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O CAMINHO PARA A PAZ

Domingo, 26.01.14

“Não existe um caminho para a paz; a paz é o caminho.”

 

(Mahatma Gandhi)

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publicado por picodavigia2 às 22:55

ALEGREMO-NOS ENQUANTO SOMOS JOVENS

Domingo, 26.01.14

(Texto de Maria de Jesus Maciel, esposa do Emílio Porto, publicado no Semanário “O Dever”, no aniversário do seu falecimento.)

 

“Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples.

Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.”

 

Alberto Caeiro

 

E todos os dias sãos seus. De uma vida simples, a comunicar, a criar, a cantar. Começo pela identidade: Manuel Emílio do Porto, filho de Manuel Pereira do Porto e de Laureana Emília Pimentel nasce na Ribeirinha, freguesia da Piedade do Pico, a 20 de Dezembro de 1935.

É pela mão de D. José Vieira Alvernaz e de seu irmão Monsenhor Manuel Alvernaz que dá entrada e faz os seus estudos no Seminário Diocesano de Angra do Heroísmo. Aluno distinto, sobretudo na disciplina de Canto e Composição, para a qual revela desde cedo particular interesse e aptidão, compôs temas musicais que lhe valeram receber o primeiro e segundo prémios, da Academia Dr. Manuel Cardoso do Couto, o primeiro prémio e menção honrosa da Academia D. Bernardo de Vasconcelos, assim como a batuta do maestro Edmundo Machado de Oliveira para a regência da Capela do Seminário.

Forma-se em Teologia em 1962, recebe as Ordens Sacras, serve a Igreja, primeiro na actividade paroquial e posteriormente como Capelão militar, em Angola, até ao final de 1975. O comandante do Batalhão em que serviu nas patentes de alferes, tenente e capitão, louvou-o pelas suas qualidades militares e morais: “oficial inteligente, de conhecimentos vastos e de uma cultura musical apreciável”, “uma alma aberta às vicissitudes e dificuldades” que muitos então viviam, recebendo “de todos o respeito, a admiração e a amizade”.

Em 1975 é eleito Vereador da Câmara Municipal das Lajes do Pico. No mesmo ano é deputado independente do Partido Socialista, desempenhando funções no Parlamento Regional nas duas primeiras legislaturas. Exerce os cargos de Secretário da Mesa da Assembleia Regional e da Comissão de Assuntos Políticos e Administrativos.

Em 1976, dispensado das Ordens, dedica-se ao ensino nas Lajes. Primeiro no Externato, depois na Escola Preparatória/Secundária, como professor de Língua Portuguesa e Educação Musical. Em 1986, fazendo parte do Conselho Directivo, e para melhor favorecer a população do concelho, cria, com outros dois colegas, o Ensino Secundário na mesma escola. Durante o percurso escolar, e para actualizar e desenvolver a sua actividade musical que exerceu até à reforma, faz o Complemento de Habilitações na Escola Superior de Setúbal. Paralelamente com a actividade lectiva vai constituindo grupos corais infantis e o grupo de cantares de professores. Organiza e ensaia Ranchos de Natal e de Reis e dá o seu contributo a outros com temas que compôs e harmonizou. Colabora no festival “Baleia de Marfim”, é premiado diversas vezes, não só nas Lajes, como nos festivais da Povoação e da Figueira da Foz, onde recebe o Prémio de Música na Gala Internacional dos Pequenos Cantores.

Cria e dirige capelas litúrgicas e grupos corais, nomeadamente na paróquia da Conceição, Angra do Heroísmo, 1962 -1964; S. Caetano (Pico), 1964-1969; Sanza Pombo (Angola), 1969-1971; Ponta Delgada, 1971-1973; em Cabinda, 1973-1975. A partir de 1976, nas Lajes, na Ribeirinha e em S. Mateus, no Santuário do Bom Jesus. Aí, cerca de duas décadas, reintroduz no ciclo festivo, não só os textos clássicos tradicionais, como o tríptico de Tomás Borba, mas sobretudo renova o canto litúrgico, em parte com temas da sua autoria.

Quando jovem, ainda na década de sessenta, (1968-1969) foi Mestre da Filarmónica Recreio dos Pastores de S. João, e mais tarde da Filarmónica Liberdade Lajense, nas Lajes. Em 1983, no centenário de Lourdes, forma o Grupo Coral das Lajes do Pico. Na sua actividade, ao longo de 28 anos, para além de diversas actuações nos Açores, no continente português e no estrangeiro, deixa parte do seu repertório registado em cinco CDs: - Música Popular Açoriana, Montanha do meu Destino, Música em tempo de festa (CD duplo: CD1 - temas de carácter tradicional e popular; CD2- temática religiosa), e por fim, dois CDs – Espírito Santo e Natal –, tendo participado ainda no CD - Os Melhores Coros Amadores da Região. Para além da composição de textos sacros, harmoniza e compõe um significativo número de temas, quer da música tradicional, quer da nova música açoriana, quer no fado: “Montanha do meu Destino”, e “ Bom Jesus Milagroso” (Oração do Peregrino). De referência ainda é a célebre harmonização das Ilhas de Bruma, bem como os arranjos corais do Hino Nacional, do Hino dos Açores e Hino do Espírito Santo, sendo da sua autoria, entre outros, a composição do Hino de Santa Cecília, Hino ao Bom Jesus, Vila Mãe (Hino às Lajes) e do Hino da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste.

De temática diversificada é igualmente a colaboração jornalística: musical, religiosa, política, social e cultural. Colaborou nos jornais Ilha Maior e no Tribuna das Ilhas, com destaque para o Dever (Farol da Ponta) e no blog Alto dos Cedros. Nos seus artigos é um grande defensor da Ponta da Ilha. Para ele, como já fora para Nemésio, aquela é a sua “Terra Santa aproada a Sueste”. No seu Farol de afectos, deu força e visibilidade a uma Ponta esquecida, projectando sobre ela uma luz única que só uma grande afeição é capaz de prodigalizar. Para a Piedade propõe o estatuto de Vila. Para a Ribeirinha – onde quis ficar para sempre – para a sua Ribeirinha que fora elevada a freguesia quando ele fora deputado, vai o seu último acto de cidadania: uma petição dirigida ao Parlamento para que não seja extinta. Acompanha entusiasmado, participa e regista as actividades das “Semanas  Comvida”, da Ribeirinha, da Piedade e da Calheta. Grande defensor das freguesias rurais, do valor histórico e do significado que elas representam na vida das populações, deixa escrito: “é um crime se alguma delas for banida do mapa”.

