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O SEMINÁRIO EPISCOPAL DE ANGRA

Terça-feira, 10.12.13

Inaugurado, solenemente, em 9 de Novembro de 1862, sendo bispo de Angra o faialense D. Frei Estevam de Jesus Maria, o Seminário de Angra está a comemorar os seus 150 anos de existência, através de um programa já amplamente divulgado e por demais conhecido. Com um início titubeante, como seria de esperar, partilhando as suas instalações, no secular e histórico convento de S. Francisco, com Liceu de Angra, só dois anos após a sua inauguração, o Seminário passou a receber alunos internos. Durante as primeiras décadas do século passado, nomeadamente, a quando da implantação da República em Portugal e da separação entre Igreja e Estado, no princípio de Outubro de 1911, altura em que o poder civil tomou conta das instalações daquele convento, o Seminário de Angra, embora passando por diversíssimas e inverosímeis vicissitudes, sobreviveu. Nessa altura, alguns alunos foram forçados a abandonar o curso, enquanto outros se instalaram em casas particulares ou das suas próprias famílias, no caso dos alunos da Terceira, indo receber lições às moradas dos próprios professores. Finalmente, depois de alguns avanços e recuos, em 1914, a diocese açoriana adquiriu o palácio do Barão do Ramalho, na Rua Duque de Palmela.Com pequenas adaptações, ali se estabeleceu o Seminário Diocesano, a partir do ano lectivo de 1914-1915, passando a ser residência dos professores, local onde se leccionavam as aulas do Curso de Teologia, onde existia o refeitório, a Capela e onde pernoitava a maioria dos alunos que continuavam a frequentar as aulas no Liceu. Na década de trinta, o edifício foi totalmente readaptado, conforme o conhecemos nas décadas de 50/60, mantendo-se assim, até 1980, ano em que um violento terramoto destruiu completamente a capela de baixo e arruinou as restantes instalações, deixando o edifício com fracas condições de habitabilidade, nomeadamente a zona de quartos, quer a destinada aos alunos de Teologia quer a ocupada pelos professores. Algum tempo depois, empreenderam-se obras de reconstrução e restauro, tendo sido grandes as alterações, nomeadamente sendo construídos quartos privativos em substituição das antigas camaratas, para os seminaristas e restaurada a capela da Natividade (ainda não terminada). Foram também construídos quartos para os professores na antiga capela do Barão do Ramalho, conhecida, internamente, como “a capela de baixo” e reestruturada, como sala de reuniões, a sala de estudo da prefeitura de São Luís Gonzaga. A inauguração, após a reconstrução, deu-se no ano de 1985.

Durante estes 150 anos formaram-se no Seminário de Angra centenas de alunos. Alguns ficaram para sempre com os seus nomes gravados na história do Seminário como professores, enquanto muitos outros se distinguiram-se pela sua intensa e profícua acção pastoral, quer na diocese angrense quer em muitas outras do mundo. A maioria desses alunos, porém, não atingiu o objectivo primordial daquela instituição – formar sacerdotes. No entanto, a maioria desses que não “chegaram ao fim” distinguiram-se no mundo das letras, das artes, da ciência, da música, da política, do ensino e numa participação digna na sociedade. Em suma, todos obtiveram uma formação exímia, abrangente e completa, não apenas sob o ponto de vista religioso e cultural, mas também e, sobretudo, no humano e cívico.

No entanto a vida no Seminário, ao longo dos doze anos de formação, não era fácil nem leviana. Dividido em três Prefeituras, distribuídas por três zonas diferentes do mesmo edifício e incomunicáveis entre si, os alunos estavam sujeitos a uma disciplina rígida, exigente e metódica. Dormindo em grandes camaratas (com excepção dos Teólogos), que varriam e limpavam à vez, cada um fazia a sua cama e era responsável pelos seus livros e roupa. Dentro do Seminário, durante o dia, vestiam um guarda-pó, usualmente de cotim ou batina e para as saídas envergavam a batina, com romeira e chapéu preto. Os alunos, orientados e acompanhados em todas as suas actividades por um prefeito e um monitor, deslocavam-se sempre em fila indiana, quer para a sala de estudo, capela, refeitório e camarata, quer pelas ruas da cidade. O silêncio dominava a maior parte do dia e era observado em todo o lugar, menos nas horas de recreio. O dia começava muito cedo, com oração, meditação, missa e uma hora de estudo antes do pequeno-almoço. Seguiam-se as horas de aulas, em que eram leccionadas as diversas disciplinas que compunham um currículo amplo, completo e exigente. As disciplinas tinham uma carga horária pesada e diversificada, conforme a sua importância e distribuíam-se ao longo dos dias da semana, excepto às quintas-feiras e domingos, com quatro horas lectivas durante a manhã e uma à tarde. Para prepará-las os alunos dispunham de quatro horas diárias de estudo obrigatório, durante o qual reinava um silêncio profundo e absoluto em todo o Seminário. Para além da hora de estudo da manhã, entre a missa e o pequeno-almoço, duas, intercaladas com um intervalo de quinze minutos, após a aula da tarde e antes do jantar e uma à noite. Assim como as aulas, o seu início e o seu termo eram anunciados por uma sineta ou “cabra” colocada em frente à sala dez e tocada, à vez semanalmente, por cada um dos alunos mais velhos da prefeitura dos “médios”. Era também durante algumas dessas horas e às quintas-feiras que se realizavam as diversas actividades de complemento curricular, nomeadamente ensaios de música, teatro, as sessões académicas e outras reuniões. Às quintas-feiras, também tinham lugar as visitas de estudo, na altura designadas “por passeios grandes”, a formação espiritual, os retiros mensais e outras actividades.

