Construído em 1931, em Foxhol, na Holanda, pelo construtor J. Smit & Zoon, ainda fez parte da frota da CTM até 1974. Altura em que foi retirado da navegação e vendido para a sucata.

No Pico, contava-se que certa vez que o Girão escalou o porto do Cais, enquanto se carregavam uns bidões vazios, alguns terão caído do guindaste que os içava e rolado sobre o convés do navio provocando um ruidoso estrondo. Muita gente ficou alarmada, incluindo o comandante, que veio à ponte e, depois de se inteirar do que se passava, advertiu o homem do guindaste: "Por favor, não me rebente com as costuras do navio!"

Este navio de carga, de saudosa memória para os florentinos e fajãgrandenses, chamava-se, inicialmente, "Oceaan", passando a chamar-se Gorgulho, na altura em que chegou a Portugal e foi registado na Capitania de Lisboa, no ano de 1948. Posteriormente e porque foi adquirido pela mesma companhia um outro barco com o mesmo nome, o “Oceaan” holandês passou a chamar-se Girão, nome que permaneceu até ao fim dos seus dias, quando foi vendido para a sucata.

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publicado por picodavigia2 às 15:58

CASAMENTOS REALIZADOS NA PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE NO INÍCIO DO SÉCULO XX (NO ANO DE 1901)

Sábado, 02.11.13

No início do século XX, mais concretamente no longínquo ano de 1901, realizaram-se, na paróquia de São José da Fajã Grande, os seguintes casamentos:

1901

A 10 de Janeiro – João Furtado Gonçalves, de 34 anos, filho de Francisco Furtado Gonçalves e Ana Joaquina da Silveira, casou com Maria do Céu Gonçalves, de 24 anos, filha de Manuel Inácio Furtado e de Maria Joaquina da Silveira.

A 14 de Janeiro – Fernando Pimentel Brás, de 24 anos de idade, filho de António Pereira Brás e de Maria da Assunção, casou com Filomena Pimentel da Glória, de 14 anos de idade, filha natural de Maria Júlia de Amorim.

A 17 de Janeiro – Inácio José Jorge, de 45 anos de idade, filho de José Inácio Jorge e Maria Luísa, casou com Ana Inácia Furtado, de 28 anos de idade, filha de Manuel Inácio Furtado e Maria Joaquina.

A 21 de Janeiro – José Inácio Mateus, de 22 anos, filho de José Inácio Mateus e de Maria Lucinda, casou com Conceição Filipe Mateus, de 29 anos, filha de Manuel Rodrigues Filipe e de Maria Joaquina do Coração de Jesus.

A 24 de Janeiro – José Luís de Freitas, de 27 anos, filho de Manuel de Freitas Silveira e de Isabel Luísa, casou com Josefina Luísa de Freitas, de 19 anos, filha de José Fernandes de Freitas e de Maria José Policena.

A 9 de Fevereiro – José da Câmara de Sousa, de 27 anos, natural da Matriz de Ponta Delgada, S. Miguel e já viúvo de Ana Isabel, casou com Luísa Pereira de Sousa, de 20 anos de idade, filha de António Caetano Pereira e de Maria de Jesus.

A 16 de Fevereiro – José Jacinto Fraga, de 20 anos, filho de Manuel de Fraga e de Maria de Freitas do Coração de Jesus, casou com Ana Luísa de Fraga de 26 anos, filha de João de Freitas Botelho, natural de S. Miguel e de Isabel Luísa, natural da Fajã Grande.

A 9 de Maio – António Bernardo Fagundes, de 34 anos, filho de Bernardo José Caetano e de Maria Cabral, casou com Mariana Pimentel da Silveira, de 18 anos, filha de José Cardoso de Freitas e de Maria Leopoldina da Silveira.

A 18 de Maio – António Vitorino da Silveira, de 25 anos, filho de José António Lourenço da Silveira e de Mariana Claudina da Silveira, casou com Maria da Luz de Freitas da Silveira, de 19 anos, filha de João de Freitas Henriques e de Policena Luisa de Freitas.

A 29 de Julho – António José Jorge, de 36 anos de idade, filho de António José Jorge e de Ana de Jesus, casou com Maria José Jorge, de 17 anos de idade, filha de António Augusto da Silva, natural da freguesia da Conceição da cidade da Horta e de Mariana Pimentel da Silveira, natural da Fajã Grande.

A 29 de Setembro – José de Freitas Mateus, de 50 anos de idade, Manuel de Freitas Estevão e de Maria de Jesus Mateus, já viúvo de Ana Luísa do Coração de Jesus, casou com Maria da Conceição de Freitas, de 34 anos, filha de António Francisco Furtado e de Maria de Jesus da Assunção.

A 16 de Outubro – José António Laranjo, viúvo de Maria José Lourenço, de 62 anos de idade, filho de José António Laranjo e Rita Maria, casou com Ana José de 41 anos, filha de António José Inácio e de Maria de Jesus.

Fonte: - Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, Casais das Flores e do Corvo, 2006.

