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SILOGISMO

Sábado, 01.03.14

Na Filosofia Clássica ou Escolástica, define-se silogismo como um raciocínio dedutivo composto por duas proposições ou premissas, das quais nasce ou se conclui uma terceira: a conclusão. As proposições, por sua vez, são compostas por termos. As premissas do silogismo dispõem-se de modos e formas diferentes, dando origem ao chamado modo do silogismo. A posição de sujeito ou predicado que o chamado termo médio ocupa no argumento origina a figura do silogismo, a qual, obviamente, nem sempre é a mesma. Assim, considera a Filosofia Escolástica que existem quatro espécies de proposições, designadas pelas 4 primeiras vogais: A, E, I, O. Ao estruturar o silogismo, é possível combinar estas proposições de 64 formas diferentes. Destas combinações, no entanto, apenas 19 são válidas, sendo que as demais violam uma ou mais regras do silogismo. Estas 19 combinações distribuem-se nas quatro figuras do silogismo.

A primeira figura o termo médio ocupa a posição de sujeito na premissa maior e predicado na premissa menor. Assim se dissermos: Todos os homens são mortais Todos os portugueses são homens. Logo se conclui que: Todos os portugueses são mortais.

Nessa figura, os modos legítimos são: BAR-BA-RA (AAA); CE-LA-RENT (EAE); DA-RI-I (AII); FE-RI-O (EIO), nomes atribuídos pelo filósofo medieval, do século XII, Pedro Abelardo.

Na segunda figura, o termo médio ocupa a posição de predicado em ambas as premissas. Todo círculo é redondo. Nenhum triângulo é redondo. Logo nenhum triângulo é círculo. Nesta figura, os modos legítimos são: CES-A-RE (EAE); CAM-ES-TRES (AEE); FES-TI-NO (EIO); BAR-OC-O (AOO).

Na terceira figura, o termo médio ocupa a posição de sujeito nas duas premissas. Assim: Nenhum mamífero é pássaro. Algum mamífero é animal que voa. Algum animal que voa não é pássaro. Nessa figura, os modos legítimos são: DA-RAP-TI (AAI); FE-LAP-TON (EAO); DIS-AM-IS (IAI); BOC-AR-DO (OAO); DA-TIS-I (AII); FE-RIS-ON (EIO)

Na quarta figura, o termo médio ocupa a posição de predicado na premissa maior e de sujeito na premissa menor. Carlos é homem. Todo homem é mortal. Algum mortal é Carlos. Nesta figura, os modos legítimos são: BAM-A-LIP (AAI); CA-LEM-ES (AEE); DIM-A-TIS (IAI); FES-AP-O (EAO); FRES-IS-ON (EIO)

Todos os modos imperfeitos do silogismo, isto é, a segunda, terceira e quarta figuras, devem ser transformados em modos perfeitos da primeira figura, pois não respeitam a hierarquia dos termos.

Para que um silogismo seja válido, sua estrutura deve respeitar regras. Tais regras, em número de oito, permitem verificar a correção ou incorreção do silogismo. As quatro primeiras regras são relativas aos termos e as quatro últimas são relativas às premissas. São elas, em latim:

1.Terminus esto triplex: maior mediusque minorque.

2.Latius hos quam praemissae conclusio non vult

3. Nequaquam médium capiat conclusio oportet.

4. Aut semel aut iterum medius generaliter est.

5. Utraque si praemissae negat, nihil inde sequetur.

6. Ambae afirmantes nequeunt generare negantem.

7. Nil sequitur geminis ex particularibus unquam.

8. Peiorem sequitur semper conclusio partem.

 

A tradução poderá ser a seguinte

 

 1.Todo silogismo contém somente 3 termos: maior, médio e menor;

 2.Os termos da conclusão não podem ter extensão maior que os termos das premissas;

 3.O termo médio não pode entrar na conclusão;

 4.O termo médio deve ser universal ao menos uma vez;

 5.De duas premissas negativas, nada se conclui;

 6.De duas premissas afirmativas não pode haver conclusão negativa;

 7.A conclusão segue sempre a premissa mais fraca;

 8.De duas premissas particulares, nada se conclui.

 

Estas regras reduzem-se às três regras que Aristóteles definiu. O que se entende por “parte mais fraca” são as seguintes situações: entre uma premissa universal e uma particular, a “parte mais fraca” é a particular; entre uma premissa afirmativa e outra negativa, a “parte mais fraca” é a negativa.

Silogismos derivados são estruturas argumentativas que não seguem a forma rigorosa do silogismo típico mas que, mesmo assim são formas válidas.