Os seminaristas passavam nove meses contínuos de formação no Seminário. Apenas aos alunos da Terceira era permitido deslocarem-se às suas casas no Natal e na Páscoa. Os outros apenas comunicavam com a família por carta e, no caso dos das ilhas do grupo ocidental, apenas uma vez por mês. Quer a correspondência recebida quer a enviada, era, geralmente, aberta pelo prefeito.

Como escola em que, simultaneamente, se formava o homem e o futuro sacerdote, o Seminário, forçosamente, desenvolvia uma cultura verdadeiramente humanista no seu vasto espectro de valores morais, espirituais, literários, artísticos e científicos, onde todas as potencialidades do homem eram actualizadas e postas ao serviço do indivíduo, da família, e da sociedade. Por outro lado, impunha-se compreender, fomentar e viver os valores cristãos. Daí grandes momentos dedicados à formação espiritual que passavam por retiros mensais, conferências, confissões e direcção espiritual.

Assim e durante os seus 150 anos de existência, o Seminário de Angra foi de facto aquela “Casa santa, mimosa de Deus…” onde se formavam os “…nobres filhos da ciência, que da Fé (recebiam) o vigor!” Por isso mesmo, o seu estatuto de verdadeira instituição formadora passava por ter um “… código (que) ensina(va) que mais alta riqueza não há, que a  ciência que a mente ilumina e a virtude que a gloria nos dá.” (cf. Hino do Seminário)

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 20/11/11

 

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publicado por picodavigia2 às 22:58

MAS QUE GRANDE PESCARIA (DIÁRIO DE TI’ANTONHO)

Terça-feira, 10.12.13

Domingo, 14 de Julho de 1946

“Hoje é domingo e como manda a Santa Madre Igreja, não devemos trabalhar ao domingo. Se o fizermos e realizarmos trabalhos mais pesados, como aqueles que realizamos durante a semana, estamos a pecar. Mas há trabalhos e trabalhos. Há trabalhos leves que temos que fazer todos os dias, como tratar dos animais, levá-los às relvas e arranjar os alimentos de que necessitamos, com por exemplo ir à pesca. Pois como hoje era domingo e não é pecado pescar, lá fui eu e, confesso, que apanhei bastante peixe.

De manhã fui buscar as vacas à relva da Escada-Mar, tirei o leite e deitei-lhes comida, pois tinha muita erva e couves no palheiro. De seguida, fui à missa, almocei uma boa sopa de agrião com uma talhada de toucinho que fez a minha Maria e, de tarde, resolvi ir pescar. Eu não sou nem nunca fui pescador, nem nunca me afeiçoei muito ao mar, mas de vez em quando gosto de ir pescar sozinho e de pedra. Para além de apanhar algum peixe, um homem distrai-se, espraiceia, descansa, esquece as desgraças desta vida e alivia-se de problemas e consumições.

Hoje resolvi ir pescar às vejas. É uma pesca difícil e trabalhosa, para a qual é preciso ter muita paciência. Primeiro temos que calcorrear o Rolo, quase de uma ponta à outra e ir esgravatando ente as pedras para ir apanhando as mouras. Mas as malditas, para além de nos morderem, por vezes, fogem da gente como o diabo da cruz e escapolem pela borda do balde. Mas eu hoje não deixei que fugissem, pois levei uma meia velha, que a outra já estava toda rota e, logo que as apanhava, metia-as dentro da meia e dali não fugiam. Demorei um bom bocado de tempo até encher a meia. Depois fui buscar a cana e os preparos que deixara na minha lagoa da Ribeira das Casas, fui beber água fresquinha a uma nascente que lá existe, enchendo-a numa folha de inhame e vim para o Pesqueiro de Terra, que é bom sítio para vejas.

Primeiro comecei a engodar. Masquei umas mouras e lá as fui atirando esmagadas e desfeitas, para o mar. Não tardou muito e, como a água estava muito limpinha, comecei a vê-las por aqui e por acolá, umas vermelhas, outras cinzentas, a petiscar os pedaços das mouras que eu ia atirando para a água. Depois meti uma moura inteira no anzol e atirei-o para o mar, Ainda demorou um bocado mas lá começaram a picar, eu a puxar elas a picarem, até que finalmente lá veio a primeira, muito grande e vermelhinha, a saltar, a pular, como doida. Meti-lhe a navalha nos miolos e… zás. Quedou-se por completo e meti-a no balde. Era uma bela veja! Daí a pouco mais uma e outra, mais outra e, por fim, já eram tantas, que lhes perdi a conta. Pelo meio ainda vieram umas castanhetas e dois sargos.