Publica os livros: Canções Populares Açoreanas (1994), Senhor, Levanta os Teus Olhos… (1999), O Meu Cancioneiro, (2001), 25 anos a cantar – Grupo Coral das Lajes do Pico, (2008), tendo entretanto colaborado no livro Grupos Corais e Instrumentais de Portugal, de Lauro Portugal, em 2007.

Teria D. José antevisto os seus dotes musicais, aquando da sua vinda da Índia ao Pico, em 1950? No seu olhar atento o que viu nele, naquele curto contacto que o encaminha logo para o Seminário? O que sabemos é que o jovem de então lhe ficou grato para sempre. E essa gratidão viria a manifestar-se, particularmente nos tempos difíceis vividos pelo Patriarca na Índia e no exílio que se seguiu em Angra. Em 1980, e então deputado, Emílio Porto organiza uma petição de reconhecimento pela actuação corajosa de D. José, quando as possessões portuguesas foram invadidas e anexadas à força pela União Indiana. E merecidamente, nesse mesmo ano, o Patriarca vem a receber a Grã-cruz da Ordem do Infante, das mãos do Presidente da República, Ramalho Eanes.

A música, na dimensão mais expressiva que é o canto – a voz é o instrumento musical por excelência – para a qual o pai já o iniciara em menino, será sempre a companheira predilecta da sua vida, nas celebrações religiosas e nos momentos de descontracção de entretenimento e de cultura”; a segunda preferência – a escrita – embora por muito tempo arrumada na gaveta, não é esquecida, apenas ficando no subconsciente. E quando decide dar os primeiros passos, fá-lo de forma tímida, primeiro com pseudónimos: xyz, xp.com, depois com o nome de família J. Janeiro, e por fim, com o seu próprio nome.

Para além destas preferências, regista-se também a culinária e jardinagem, entusiasmando-se na criação e cultivo de flores e árvores de fruto, vivendo sempre próximo da natureza que a sua ilha lhe oferece. Tem gosto pelas viagens, que só tardiamente tem possibilidade de fazer. Fosse qual fosse o destino, santuário, cidade ou país (Santiago de Compostela, Monserrat, Mont Saint Michel, Roma, Terra Santa, Nápoles, Capri, S. Petersburgo ou Istambul), corre atrás das novidades musicais ou de outras clássicas que em jovem apreciara e agora pode adquirir. As sementes das plantas ou árvores exóticas são a sua predilecção, que podiam estar no chão da rua, nas muralhas ou até na torre de Herodes em Jerusalém. Tudo o que é novidade quer trazer para a sua terra. É a ela que dedica um afecto forte e incondicional. E foi nela que decidiu – e gostava – de viver. Como se a Montanha fosse – e foi – o seu destino.

É agraciado com o Grau de Comendador da Ordem de Mérito pelo Presidente da República Jorge Sampaio, em 2001, e com a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico, pela Assembleia Regional dos Açores, em 2008.

Herdeiro de um sorriso franco e divertido, de gargalhadas sonoras que escarneciam e esconjuravam as situações mais ridículas, é a educação nos valores do trabalho e do estudo que lhe foram incutidos na infância, que pautam o caminho que lhe coube percorrer, agora confinado a duas datas.

Deixa a vida, cantando, com o seu grupo coral: “Lá no cimo da Montanha”, em plena noite de ensaio, na Filarmónica Liberdade Lajense, a 11de Abril de 2012.

 Na madrugada desse dia concluíra a sua “Epístola aos Estorninhos” (dirigida aos companheiros da primeira hora, e que acabaria por ser a homília da celebração litúrgica dos 150 anos do Seminário). Escrita num estilo irónico como gostava, por dar mais expressividade ao conteúdo, terminava inesperadamente em tom místico. “Acredito em Cristo Ressuscitado e no Seu Santo Espírito”. É que, apesar de dispensado das Ordens, de ter optado pelo casamento, e fê-lo duas vezes, nunca deixou de ser um homem da Igreja e um homem de Fé. Basta recordar “a unção, a doçura, a religiosidade” que os seus cânticos conferiam ao acto litúrgico. Que lutou até ao fim por uma Igreja coerente e íntegra. Finalmente, compreenderam essa linha de vida, os sacerdotes que celebraram as cerimónias exequiais. Que o fizeram em concordância com as Ordens Sagradas que recebera e com a dignidade e solenidade consentâneas ao momento e ao homem crente que ele fora.

Se ele está à vista de Deus – está a reger o Coro dos Anjos como disse, ao vê-lo partir, o amigo Artur Goulart – deve ter olhado com encanto o seu Grupo Coral. Que caído por terra com a sua morte, foi capaz de reerguer-se. E que hoje é seu Maestro o Professor Hildeberto Peixoto, o menino que outrora fora seu aluno. Que foi acompanhando a caminhada no estudo e a quem chamava afectuosamente o rapazinho da Piedade. Que a ele recorrera ainda estudante, para cantar a voz de tenor, depois para tocar órgão e sobretudo clarinete. Representando cada vez mais a esperança do tempo futuro. Ainda sem saber que esse futuro se faria presente tão depressa e inesperadamente. Por isso “Alegremo-nos enquanto somos jovens…que amanhã seremos húmus”, como nos ensinou a cantar no Gaudeamos Igitur – o Hino dos Orfeonistas.

São memórias de uma vida simples, que se foi humildemente multiplicando em modos vários, que aqui ficam como testemunho.

Apenas algumas. Por mais que dissesse ficaria sempre aquém.

