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LAMENTAR O QUE NÃO TEMOS

Segunda-feira, 09.12.13

“Lamentar aquilo que não temos é desperdiçar aquilo que já possuímos.”

Provérbio Chinês.

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publicado por picodavigia2 às 22:02

AÇUDE NA RIBEIRA GRANDE

Segunda-feira, 09.12.13

De acordo com o “Forum Ilha das Flores” que por sua vez cita como fonte o gabinete informativo do Governo Açoriano, no âmbito da política de implementação de acções preventivas para a segurança de pessoas e bens na ocorrência de situações hidrológicas extremas, o Governo Regional procedeu à identificação de situações de risco, nalgumas ilhas açorianas, nomeadamente, nas Flores. Nesse âmbito foi adjudicada uma empreitada de reconstrução de um açude e a protecção da margem direita da Ribeira Grande, na ilha das Flores, cujos trabalhos estão já concluídos.

A Secretaria Regional dos Recursos Naturais, através da Direcção Regional do Ambiente, determinou a reconstrução do açude situado a jusante da ponte da Ribeira Grande, por forma a impedir o descalce iminente das fundações daquela ponte, único acesso à freguesia da Fajã Grande. A empreitada incluiu também a protecção da margem direita da ribeira na zona intervencionada e o reperfilamento do leito, para minimizar a erosão hídrica.

A obra agora concluída foi adjudicada à empresa Sociedade de Construções Lucino Lima, por cerca de 28 mil euros.

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publicado por picodavigia2 às 22:00

CANUDOS

Segunda-feira, 09.12.13

Na Fajã Grande não havia casa onde não se acendesse lume, dia após dia, e o único combustível utilizado era a lenha, quer sob a forma de grossas achas quer de pequenos e magros garranchos.

Logo de manhã, muito antes que do Sol nascer, era imperioso ressuscitar o borralho adormecido da véspera e transformá-lo em lume vivo, com uma chama capaz de ferver a água arrefecida do dia anterior, de forma a transformá-la em café retemperador - uma mistura de café comprado cru, torrado e moído em casa, a que se juntavam umas boas colheradas de chicória e de favas secas, torradas, a fim de poupar e fazer render o dito cujo, que não era nada barato. A meio da manhã começava a árdua e imperiosa a tarefa de se fazer o almoço, na altura designado por jantar. É verdade que era cardápio simples, pobre e rudimentar, mas tanto mais trabalhoso e gastador de lume, com chamas bem despertas. Para cozinhar a sopa, cozer as batatas, fritar o peixe ou os torresmos e a linguiça ou, simplesmente, para fazer uma torta do que quer que fosse ou até mesmo de nada, era necessário lume, muito lume, lume permanente, contínuo, sempre activo e muito vivo. Novamente a ceia, à noite, exigia que a tarefa de espevitar o borralho se repetisse e lá estavam as chamas produzidas por duas achas de faia e avivadas por uns garranchos de incenso, mantendo as labaredas doiradas, horas a fio, em espírito permanente, umas vezes titubeantes outras muito espevitadas, a clarear os meandros mais sombrios e recônditos das velhas cozinhas que proliferavam na freguesia. Chamas veementes, estranhas, a lutar contra os repelões de vento que entravam, desalmadamente, pelas frestas do telhado, mas capazes de ferverem o leite, estufarem o pão envelhecido e bolorento, ou de cozerem o bolo ou fazerem as papas. Às sextas, de tarde, incendiava-se o forno com muita lenha. Eram labaredas altíssimas, avermelhadas e assustadoras que saíam pela porta forno fora, como se fosse um gigante a vomitar chamas. Era imperioso aquecer muito bem o forno para a cozedura semanal do pão. Quando este rareava ou não existia, era preciso mais lume, muito lume para aquecer o tijolo e cozer o bolo. Às vezes até se acendia o lume simplesmente para secar o milho, afoguear as linguiças ou, simplesmente, cozer comida para as galinhas ou para o porco. Tudo isto exigia um lume muito forte, vigoroso e que era necessário, por vezes, manter aceso durante horas a fio. Mas a lenha nem sempre era de boa qualidade, umas vezes porque estava molhada outras porque era verde, e afrouxava notória e substancialmente as chamas, deixando-as morrer e provocando grandes desgastes em quem o afogueava, pois tinha que ali estar, constantemente, com as bochechas cheias de ar, a bufar, a assoprar, a fabricar vento, correndo sérios riscos de queimar não apenas a roupa mas até os cabelos ou o próprio rosto. Para resolver todas estas dificuldades e imbróglios e sobretudo para evitar acidentes, era hábito, nas cozinhas da Fajã dos anos cinquenta, desde a Assomada à Via d’Água, recorrer-se aos canudos.