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publicado por picodavigia2 às 15:37

TERRÍVEL

Sábado, 02.11.13

MENU 15 – “TERRÍVEL”

 

ENTRADA

Pimentos salteados em azeite, hortelã e alho, acamados sobre bolacha cream-caker

 e barrados creme de marmelo

Alface picada com cebola, orvalhado azeite e vinagre balsâmico.

 

 

PRATO

 

Tagliatele à Carbonara – Com mortadela e fiambre de peito de peru, queijo ralado e creme queijo orvalhada com ervas aromáticas, salsa e ervas aromáticas.

 

 

 

SOBREMESA

 

Pera e Gelatina de Morango.

 

******

 

Preparação da Entrada: Perfumar seis colheres de chá de azeite, em lume brando com rodelas de alho e folhas de hortelã. Retirar o alho, alourar a bolacha no azeite e, de seguida, partir tirinhas ou pedacinhos de pimentos (verde, vermelho e amarelo) e salteá-los com cebola picada, no azeite que sobrou. Picar a alface miudinha e colocá-la no prato em que vai ser servida, borrifando-a, levemente, com azeite e vinagre balsâmico. Ao lado, colocar a bolacha e cobri-la com os pedacinhos de pimento, salteados. Finalmente espalhar uma colher de sopa de creme de marmelo sobre os pimentos, ainda quentes e servir.

Preparação do Prato – Cozer a massa em água com umas gotas de óleo Becel e um dente de alho. Triturar, ligeiramente, a mortadela e o fiambre com um pouco de salsa. Refogar em azeite, uma cebola pequena e juntar pequenos pedacinhos de pimentos e raspa de cenoura, misturar a mortadela e o fiambre. Envolver com a massa e o creme de queijo e um pouco de queijo ralado. Misturar bem e juntar ervas aromáticas.  

Preparação das Sobremesas – Confecção tradicional.

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publicado por picodavigia2 às 14:04

OS PÁROCOS DA ILHA DAS FLORES NA DÉCADA DE CINQUENTA

Sábado, 02.11.13

Na década de cinquenta a ilha das Flores, nas suas onze paróquias, tinha nove párocos, uma vez que a Caveira estava anexada a Santa Cruz e o Mosteiro ao Lajedo. Acrescente-se que Ponta e Fazenda de Santa Cruz, apesar de terem as suas igrejas, não eram paróquias mas sim curatos. A Ponta era um curato anexado à Fajã, enquanto o da Fazenda de Santa Cruz pertencia à vila com o mesmo nome. Por ser a paróquia mais populosa e ter anexa a Caveira e a Fazenda, normalmente existia um cura ou vigário cooperador em Santa Cruz, cargo normalmente exercido, por tempo limitado, por padres mais novos, logo após concluírem a sua formação no Seminário de Angra. A ilha estava dividida em duas ouvidorias, as quais abrangiam as paróquias dos respectivos concelhos: Santa Cruz e Lajes

Os nove párocos, porém, eram, quase todos, de idade avançada e, consequentemente, já todos partiram.

A Ouvidoria de Santa Cruz incluía três padres. O pároco de Santa Cruz, que também exercia as funções de Ouvidor, era o padre Maurício António de Freitas, natural das Lajes, ordenado sacerdote em 1937 e nomeado vigário e ouvidor de Santa Cruz em 1954. A ele se deve em grande parte a criação do ensino básico do 2º e 3º ciclo na Ilha das Flores, através da fundação do Externato da Imaculada Conceição. Na década de sessenta emigrou para os Estados Unidos, falecendo, naquele pais, em 1983. O padre José Maria Alvares paroquiava a freguesia dos Cedros. Era natural da Fazenda de Santa Cruz, tendo sido ordenado em 1937 e terá sido um dos melhores alunos do Seminário, no seu tempo. Exerceu toda a sua actividade sacerdotal nos Cedros, durante largos anos e a ele se deve a construção da nova igreja inaugurada em 1953. Por sua vez a freguesia de Ponta Delgada era paroquiada pelo padre Francisco de Freitas Tomás, natural das Lajes das Flores, ordenado em 1936 e transferido para a Lomba, no início da década de sessenta.

