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SONHO MATERNAL

Sexta-feira, 14.03.14

Julguei-me em teu regaço a descansar,

Como fiz, tantas vezes, em criança,

E teu sublime amor reconquistar,

Num beijo de ternura e d’esperança.

 

Senti-me navegar em segurança,

E num berço d’espuma me embalar,

Sonhando que teu ser também alcança,

O amor que do meu vejo evaporar.

 

E ouvi, porque, baixinho, me dizias:

- Descansa em meu regaço, confiante,

Porque te amo, meu filho! - Radiante,

 

Julguei, ó minha mãe, que ainda vivias,

Que eras o sol, o amparo de meus dias!

Foi em vão que sonhei!... Foi um instante!

 

Angra, 1966

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publicado por picodavigia2 às 23:57

NAUFRÁGIOS SÃO LIÇÕES

Sexta-feira, 14.03.14

“Naufrágios são lições.”

 

Apesar de sucinto, este adágio muito utilizado na Fajã Grande, continha uma máxima mundial: A experiência é a mestra da vida.

Era simplesmente isto que com ele se queria significar, por isso era vezes sem conta repetido, sobretudo aos mais jovens e inexperientes. Sempre que cometermos um erro ou fizermos algo mal, não devemos recriminarmo-nos, mas sim aprender com os erros. Os adultos repetiam-nos a si próprios, a fim de se motivarem a não repetir algo que lhes corresse mal.

Logicamente que a criação deste adágio e a sua frequente utilização, teria a ver com um fenómeno muito frequente na Fajã Grande, ou seja, o número bastante grande de acidentes que ocorriam nos mares, baixios e escolhos que rodeavam a freguesia, o maior dos quais foi o da Bidarta, acontecido em 1915.

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publicado por picodavigia2 às 15:22

ATENA

Sexta-feira, 14.03.14

Atena, deusa da guerra, da civilização, da sabedoria, da estratégia, das artes, da justiça e da habilidade, era filha de Zeus e de Métis, sendo esta a primeira esposa de Zeus e uma espécie de personificação da prudência.

Certo dia, Zeus foi, antecipadamente, avisado por Gaia e Urano, a primeira personificando a Terra e o segundo o Céu, de que a filha que havia de nascer de Métis seria mais poderosa do que que ele próprio e que assim corria o risco de ser destronado. Para evitar tal agravo, Zeus recorreu a um estranho estratagema, através do qual, antecipando-se a Médicis, fez com que a filha fosse gerada no seu próprio ventre e não no da esposa. Assim, Atena foi dada à luz da cabeça do seu pai, junto às margens do rio Tritão, nascendo completamente adulta e, além disso, armada. Mas antes de Atena nascer, Zeus sentiu uma enorme e insuportável dor de cabeça, pelo que pediu a Hefestos, deus do ferro, que lhe abrisse o crânio com um machado, a fim de que conseguisse parir a própria filha.

Atena tornou-se, por tudo isto, a filha bem-amada de Zeus que a sentou, no Olimpo, à sua direita, tornando-a sua conselheira e, algum tempo depois, permitiu que ela conduzisse a carruagem de Diomedes, provocando, no entanto, alguns distúrbios dramáticos: feriu Ares, matou Ajax e provocou a guerra entre gregos e troianos. Além disso, Atena também teve uma actuação indirecta na captura de Paládio pelos gregos, o que acabou por provocar a queda de Tróia.

Atenas teve um relacionamento profundo com Aquiles e favoreceu-o na luta contra Agamémnon, por um lado aconselhando-o a que moderasse a sua fúria e, por outro, colaborando com ele na morte de Heitor. Mas o principal e mais importante relacionamento de Atena foi com Aquiles, de quem se tornou amiga predilecta e protectora durante a sua longa e atribulada viagem de regresso a Ítaca, ajudando-o a libertar-se dos embustes da feiticeira Circe. Quando Aquiles, finalmente, chegando a casa, se entregou ao desalento porque ninguém o reconheceu, a não ser o seu cão Argos, a deusa tornou-se sua íntima confidente, amparando-o e consolando-o. Atena aceitou apoiar Ulisses e ligar-se, perpetuamente, a ele, porque o considerava o mais valente e o mais astuto dos mortais, enquanto ela era a mais sábia e a mais engenhosa das divindades. Também favoreceu Telémaco, filho de Ulisses, disfarçando-se de Mentor, aconselhando-o a ir informar-se sobre o destino de seu pai, profetizando que ele em breve estaria de volta e, mais tarde, instruindo-o sobre a maneira como havia de agir contra os malévolos pretendentes que se aproximavam e provocavam a sua mãe, Penélope. Sob o mesmo disfarce apresentou-se diante daqueles predadores de viúvas, no momento da peleja final, incitando Ulisses a lutar contra eles. Transformando-se em andorinha, desviava as lanças dos impostores e guiava, com pontaria certeira, as de Ulisses.

Foi Atena que vestiu Pandora com um manto de prata e um maravilhoso véu bordado, pondo-lhe na cabeça uma grinalda de flores e uma coroa de ouro, tornando-se aliada de Zeus na luta contra os Titãs e, mais tarde, contra os Gigantes.