Porque, na verdade, os mortos são pessoas completas.

Pico, 11 de Abril de 2013  

Maria de Jesus Maciel

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publicado por picodavigia2 às 21:54

HOMILÍA DO PAPA FRANCISCO NA INAUGURAÇÃO DO SEU PONTIFICADO

Domingo, 26.01.14

Queridos irmãos e irmãs!

Agradeço ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de início do ministério petrino na solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal: é uma coincidência densa de significado e é também o onomástico do meu venerado Predecessor: acompanhamo-lo com a oração, cheia de estima e gratidão.

Saúdo, com afecto, os Irmãos Cardeais e Bispos, os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e as religiosas e todos os fiéis leigos. Agradeço, pela sua presença, aos Representantes das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, bem como aos representantes da comunidade judaica e de outras comunidades religiosas. Dirijo a minha cordial saudação aos Chefes de Estado e de Governo, às Delegações oficiais de tantos países do mundo e ao Corpo Diplomático.

Ouvimos ler, no Evangelho, que «José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu sua esposa» (Mt 1, 24). Nestas palavras, encerra-se já a missão que Deus confia a José: ser custos, guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja, como sublinhou o Beato João Paulo II: «São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo» (Exort. ap. Redemptoris Custos, 1).Como realiza José esta guarda? Com discrição, com humildade, no silêncio, mas com uma presença constante e uma fidelidade total, mesmo quando não consegue entender. Desde o casamento com Maria até ao episódio de Jesus, aos doze anos, no templo de Jerusalém, acompanha com solicitude e amor cada momento. Permanece ao lado de Maria, sua esposa, tanto nos momentos serenos como nos momentos difíceis da vida, na ida a Belém para o recenseamento e nas horas ansiosas e felizes do parto; no momento dramático da fuga para o Egipto e na busca preocupada do filho no templo; e depois na vida quotidiana da casa de Nazaré, na carpintaria onde ensinou o ofício a Jesus.

Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projecto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a David, como ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é «guardião», porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!

Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!

E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.

Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!

Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? À tríplice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tríplice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afecto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor capaz de proteger.

Na segunda Leitura, São Paulo fala de Abraão, que acreditou «com uma esperança, para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18). Com uma esperança, para além do que se podia esperar! Também hoje, perante tantos pedaços de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos esperança. Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! E, para o crente, para nós cristãos, como Abraão, como São José, a esperança que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, está fundada sobre a rocha que é Deus.

Guardar Jesus com Maria, guardar a criação inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a nós mesmos: eis um serviço que o Bispo de Roma está chamado a cumprir, mas para o qual todos nós estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperança: Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!Peço a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o meu ministério, e, a todos vós, digo: rezai por mim! Amen.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 19 de Março de 2013

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publicado por picodavigia2 às 16:04

PURO

Domingo, 26.01.14

MENU 26 – “PURO”

 

 

 ENTRADA

 

Salada de flageolets com pimentos, cebola, salsa e alho,

regada com azeite e vinagre balsâmico.

Rodelas de pepino, ao natural, barradas com creme e com nozes sobrepostas.

Massa farfelle cozida em legumes, passada com creme de queijo fresco.

 

PRATO

 

Salmão em papelote no forno, temperado com pimenta preta, alho, ervas aromáticas (alecrim, orégãos), sumo de limão e mel.

Batata cozida e flageolets regados com azeite.

Brócolos cozidos salpicados com mel e vinagre balsâmico

 

SOBREMESA

 

Pera natural e Gelatina de pêssego.

 

 

******

 

Preparação da Entrada: Abrir a lata e lavar o feijão verde (flageolets). Misturá-los com cebola e pimentos de várias cores picados. Cozer a massa farfelle em água de legumes, secá-la e barrá-la com o creme de queijo fresco. Cortar rodelas de pepino e barrá-las com mel, sobrepondo-lhes pedacinhos de miolo de nozes.

 

Preparação do Prato – Cortar um bocado de alumínio e colocar sobre o mesmo a posta de salmão, temperando-a com o sal, alho, pimenta, ervas, limão e mel. Embrulhar o papelote de alumínio e levá-lo ao forno dentro de um tabuleiro por sensivelmente 15/20 minutos.

Acompanhar com brócolos, feijão verde e batata branca. Temperar com azeite, vinagre balsâmico e o mel.

 

Preparação da Sobremesa - Confecção tradicional.

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publicado por picodavigia2 às 15:42

O REGRESSO DO COLCHÃO

Domingo, 26.01.14

Depois dos acontecimentos políticos dos últimos dias e dos pertinentes comentários que se ouvem e lêem começa a parecer-me, o que há muito vinha cuidando, que isto está mesmo muito mau, diria, péssimo. Como dizia a minha avó “não há ponta por onde se lhe pegue.

Após as decisões do Tribunal Constitucional, elogiadas por uns e condenadas por outros, muitos comentadores políticos e alguns “paineleiros” de programas televisivos e das rádios, assim como um ou outro político, começaram a jurar “a pés juntos” que só nos restam três alternativas, cada uma delas mais dramática do que a outra: ou o Governo arranja, à “queima-roupa” um plano B que, pelos vistos nunca teve mas deveria ter tido, ou o mesmo Governo demite-se ou é demitido e é colocado como chefe de um novo governo um “tresloucado” qualquer, por nomeação ou através de eleições legislativas intercalares, ou caímos todos num buraco sem fundo, que desde há muito andámos a escavar.

Parece-me, no entanto, que quer se verifique a primeira ou a segunda destas hipóteses, porque no caso da terceira tudo é muito mais linear, corremos sérios riscos de a famigerada “Troika”, nos fazer algo semelhante ou ainda pior do que aquilo que, há uns meses, fez em Chipre: “gamar-nos” 50% de todos os depósitos e contas bancárias superiores a dez mil euros. Perante tal, embora apenas hipotético, descalabro, parece que há quem ande já - se é que ainda seja possível – a poupar uns troquitos e, à semelhança dos nossos avoengos, embora estes por outras razões, os ir guardando debaixo do colchão.