A Ouvidoria das Lajes era bem maior em número de paróquias e clérigos, num total de seis. O ouvidor e pároco das Lajes era o padre Luís Pimentel Gomes, natural da Fazenda das Lajes, ordenado em 1939. Paroquiou em São Jorge, na Fazenda das Lajes e a partir de 1949, foi pároco das Lajes, exercendo simultaneamente as funções de Ouvidor, até 1986, ano em que faleceu. Na Lomba o pároco era o padre João de Fraga Vieira, natural das Lajes e ordenado em 1939, o qual mais tarde e por razões de saúde foi transferido para a paróquia de São Bartolomeu, na ilha Terceira. O pároco da Fazenda das Lajes era o padre José Vieira Gomes, natural da mesma freguesia e ordenado em 1939. Antes de paroquiar a Fazenda, foi pároco do Corvo e, após a sua actividade naquela paróquia, foi colocado em Santa Clara, na ilha de São Miguel, tendo falecido em 1989. O Lajedo e o Mosteiro eram paroquiados pelo padre José Furtado Mota, natural de Santa Cruz e ordenado em 1907. Foi cura da Ponta durante três anos, após os quais foi transferido para o Lajedo, onde exerceu a sua actividade até 1963, ano em que faleceu. A ele se deve a fundação dos Sindicatos Agrícolas da Ilha das Flores. Era o sacerdote mais velho que paroquiava a ilha das Flores. Na Fajãzinha o pároco era o padre António Joaquim Inácio de Freitas, freguesia de onde era natural. Ordenou-se em 1936, paroquiou nos Cedros e em Santa Cruz, tendo sido transferido para a Fajãzinha em 1942, onde se manteve até ao seu falecimento. Interessado pelos costumes, história e tradições da ilha das Flores, deixou um legado de recolhas importante nesta área, tendo-se distinguido, também, pelo seu apoio às populações das freguesias da Fajã, Fajãzinha e Mosteiro, na área da saúde. Finalmente a Fajã era paroquiada pelo padre Manuel de Freitas Pimentel, natural da Fajãzinha e ordenado em 1917. Depois de exercer a sua actividade em Santa Cruz e no Corvo foi transferido para a Fajã Grande em 1925, tendo-se aí mantido durante 36 anos, após os quais fixou residência, como manente, em Angra do Heroísmo

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publicado por picodavigia2 às 10:10

IRMÃ LUÍSA FAGUNDES

Sábado, 02.11.13

Luísa Fagundes de Sousa, religiosa pertencente à Congregação das Irmãs Servas da Sagrada Família, nasceu na rua da Fontinha, na Fajã Grande das Flores, no dia 18 de Maio de 1920 e faleceu a 28 de Maio de 1911, na Unidade de Cuidados Familiares da Mealhada, perto de Anadia e de Sangalhos, onde viveu uma boa parte da sua vida religiosa.

Luísa Fagundes de Sousa era filha de José Fagundes da Silveira e de Joaquina Fagundes de Sousa. Cedo manifestou grande apetência para a vida espiritual e consagrada, dedicando-se, durante a sua juventude, na Fajã, a colaborar nas diversas actividades da paróquia, nomeadamente na catequese e ainda no asseio e limpeza da igreja paroquial onde se baptizara. No início da década de cinquenta, após a morte do pai, abandonou a terra natal e partiu para o continente, entrando para a Congregação das Irmãs Servas da Sagrada Família, uma ordem religiosa fundada em 1942, pela irmã Purificação dos Anjos, tendo como carisma e missão “O serviço dos mais pobres num ambiente de família; libertação espiritual e humana Familiar, com a casa-mãe no Lar de São José, em Lisboa, onde a irmã Luisa permaneceu durante alguns meses, seguindo mais tarde para uma casa pertencente a esta congregação, existente em Anadia, onde fez o noviciado e professou. Circulou por algumas casas da congregação, em Benfica, nos Olivais, em Évora e no próprio Lar de São José, partindo mais tarde para Timor, onde permaneceu, como missionária, até à altura da Revolução de Abril, tendo então regressado novamente ao Lar de São José. Alguns anos depois foi colocado no Centro de Bem-Estar Infantil de Sangalhos, instituição pertencente à Misericórdia local e gerida em parceria com a Congregação das Irmãs Servas da Sagrada Família, onde exerceu a actividade de Superiora, simultaneamente com a de educadora, durante largos anos.

Com o cessar da parceria administrativa com a Misericórdia de Sangalhos e, já com idade avançada, a irmã Luisa recolheu-se novamente na Casa da Imaculada Conceição de Anadia, onde viveu os últimos dias da sua vida e onde ainda trabalhou, na educação e formação de crianças, enquanto as suas forças o permitiram. Acamada desde há alguns meses e padecendo de algumas graves enfermidades, a irmã Luisa, uma das sete irmãs da minha mãe e minha madrinha de baptismo, foi suportando sempre o sofrimento e a doença com paciência e resignação, repousando agora, para sempre, na paz de Deus

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publicado por picodavigia2 às 09:37

MANUEL BARBOSA

Sábado, 02.11.13

Manuel Barbosa, advogado, professor e escritor, nasceu em Ponta Delgada, São Miguel, em 1905, tendo falecido em S. Brás de Alportel, em 1991. Concluiu os estudos secundários em Ponta Delgada e licenciou-se em Direito, na Universidade de Lisboa e em Ciências Históricas e Filosóficas, na de Coimbra. Regressou a S. Miguel, em 1948, onde exerceu advocacia na Ribeira Grande. Paralelamente, foi professor e dirigiu o Externato Ribeiragrandense. Desde jovem, revelou preocupações político-sociais e tornou-se um opositor tenaz ao Estado Novo. Foi candidato a deputado pela Oposição Democrática, em 1969, pelo círculo de Ponta Delgada, e participante no III Congresso Democrático de Aveiro. Depois do 25 de Abril, foi membro da Comissão Democrática de Ponta Delgada e deportado para o continente em Agosto de 1975, por elementos separatistas da Frente de Libertação dos Açores (FLA). Publicou poesia, alguns contos e traduziu obras de autores ingleses consagrados. A sua poesia, para além da sensibilidade romântica e idealista, revela também preocupações político-sociais.