Os canudos eram feitos de cana e, consequentemente, fáceis de adquirir, pois estas floresciam em abundância, nas encostas dos outeiros e dos montes, sobretudo para os lados do Areal. Para um bom canudo exigia-se uma cana de excelente qualidade, grossa, devidamente amadurecida e direita. Uma vez conseguida a cana julgada melhor e, previsivelmente, mais adequada, procedia-se à sua transformação em canudo. A cana era muito bem descascada, raspada nos nós, geralmente com um vidro quebrado, e cortada nas extremidades de acordo com o tamanho que se pretendia dar ao canudo. De seguida arredondava-se uma das extremidades, alisando-a muito bem, pois seria esta que se colocaria na boca, para soprar o lume. Com um bom espeto de assar maçarocas de milho ou outro semelhante, por vezes até construído, exclusivamente, para este efeito, furavam-se, um a um e pelo meio, todos os nós da cana. O canudo estava pronto para soprar o lume, evitando-se assim que aproximar a cara daquela perigosa e aterradora fonte de calor.

E não é que funcionavam muito bem estes canudos! Até porque a sua elaboração foi-se aperfeiçoando com o tempo e havia quem os fizesse muito bem elaborados, com estilo próprio e funcionalidade muito adequada. Havia canudos mais curtos e outros mais compridos, destinando-se estes últimos sobretudo ao forno e ao tijolo.

O único senão destes canudos era que, sendo feitos de cana seca, ficando algum tempo em contacto com o fogo, acabavam por se queimarem na extremidade exposta ao lume, sobretudo se houvesse descuido da cozinheira. Mas convenhamos que isso não era grande problema devido à abundância de canas que existia na Fajã.

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publicado por picodavigia2 às 21:21

AS GALINHAS DE NOSSA SENHORA

Segunda-feira, 09.12.13

Uma das muitas estórias ou lendas que se contavam às crianças, na Fajã Grande era a das Lavandeiras, também chamadas de “Galinhas de Nossa Senhora” e, por isso mesmo, eram aves que não devíamos perseguir ou matar, nem sequer lhe devíamos tirar os ovos dos ninhos. As Lavandeiras eram, pois, uma espécie de ave sagrada e, consequentemente, protegida. Rezava mais ou menos assim a lenda:

Seguia Nossa Senhora, sentada em cima duma burra com o Menino Jesus ao colo e S. José à frente, segurando o animal pela corda. Iam a caminho do Egipto para fugirem à ira de Herodes, que queria matar o Menino, com receio de que Ele viesse a ser Rei, como os Magos haviam anunciado, lhe tirasse o trono e ocupasse o seu lugar. Para evitar que os soldados de Herodes os perseguissem, partiram em segredo, mas, a certa altura, já longe do povoado, começaram a ouvir vozes que diziam:

 — Ela aqui vai! Ela aqui vai! Ela aqui vai!

Maria e José olharam para um lado e para outro mas não viram ninguém. Então S. José tocou a burrinha para que ela andasse mais depressa, porque tinha medo que fossem descobertos com aquela algazarra de vozes, num lugar deserto como aquele. Mas as vozes continuaram a dizer:

 — Ela aqui vai! Ela aqui vai!

Ainda ficaram mais preocupados e assustados do que já estavam, sem saber o que era aquilo. Mas S. José olhou e viu então que eram pássaros malinos que vinham atrás deles a fazer toda aquela barulheira. Mas reparando melhor viu atrás daqueles pássaros, algumas lavandeiras. Andavam constantemente abaixo e acima e com o rabinho iam, com todo o cuidado, apagando as pegadas dos fugitivos, para que os soldados não conseguissem descobrir o caminho por onde iam. E assim aconteceu, pois os soldados de Herodes, sem qualquer sinal que os pudesse guiar, perderam o rumo seguido pela Sagrada Família, que continuou o seu caminho e, sem receio de perigo, chegou ao Egipto.