 

Texto publicado no Pico da Vigia em 6 de Junho de 2013

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publicado por picodavigia2 às 13:51

A SAFRA DO TREVO

Domingo, 26.01.14

Vinham ajudar os tios, os primos e um ou outro vizinho. Armados de cestas, transportando cada um o seu banquinho de madeira – usados à noite, na cozinha, para lavar os pés – cerravam fileira junto a uma das paredes do enorme cerrado. Depressa formavam um eito. Melros e tentilhões, habituados a grandes comezainas nos dias anteriores, fugiam, agora, a sete pés.

Meu pai e o tio Jorge, à frente a derrubar os milheiros esqueléticos e nus, a que há muito lhes haviam sido arrancadas, primeiro as folhas, depois as maçarocas. O cerrado era agora um enorme tapete amarelado, onde desfloriam, murchas e flectidas, as espigas loiras, amadurecidas. Os do eito, limpa a primeira cordada, mudavam os bancos, dos quais nem despegavam o rabo, e as espigas continuavam, umas direitinhas como quando presas ao restolho, outras amachucadas e desfeitas, a amontoar-se e a subir dentro das cestas que, em breve, transbordavam. Os mais atentos, antes que as espigas se espalhassem, acorriam a despejá-las nos sacos de serapilheira que, aos poucos, se iam avolumando, bem acalcados, bojudos e fofos, a simularem gigantescas almofadas.

A manhã crescia e os sacos do trevo empinavam-se junto à parede.

Minha mãe e tia Gertrudes, muito antes do meio-dia, chegavam, cada uma com um cesto de vimes brancos à cabeça, usados habitualmente para ir lavar a roupa à ribeira, com pratos e tigelas a que sobrepunha postas de peixe frito, torresmos, toros de linguiça, talhadas de inhames, quartos de bolo do tijolo, fatias de pão de milho, pedaços de queijo, um bule cheio de café com leite, fruta e sopas fritas. Os mais pequenos, mais sobejos do que esfomeados, açudados pelo cheiro do conduto, abalroavam-nas, quase as impedindo de circular por entre o restolho amachucado. Bem os enxotavam elas:

- Saiam daqui, labregos! Não têm mais pressa do que os outros.

Num canto, junto a uma aba da parede, minha mãe estendia duas toalhas enormes, bordadas nos cantos com flores vermelhas e amarelas - a água crescia-nos na boca – e elas bem gritavam:

- Parem, parem - depois, para os outros, para os adultos que continuavam agarrados aos caules de restolho. - Venham, venham comer! –

Mas eles, os adultos, nada. Queriam acabar de encher as cestas antes do bródio. Nós, os pequenos agora formando coro com minha mãe:

- Olhem que isto arrefece! Cheguem-se, por favor - eles nada. - Safa, parece que estão moucos, não ouvem nada!

Distraía-se minha mãe a colocar os pratos a abarrotar de conduto e nós, à socapa, penica aqui, repenica acolá e lá nos íamos encharcando naquela alegria que era comer no meio do trevo seco, sentados sobre o restolho perfumado.

Agora era contra nós que minha mãe se empertigava, batendo-nos ao de leve, na mãozita matreira:

- Xou! Xou! Parem com isso! Não sejam lambões! Não sabem esperar pelos outros?!

Depois de amarrar os sacos já cheios e de os empinar contra a parede, lá vinham os adultos, um a um, sentar-se à volta das toalhas brancas com flores vermelhas e amarelas bordadas nos cantos, sobre as quais minha mãe despejara pedaços de pão, de bolo, talhadas de inhames e os pratos com o conduto. Os homens tiravam dos bolsos as naifas da América, com que iam cortando cada torresmo, cada toro de linguiça e cada quarto de bolo em pedaços mais pequenos que metiam na boca com ponta da navalha, mastigando-os voluptuosamente. As mulheres com os garfos espetavam as postas de peixe que iam comendo às dentadas, alternadas com as de inhame. Nós, os mais pequenos a pegar com a mão e a engolir tudo à pressa, na mira de fugir, com pedaços de pão frito e toros de linguiça nos bolsos, escapulindo para cima dos maroiços, ao esconde, ao trinta e um ou ao pai-velho:

- Canalha. Que ninguém lhe põe a mão em cima. Piram-se que nem os tentilhões.

Os homens fumavam um cigarro, as mulheres ajudavam a minha mãe a arrumar os pratos e as sobras dentro dos cestos e, em breve, as espigas continuavam a desprender-se dos caules do restolhos, as cestas a encherem-se, os sacos a empinarem-se junto às parede e o Sol, cada vez mais tórrido, a descambar para o Oeste.

Sacos às costas dos homens ou à cabeça das mulheres, cestas enfiadas nos braços e nós, os mais pequenos, loucos de encanto, à frente, a carregar os banquinhos. Era o regresso a casa, após a safra do trevo, calcorreando veredas íngremes e sinuosas, ladeadas de velhas paredes de pedras toscas, caiadas de musgo esverdeado.

 

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publicado por picodavigia2 às 11:14

GAZETILHA DA SATA

Domingo, 26.01.14

(Só Amanhã Tenho Avião)

Estou retido em Lisboa

Num amargo e longo dia

Não auguro coisa boa…

Quem viajasse no “Poesia”!

 

A espera no aeroporto,

Foi, longa, dura e penosa,

Doía cabeça e corpo,

Tinha a alma em polvorosa!

 

Primeiro, à nave, inspecção

Depois técnica avaria,

A seguir, a tripulação

Trabalhar já não queria

 

Por fim o voo cancelado…

Já pró hotel, perto fica.

P’ra dormir bem descansado,

E ir à Luz ver o Benfica.

 

Só amanha, se Deus quiser,

Havemos de ter avião.

Se voo da Sata houver…

Não nos avisem em vão.

 

A Sata fez o favor,

De dar hotel e comida

Estamos sem grande ardor,

Com esta gaita de vida.

 

Como se isto não bastasse.

Chegaram turcos, em bica,

Para apoiar o Fenerbace.