Estava prestes a terminar a pesca, cuidando que já tinha peixe que chegasse, quando sinto um puxanço muito forte que parecia que me levava o caniço e tudo. Até cuidei que fosse um marracho. Mas puxei, puxei e… zumba! Pesquei um polvo enorme. Claro, como os polvos gostam de caranguejos, atirou-se à moura e o anzol ficou-lhe bem preso nas goelas. Virei-lhe logo o capucho, ele esperneou que se fartou, mas estava ali, lavadinho e pronto a ser guisado. Voltei para casa muito contente, com onze vejas, cinco castanhetas, dois sargos e um polvo Mas que grande pescaria!

A minha Maria cozinhou o polvo para o jantar. Estava uma delícia e, como não necessitava daquelas vejas todas, dei duas ao meu compadre Inácio, lasquei as outras e salguei-as para as por a secar ao Sol. Ficam que nem bacalhau! Amanhã vamos almoçar as castanhetas e os sargos. Afinal hoje ganhei bem o meu dia!”

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publicado por picodavigia2 às 14:12

O SALTO

Terça-feira, 10.12.13

A última carta que o Rui Durvalino recebeu do Santana fora escrita em Badjocunda. Na Guiné a situação era dramática. Uma guerra sangrenta e cruel. Não havia dia sem bombardeamentos aos quartéis, ataques a colunas, emboscadas no mato e mortes consecutivas. Agora, estava ali, isolado, sendo impossível deslocar-se a Pirada ou, pior ainda, a Gam-Quelifá. Só em coluna, uma vez que as pontes estavam destruídas e as picadas repletas de minas. E mais não dizia!

- É o costume! Tem medo que as cartas sejam apreendidas pelos Pides – comentou o Durvalino, dobrando-a e colocando-a na gavetinha duma velha cómoda da sala.

Amigos de infância e colegas de escola, embora o Santana fosse um pouco mais velho, doeu-lhes a separação.

A vida, em Lagoa, até o Santana ser chamado para a tropa, fora repleta de contrastes: ora transbordante de amizade e alegria, ora sulcada de trabalho e sacrifícios. Passavam os dias calcorreando os contrafortes das serras de Bornes e de Mogadouro, quer pastoreando ovelhas e cabras, quer apanhando azeitona e castanha. Haviam-se habituado, assim, ao trabalho árduo e ao esforço contínuo e sacrificado que a vida em Trás-os-Montes exigia. Noutras ocasiões eram festas, folguedos e flostrias: a compensação frenética das limitações fogosas em que o destino de nascer para além do Marão os havia marcado. Mas amavam a sua aldeia e tinham-se afeiçoado a ela, sobretudo agora, depois de começarem o namorico e dela não queriam sair. Cultivavam, desde miúdos, uma amizade intensa e duradoira que os unia no trabalho e no lazer. O Santana, desde há muito, que se prendera de amores pela Rosalina. O Durvalino seguiu-lhe o exemplo. Foi na festa de Santo André, em Morais, que conheceu e se apaixonou pela Maria Albertina. Mas a teimosa oposição do seu biltre progenitor, que entendia que a filha não era para o primeiro pobretanas que lhe aparecesse à porta e a distância entre Lagoa e Peredo, dificultavam encontros mas aumentavam a paixão.

Quando a idade das sortes se aproximou, a certeza de serem destacados para o Ultramar aterrorizou-os de sobremaneira.

O Santana, motivado pelo Durvalino, ainda esboçou alguns projectos de fuga. Mas meteram-lhe medo: “A França, para muitos, tem sido numa aldeia lá para os lados de Bragança. Os tipos recebem a massa, levam-nos até à fronteira e dizem-lhes que já estão em França. Não é mentira, pois estão na aldeia de França. E lá se vai o dinheiro e a verdadeira França. O remédio é voltar para trás.”

- E ainda há a guarda fronteiriça...

- E os Pides...

- Passar da Espanha para a França também não é fácil...

- E arranjar emprego na França?

- Uns tipos, lá de cima, de Espadanedo e Podence, perderam-se e dois morreram na viagem...

Tais desconfianças levaram o Santana a abdicar dos planos de fuga. Resultado: foi chamado para a tropa, para o quartel das Caldas, onde o esperava o Ultramar.

Algum tempo depois, partiu para a Guiné a bordo do Niassa. Uns breves dias em Bissau e seguiu para Nova Lamego e dali para Pirada, em substituição duma Companhia de Caçadores que lá terminara a sua comissão, prestando, também, apoio a duas companhias que se encontravam no interior, uma em Piche e outra em Gam-Quelifá. Era uma zona muito perigosa, já quase toda ocupada e dominada pelo PAIGC que, meses antes, proclamara a independência, perto dali, em Medina de Boé.