As suas principais obras são: Poesia - Incerta Via, e 5 English Poems. Prosa - Fructuoso (Vida e Obra), Virgílio de Oliveira - o Homem, o Poeta e o Ideólogo, Luta pela Democracia nos Açores, Memórias das Ilhas Desafortunadas, Figuras e Perfis Literários, Enquanto o Galo Canta e Memórias da Cidade Futura.

                                                                                                                            

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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DIA DOS DEFUNTOS

Sábado, 02.11.13

Na ilha das Flores, como em todo o orbe católico, celebrava-se com um misto de saudade, tradição e religiosidade o dia dois de Novembro, vulgarmente, denominado “Dia dos Defuntos”.

Mas, na Fajã Grande, o culto e devoção das almas, com verdade, envolvia, em desmedida dedicação, toda a freguesia. Nem os mais descrentes se esquivavam de evocar a memória dos falecidos e sufragar as almas dos familiares que já haviam partido deste mundo. Daí que, não apenas o dia dois, mas também todos os outros dias de Novembro tivessem uma forma de celebração religiosa específica e muito peculiar.

Durante o ano eram feitas, na freguesia, duas recolhas ordinárias de ofertas a favor das Almas do Purgatório: em Janeiro, a das línguas do porco e em Novembro, a do milho. No que concerne à oferta das línguas dos porcos, fenómeno estranho e de esconsa clarificação, cada agregado familiar, se assim o entendesse, salgava a língua do seu porco e, algum tempo depois da matança, levava-a para a missa dominical, finda a qual, era arrematada, no adro da igreja, sendo o dinheiro resultante de cada leilão entregue ao mordomo das almas, que o guardava. A recolha do milho, por sua vez, era feita no dia de Todos os Santos. Grupos de homens munidos de cestos ou sacos de serapilheira percorriam as ruas da freguesia e, batendo à porta cada casa, gritavam: “Milho pr’ás almas”. Era, também, um costume ancestral e que tinha como objectivo recolher as ofertas de milho, cujo dinheiro resultante da venda, também era destinado às benditas almas. Esta actividade era devidamente planificada e programada pelo mordomo das almas, que, dias antes, requisitava os homens necessários para fazer o peditório. Convidava também uma grande quantidade de mulheres para, durante e após o peditório, recolher o milho, debulhá-lo e enchê-lo em sacos. O milho, posteriormente, era vendido e esse dinheiro, juntamente com o do leilão das línguas e o de outras ofertas, era entregue, ao pároco. Destinava-se a celebrar missas e rezar os responsos, todos os dias, durante o mês de Novembro, por alma dos defuntos de todas as famílias da freguesia. Além disso, ainda eram feitas, ao longo do ano e por iniciativas individuais, sempre resultantes de promessas, outros peditórios e recolhas extraordinárias de produtos agrícolas que também eram vendidos ou leiloados.

Assim e tendo em conta o dinheiro obtido através de todas estas derramas e ofertas, o pároco calculava o número de missas a celebrar. Depois dividia o número de casas da paróquia por esse número e estabelecia uma espécie de calendário, sendo que, em cada dia do mês, excepto ao domingo, a missa era celebrada por alma dos defuntos de um conjunto de famílias. Este conjunto era determinado, grosso modo, pelo quociente do número de casas a dividir pelo número de missas. Nenhuma casa era excluída, mesmo que tivesse contribuído com pouco ou nem sequer tivesse colaborado na oferta de géneros ou na recolha de donativos.

Na tarde do dia de Todos os Santos, procedia-se à ornamentação e limpeza do cemitério, enfeitando cada família as sepulturas dos seus antepassados. No dia dois, de manhã cedo era celebrada a primeira missa, “Missa in die obito” com paramentos pretos, sendo inicialmente montada a essa no centro do cruzeiro, com seis castiçais ao redor e um tapete negro a cobri-la, como se de um funeral se tratasse. Finda a missa, o pároco trocava a casula preta pela capa de asperges da mesma cor e rezava os responsos dos defuntos. Seguia-se a procissão ao cemitério, durante a qual os sinos “dobravam a finados” e onde, novamente, eram rezados responsos e benzidas as sepulturas. De regresso à igreja eram celebradas mais duas missas, de acordo com as normas litúrgicas então vigentes. As Trindades da noite do dia um e da manhã e noite do dia dois eram acompanhadas do “dobrar a finados”.

Quando nós crianças, ainda indiferentes a tais celebrações, perguntávamos de quem era o enterro ou quem tinha morrido, diziam-nos, os adultos, que era o enterro do “Velho Laranjinho”, figura mítica que representava todos os finados da freguesia. Também era costume, no dia 2 de Novembro, cozer pão e assar abóboras no forno, em louvor das almas do purgatório, mas o forno deveria ser apagado sempre antes do toque das Trindades, caso contrário, dizia-se, as almas dos nossos antepassados continuariam a ser queimadas pelo “santo fogo” do Purgatório.