 

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publicado por picodavigia2 às 19:49

A FEITICEIRA DO CORVO

Sábado, 01.03.14

Era uma vez um homem que regressava, sozinho, do mato, depois de um longo e cansativo dia de trabalho, já quase noite escura. Vinha cansado e carregando, às costas, um pesado molho de lenha. Vinha de longe, do Queiroal e atravessara veredas ingremes e sinuosas, saltando grotões e atravessando valados, até chegar ao Cimo da Rocha. Pensou descansar ali um pouco, mas cuidando que já era muito tarde, resolveu não parar, iniciando a descida. Degrau após degrau, volta atrás de volta, lá foi descendo com muita dificuldade. É que para além do cansaço e do peso que carregava, o caminho era muito íngreme e sinuoso. O escuro da noite ainda lhe dificultava mais a descida. Ao chegar à Furna do Peito, o cansaço já era tal que cuidava não poder continuar a descida e chegar a casa, por isso sentou-se à entrada da furna para descansar. Para entreter o tempo começou a falquejar um pau com a navalha. Era a única forma de se distrair e passar o tempo.

Estava ele entretido no falquejo, quando vinda não se sabe de onde apareceu uma galinha que, saltando por cima dele, entrou na furna e começou a andar de um lado para o outro e a ciscar na terra, esgravatando tudo ao redor do homem, que começou a ficar incomodado com a poeira que se levantado e muito admirado por ver uma galinha naqueles descampados. Passava por ali quase todos os dias, entrava frequentemente na furna e nunca vira uma galinha naquele local. Ela, porém, continuava a esgravatar o chão e a cacarejar sem parar e com insistência. Apesar de o homem a enxotar, ela não saía do pé dele. Já farto, de a ver e de a ouvir, tentou afasta-la, espetando-lhe a navalha.

De repente e para espanto do homem, ao ser picada, a galinha transformou-se imediatamente numa mulher nova e bonita mulher, que se apresentou na sua frente, completamente nua. Apanhado de surpresa, o homem ficou muitíssimo espantado e sem saber o que fazer. Quando recuperou a calma, o homem despiu o casaco que tinha vestido e colocou-o por cima da mulher, como forma de lhe tapar a nudez. A mulher, então, agradeceu-lhe e disse-lhe que era uma feiticeira e que precisava que ele a levasse com urgência até à sua ilha, o Corvo.

O agricultor tentou esquivar-se, dizendo-lhe que a não podia levar, pois tinha a família em casa, à sua espera e que além disso não tinha barco nem era homem do mar. Mas a feiticeira tanto insistiu e tanto lhe suplicou que o homem, compadecido, acedeu. Do mar e do barco havia ela de tratar. Ela pediu, então, que ele lhe pegasse ao colo e desse um passo para trás, mas sem olhar para nenhum lado. Apesar de estar cheio de medo e muito apreensivo, o homem queria ver-se livre da mulher e, por isso, fez o que ela lhe pediu.

Mal deu o passo para trás, olhando à sua volta, percebeu que já estava no Corvo. Aterrorizado e sem saber o que fazer, apenas perguntou:

- E agora? Como volto para as Flores?

Agradecida com o que lhe tinha feito e por a ter salvado, a feiticeira foi buscar um bocado de pano da loja de sua casa e disse que ele o segurasse e desse, novamente, um passo para trás, mas com os olhos fechados. Ele assim fez. Logo se encontrou nas Flores, junto à furna do Peito, onde se sentara para descansar. Era como se esta viagem de ir e vir ao Corvo tivesse acontecido num tempo que não correspondia ao tempo real, fosse uma espécie de sonho.

Assim que recuperou do acontecido, pôs-se logo a caminho de casa, esquecendo-se de deitar fora o pano que a feiticeira lhe tinha dado. Quando chegou a casa, a mulher começou a perguntar onde ele tinha buscar aquele pano com cheiro de mulher e quem lho tinha oferecido. Com medo de falar da feiticeira, o homem não quis contar o que tinha acontecido à mulher. Isto levou a grandes desconfianças e ciúmes por parte dela, que começou a dizer que ele tinha uma amante, levando ao divórcio algum tempo depois.

Esta estória correu pela freguesia e, para que nada de semelhante, voltasse a acontecer foi colocada uma cruz de madeira no interior da Furna do Peito, para afastar as feiticeiras e proteger do perigo os que ali se sentavam a descansar, nas suas idas e vindas para o mato.

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publicado por picodavigia2 às 17:15

MASCARADO DE BALOFO

Sábado, 01.03.14

O Guias adorava panquecas, sobretudo recheadas e comia-as, com muita frequência, deliciando-se e enternecendo-se. Como engordasse de dia para dia, a mãe senhora austera e de rígidos costumes, decidiu cortar-lhas do cardápio. Única e exclusivamente por um capricho maternal, o Guias nunca mais provaria sequer uma panqueca. E o Guias ficando sem as suas adoráveis e saborosíssimas panquecas, muitas delas recheadas com um pastoso creme de Maizena, às escondidas da mãe, virou-se aos dónutes. Era dónutes à noite, eram dónutes de manhã, ao almoço e ao lanche, dónutes a cada hora do dia, dónutes recheados, dónutes recobertos de chocolate e açúcar, dónutes simples, mas também eles muito saborosos e, consequentemente, muito apetecíveis. Comeu tantos dónutes, o Guias, que se transformou num belo e deslumbrante balofo. Tentava fazer uma contagem de todos os dónutes que comia por dia, mas era-lhe impossível. A mãe, admirada, por o Guias não reclamar das suas panquecas, começou a desconfiar. Mas nunca descobriu ou não quis descobrir o fio à meada. Assim quantos mais dónutes o Guias comia, mais dónutes desejava comer.