É por isso que ainda hoje as lavandeiras têm o hábito de constantemente mexer o rabo para baixo e para cima, a fim de que se saiba para sempre que foi esta ave que ajudou a Sagrada Família e salvou o Menino Jesus da ira do rei Herodes. É por isso também que na Fajã Grande se chamavam às Lavandeiras as “Galinhas de Nossa Senhora”.

 

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publicado por picodavigia2 às 16:31

O CAIXÃO COMUM

Segunda-feira, 09.12.13

Nas traseiras da igreja paroquial da Fajã Grande, encostada à capela-mor, do lado do Evangelho ou seja a Sul, porque a igreja da Fajã como quase todas as da ilha das Flores tinham a porta de entrada voltada para o nascente, e paredes meias com o cemitério havia uma arrecadação, relativamente grande e que mais tarde veio a servir de casa do motor, onde se guardavam vários objectos que, embora não sendo de culto ou de uso litúrgico, eram utilizados por altura das festas, no espaço exterior. Era o caso do quiosque para a quermesse, do boneco de revirar às boladas, das tábuas e suportes do coreto e de outros adereços utilizados, sobretudo, por altura das festas da Senhora da Saúde e de São José. Mas o que mais enchia aquele vetusto e abandonado pardieiro era um conjunto de velharias já sem utilidade alguma, mas que ali haviam sido colocadas e por ali tinham ficado a perder-se no tempo. Mesas partidas, ralos de confessionários esquartejados, andores sem barrotes, lanternas com os vidros estilhaçados, cruzes de madeira desfeitas e muitas outras bugigangas, entre as quais, pasme-se, um caixão, sem tampa mas feito em madeira de cedro e em muito bom estado de conservação.

Mas este caixão, embora abandonado ali por já não ser de uso corrente, tinha a sua história. Na realidade e de acordo com testemunhos de pessoas mais idosas, antigamente, na Fajã Grande, rareava a madeira e ainda mais o dinheiro para comprá-la. Daí que, para muitas famílias, de tão pobres e necessitadas que o eram, fosse impossível mandar fazer e, sobretudo, pagar um caixão para sepultar os seus familiares. Para superar essas dificuldades, mandou a paróquia, com o objectivo de ajudar os seus fregueses, fazer um caixão de boa madeira de cedro, mas comum, isto é, um caixão que servisse para sepultar todos aqueles cujos familiares tinham problemas económicos e eram pobres e ainda os que o quisessem fazer, por vontade expressa dos familiares. Assim o morto era simplesmente embrulhado pela família num lençol e colocado dentro do caixão comum, onde era velado, transportado para a igreja e depois sepultado, nos primeiros anos da paróquia na própria igreja ou, mais tarde, no cemitério para tal construído. Sendo assim os defuntos eram sepultados apenas embrulhados num lençol, enquanto o caixão comum, depois de cada funeral, voltava para a arrecadação da igreja à espera de novo defunto.

O caixão comum! Um marco importante e significativo, talvez bastante esquecido, na história da Fajã Grande!

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publicado por picodavigia2 às 14:18

SÃO MARTINHO

Segunda-feira, 09.12.13

No calendário litúrgico, o dia de São Martinho celebra-se a 11 de Novembro, data em que este Santo, falecido no ano de 397, foi a sepultar em Tours, na França. Em Portugal, este dia é bastante celebrado em todo o país, com destaque para cidade e o município de Penafiel, onde São Martinho se venera como seu patrono. A sua festa era de tão grande importância que este dia, antigamente, foi considerado de guarda e, além disso, era favorecida frequentemente pelos dias de bom tempo que o antecediam, conhecidos como o “verão de S. Martinho”. Mas em Portugal, o dia de S. Martinho não é celebrado apenas a nível litúrgico e religioso, pois a ele se prendem lendas e tradições que recordam o espírito de solidariedade do Santo, nomeadamente naquela célebre lenda em que partilhou a sua capa com um mendigo. Conta a lenda que certo dia um mendigo que tiritava de frio à beira do caminho, ao ver passar Martinho, nessa altura soldado do exército romano, pediu-lhe esmola e, como não tinha nada que lhe desse, pegou na espada e cortou seu próprio manto, dando metade ao pedinte. Na noite seguinte apareceu-lhe em sonho o próprio Jesus, o qual usando o pedaço da capa que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.