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publicado por picodavigia2 às 00:09

BALEIA À VISTA

Sexta-feira, 01.11.13

Ainda era manhã cedo, pese embora os primeiros raios de Sol começassem a surgir amarelados e tremulantes, lá por cima da Rocha dos Paus Branco. Ruas, vielas, caminhos e canadas já se haviam enchido de pessoas e animais. Os homens dirigiam-se para as suas terras, para ceifar erva, para cortar feitos, para sachar o milho, para cavar uma courela, para apanhar batatas ou plantar “coivinha”. Rapazes e crianças conduziam o gado às relvas e depois haviam de encaminhar-se para a escola que ficava na Casa do Espírito Santo de Baixo. As mulheres, umas acompanhavam os homens nas idas para os campos, outras ficavam em casa, a lavar, a limpar, a varrer, a por a roupa a corar ou a preparar o almoço que depois haviam de ir levar aos campos.

Subitamente, no alto do Pico da Vigia, soou um foguete, ecoando de seguida na rocha, desde as Águas até aos Lavadouros:

- “Baleia à vista!” – Ouviu-se em uníssono.

- “É cardume, porque foi um foguete.” – Explicavam os mais entendidos.

 De imediato uma boa parte dos homens largaram o que faziam. Os sachos foram atirados para o chão, as enxadas ficaram caídas por terra e as foices espetadas nas paredes. Muita erva ficou por ceifar, as vacas amarradas à pressa e muitos homens iniciaram uma corrida louca em direcção ao Porto, onde estavam varados os botes e fundeado o gasolina.

Muitas das mulheres que estavam nos campos também abalaram para casa a fritar, à pressa, uma posta de peixe ou um toro de linguiça, a partir um pedaço de pão ou de bolo e a preparar uma garrafa de vinho, de água ou uma “termus” de café. Enfiando tudo numa cesta ou numa saca de pano, partiam, também a correr na direcção do Porto Velho, a fim de chegarem a tempo, com a comida que os seus homens haviam de levar, dado que, muito provavelmente, permaneceriam todo o dia todo no mar. No varadouro arreavam-se os botes, sob as ordens dos oficiais e outros baleeiros profissionais que haviam chegado, uns dias antes, vindos do Pico, das Lajes e da Vila. Os homens, à medida que iam chegando, agarravam-se aos botes com unhas e dentes e ajudavam a pô-los na água. Assim que a tripulação de cada um dos botes estava completa, partia. De cima da rocha negra do baixio, circundante ao Boqueirão, as mulheres ficavam aflitas, a abanar, a suspirar e algumas a chorar, conscientes dos perigos que aqueles homens corriam. Os botes, finalmente, iniciavam a marcha lenta, primeiro a remos, carregados de homens e de esperança. Já no mar alto içaram as velas, uma vez que o vento de nordeste beneficiava a sua marcha. Finalmente partiu a “Santa Teresinha”, com os seus três tripulantes, carregada com lanças e arpões suplentes e com os sacos e as cestas dos baleeiros cujas mulheres se tinham atrasado. Não demorou muito e o potente gasolina alcançou os botes, lançou-lhes cabos e começou a rebocá-los, seguindo todos, oceano fora, orientados pelo pano que os vigias haviam estendido nas encostas do Pico do Areal, acabando por se perderem de vista. Mas sabia-se que, algum tempo depois, lancha e botes estavam em cima do cardume.

A lancha afastou-se, para não assustar as baleias com o barulho do motor e os homens dos botes começaram a remar com quanta força tinham, enquanto os mestres mandavam os “trancadores” prepararem-se para atirar o arpão sobre os enormes cetáceos, que resfolgavam, soltavam esguichos de respingos no ar, mergulhavam para voltarem a aparecer metros mais á frente. Um dos botes colocou-se em melhor posição para arpoar. O “trancador” curvou-se para a frente, fez pontaria aquele monstro negro e, sob a ordem do oficial, atirou o arpão, acertando de raspão no cetáceo. A baleia ferida acelerou a sua marcha, afastando-se do bote, a alta velocidade, arrastando-o consigo e levando no corpo o arpão amarrado a uma corda forte, que se ia desenrolando de uma selha no fundo do bote. A corda, porém, não teve comprimento suficiente e o mestre deu ordens que amarrassem uma segunda, enrolada noutra selha. Esta também depressa se escoou pelo fundo do mar. Desesperado o mestre mandou que a cortassem, não fosse o diabo tecê-las. O bote paralisou e a baleia desapareceu por completo nas profundezas do oceano, enquanto o segundo bote permanecia ali perto para o que fosse necessário. A confusão resultante da caça falhada foi medonha. Gritos, berros, remos caídos ao mar, o roncar do motor do gasolina… O cardume afastou-se e, pouco depois, desapareceu. Homens, botes e até a lancha perderam-lhe o rasto. Os almas do diabo haviam-se enfiado nos quintos dos infernos! Agora só mar, céu e lá ao longe a mancha esfumaçada da ilha. Nada mais havia a fazer. Os botes aproximaram-se um do outro, os mestres conversaram e finalmente decidiram. Só havia uma coisa a fazer: voltar para terra, pois naquele dia mais nada lhes era possível. Rebocados pelo gasolina voltaram ao Porto Velho e vararam, na esperança de que o dia seguinte não fosse apenas mais um dia de “baleia à vista” mas sim um dia de “baleia trancada”.