O quartel de Pirada ficava a meias com o pequeno povoado. Uma área enorme, onde alguns pavilhões concentravam os diversos serviços e os dormitórios dos oficiais e sargentos. Depois, à volta, protegidos pelo arame farpado e pelo anel das minas, os abrigos dos soldados. O seu era o nove. Virado para Norte, para os lados do Senegal, que distava dali uns escassos quatrocentos metros, era uma lura escavada na terra, ao lado das valas, coberto com terra e pedregulhos e incluía dormitório, cozinha, sala de jantar, latrina e escritório. Ao lado a rua principal do povoado, onde ficavam algumas casas, umas meio destruídas, algumas abandonadas e outras habitadas, na sua maioria, por um pequeno grupo de brancos que se dedicava ao comércio, nomeadamente, ao clandestino. Mais adiante a pequenina capela, também já abandonada e a sede da PIDE. A seguir, a tabanca, onde viviam, em recíproca cumplicidade, fulas e mandingas, uns explorando a terra, outros contrabandeando a guerra.

O Durvalino, porém, nunca lhe perdoou a anuência à guerra. No dia da partida jurou-lhe:

- Garanto-te que a mim não me apanham lá!

Foi o Alípio de Alfândega da Fé que contratou o Durvalino, através de um primo. Para que não se desconfiasse em Lagoa, marcaram o encontro em Macedo de Cavaleiros, longe das vistas de familiares, amigos e curiosos. O Alípio garantiu-lhe que era sério e honrava os seus compromissos. Por isso o preço era alto.

O Durvalino regressou sem firmar contrato. Era muito difícil arranjar quarenta mil... O tipo nem por nada aceitou apenas a entrega de metade da quantia, com a garantia de lhe enviar a outra metade depois de chegar à França e lá organizar a sua vida. Um segundo encontro e o Alípio cedeu. O moço também lhe pareceu sério.

- Dentro duma semana entrego-lhe vinte mil. O restante enviá-lo-ei da França, no prazo máximo de ano e meio.

- Não, não. Trinta mil em notas... – Sentenciou o Alípio, apertando-lhe a mão – e tens emprego garantido em Clermont-Ferrand. Não te esqueças, Cler-mont-Fer-rand, lá bem no centro da França. Quando puderes, envias os outros dez mil.

A Maria Albertina só muito tarde teve conhecimento dos planos da fuga. A intenção foi poupá-la. Mas teve que lhe dizer, tornando-a sua confidente e mais directa cúmplice. A notícia entrou-lhe no peito como uma bala. Morreria de saudades. Depois era o incerto, o desconhecido, o obscuro, os perigos que ele corria e, talvez, a possibilidade de nunca mais voltar a Portugal.

- Se eu não puder voltar vais tu ter comigo. Se a vida me correr bem, não demorará muito – segredava-lhe, para a acalmar. Depois num tom de voz mais apreensivo: - Então não achas que era mais perigoso ir para a Guiné ou para Angola? Além disso, eu não concordo com esta guerra maldita. É uma teimosia do Marcelo Caetano. Os tipos querem ser independentes, que o sejam. Lá é que eles não me apanham. Tenho que fugir e, quanto antes.

- Quando? Diz-me ao menos, quando? – Perguntava, ansiosamente, a Albertina.

- Isso, não sei. Aliás, nem eu nem ninguém sabe, nem pode saber, porque estragava tudo. E peço-te que quando deres pela minha ausência não te manifestes, nem chores. Enquanto não passar a fronteira os perigos são muitos.

- E as saudades que vou sentir, sempre que me lembrar de ti e dos nossos encontros? Vou lembrar-me de ti todos os dias...

- Não te esqueças que é sempre doce a saudade – acrescentou em tom jocoso.

E caíram mudos nos braços um do outro.

Foi na véspera de Todos-os-Santos que o Durvalino recebeu recado do Alípio. À meia-noite devia estar, sem falta, em Talhinhas, junto à ponte de Remondes, sobre o rio Sabor. O plano em nada falhou. Ainda não tinha dado a meia-noite e já lá estavam todos. Eram quatro, mas apenas conhecia três: o Silvério de Saldonha, o Crispim de Vale da Porca, o guia, que chefiava o grupo substituindo o Alípio e um tipo de Macedo. O Alípio tinha ido para Bragança com uma dupla finalidade: encontrar-se com um grupo que vinha dos lados de Vinhais e preparar a passagem pela cidade. Era o sítio mais perigoso. A polícia não perdoava.

- Vamos por Santulhão, até ao Outeiro. Não é o sítio melhor, mas é o mais seguro – esclarecia o substituto do Alípio. E concluía:

- Do Outeiro para Gimonde vamos de camioneta. Temos que encontrar o outro grupo, antes do Sol nascer, para nos escondermos e sairmos à noite para a fronteira... – E, a passos lestos, iniciaram a marcha.

A noite apresentava-se clara, mas infinita e terrificante. O representante do Alípio conhecia perfeitamente caminhos e atalhos alternativos e incentivava-os, na tentativa de ultrapassarem medos e inseguranças e branquearem saudades, cerceando assim a vontade de regressar a casa. Seguiam em fila, apressadamente. O Durvalino era o último. De vez em quando olhava para trás, aterrorizado por ruídos estranhos, que se faziam ouvir no silêncio escuro da noite. A certa altura foi necessário o guia avisar:

- Andem mais depressa, caraças! Quem quiser desistir que desista agora, ainda está a tempo.

- Desistir!? Nem que me matem – murmurou o Durvalino, apressando o passo.