A este dia, ligam-se tradições e costumes milenários, alguns dos quais chegaram aos nossos dias e ainda hoje se mantêm bem vivos, como a festa do Magusto e o assar das castanhas e o de provar o vinho. São Martinho é também o santo patrono dos alfaiates, dos cavaleiros, dos pedintes, da restauração, dos hotéis e pensões, dos produtores de vinho e dos alcoólicos reformados, dos soldados, dos cavalos, dos gansos, e orago de uma série infindável de localidades de Norte a Sul de Portugal Continental. Nos Açores nenhuma freguesia tem o seu nome ou orago, enquanto na Madeira existe uma e no continente trinta e uma.

Na Fajã Grande este dia nunca foi muito celebrado nem o santo muito festejado, pois dele nem havia imagem na igreja paroquial e, além disso e sob o ponto de vista profano, havia poucas castanhas e o vinho rareava e nem sequer existiam adegas, pelo que era impossível dar cumprimento quer à realização de magustos quer ao cumprimento do mais conhecido de todos os provérbios relacionados com este dia: “Pelo São Martinho, vai à adega e prova o teu vinho”.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, na curiosa data de 11/11/11

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publicado por picodavigia2 às 11:24

CAIS

Segunda-feira, 09.12.13

um cais abandonado

deserto

não é porto de embarque

 

é um montão de pedras

agregadas

à espera que barcos perdidos

naufragados

o demandem

 

um montão de pedras

       (junto ao mar)

é um cais abandonado

à espera de embarcar

desejos

e sonhos…

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publicado por picodavigia2 às 10:48

OSÓRIO GOULART

Segunda-feira, 09.12.13

José Osório Goulart nasceu na cidade da Horta, em 12 de Dezembro de1868, falecendo na mesma cidade, em 1960] Três anos após ter frequentado o Liceu da Horta, deu entrada no Seminário de Angra do Heroísmo, onde lhe foi conferido o presbiterado, em Dezembro de 1892, pelo então bispo da Diocese do Funchal. Figura da intelectualidade faialense, foi funcionário administrativo, advogado e professor na Escola do Magistério Primário e do Liceu da Horta, onde ensinou Português e Alemão. Colaborador assíduo dos jornais Correio da Horta (de que foi director), e O Telégrafo, foi presidente do Núcleo Cultural Dr. Manuel de Arriaga. Por estas muitas actividades exercidas, e porque, entretanto, havia constituído família, solicitou com insistência à Santa Sé e conseguiu o seu afastamento da função sacerdotal. Foi orador fluente, conferencista brilhante, jornalista de largos recursos, prosador vernáculo, nacionalista convicto, historiógrafo dedicado e etnógrafo apaixonado. Lírico e místico, distinguiu-se como poeta parnasiano, a cuja escola literária se manteve fiel até ao fim da vida. Ficou conhecido como «poeta da ilha azul» pelo amor que sempre manifestou pelo Faial. Além de vários tomos de prosa, publicou diversas obras poéticas. Colaborou ainda no Álbum da visita régia à ilha do Faial. As suas principais obras, foram: Murmúrios, Nas Asas do Destino, Pastorinhas de Judá, Lição de Doutrina, Os Magos do Oriente, Um Lusíada, Horta, Figuras de Bronze, Nove Estrelas de Portugal, Bloco Ibérico, Policromias do Céu, Horta Florida na Ilha da Ventura, Poemas da Ilha Azul e Névoa Dourada.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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publicado por picodavigia2 às 10:43

AÇORES (II)

Segunda-feira, 09.12.13

Outrora divididos em três distritos, os Açores constituem, hoje, uma Região Autónoma, ou seja, uma parcela de território da República Portuguesa dotado de autonomia política e administrativa, consubstanciada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores. Além disso são um arquipélago transcontinental e integram a União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União.

Embora com apenas meia dúzia de séculos de presença humana continuada, a história açoriana é rica e ocupa lugar de relevo e de importância na História de Portugal, constituindo as ilhas açorianas locais privilegiados na navegação do Atlântico Norte. A quando da crise de sucessão de 1580, que originou a perda da independência nacional e os sessenta anos de governo filipino e também, durante as lutas liberais, os Açores constituíram-se em baluartes de resistência, e durante as Guerras Mundiais serviram de apoio estratégico vital para as forças Aliadas.