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publicado por picodavigia2 às 14:06

PAI VELHO

Sexta-feira, 01.11.13

A criançada da Fajã Grande, na década de cinquenta, não era muita, mas era danada para jogos, brincadeiras e partidas recíprocas. Nas quatro classes da escola, onde eu me incluía, andariam cerca de trinta e cinco a quarenta crianças, sendo, mais ou menos metade rapazes outra metade raparigas. Depois havia ainda os mais velhos, saídos da escola há um, dois ou três mas que também se juntavam aos mais pequenos, formando um grupo bem razoável de garotos, ágeis, atrevidotes, irrequietos e brincalhões. Um número mais do que suficiente para saltar, jogar, nadar, gritar, pregar partidas, fazer trinta por uma linha, numa palavra, para virar a freguesia de baixo para cima, praticando jogos audaciosos e diversos e brincadeiras divertidas e variadas. Nas tardes de domingos, sábados e feriados, nos dias de semana depois da escola lá nos juntávamos em grande, com falta de comparência de um ou outro, à Praça, em frente à Casa de Baixo, no pátio da Casa de Cima, no adro, junto ao Chafariz da rua Direita, na Canada do Pico, no Outeiro e em tantos outros enigmáticos lugares, para a folia, para as brincadeiras, para os jogos, para a conversa, para as partidas e, às vezes, até para brigas e para a pancadaria. Mas no fim tudo resultava em grande amizade e camaradagem.

Quando éramos muitos, isto é, quando o número do aglomerado era superior a dez ou doze, entre outros jogos, dedicávamo-nos muito frequentemente a uma interessante e caricata brincadeira, chamada de “Pai Velho”. Consistia aquela espécie de jogo, no seguinte: uma vez todos reunidos, geralmente na Canada do Pico, ali mesmo a seguir à casa do Catrina, por ser lugar recôndito e de pouco acesso por parte dos transeuntes, um dos mais velhos assumia o papel de pai, mas um pai já muito velho e alquebrado por trabalhos e canseiras e viúvo, que passava os seus dias sentado em casa e não conseguia por cobro às asneiras que diziam e aos disparates que faziam os seus numerosos filhos. Estes eram todos os restantes participantes na brincadeira e como não tinham mãe, nem irmãs, aquilo era um reboliço dos diabos lá em casa. Andava tudo desarrumado, ninguém se entendia, cada qual fazia o que lhe dava na real gana e, por vezes, até se maltratavam e agrediam uns aos outros. O pai bem os aconselhava e mandava para as terras a fim de trabalharem e cultivarem os produtos necessários ao seu sustento. Eles, porém, faziam ouvidos de mercador e não davam atenção nenhuma aos conselhos e pedidos do progenitor, não obedeciam às suas ordens, nem cumpriam os seus mandatos. Pelo contrário, fugiam de casa, sem o pai se aperceber, e passavam o dia a namorar, pois cada um tinha a sua namorada virtual, uma pequenita da freguesia pela idade deles, com quem sonhavam casar. Se se soubesse que dois namoravam a mesma era pancadaria pela certa. Estes namoros potenciais eram realizados ao longo do caminho, encostados às paredes, imaginando que a menina amada ou a namorada estava ali, ao lado de cada um e, com quem era possível estabelecer, em pensamento, uma longa, acesa e interessante conversa. Quando viam estes enlevos, os irmãos mais novos ou outros que não tinham namorada, por zanga ou por inveja, vinham fazer queixinhas ao velho pai das atitudes e comportamentos dos irmãos, geralmente, acompanhadas com mentiras exageradas e gravosas. Assim os filhos namoradeiros, ao regressar a casa, levavam uma boa sova do seu velho progenitor, que se opunha, não apenas à preguiça dos filhos mas também à maneira como namoravam e, por vezes, com quem o faziam. Então a barafunda lá em casa atingia, na perfeição e em pleno, o rubro.

Este jogo ou brincadeira muito simples e, aparentemente, bastante ingénuo, baseando-se na vida real dos adultos, talvez reflectisse os anseios, os sonhos e as aspirações daqueles jovens e crianças, já detentores de uma gigantesca vontade de se emancipar, de ser grande, de actuar e ser adulto, conjecturando, no entanto, dissabores provocados por exageradas e inaceitáveis oposições aos seus projectos de vida.