Tenha cuidado o Benfica.

 

Se Aqui Tivesse um Amigo,

Como tenho em S. Miguel,

Ainda hoje ia pró Pico,

Não ficava neste hotel.

 

Dei uma volta por Lisboa,

Pra esquecer mágoas cruéis

Ainda irei à Madragoa,

A Belém, comer pastéis.

 

 

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publicado por picodavigia2 às 11:07

ILHA DAS FLORES SEM BANDEIRA AZUL

Domingo, 26.01.14

As 27 zonas balneares dos Açores que se candidataram este ano ao galardão da Bandeira Azul foram todas aprovadas pelo júri internacional deste certificado de qualidade ambiental, que distingue o esforço de diversas entidades para a melhoria do ambiente marinho e costeiro.

 A Bandeira Azul é atribuída anualmente às zonas balneares, marinas e portos de recreio que apresentam a sua candidatura e cumprem um conjunto de critérios de natureza ambiental, mas também de segurança e conforto dos utentes e de informação e sensibilização ambiental.

Em Portugal, a organização do programa Bandeira Azul é da competência da Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), estando a coordenação nos Açores a cargo da Secretaria Regional dos Recursos Naturais, através da Direcção Regional dos Assuntos do Mar.

Para as zonas balneares são considerados critérios que abrangem quatro capítulos: qualidade da água, informação e educação ambiental, gestão ambiental e equipamentos, segurança e serviços.

Nos Açores há cinco bandeiras a menos que em 2012, “porque o município da Praia da Vitória não conseguiu reunir condições para se candidatar”, disse o presidente da ABAE.

As zonas balneares das ilhas do Corvo e das Flores voltam em 2013 a não ter qualquer bandeira azul, nem sequer as entidades públicas realizaram nenhuma candidatura ao galardão.

Recorde-se que a Região Autónoma dos Açores estreou-se com o hasteamento da Bandeira Azul no ano de 1988 com três bandeiras, atingindo em 2009 o maior número de galardões atribuídos .

A ilha das Flores situa-se no Grupo Ocidental do arquipélago dos Açores, sendo a maior das ilhas que compõem aquele Grupo. Ocupa uma área de 141,7 km², na sua maior parte constituída por terreno montanhoso, caracterizado por grandes ravinas e gigantescas falésias. O ponto mais alto da ilha é o Morro Alto, a 914 m de altitude. A população residente é de 3 995 habitantes (2001), repartindo-se pelos concelhos de Santa Cruz e Lajes das Flores. É frequentemente considerada como o ponto mais ocidental da Europa (obviamente fora do continente europeu) e uma das mais belas do arquipélago, cobrindo-se de milhares de hortênsias de cor azul, que dividem os campos ao longo das estradas, nas margens das ribeiras e lagoas.

Fontes: - «Açoriano Oriental», «Jornal Diário», GACS (Gabinete de Apoio à Comunicação Social, da Presidência do Governo Regional dos Açores) e Forum Ilha das Flores.

 

Texto publicado no Pico da Vigia em Maio de 2013

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publicado por picodavigia2 às 10:41

DEUSES COMO NÓS (COMÉDIA PELO GRUPO “GOTA DE MEL” DE SÃO MATEUS)

Domingo, 26.01.14

O grupo de teatro da Casa do Povo de São Mateus do Pico, “Gota de Mel” levou, ontem, à cena, uma “divina comédia” intitulada “Deuses como Nós”. Trata-se de uma adaptação, muitíssimo, livre dos “doze trabalhos de Hércules”, em que Zeus, pai de Hércules, numa das suas saídas nocturnas do Olimpo, se apaixonou por uma comum mortal e que, no fervor da sua paixão, decidiu conquistar. Com os seus companheiros da farra, Mercúrio e Baco, preparou um plano infalível para arrebatar a dona do seu coração, disfarçando-se de Elvis Presley. Após consumar a sua paixão, Zeus voltou ao Olimpo, confiante de que toda esta história ficaria por aqui, mas a intervenção de Vénus junto de Juno, a esposa de Zeus, o deus infiel, fez com que no Olimpo nada mais voltasse a ser como era d’antes.”

Recorde-se que “Os doze trabalhos de Hércules” ou, simplesmente, os "Trabalhos de Hércules" são uma série de episódios arcaicos, ligados entre si por uma narrativa contínua, relativa a uma penitência que teria sido cumprida por um dos maiores heróis gregos, Héracles, ou Hércules dos romanos. Hércules, num acesso de loucura, assassinou a sua esposa, Mégara e os seus três filhos. Quando se deu conta de ter praticado tão hediondo crime, fugiu para o campo, vivendo sozinho. Foi encontrado por seu primo Teseu, que o convenceu a visitar o oráculo em Delfos, a fim de recuperar a sua honra. O oráculo impôs-lhe como penitência, servir Euristeu, o homem que ele mais odiava, executando uma série de doze trabalhos, findos os quais, se obtivesse sucesso, se tornaria imortal. Todos os trabalhos, embora diferentes e localizados em espaços diferentes, têm um objectivo comum têm: castigar Hércules, obrigando-o a matar, subjugar ou buscar uma planta ou animal mágico para Euristeu. Foram os seguintes esses doze trabalhos: 1º - exterminar o leão de Nemeia e trazer a sua pele de volta para entregar a Eristeu; 2º - cortar as nove cabeças da hidra de Lerna; 3º - trazer vivo o javali selvagem de Erimanto; 4º - capturar viva a corça dos pés de bronze de Cerinéia; 5º - enfrentar os monstruosos pássaros do lago Estinfália, em Arcádia; 6º - lavar os touros sagrados de Augias, rei de Elis; 7º - capturar vivo e trazer até Eristeu o touro de Creta; 8º - capturar as éguas de Diomedes, rei da Trácia; 9º - ir buscar o cinturão de Hipótila, rainha das Amazonas, na Capadócia, superando a oposição das próprias amazonas; 10ª - capturar o gado de Gerião; 11º - levar as maçãs douradas do jardim das Hespérides. 12º - capturar Cérbero, o monstro-cão de três cabeças, guardião dos portões do Inferno.