O Sol, em Gimonde, nasceu tímido e ensombrado, disposto a não iluminar as casas graníticas e pardacentos do pequeno povoado. Já se aproximava o meio-dia, quando o astro-rei se decidiu espreitar por entre as nuvens, na ânsia de presidir à junção das águas dos rios de Onor e da Igreja, às do Sabor. Só então, chegou o grupo de Vinhais. As ordens eram: dispersar durante o dia; cada um para seu lado, para não dar nas vistas. À noite voltar-se-iam a reunir e de madrugada já estariam a salvo, na Espanha.

- A partida é às dez, dali, daquela ponte – explicava o guia, apontando para uma ponte romana, uma construção de alvenaria, sobre uma espécie de canal que unia as águas dos dois afluentes do Sabor.

Na manhã seguinte o grupo estava em Puebla de Sanabria, em Espanha e, passados alguns dias, em Dancharie na França, onde o Alípio os deixou.

- Agora governem-se, como puderem – e virou costas.

Para o Durvalino o espectro da guerra morreu ali, mas, naquele mesmo momento nasceu outro: a saudade de Lagoa e, sobretudo, da Albertina.

Em Puyoô o grupo fraccionou-se. A maioria seguiu para norte, para os lados de Bordéus. Apenas o Durvalino e três outros emigrantes fugitivos seguiram para o interior. Foi em Agen que se separaram definitivamente e o Durvalino seguiu sozinho, com destino a Clermont-Ferrand.

Em Clermont-Ferrand, capital da província de Auvergne, o Durvalino procurou, por indicação que levara de Portugal, o Cardoso. Era um tipo alto, magro, de bigode farfalhudo, mas simpático e atencioso. Revelava no entanto um ar tímido e hesitante. Morava na rua de La Rotunde e foi lá que o Durvalino o foi encontrar. Desde há muito que se radicara em França. Os conhecimentos de que usufruía junto dos patrões de algumas fábricas de pneus, metalurgia, produtos farmacêuticos e alimentares proporcionavam-lhe que arranjasse alguns empregos para os que o Alípio, de quem era muito amigo, ia recambiando clandestinamente de Portugal. Sempre dava mais uns trocos.

Para o Durvalino e por recomendação explícita do Alípio, tinha reservado uma vaga na “MDS Franchê”, uma fábrica de produtos farmacêuticos. Não era trabalho famoso, mas para principiar, podia ser pior...

- Vais carregar caixotes com medicamentos. Mas são leves, muito leves – garantia o Cardoso. – Com o tempo arranjas melhor. Se o teu trabalho agradar aos patrões, tens promoção pela certa...

O alojamento é que ficava um pouco distante da fábrica. Era na rua Berlliard. Iria repartir o quarto, que não era lá grande coisa, com o Antunes.

- É um tipo porreiro, é de Braga. Vais dar-te bem com ele – esclarecia o Cardoso. – O Silva de Murça é que vivia lá desde há dois anos, mas foi tentar a sua sorte para Paris... O tipo não gostava disto. Mas dizem que em Paris é tudo muito pior: mais miséria, tudo mais caro e empregos mais sujos. Mas Paris é Paris. Ele é que sabe…Mas pode apanhar pior em Paris, pode apanhar pior. Ai, se pode! Tu tiveste sorte. Olha que por vezes é difícil arranjar-se alguma coisa... Logo ao chegar...

E o Durvalino iniciou a vida de trabalho fabril, em Clermont-Ferrand.

Os dias eram monótonos e sempre iguais, excepto o Domingo. Durante a semana, levantava-se cedo, tomava o autocarro que o levava à MDS Franchê. Carregava e descarregava caixotes e arrumava os medicamentos em prateleiras, por ordem alfabética. Era um trabalho leve mas fastidioso e pouco divertido. Quão diferente das caminhadas pela serra de Bornes, atrás das ovelhas ou das andanças nos contrafortes do Mogadouro a apanhar a azeitona, com as cachopas à porfia. Os sábados também eram de trabalho. Foi o Rodrigues que lhe arranjou um biscate num armazém. Sempre ganhava mais algum e o tempo passava mais rápido. Viera para a França para trabalhar e para ganhar dinheiro e tinha que enviar dez contos ao Alípio...

As lembranças quer da Albertina quer de Lagoa, porém, não o deixavam e apoderavam-se dele, com maior agressividade, aos domingos. Estes tornavam-se infinitos e, por vezes, até dolorosos. De manhã, saía de casa, sozinho, porque o Antunes não era de missas. Seguia por ruas diversas, na procura de igreja que encontrasse aberta. Ir à missa ao Domingo era um hábito que tinha de miúdo. Percorria a Liberation, a Charles De Gaule, atravessava o Place de Jaude e depois entrava numa rua muito estreita, mas muito colorida e repleta de lojas e de montras. Finalmente, subia a Rue Des Gras ao cimo da qual se perfilava, imponente e altiva, a enorme catedral. Era um edifício de pedra negra, teúrgico e ingente, no seu aspecto exterior. Mas o interior convidava à oração e ao silêncio. É verdade que ao princípio, não entendia rigorosamente nada do que o padre dizia. Os gestos, as atitudes, as roupas verdes e a hóstia branca, porém, eram semelhantes aos da igrejinha de Lagoa. Era aí, sobretudo aí que as lembranças das manhãs de Domingo o amarfanhavam. Era a lembrança da igreja de Peredo, onde, à saída da missa, ia esperar a Albertina. Caminhavam, depois, abraçados lado a lado, por caminhos e atalhos até à casa dela, esperando que o futuro sogro o convidasse a entrar, o que raramente acontecia. Agora ali, terminada a missa percorria só e pensativo, alheio a tudo e todos, as ruas turbulentas e os becos afunilados daquela cidade, tão grande, tão estranha, tão desconhecida e tão diferente da sua aldeia, observando as montras e sonhando ter um dia ali a sua casa, onde viveria com a sua Albertina.