Descobertas em meados do século XIV, talvez aquando do regresso de expedições às ilhas Canárias, realizadas no reinado de Afonso IV, o seu povoamento, ter-se-á verificado quase cem anos mais tarde, uma vez que Gonçalo Velho Cabral chegou a Santa Maria, em 1431, decorrendo, nos anos seguintes, o povoamento das várias ilhas, com excepção das Flores e Corvo, que só tiveram o seu povoamento definitivo, no início do século XVI. Os primeiros povoadores eram, na sua maioria, oriundos do Algarve, do Alentejo e do Minho, tendo-se registado, em seguida, o ingresso de flamengos, bretões e outros europeus. Uma das suas primeiras preocupações foi a de construir fortificações destinadas a defender-se dos ataques piratas, seduzidos pelas riquezas insulares e motivados pela falta de protecção das suas gentes.

Inicialmente a administração das ilhas açorianas era feita através de capitanias, à frente das quais estava um capitão do donatário, nomeado pelo rei ou por quem o substituía na posse das ilhas. Por sua vez a administração e assistência espiritual ficou subordinada à Ordem de Cristo, exercida pelo vigário “nullius” do Convento de Tomar, até à criação da Diocese do Funchal, em 1514 e da qual os Açores fizeram parte até 1563, ano em que o papa Clemente VI, com a bula “Aequum reputamos” criou a diocese de Angra, nomeando como seu primeiro bispo D. Agostinho Ribeiro.

A tarefa inicial dos colonos foi árdua e difícil, pois tiveram que desbravar encostas, desbastar arvoredos, aplanar montes, juntar pedregulhos e criar maroiços, abrir veredas e construir pontes para poderem cultivar as terras. O cultivo dos cereais e a criação de gado foram as actividades predominantes, com o trigo a registar uma produção considerável. A produção de pastel e a sua industrialização para exportação destinada a tinturaria também desempenhou um papel relevante na economia das ilhas. Mas no século XVII, estas as matérias-primas tintureiras sofreram uma recessão, sendo substituídas pelo linho, pelas árvores de fruto e, sobretudo, pelo milho, passando este a ter um papel importante na alimentação dos ilhéus. Simultaneamente dá-se um grande desenvolvimento da pecuária. No século seguinte é introduzida nas ilhas a batata branca e inicia-se uma das mais expressivas e emblemáticas actividades económicas açorianas: a caça à baleia.

No século XVIII, a população açoriana aumentou, começando a verificar-se a emigração para o Brasil e, um século depois, para os Estados Unidos da América.

É de se notar que os açorianos sempre almejaram conquistar uma maior autonomia política e administrativa, o que, durante séculos, foi negado, dando ensejo a alguns movimentos em favor da emancipação do arquipélago. Só após o 25 de Abril a Constituição Portuguesa de 1976 consagrou e deu estatuto às regiões autónomas, passando os Açores, assim como a Madeira, a ter um estatuto político-administrativo especial, segundo o qual podem legislar em todas as matérias que não sejam da reserva dos órgãos de soberania e que constem do elenco de competências contido nos seus Estatutos Político-Administrativos. Os órgãos de governo são: a Assembleia Legislativa e o Governo Regional. A primeira é eleita por sufrágio universal directo e tem poderes fundamentalmente legislativos, além de fiscalizar os actos do Governo Regional. O presidente do Governo Regional é nomeado pelo Representante da República, que para tal considera os resultados eleitorais, e é o responsável pela organização interna do órgão e por propor os seus elementos.

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publicado por picodavigia2 às 10:22

A ILHA DO ARCANJO

Segunda-feira, 09.12.13

Um soneto de Natália Correia, bem escarrapachado a letras garrafais, num canto da sala de embarque do Aeroporto "João Paulo II", Ponta Delgada, ilha de São Miguel:

 

“Eu vos direi da ilha que na dorna

do Arcanjo é eterna em chão escasso.

Fulva de gado ao dia. À noite morna.

Embebida no verde. E o mar colaço.

 

Ilibado alumbramento em tempo torna

a unção de contemplar. Um ténue traço

de garça entre água e céu. A paz encorna

em lagoa e lavoura o tempo e o espaço.