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MILHO PR'ÁS ALMAS

Sexta-feira, 01.11.13

Todos os anos, no dia de todos os Santos, grupos de homens munidos de cestos ou sacos de serapilheira percorriam as ruas da Fajã Grande, desde a primeira casa da Assomada até à última da Via d’Água e, batendo à porta de todas e cada uma das casas, gritavam: “Milho pr’ás almas”. Era um costume ancestral e que tinha como objectivo recolher as ofertas de milho destinadas às benditas almas do purgatório ou seja aos seus próprios defuntos. Esta actividade era devidamente planificada e programada pela mordoma das almas, cargo que durante as décadas de quarenta e cinquenta foi desempenhado pela minha avó, por ser a mãe do sacristão. Dias antes minha avó requisitava os homens que julgava serem necessários para executar com sucesso e eficiência o peditório, disponibilizando, aos que os não tinham, os cestos ou sacos julgados necessários. Convidava também uma grande quantidade de mulheres para, durante e após o peditório, recolher o milho, debulhá-lo e enchê-loem sacos. As pessoas nas suas casas já tinham seleccionado e descascado a quantidade do milho que pretendiam oferecer, muito ou pouco, consoante as posses que tinham. Casa que não cultivasse milho deveria dar o equivalenteem dinheiro. O milho era trazido para casa da minha avó e colocado na sala que se enchia com as maçarocas quase até ao tecto. Sentadas ao redor as mulheres debulhavam-no e colocavam os grãos dentro de cestos e balaios, enquanto a criançada ia escorregando sobre os montes das maçarocas. Minha avó muito atarefada recolhia o dinheiro e, com algumas ajudantes, media o milho com razoiras e enchi-oem sacos. Alguns sacos tinham comprador imediato, enquanto outros eram colocados na casa velha a fim de serem vendidos nos dias seguintes. Por vezes até vinham compradores doutras freguesias comprá-lo. É que, devido à enorme concorrência, sobretudo nos anos em que havia muito milho, o das almas era, geralmente, mais barato. Todo o dinheiro, quer oferecido directamente quer resultante da venda do milho, era guardado pela mordoma que o ia entregar ao pároco. Destinava a celebrar missas e rezar os responsos dos defuntos, todos os dias, durante o mês de Novembro, por alma dos defuntos de todas as famílias da Fajã.

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CASAMENTOS REALIZADOS NA PARÓQUIA DE SÃO JOSÉ DA FAJÃ GRANDE NO INÍCIO DO SÉCULO XX (NO ANO DE 1902)

Sexta-feira, 01.11.13

No início do século XX, no ano de 1902, realizaram-se, na paróquia de São José da Fajã Grande os seguintes casamentos:

1902

A 7 de Janeiro – João Inácio Cardoso, de 28 anos, filho de António Inácio Mancebo e de Maria de Jesus da Silveira, casou com Maria José Cardoso, de 22 anos, filha de José Fernandes de Freitas e de Maria José Policena.

A 18 de Janeiro – José Amaral, de 23 anos, natural de Santa Cruz das Flores, filho natural de Ana Isabel, casou com Mariana Pereira de Amaral, de 32 anos, filha de António Caetano Pereira e de Maria de Jesus.

A 19 de Abril – Pedro Coelho de Freitas, de 19 anos, natural de Ponta Delgada, Flores, filho de Amaro Caetano e de Maria Leopoldina da Conceição, casou com Maria da Conceição de Freitas, de 23 anos, filha de António Francisco Furtado e de Maria Luisa da Silveira.

A 26 de Abril – José António Ramos, de 27 anos, filho de José António Ramos e de Ana de Jesus, casou com Maria do Céu Ramos, de 27 anos, natural de Santa Cruz das Flores, filha de José António Morais e de Ana Jacinta de Braga.

A 1 de Maio – José Fagundes da Silveira, de 30 anos de idade, filho de Francisco Lourenço da Silveira e de Maria Luisa da Silveira, casou com Mariana de Freitas da Silveira, de 15 anos de idade, filha de José Fernandes de Freitas e de Maria José Policena.

A 24 de Junho – Bartolomeu Joaquim da Silveira, de 57 anos, filho de José Joaquim da Silveira e de Libânia de Jesus, casou com Luciana Tomásia da Silveira, de 52 anos, filha de Manuel Furtado de Freitas e de Isabel Tomásia, sendo já viúva de Lisandro Luís Furtado.

A 31 de Julho – Inácio Gabriel, de 38 anos, natural da freguesia dos Cedros da ilha das Flores, filho de António José Garcia e de Maria de Mendonça, casou com Maria da Conceição de Freitas, de 23 anos, filha de António de Freitas Estevão e de Maria de Freitas.

A 15 de Setembro – Francisco Caetano de Fraga, de 21 anos, filho de José Caetano de Fraga e de Maria da Conceição da Silveira, casou com Maria Fagundes de Fraga, de 23 anos, natural de Santa Maria, filha de José António Morais e de Maria Jacinta de Braga

A 2 de Outubro – António Mancebo Fagundes, de 30 anos de idade, filho de António José de Freitas da Silveira e de Maria Fagundes da Silveira, casou com Maria da Encarnação Fagundes, de 21anos, natural da freguesia de São Pedro de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, filha de Manuel Joaquim e de Maria Úrsula.