De tarde, seguia com o Antunes e com outros portugueses até ao café do Sporting, nos arrabaldes da cidade, onde os portugueses das redondezas se reuniam às dezenas, uns jogando cartas, outros dominó e todos ouvindo os relatos do campeonato português, lendo “A Bola” e conversando. Novamente dele se apoderava a saudade que o transportava, em sonhos, a Peredo, junto ao pátio da casa da Albertina, onde passava as tardes de domingo...

O Café do Sporting, no entanto, deu-lhe oportunidade de conhecer muitos portugueses e de se adaptar melhor à nova vida e ao novo país. Às tardes de Domingo juntaram-se as idas à noite, os jantares nos dias de festa e a comemoração das vitórias leoninas. Era um convívio salutar e uma oportunidade de reacender a lembrança do seu país e de Lagoa. Para onde quer que fosse ou onde quer que estivesse perseguia-o, continuamente, a saudade.

Depressa se adaptou à língua. A assiduidade e a persistência no trabalho levaram o patrão a promovê-lo. Ganhava bastante mais. O Alípio recebeu os dez mil e começou a enviar algum aos pais e à Albertina. Clermont-Ferrand, enfim, ia-se tornando a sua nova cidade e a França, a sua nova pátria. Apenas, misturadas com a lembrança, as saudades e o temor de um dia poder ser apanhado e expatriado para Portugal, onde seria preso, por causa da fuga ao serviço militar...O Rodrigues bem o animava:

- Eh pá! Nem penses nisso! Os portugueses clandestinos, em França, são aos milhares. Não há cadeias em Portugal que cheguem para todos. Além disso, o fascismo não vai durar sempre em Portugal. Aquilo vai mudar, vai ter que mudar... Ainda vais poder voltar ao nosso país livre, livre como um passarinho.

Numa tarde solarenga de verão, na pequena igreja de Santa Catarina, em Peredo, o Rui Durvalio e a Maria Albertina, juraram amar-se para sempre. Em casa dos pais da Albertina, preparou-se festa rija. Alguns dias depois os noivos partiram para a França. Apesar de agora, depois do vinte e cinco de Abril, em Portugal, finalmente, se viver em liberdade e democracia, entendia o Durvalino que a França era bem melhor. Além disso já lá tinha casa e o emprego esperava-o.

Quando se despediu do Santana, este bem lhe ripostou:

- Tiveste cá uma sorte! Mas a mim a deves. Eu é que fui acabar com aquela guerra maldita na Guiné.

E com os olhos repletos de lágrimas, solicitou à Albertina:

- Não se esqueçam de nós!

- Será sempre doce a lembrança dos amigos – concluiu, convictamente, o Durvalino, abraçando-os.

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publicado por picodavigia2 às 11:17

CONDE D'ALEMANHA

Terça-feira, 10.12.13

“Conde d’Alemanha” é um texto oral, que faz parte do património cultural da Fajã Grande. Foi recolhido pelo poeta, crítico literário e investigador quer a nível da escrita quer a nível da tradição oral, Pedro da Silveira, em 1948, junto de uma senhora de nome Fernandes e publicado, por aquele ilustre fajãgrandense, na “Revista Lusitana” (Nova Série) nº 7 1986 página 108. Este e outros textos eram contados aos serões pelos nossos avós e por outras pessoas mais antigas e assim se foram transmitindo de geração em geração, pelo menos até à década de cinquenta.

 “Já lá vem claro sol, já lá vem o claro dia,

Ainda o conde d’Alemanha com a rainha dormia.

Não no sabia o rei, nem quantos na corte havia;

Sabia Dona Bernarda filha da mesma rainha:

«Te peço, querida filha, nã me queiras descobrir,

Que o conde é muy rico, de seda te há-de vestir».

«Nã quero os vestidos do conde, se os tenho de damasco

Ainda tenho meu pai vivo, já me querem dar padrasto».

«Peço-te querida filha, que lo nã vaias dizer».

«As mãingas do meu vestido eu nã nas chegue a romper

Se quando meu pai vier logo lo nã for dizer».

Palavras não eram ditas, o rei à porta batia.

«Que tendes, querida filha, que tendes qu’estáis tã triste?

Contai-me das vossas mágoas que eu vos conto maravilhas».

«Estando no meu tear, tecendo seda amarela,

Veio o conde d’Alemanha, quatro fios me quebrou dela».