Segundo o “Site” da Câmara Municipal da Madalena, autarquia a que pertence a freguesia de São Mateus, “o Grupo de Teatro Gota de Mel da Casa de Povo de São Mateus do Pico, para além de dar continuidade a uma população habituada a ver e fazer teatro, tem uma faceta de animador cultural da freguesia. Muitas foram as noites que este grupo ofereceu aos habitantes com diversões que vão do teatro aos concursos de animação, passando pelo trabalho de habituação em palco com crianças.

Por sua vez o próprio grupo Gota de Mel, considera-se um grupo de ilhéus picoenses que ama desmesuradamente a arte de palco e luta para que as luzes da ribalta promovam o engrandecimento de consciências. “A partir do palco conseguimos apregoar as mais eloquentes propostas - principalmente as que nos confinam a seres de grandes atitudes. O público que "nos assiste" é, por natureza, um lutador e contador de histórias referentes a essas lutas; detesta falsas verdades. Temos respeitado sempre esta máxima num crescendo de também abrir o pano para a actualização e alargamento do nosso espaço teatral.”

Para a edilidade madelenense “o alargamento do espaço teatral de uma ilha passa pela dinâmica de palco. O Grupo de Teatro Gota de Mel tem apostado em trazer, sempre que possível, novas referências para o público do Pico, o que o torna um excelente crítico.”

Fundado em 1980, conta actualmente com 12 elementos fixos: Carla Silva, Mário Silva, Carina Goulart, Carlos Goulart, Marlene Bettencourt, Helder Goulart, Gilberta Goulart, Lara Gonçalves, Luís Cardoso, Laura Serpa, Nuno Matos e Ana Matos.

Dos trabalhos levados à cena pelo grupo, para além do agora apresentado, destacam-se os seguintes:

- "Auto da Vida e da Morte", de António Aleixo, apresentado em algumas freguesias do Pico, em 1981;

- Participação, durante anos consecutivos, nas Festas de Natal do Doente;

- "Gota de Mel", peça que representou a ilha do Pico no Festival de Teatro Amador realizado na ilha Terceira e que arrecadou o 1º lugar;

- "Anatomia de uma História de Amor", ilha de Santa Maria em 1994;

- "Deixai Voar os Pássaros" de Álamo de Oliveira e "O Principezinho" de Saint Exupery em 1996;

- "No Jardim da Vida", ilha da Graciosa em 1997;

- Participação na "Corrida dos Reis", dinamização cultural, desde 1998;

- "A ilha", digressão pela ilha do Pico em 1998;

- Organização do "Festival Infantil de Imitação da Canção", em 1999 e 2000;

- Actuações e elaboração de oficinas de Teatro no encerramento das Férias Desportivas, organizadas pelo Serviço de Desporto do Pico, de 1992 a 2006;

- "Ilhas de Bruma", Festas de Santa Maria Madalena, em 2000;

- "Oficina de Teatro" - comemoração do Dia Mundial do Teatro, no ano 2002;

- "O Papão e o Sonho" - ilha de São Miguel, em 2002, num processo de intercâmbio com um Grupo de Teatro local;

- "Lua Azul" - com texto e encenação de Nelson Monforte, em 2003;

- "O Gato" de Henrique Santana - comemoração do Dia Mundial do Teatro, em 2004 e digressão pela ilha do Pico no mesmo ano;

- "Rostos 1" de Helder Goulart, em 2006.

- "Rostos 2" de Helder Goulart, em 2006;

- "O Poeta Pescador" de Helder Goulart, em 2006;

- "O Café Cruel" com encenação de Ricardo Alves da Companhia de Teatro "Palmilha Dentada" - comemoração do Dia Mundial do Teatro 2007;

- "Destinos" de Helder Goulart, em 2007;

- "Um Zé em Cada Um" de Helder Goulart, em 2008;

- "Menino de Rua" de Helder Goulart, em 2008, a convite da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens da Madalena;

- "Texto disperso" - festa de homenagem ao escritor Dias de Melo, em 2008;

- "A Birra do Morto" de Vicente Sanches, encenado por António Revez da Companhia de Teatro "Lêndias d'Encantar" - comemoração do Dia Mundial do Teatro 2009.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 6 de Abrl de 2013

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publicado por picodavigia2 às 10:29

NOVA TRANSPORTADORA MARÍTIMA ENTRE AS FLORES E O CORVO

Domingo, 26.01.14

Desde do corrente mês de Abril, que a Empresa de Barcos do Pico de Amaral, Felicianos & Faria Lda, passará a ser a única responsável pelas as ligações marítimas entre as Flores e o Corvo, assegurando pelo menos duas viagens semanais entre as Flores e a mais pequena ilha dos Açores, com a excepção dos meses de Julho e Agosto, em que se prevê que sejam realizadas três ligações por semana.

A viagem inaugural realizou-se no passado domingo, dia sete, sendo efectuada pelo navio “Lusitânia” que saiu na passada sexta-feira, dia cinco de Abril, do porto da Madalena com destino ao grupo Ocidental açoriano. O Lusitânia que, no dia sete, partindo de Santa Cruz, atracou no Porto da Casa, no Corvo, concretizando assim a primeira viagem entre as duas ilhas, ao abrigo do novo contrato de concessão deste serviço. Segundo o jornal on-line Açores-9 e outros meios de comunicação social da região, o Fundo Regional da Coesão, na sequência do procedimento por concurso público, adjudicou no início de Janeiro o contrato de prestação de serviços relativo ao transporte marítimo regular de mercadorias entre as ilhas das Flores e do Corvo, àquela empresa, pelo montante global de 1.062.600 euros. O contrato foi visado pelo Tribunal de Contas, no dia 19 de Março, entrando de imediato em vigor.