 

Tanto silêncio confiado à luz!

Treme um nenúfar se um trilo tremeluz.

Caiam o sol de azul os agapantos.

 

Na cevadeira a broa luminosa,

Romeiros nos persignam com uma rosa.

Suas rezas joeiram pombos santos.

 

Natália Correia in “O dilúvio e a pomba”

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publicado por picodavigia2 às 10:14

A ESTÓRIA DA CAROCHINHA E DO JOÃO RATÃO TAL COMO SE CONTAVA OUTRORA NA FAJÃ GRANDE

Segunda-feira, 09.12.13

Era uma vez uma Carochinha, muito vaidosa e bonitinha que queria casar mas não tinha com quem, nem dinheiro para o casamento.

Certo dia, quando estava a varrer a sua casa, encontrou uma moedinha. Pensou que já era muito rica e que já podia arranjar um marido. Por isso vestiu o seu melhor vestido, penteou-se e foi pôr-se à janela para ver se alguém que passasse por ali quisesse casar com ela. Começou, então, a gritar:

 - Quem quer casar com a Carochinha, que é tão formosa e bonitinha?

Primeiro passou o boi e disse:

- Muuum! Quero eu, quero eu.

Respondeu a Carochinha:

- Não. Não quero casar contigo porque com essa voz tão grossa acordavas-me a mim e aos nossos filhos todas as noites. Não serves para marido. - Voltou para a janela e pôs-se de novo a gritar:

- Quem quer casar com a Carochinha que é tão formosa e bonitinha?

Passou o cão a ladrar e disse logo:

- Ão, ão! Quero eu, quero eu!

- Contigo não, pois com essa voz tão assustadora, acordavas-me a mim e aos nossos filhos todas as noites! Não serves para marido. – Voltando para a janela, a Carochinha tentou, de novo, a sua sorte.

- Quem quer casar com a Carochinha que é tão formosa e bonitinha?        

Passou o porco e disse:

- Oinc! Oinc! Quero eu, quero eu!

- Tu também não serves para marido, pois com essa voz tão feia, acordavas-me a mim e aos nossos filhos todas as noites! Não serves para marido. – E voltando mais uma vez à janela, perguntou:

- Quem quer casar com a Carochinha que é tão formosa e bonitinha?

Passou o galo e disse:

- Cocorocó! Cocorocó! Quero eu, quero eu!

- Tu não, pois com essa voz tão esganiçada, acordavas-me a mim e aos nossos filhos todas as noites! Não serves para marido.                                                                                 

Ainda passaram o burro, o gato, o cavalo e o carneiro, mas a todos a Carochinha mandou embora porque as suas vozes não lhe agradavam. Já muito desanimada, ainda voltou à janela, uma última vez, e perguntou:

- Quem quer casar com a Carochinha que é tão formosa e bonitinha?

Passou um rato e gritou com uma voz muito fininha:

- Ih, ih! - Quero eu, quero eu.

A Carochinha gostou daquela voz. Muito feliz por ter encontrado alguém tão bonito e com uma voz tão fininha, veio logo abrir a porta e perguntou-lhe:

- Como te chamas?

 - Sou o João Ratão. Quero casar contigo.

A Carochinha convidou-o a entrar, pois tinham muito que conversar e a data de casamento para marcar. Prepararam tudo muito bem preparadinho, casaram e foram muito felizes.

Porém, certo dia, a Carochinha disse ao João Ratão que queria ir à missa. O João Ratão disse que não podia ir porque estava muito doente. A Carochinha disse-lhe que tinha um caldeirão de sopa ao lume e pediu-lhe que não lhe tocasse, antes de ela chegar. Mas o João Ratão era muito guloso e logo que ela saiu foi espreitar o caldeirão para provar a sopa. Como era muito pequeno, teve que se por nos bicos dos pés para lá chegar, mas escorregou e – zás – caiu dentro do caldeirão.

Quando chegou a casa, a Carochinha começou a procura-lo, mas não o encontrou. Então foi à cozinha e viu-o caído dentro do caldeirão. Muito aflita começou a gritar:

- Ai, ai, que o meu João Ratão está cozido e assado dentro do caldeirão!

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publicado por picodavigia2 às 00:12





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