«Esse conde é novinho, é novinho quer brincar».

«Arrenego do tal conde, más do seu negro brincar,

Porque ele é atrevido, à cama me quis levar».

«Te peço querida filha, nã me queiras más contar.

Já que o conde é atrevido, amanhã vai a enforcar».

«Venha cá, senhora mãe, chegue-se a esta janela,

Agora venha cá ver a volta que o conde leva».

«Maldita sois, minha filha, mais o leite que mamaste,

Um conde tã galantinho, a morte que lhe causaste».

«Cale-se lá, senhora mãe, nã me faça arrenegar,

A volta que o conde leva, nã na queira a mãe levar».”

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publicado por picodavigia2 às 10:47

ALVARÁ DE ERECÇÃO DA FREGUESIA DE S. JOSÉ DA FAJÃ GRANDE - 1861

Terça-feira, 10.12.13

“Dom Fr Estevão de Jesus Maria, por Mercê de Deus e da Santa Sé Apcª, Bispo d’Angra e mais ilhas dos Açores, do Conselho de S.M – F.ma qu Deus Guarde.

Aos que esta Nossa Provisão virem, saúde e Benção.

Fazemos saber, que sendo notória, e por Nós verificada, a cauza justa e canónica da erecção de uma nova Freguezia na Ilha das Flores, com a denominação de = São José da Fajam Grande = composta do dito lugar da Fajam Grande, e dos da Ponta e da Quada, compreendidos actualmente  nos limites da Freguesia de Nossa Senhora dos Remédios da Fajamzinha, no concelho da Villa das Lagens; conformando-nos com a disposição do Real Decreto  de 4 de Abril do corrente anno, expedido por autorização da Carta da Lei de 4 de Junho de 1859, e uzando da autoridade ordinária  que nos compete, e da autoridade apostólica, que para tal fim nos hé delegada pelo Concílio de Trento, Sess. 21, de Reformat, Cap.4:

- Havemos por bem  erigir a nova Freguesia de San Jozé, a qual sugeitamos espiritualmente todos os moradores dos mencionados lugares da Fajam Grande, Ponta e Quada, e lhes ordenamos, que reconheção por seu legítimo Parocho  o que agora hé, ou que de futuro  for, da Freguezia de São José, ao qual confiamos a jurisdição espiritual para a cura d’almas. Mandamos que esta nossa Provisão seja publicada ou anunciada a estação Missa Conventual na Dominga seguinte à sua recepção, afixando-se duas cópias , por quinze dias, nas portas de ambas as Igrejas, ficando o original Archivado no Archivo da nova Freguesia; e de assim se haver cumprido os Rd.os Parochos , nos enviarão certidões pela nossa Camara Eccª.

Dado em Angra sob o nosso sinal, e sello maior das nossas armas, aos 20 de Junho de 1861 = Jacinto Ignº Cabral, Escr.am da mesma Camara o escrevi. Fr. Estevão Bispo d’Angra.”

Documento retirado do “Livro das Pastorais da Paróquia de S. José”, 1863, fl 2, in “Anais do Município das Lajes das Flores” edição Câmara Municipal das Lajes das flores, 1970, Documento nº 12. p. 135, cit. por Francisco António Nunes Pimentel Gomes, in “Ilha das Flores”, doc. 55, pg. 469.

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publicado por picodavigia2 às 09:53

ALVARÁ RÉGIO AUTORIZANDO A CRIAÇÂO DA PAROCHIA DA FAJÃ GRANDE – 1861

Terça-feira, 10.12.13

Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça

“Tendo subido à minha Real Presença a representação em que os moradores das povoações da Fajãa-grande, Ponta e Cuada, que até agora tem pertencido à freguesia de Nossa Senhora dos Remédios da Fajãazinha no concelho da vila das Lagens da ilha das Flores, Bispado de Angra, pedem que as ditas povoações sejam desanexadas da freguesia mencionada, e fiquem constituindo uma freguesia independente e separada, servindo de Egreja parochial a que existe no dito logar da Fajãa-grande com a invocação de S. José: e constando-me pelas informações recebidas do Reverendo Bispo de Angra, e do Governador Civil do distrito da Horta, que se torna de muita necessidade a providência que se solicita, por causa da distância a que as mesmas povoações ficam da sede da parochia, e pela dificuldade, trabalho e perigo, que tem os respectivos moradores de recorrerem a ella, especialmente na estação invernosa, para assistirem aos ofícios Divinos, e de serem socorridos em suas necessidades espirituais em consequência da aspereza e acidente dos terrenos que a circundão: Hei por bem, conformando-me com o parecer do Reverendo Prelado, e Usando da autorização concedida pela carta de lei de 4 de Junho de 1859, Resolver que possa com efeito proceder-se à desanexação das povoações da Fajãa-grande, Ponta e Cuada, da freguesia de Nossa Senhora dos Remédios da Fajãazinha a que pertenciam e que fiquem constituindo uma freguesia independente e separada, servindo de Egreja parochial a que existe no dito lugar da Fajãa-grande, devendo abonar-se para côngrua subsistência do Parocho da nova freguesia, em cada anno, a mesma quantia em géneros e dinheiro que está arbitrada aos outros párochos do mesmo Bispado, em eguaes circunstâncias, e ficando a freguesia da Fajãazinha, depois da desanexação das ditas povoações sendo servida somente por um parocho com o vencimento correspondente. – O Ministro e Secretário de estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça o tenha assim entendido e faça expedir os despachos competentes para a sua devida execução. – Paço das Necessidades em 4 de Abril de 1861. Rei – Alberto António de Moraes Carvalho.”