E quando a mãe, algum tempo depois, se apercebeu de que algo de anormal se passava, porque o Guias se transformara, se tornara volumoso, inchado e muito empolado de tantos dónutes comer e lhe perguntou por que estava assim, como fosse por altura do Carnaval, o Guias, simplesmente, explicou:

- Mascarei-me de balofo.

A mãe acreditou e o Guias continuou a comer muitos e saborosos dónutes, às escondidas da sua progenitora. 

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publicado por picodavigia2 às 11:43

GALINHA DE ENTRUDO

Sábado, 01.03.14

Na Fajã Grande, na década de cinquenta e anteriores, pelo Carnaval, era hábito na maioria das casas, mesmo nas mais pobres, matar uma galinha, escolhendo-se, entre todas, aquela que estivesse mais gorda e que, na altura, preferencialmente, não pusesse ovos. Destinava-se ao almoço da terça-feira de Carnaval, também designada por terça-feira Gorda ou do Entrudo. A maioria das vezes a galinha era simplesmente guisada, mas em muitas casas era guisada com recheio, noutras recheada e assada no forno, neste caso, depois de o ter utilizado para cozer o pão ou o bolo.

Rezam as crónicas que, para a galinha guisada, a receita era fácil. Morta e depenada a dita cuja, usavam-se os pés, as pontas das asas, o coração, o fígado, o sangue e, se os tivesse, os ovos que estavam à espera de serem postos, para fazer uma canja. A galinha era, então, partida em pedaços, temperada e rosada em banha de porco. Finalmente era guisada em tacho ou caldeirão de ferro, com muito tempero e com molho muito aromático que seria despejado sobre os inhames, a servirem de acompanhamento.

No caso da galinha com recheio, a receita era um bocadinho diferente e mais difícil de efectuar. Não havia canja, pois os miúdos da galinha, os ovos e o sangue eram usados para fazer o recheio.

A galinha era, da mesma forma, cortada em pedaços os quais eram colocados em vinha d’alhos para os temperar, durante algumas horas, de modo semelhante ao que se fazia para guisar. Depois de algum tempo em vinha-d’alhos, a fim de criar gosto, fritavam-se os bocados da galinha, em lume brando (de preferência dentro da panela em que havia de ser cozinhada no final), até ficarem louros. Na gordura que sobrasse, refogava-se a cebola até ganhar transparência. Fazia-se o refogado, juntavam-se os pedaços da galinha e, de seguida, a marinada que sobrara do tempero e a água julgada necessária para cozer a galinha.

Para o recheio, cortavam-se os miúdos aos bocadinhos, embebia-se pão em leite quente e amassava-se. À parte, picavam-se a cebola e os dentes de alho que se refogavam em banha, sem deixar alourar muito. Misturavam-se os miúdos picados e deixava-se apurar. Acrescentava-se o pão amassado no leite, ovos cozidos picados e os temperos julgados necessários, sem esquecer muita salsa bem picada. Deixava-se apurar mais um pouco. Depois de pronto, retirava-se do lume, deixava-se arrefecer um pouco e acrescentavam-se ovos crus, para ligar. Envolvia-se o recheio num pano branco, não muito tapado, cosia-se o pano com agulha e linha e colocava-se este preparado no tacho, sobre a galinha, depois de o molho ter diminuído um pouco, para que não entrasse em contacto com o recheio. Tapava-se o caldeirão e deixava-se cozer. Servia-se o recheio cortado às fatias e os pedaços de galinha, acompanhado de inhames ou batata-doce.

Quem eventualmente tivesse acendido o forno nesse dia, aproveitava o calor do forno para assar a galinha mas, neste caso, não a partia. Limpava-se e lavava-se muito bem o interior da galinha e coloca e colocava-se o recheio lá dentro, cosendo-se a pele com um fio, para que o mesmo não saísse com o calor.

Esta galinha com recheio ou simplesmente guisada, também costumava ser um prato típico do Domingo de Páscoa e da noite de Natal, por vezes, acompanhada de massa sovada. No Carnaval, era muito boa acompanhada com filhós frescas.

 

 

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publicado por picodavigia2 às 10:30

PESO DO TRABALHO

Sábado, 01.03.14

“ Leve é o trabalho quando repartido por todos.”

 Homero

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publicado por picodavigia2 às 09:30





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