Quando Cécrops se tornou rei da Ática, os deuses olímpicos decidiram repartir o reino a fim de estabelecerem os seus cultos nas várias cidades. Posídon chegou primeiro à capital recém-fundada e, com seu tridente, feriu o solo da Acrópole, de onde brotou uma fonte de água salgada. Atena apareceu depois dele, mas reivindicou a posse da cidade, plantando ali a uma oliveira. Ambos iniciaram uma disputa, e Zeus designou como árbitros os outros deuses. Atena foi declarada vencedora porque a oliveira foi considerada mais útil para os humanos do que a água salgada. Assim a deusa assumiu a tutela da cidade e emprestou-lhe o seu nome. Mais tarde Atena foi encomendar armas a Hefestos, mas este, tomado de paixão pela deusa, tentou seduzi-la. Ela rejeitou-o, mas Hefestos não desistiu e ejaculou sobre a sua coxa. Atena limpou o sémen e, enojada, arrojou o pano que usara sobre Gaia, a Terra que, em segredo, gerou um filho com o sémen rejeitado, a quem pôs o nome de Erictónio, tornando-o imortal. De seguida, colocou-o dentro de um cesto, que confiou aos cuidados de um filho de Cécrops, Pandroso, mas proibiu-o de olhar o conteúdo. As irmãs de Pandroso, vencidas pela curiosidade, abriram o cesto mas ficaram horrorizadas ante a visão, por quanto, lá dentro, envolvendo o bebé, estava uma serpente.

Atena ainda enriqueceu o seu excelso e deslumbrante currículo, participando num concurso de beleza, juntamente com Afrodite e Hera, tendo como juiz Páris. Hera, furou o sistema, subornando Páris, garantindo-lhe o domínio sobre todos os reis da terra e a vitória em todas as guerras em que se envolvesse, se ela fosse a escolhida. Mas foi Atena quem acabou por vencer o concurso, sendo proclamada a mais bela.

Vários personagens míticos foram punidos por Atena em consequência de profanações e ultrajes à sua divindade, entre os quais Ajax Menor, o filho de Oileu, príncipe da Lócrida, por ter violado Cassandra, dentro do santuário da deusa. Atena não gostou da profanação e castigou-o severamente: o seu barco, atingido por um raio, naufragou e o seu povo foi assolado por uma praga, sendo obrigado a expiá-la ao longo mil anos, durante os quais os locridenses foram obrigados a enviar, anualmente, duas donzelas para serem sacrificadas pelos troianos. Também Auge, sua sacerdotisa, maculou o seu santuário, na Arcádia, pelo que Atena castigou aquela região, tornando-a infértil até ao dia em que o rei decidiu expulsar dali a devassa e impudica sacerdotisa, vendendo-a como escrava. Pelo mesmo motivo mandou que Tideu matasse Ismene, princesa da Beócia. Mas não ficaram por aqui as punições de Atena aos facínoras e prevaricadores. Ilus foi cego pela deusa por ter destapado a estátua de Paládio, cuja contemplação era vedada aos mortais, Aracne foi transformada em aranha por ter ousado desafiar a própria deusa numa competição de bordados e Mérope foi transformado em coruja, simplesmente, por ter ridicularizado os olhos cinzentos da deusa e zombado dos outros deuses. Atena ainda enlouqueceu Aias Telamânios por ameaçar matar os líderes gregos durante a Guerra de Tróia, matou Laoconte e seus filhos, enviando duas serpentes marinhas para os estrangulr, a fim de impedir que ele revelassem aos troianos o segredo do Cavalo de Tróia e fez desabar uma terrífica peste sobre a Arcádia porque seu príncipe Teutis, a ferira, acidentalmente. Foi Atena que transformou Medusa num monstro, simplesmente por se ter considerado mais bela do que ela e, posteriormente, ajudou Perseu a matá-la, fixando a cabeça da górgona no escudo do jovem, com o qual aterrorizava os seus inimigos.

Mas Atena também se revelou benevolente e generosa. Para evitar que Corónis, princesa da Fócida, fosse violentada por Posídon, transformou-a num corvo. Para proteger Nictímene de destino semelhante metamorfoseou-a em coruja, tomando-a como o seu animal simbólico. Ajudou Argos, artesão de Iolco, a construir um navio com o seu nome e que conduziu os Argonautas e deu a beber o sangue da Medusa a Asclépio, a fim de que ele aumentasse os seus poderes curativos. Na área da educação, ensinou a Dédalo a arte da construção, ajudou Dánao a fabricar um barco para fugir da Argólida com as suas cinquenta filhas, a fim de, mais tarde, as purificar através do assassinato dos seus maridos, inspirou o carpinteiro Epeios para que construísse o Cavalo de Tróia, ensinou a Eurínome a arte da tecelagem e concedeu-lhe a sabedoria, conseguindo para ela também um bom esposo e também ensinou às filhas de Coroneu e às de Pândaro a arte da tecelagem. Foi Atena que restituiu a vida a Perdix, sobrinho e pupilo de Dédalo, sob a forma de um faisão, como recompensa pelas invenções que havia transmitido à humanidade, cegou Tirésias por ele a ter visto nua enquanto se banhava, mas compensou-o concedendo-lhe o dom da profecia, deu dentes de dragão a Eetes, rei da Cólquida, e a Cadmo, rei de Tebas, para que eles dessem origem a uma valente raça de guerreiros e disponibilizou ajuda a Hércules, no difícil cumprimento dos seus Doze Trabalhos. Atena ainda foi a grande auxiliadora dos gregos na Guerra de Tróia e em particular ajudou Aquiles e Ulisses e colaborou com Belerofonte a capturar o cavalo alado Pégaso, instruindo-o e dando-lhe uma rédea especial, de ouro, para que ele o pudesse domar.

Atena, para além de forte, justa e bela, era dotada de uma profunda sabedoria e conhecia todas as artes e estratégias, levando a bom termo todos os seus propósitos. Por isso é que foi sempre, universalmente, respeitada e admirada.

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publicado por picodavigia2 às 14:07

PALAVRAS INVENTADAS

Sexta-feira, 14.03.14

“Nós não somos do século de inventar palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.”

Almada Negreiros

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publicado por picodavigia2 às 08:47





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