Fonte: - Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, Casais das Flores e do Corvo, 2006.

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NOVEMBRO

Sexta-feira, 01.11.13

Na ilha das Flores, como provavelmente noutras do arquipélago açoriano, na década de cinquenta, Novembro era um mês estranho, esconso, mítico, repleto de ritos arrepiantes, de emoções tenebrosas e de celebrações fúnebres. É que, para além de, sob o ponto vista meteorológico, ser um mês de mau tempo, de dias invernosos, curtos e escuros, Novembro era o mês da devoção e do culto das almas do purgatório, o mês durante o qual, quer com missas e outras celebrações na igreja, quer com preces e orações em casa, quer ainda com romagens e visitas ao cemitério, devíamos sufragar as almas dos nossos parentes falecidos e pedir pelas almas do purgatório, em geral, “principalmente as mais abandonadas e que mais sofriam ou não tivessem quem intercedesse por elas”.

O mês iniciava-se com a festa de todos os Santos, celebrada exactamente no dia um, e que, mais do que festejar os eleitos que já “gozavam a santa glória” de Deus, se destinava à preparação, limpeza e ornamentação do cemitério e das sepulturas dos nossos antepassados que haviam falecido nos últimos anos, caso ainda não tivessem sido abertas. Mas o que mais caracterizava a festa dos Santos, era o facto de ser nesse dia que se realizava a “derrama” das almas. Sob as ordens e orientação da “Mordoma das Almas”, um grupo de homens corriam todas as casas recolhendo as ofertas de milho para as almas, que iam transportando em cestos e sacos para casa da mordoma. Aqui juntavam-se as mulheres e, formando uma enorme roda à volta das maçarocas que eram recolhidas já descascadas, iam-nas debulhando e enchendo os grãos em sacas de serapilheira, devidamente pesadas, a fim de se venderem mais tarde. O dinheiro resultante dessa venda era destinado a celebrar missas pelas almas do purgatório. Esta operação implicava uma grande movimentação de gentes e recolhia grandes quantidades de milho. Quem não o tivesse ou, se assim o entendesse, oferecia um valor equivalente em dinheiro.

Por sua vez, o dia seguinte, chamado dia de Finados ou dos Defuntos, era um dia de luto, de missas, de orações e de visitas ao cemitério. Nesse dia celebravam-se, durante a manhã três missas, intercaladas com visitas ao cemitério, durante as quais, o pároco paramentado de negro, por entre orações, súplicas, rezas e pregações ia recordando os três “Novíssimos” que constavam do catecismo e que eram: Morte, Juízo e Inferno ou Paraíso. Era também durante este dia que, segundo se dizia, se comemorava a morte e o enterro do “Velho Laranjinho”, uma figura mítica e lendária que morria todos os anos e que simbolizava todos os mortos de cada freguesia. Era montado um catafalco no cruzeiro da igreja, à volta do qual se celebravam os ritos fúnebres como se de um funeral de verdade se tratasse. Os sinos dobravam a finados de manhã, ao meio-dia, à tarde e à noite, convidando ao silêncio, à oração pelas almas e à reflexão sobre a nossa própria morte, que havia de chegar um dia.

 Durante os restantes dias do mês, com excepção dos domingos, realizava-se, na igreja paroquial, a devoção ou novena das almas. Já noite escura a igreja enchia-se de gente como se de domingo se tratasse e era celebrada missa, geralmente a chamada pelo Missal Romano “missa quotidiana dos defuntos”. A igreja permanecia propositadamente escurecida, sendo apenas iluminada pelas velas do altar-mor e por outras seis encravadas em outros tantos gigantescos castiçais dourados, colocados ao redor de um enorme tapete preto, debruado a amarelo e com uma enorme cruz a meio, estendido bem no centro do cruzeiro, logo a seguir à capela-mor. A escuridão do templo, por um lado, convidava e proporcionava aos crentes um ambiente mais propício à oração e à reflexão sobre o mistério da sua própria morte e, por outro, encenava uma espécie de enquadramento daquilo porque todos, sem distinção, já tinham passado – a lembrança da morte de algum familiar. De seguida o pároco envergando a capa de asperges preta e barrete de três quinas, colocava-se estrategicamente à cabeceira do tapete e, voltado para o povo, rezava um responso por cada um dos agregados familiares da freguesia, agrupados ao longo dos vários dias. Como as famílias obviamente eram em número superior ao dos dias do mês, o pároco agrupava em cada dia um número razoável e adequado de agregados familiares, sendo que, no entanto, rezava separadamente os responsos, ou seja um pelos defuntos de cada família. Entre a reza de cada responso, o pároco pegando no hissope encharcava-o na caldeirinha da água benta que o sacristão lhe apresentava, dava uma volta ao tapete e aspergia-o em cruzes sucessivas dos quatro lados, enquanto os sinos dobravam a finados.

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publicado por picodavigia2 às 00:02


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