 Documento retirado do livro de Francisco António Numes Pimentel Gomes “ A Ilha das Flores”, página 468, documento 54.

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publicado por picodavigia2 às 09:47

TRILHOS PEDESTRES AÇORIANOS

Terça-feira, 10.12.13

Segundo o Jornal “Açoriano Oriental”, (edição de 14 de Novembro pp) os Açores têm actualmente mais de 60 trilhos pedestres devidamente homologados, estendendo-se por mais de 500 quilómetros de caminhos ou veredas, no conjunto das nove ilhas do arquipélago. Estes números são fornecidos pela Equipa de Coordenação e Manutenção da Rede Regional de Trilhos Pedestres. Trata-se duma equipa resultante da contratação de 20 pessoas que, em permanência, passarão a assegurar a manutenção e identificação dos trilhos já homologados, prevendo-se, também, a criação de outros.

Segundo aquela Equipa, nos Açores, acrescenta o mesmo jornal, existem apenas, neste momento, trilhos pedestres de "pequenas rotas", ou seja, com menos de 30 quilómetros. No entanto, as autoridades açorianas contam "abrir num futuro próximo" grandes rotas, assim como trilhos urbanos, tendo sido avançado o exemplo da cidade de Angra do Heroísmo, classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Dos turistas que visitam os Açores, cerca de 60% a 70% praticam pedestrianismo, segundo dados dos inquéritos feitos em postos de turismo da Região, revelou o director regional do Turismo, João Bettencourt, acrescentando que também os residentes no arquipélago praticam cada vez mais este tipo de actividades.

O secretário regional com a pasta do Turismo, Vítor Fraga, declarou ao mesmo jornal que os percursos pedestres têm "um papel determinante" e são "um produto âncora" na oferta turística dos Açores, inscrevendo-se este reforço de meios humanos destinados aos trilhos numa aposta do executivo que visa "o incremento contínuo e sustentado da qualidade dos produtos turísticos" regionais.

Segundo Vítor Fraga, a Rede de Percursos Pedestres Classificados dos Açores é já "devida e regularmente" verificada, "através da revitalização de sinalética, vistorias, acções de limpeza e manutenção".

Acrescente-se que destes 60 trilhos açorianos, treze pertencem à ilha do Pico e são os seguintes: Caminhos de Santa Luzia, Caminho dos Burros: vertente Norte, Ponta da Ilha, Vinhas da Criação Velha, Caminho das Voltas, Mistérios do sul do Pico, Nove Canadas da Ribeirinha, Quintas e Ribeiras, Ladeira dos Moinhos, Prainha do Norte, Santana – Lajido, Calheta do Nesquim e Lagoa do Capitão

Na freguesia de São Caetano, na mesma ilha, já estão delineados três trilhos aina não homologados pela Equipa de Coordenação e Manutenção da Rede Regional de Trilhos Pedestres. Estes trilhos são os seguintes:

Trilho da Canada de são Caetano – Trilho antigo que tem início junto à Prainha do Galeão, subindo pela encosta escarpada, sob a forma duma escadaria, até à rua de São Caetano. Era este trilho que outrora servia de percurso entre o porto de pesca e os lugares do Caminho de Cima e da Terra do Pão. Era, essencialmente, utilizado por baleeiros e pescadores destes dois lugares. Devido à existência de um poço de Maré, junto ao porto da Prainha, muitas mulheres também utilizavam este trilho nas idas e vindas para lavar a roupa ou tirar e transportar água daquele poço.

Trilho da Canada da Ribeira da Prainha – Trilho antigo que fazia a ligação entre o porto e zona da Prainha do Galeão e a parte central da freguesia. Aquando da construção da Igreja Paroquial, com inicio em 1876 por iniciativa de Manuel Silveira de Melo, homens e mulheres transportavam, às costas e cabeça, subindo este trilho, grande parte da pedra usada na construção da igreja, assim como a madeira de um barco carregado de trigo, vindo de Vincenza, Itália, naufragado na zona da Pontinha, facto que foi considerado um milagre de São Caetano, santo padroeiro da localidade e natural daquela cidade. Este trilho também foi usado por pescadores e baleeiros da freguesia, neste caso dos residentes na Prainha.

Trilho das Fontes – situado no antigo caminho que ligava a freguesia às pastagens dos Matos. Trata-se de um espaço onde existiam várias nascentes de água fresca e pura e onde os pastores paravam para descansar e saciar a sede. Era pois ponto de encontro entre pastores que, regressando dos matos ali paravam. O Trilho actual inicia-se com a subida da antiga Canada do Brejo até às Fontes e desce pelo antigo caminho do Mato numa zona, em parte, muito íngreme,

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