A Empresa de Barcos do Pico vai, assim, a partir de agora, assegurar as ligações semanais entre Flores e Corvo, sendo esse serviço de transporte efectuado pelo navio Lusitânia, com uma capacidade de carga de 125 toneladas, e, em caso de impedimento deste, pelo navio Cecília A, com capacidade para 350 toneladas de carga. Esta nova operação vai permitir um aumento da capacidade média semanal de carga transportada de cerca de 60 toneladas, podendo ser transportadas para o Corvo, em média e por semana, mais de 277 toneladas. Com a entrada em vigor do novo contrato, o anterior quadro que regulamentava o transporte marítimo de mercadorias entre as Flores e o Corvo deixa de vigorar, bem como os direitos e obrigações previstos.

Sendo assim, a MareOcidental, empresa de transporte marítimo sediada em Santa Cruz das Flores e que, até agora, fazia a ligação entre aquelas duas ilhas do grupo ocidental açoriano, vai encerrar, uma vez que, segundo Mauro Lopes, sócio-gerente da MareOcidental “a entrada de um novo operador de transporte marítimo de mercadorias não deixa outra alternativa à empresa.” Prevê-se, assim, que o encerramento da empresa coloque no desemprego 11 funcionários, o que, numa ilha com pouco mais quatro mil habitantes é muito

Aquele jornal ainda acrescenta que secretário regional do Turismo e Transportes revelou, na Comissão Parlamentar de Economia, que o processo de elaboração das obrigações de serviço público do transporte marítimo de passageiros e carga rodada vai estar concluído no final do ano

Uma outra boa notícia para florentinos e corvinos, vinculada pelos jornais açorianos é a de que o navio "Odin Finder" já se encontra desde o passado dia oito, no porto da Horta e de que já se encontram a bordo técnicos qualificados da PT Açores. Recorde-se que o RV Odin Finder é o navio que vem fazer o "survey" da rota de lançamento dos novos cabos submarinos que ligarão a Praia de Porto Pim, na ilha do Faial ao Boqueirão de Santa Cruz das Flores, ao Boqueirão do Corvo e ao Carapacho na ilha Graciosa.

Texto publicado no Pico da Vigia em 11 de Abril de 2013

 

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publicado por picodavigia2 às 10:16

O FUTURO PAPA

Domingo, 26.01.14

(TEXTO DE CAETANO VALADÃO SERPA)

Universidade de Massachusetts at Boston

 

A Igreja Católica em breve terá um novo chefe, eleito em conclave por um grupo de pouco mais de 100 cardeais, embora, o cardinalato não seja um sacramento nem tão pouco um sacramental. É um titulo que vem com a pesada responsabilidade de eleger o papa quando a sede vaticana se encontra vacante. São bispos-funcionários da cúria romana, colaboradores próximos do papa e encarregues da governação central da igreja universal. A maior parte, ainda hoje, é europeia com predominância italiana, onde se estabeleceu a sede papal, à imagem e semelhança do império romano. O Vaticano é uma cidade-estado implantada no coração de Roma, a capital da Itália.

Depois dos primeiros séculos de perseguição, o cristianismo não só adquiriu liberdade de culto como se tornou a religião oficial do império romano ocidental e oriental, e o bispo de Roma passou a designar-se por papa, sumo pontífice, santo padre, com direito a trono e tripla coroa, património territorial e até exército. E mais tarde o único vivente sobre a Terra declarado infalível em matéria de fé e de costumes, o que nunca foi bem aceite nem claramente definido se se tratava de infalibilidade colegial ou individual. O seu poder e influência chegou ao ponto de os governantes europeus e os próprios reis e imperadores não terem legitimidade sem o beneplácito papal, sobretudo, na idade média. Portugal, na sua longevidade e sobrevivência, foi um bom exemplo deste condicionalismo histórico.

Com o andar dos tempos, criou-se a percepção de que Deus era um ente do género masculino, um Deus Pai. Que a hierarquia eclesiástica tinha de ser toda constituída exclusivamente por homens, proibidos de contrair matrimónio e as mulheres excluídas do sacramento da Ordem. Fórmula perfeita de controlo total da instituição em configuração vertical, mais económica e simplificada sem crianças nem questões de herança, à custa da privação do contributo direto da mulher, a maioria esmagadora da cristandade, relegada para o serviço auxiliar da oração e da obediência. Assim, a experiência natural da família e do amor humano, para o clero celibatário, fica reduzida a uma ideia abstrata com sabor de fruto proibido incompatível com o amor de Deus.

 Nas vésperas da eleição de um novo papa, em pleno século XXI, quando a vida humana, nestes vinte séculos passados, evoluiu substancialmente, poder-se-á perguntar o que é que se espera do novo pontífice da Igreja Católica que se encontra mergulhada em profunda crise, com certeza, uma das mais graves de sempre. E o problema principal neste preciso momento histórico é, sem dúvida, a atitude da igreja em relação à sexualidade humana, por mais incrível que pareça. Jesus Cristo parece que foi celibatário, embora, os seus discípulos mais próximos, os apóstolos, tenham sido casados à exceção de um. A sua incarnação, como Deus-homem, segundo o credo católico, deu-se através de uma virgem e de um pai não biológico, como se o nascimento natural como o de qualquer outra criança do seu tempo, lhe pudesse ter subtraído algo à sua divindade. Ao mesmo tempo a igreja professa que Jesus foi verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Portanto, parece que a primeira grande questão que se porá ao próximo papa, mais que qualquer questiúncula doutrinária será, de facto, uma nova postura quanto à sexualidade. Tarefa muito difícil, para qualquer homem celibatário, com um voto de castidade que o impossibilita de ter, o conhecimento experimental, natural e legítimo,  da sexualidade num ambiente familiar baseado no amor. A igreja, perante os abusos sexuais do clero, terá de interrogar-se, sincera e humildemente, se continua a fazer sentido a obrigatoriedade do celibato eclesiástico e a proibição da ordenação das mulheres?!

Se continuar a defender o status quo, com meras palavras e desculpas ocasionais, sem assumir responsabilidades, como tem feito até agora, irá parar aos tribunais civis, e a tecnologia da comunicação instantânea, hoje disponível,  tornará possível assistir-se ao julgamento público da igreja. Já lá vão os tempos em que resolvia os problemas da sexualidade do clero com a imposição do silêncio obrigatório, orações penitenciais e fuga das tentações. Há já movimentação, a nível nacional e internacional para considerar crime contra a humanidade o abuso sexual de menores. E as responsabilidades da igreja católica, neste campo, abrangerão todos os níveis da hierarquia eclesiástica, da base à cúpula.

 Mesmo nos países mais conservadores e fieis às orientações do Vaticano, as revelações de abusos sexuais do clero começam a aparecer em catapulta, sem poupar nenhum continente ou país. Veja-se Portugal, terra de fé e de Fátima, onde há poucos dias, o próprio cardeal patriarca de Lisboa, agora em Roma para eleger o próximo papa, afirmava impávido à janela aberta do ecrã televisivo para que todo o mundo escutasse, que desconhecia qualquer abuso sexual do clero em Portugal!

Por isso o novo papa, seja ele liberal ou conservador, europeu ou africano, asiático ou americano, velho ou novo, não poderá ignorar o problema por mais tempo. É a credibilidade da igreja que está em causa, assim como a ofuscação de muitas outras obras meritórias que realizou nos seus dois milénios de existência.

Quem diria que a Igreja Católica, um dia, viria a ser julgada, em praça pública, sobretudo, a partir dos escândalos, abusos e crimes sexuais do clero, sendo o celibato eclesiástico, a pérola preciosa e sinal de distinção da igreja romana,

O primeiro grande teste do novo papa quanto à atualização da igreja passará pela reformulação da doutrina da sexualidade humana.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 13 de Março de 2013

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publicado por picodavigia2 às 01:19

INSÍGNIAS AUTONÓMICAS E FESTEJOS DO ESPÍRITO SANTO

Domingo, 26.01.14

Ontem, feriado na região, celebrou-se, aqui nos Açores, à mistura com os festejos em honra do Divino Espírito Santo, o dia dos Açores. Integrada nas celebrações deste dia, realizou-se, na cidade da Horta, uma sessão solene, presidia pela Presidente da Assembleia Regional, com o objectivo de homenagear quase quatro dezenas de cidadãos, na sua maioria naturais dos Açores, uns residentes nas ilhas outros dispersos pela diáspora e alguns já falecidos, a quem foram entregues as várias Insígnias Autonómicas da Região.

Há dias havia recebido, efusivamente, a notícia, de que um dos homenageados pela Assembleia Regional dos Açores era Monsenhor José Soares Nunes, meu professor no Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo e a quem devo grande parte da minha formação académica e humana. Ao humilde e carismático Monsenhor José Nunes seria atribuída, a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico dos Açores. Essa a razão pela qual decidi acompanhar a cerimónia, transmitida em directo pela RTP Açores.

Aguardei pacientemente que chegasse a ocasião de ser chamado o Dr José Nunes e ouvir ler o seu currículo. Os olhos encheram-se de lágrimas e o peito de emoção, ao ver aquele homem simples, humilde, bondoso e simpático, aquele amável, dócil, modesto e competente professor receber um galardão que com toda a justiça lhe foi atribuído pelo Parlamento Açoriano. Bem hajam os que tiveram a hombridade de o fazer.

No entanto a atribuição de uma outra Insígnia Autonómica de Reconhecimento, também me encheu de gáudio e contentamento. Foi a atribuída ao Seminário Episcopal de Angra, na altura em que celebra os 150 anos da sua existência. Nada mais justo e merecido.

Também homenageado foi o António José Cassiano, actualmente a paroquiar em São Miguel, Monsenhor Júlio da Rosa, um antigo aluno do Seminário de uma geração já posterior à minha e, a título póstumo, o padre José Simões Borges. Isto significa, em termos gerais, que das 37 Insígnias Autonómicas atribuídas pela Assembleia, seis dizem respeito directamente ao velhinho Seminário de Angra, o que é gratificante, pelo menos para quem, como eu, o frequentou durante doze anos. 

 

* * *

Hoje, aqui, na freguesia de São Caetano do Pico, celebra-se a festa em honra e louvor do Divino Espírito Santo. Para além da parte litúrgica, onde sobressaem a celebração da eucaristia, o terço cantado durante a semana anterior e a organização de procissões e cortejos, esta festa consubstancia a partilha da carne e do pão, outrora apenas junto dos mais pobres, hoje extensiva a todos. Este sentido de partilha tem um significado muito abrangente porquanto a ela estão ligados rituais e costumes ancestrais, geralmente relacionados com promessas feitas pelos antepassados em momentos de enorme angústia e aflição, em virtude de crises sísmicas, catastróficas, acontecidas na altura, durante as quais o povo solicitava o auxílio divino para travar as correntes de lava que arrasavam a ilha, destruindo habitações, povoados e culturas. Na realidade, os festejos em honra e louvor do Divino Espírito Santo constituem, na freguesia de São Caetano, como em toda a ilha montanha, uma genuína tradição, muito provavelmente trazida pelos primeiros povoadores e implementada com um cunho religioso e cultural muito forte, mantendo-se, ainda hoje, com rituais e celebrações muito semelhantes às dos tempos antigos, com destaque para um inusitado e interessante cerimonial em que o "imperador" leva, em procissão, a coroa, até à igreja, com a qual é “coroado”, no fim da missa. De realçar ainda a realização da chamada "função" que consiste, fundamentalmente, na participação colectiva num almoço de praticamente toda a população da freguesia que se senta, conjuntamente, à mesma mesa, saboreando as típicas e tradicionais sopas do Senhor Espírito Santo. Mas o que mais revela este sentido de partilha mútua e de comunhão recíproca das festas do Espírito Santo, é o facto de em São Caetano, como em todas as freguesias do Pico e até em alguns lugares da mesma freguesia, também se distribuir por todos os habitantes e pelos forasteiros massa sovada, no caso de São Caetano, sob a forma de rosquilhas.

 

Texto publicado no Pico da Vigia, em 21 de Maio de 2013.

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