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RUI DE MENDONÇA

Segunda-feira, 17.03.14

Rui de Mendonça nasceu em Santa Cruz, Graciosa, a 27 de Abril de 1896 e faleceu nas Velas, S. Jorge, em 30 de Janeiro de 1958. Após a instrução primária na Graciosa, fixou-se na ilha Terceira onde concluiu os estudos liceais. Não lhe sendo possível frequentar uma Universidade no Continente, conclui o Magistério Primário na Horta, ilha do Faial. Durante largos anos dedicou-se ao ensino que acumulou com a carreira de advogado provisionário. A sua paixão pelo mar levou-o a explorar uma armação baleeira que, nas Velas, constituiu importante pólo de actividade social e económica.

Republicano convicto, desenvolveu actividade política, batendo-se sempre pelos valores da liberdade e da democracia. Foi Delegado da Junta Revolucionária na ilha de S. Jorge, o que lhe valeu a perseguição pelo regime saído do governo de 1928. Fracassada a tentativa de derrubar a ditadura de Salazar, através de um golpe que abortaria antes da hora marcada, Rui de Mendonça foi exonerado do cargo de professor primário e preso e deportado para o Castelo de S. João Baptista, na ilha Terceira.

Escreveu algumas peças de teatro e destacou-se como poeta romântico-parnasiano. As suas poesias, dispersas por jornais e revistas, foram postumamente reunidas num volume com o título geral de Poemas. Os seus versos, sinceros e sentidos, denotam influência de Guerra Junqueiro e Antero de Quental, e são atravessados por um romantismo espontâneo e por um sentimentalismo marcadamente insular. Também se dedicou ao jornalismo, sustentando polémicas e discutindo problemas locais e regionais, bem como questões de ordem cultural e pedagógica. Usou o pseudónimo de Jayme Velho. No dia 9 de Junho de 1989, foi condecorado, a título póstumo, com o Grau Oficial da Ordem da Liberdade pelo então Presidente da República, Mário Soares. A sua obra literária mais importante, a nível do teatro é A Flor da Serra.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

 

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publicado por picodavigia2 às 20:02

MARÇAGÃO

Segunda-feira, 17.03.14

“Março, marçagão, de manhã focinho de cão e à tarde sol de verão.”

O mês de Março, na Fajã Grande, como em muitas outras localidades do país, por vezes, tinha alguns dias muito inclementes, desabridos e ásperos sob o ponto de vista meteorológico e, por isso, o povo resolveu chamar-lhe Marçagão. No entanto, neste mês, era muito vulgar acontecer que pela manhã o tempo estivesse mau e à tarde houvesse bonança e uma consequente tarde de sol. Daí a utilização, na Fajã Grande, na década de cinquenta e outras, deste adágio, aliás muito utilizado em Portugal e, provavelmente, trazido pelos primeiros povoadores.

Nalgumas regiões do país, o adágio tem uma outra variante, uma vez que o contrário meteorológico podia acontecer, ou seja, sol reinava durante a manhã e a chuva impunha-se, impávida e irritante, à tarde - Março marçagão, de manhã canta o cuco, à noite uiva o cão. Embora esta situação meteorológica também fosse frequente na mais ocidental localidade portuguesa, ou seja na Fajã Grande, esta versão não era utilizada, talvez porque a Primavera ali, não era anunciada pelo canto destes simpáticos e desejados parasitas que nas suas viagens migratórias entre a Península Ibérica e a África não faziam escala nas Flores..

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publicado por picodavigia2 às 17:24

NOITE DE MÚSICA E POESIA

Segunda-feira, 17.03.14

Uma geração destas, modéstia a parte - mas é o que todos dizem - não podia deixar os seus créditos por mãos alheias… E vai disto! Resolve recriar os saraus músico-literários, de outrora, em honra de são Tomás de Aquino. Precisávamos de música e poesia. E foi tão fácil arranjar uma e outra. Então não é que temos ali mesmo à mão um punhado de maestros de excelente qualidade, com formação superior e uma experiência assinaláveis: o José Luís, o José Carlos, o Carlos Sousa e outros. Músicas: Coro dos Hebreus,Veni Creator, Adoro Te, Maldita, Ernani, etc. No fim, o hino que os novos também sabem cantar. Nesta altura, segredou-me o José Luis, de batuta em riste: “ Isto agora está quase como in illo tempore…” Também não foi difícil descobrir poetas e escritores, que os há nesta “ínclita geração” e de grande qualidade: Coelho de Sousa, José Enes, Artur Goulart ,Álamo, Oliveira, Onésimo, José Costa e Urbano Bettencourt. José Enes foi declamado pelo Onésimo e Artur Goulart pela Leonor, enquanto a Eduarda (esposa do Gualter) leu um texto do Urbano. Por sua vez, Carlos Sousa leu poemas de Álamo Oliveira, João Carlos de José Costa e este de Onésimo. A mim coube-me escolher e declamar um poema de Coelho de Sousa. Aqui o registo:

 

TORMENTO

 

 Saudade

 Não te vás embora.

 

Eu sei que tu presente és um tormento,

 Mas és maior tormento quando ausente.

 

Hás-de fazer do meu olhar um rio.

 - E todo o rio vai bater ao mar.

 

Eu tenho no meu peito um mar sem horizontes…

 Se há nele tardes de finados cor de chumbo,

 

Também há manhãs de Páscoa esplendorosas.

 E sempre em todo o mar há uma vela branca

 Aonde o amor divino anda embarcado.

 

Saudade, embarca no meu peito…

 … E não te vás embora.

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publicado por picodavigia2 às 08:54

A QUARESMA ANTIGAMENTE

Segunda-feira, 17.03.14

Na década de cinquenta e anteriores, na Fajã Grande, como de certo em muitos outros lugares das Flores e dos Açores, a população vivia a Quaresma, ou seja, o período de tempo entre Quarta-feira de Cinzas e o Domingo de Páscoa, com bastante intensidade, sentido de sacrifício e penitência. A palavra Quaresma vem do Latim quadragésima, e significa espaço de quarenta dias. Como noutros casos, entre os cristãos, o número 40 é carregado de grande simbolismo. Entre outros significados, pode entender-se como um período de preparação por causa de um grande acontecimento, ou de descanso depois de uma grande actividade, usando-se, frequentemente a expressão “está de quarentena”. No Antigo Testamento, o dilúvio durou 40 dias e 40 noites e 40 anos foi, também, o tempo que passou o Povo de Israel no deserto, preparando-se para entrar na Terra Prometida. Os habitantes de Nínive fizeram 40 dias de penitência antes de receber o perdão de Deus, 40 dias esteve Moisés e Elias na montanha e Jesus passou 40 dias no deserto.

Cuida-se que a instituição litúrgica da Quaresma tal como chegou ao século XX, foi organizada em Roma, na segunda metade do século IV. Era o grande período em que toda a Igreja fazia penitência e se purificava a fim de preparar a Páscoa.

O que na Fajã Grande mais caracterizava estes quarenta dias, era ser um tempo de jejum e penitência. As orientações da igreja, na altura, eram claras e o povo, no geral, cumpria-as a rigor. O jejum consistia na privação total ou parcial de ingestão de alimentos. Havia uns que comiam pouco e apenas em três vezes ao dia, pese embora, em muitos casos isto acontecesse todo o ano, dada a pobreza geral em que a população vivia. Por sua vez a abstinência consistia em não comer carne em todas as sextas-feiras da Quaresma. O jejum e a abstinência eram impostos, principalmente, como forma de sacrifício - a quem já fazia tantos sacrifícios - mas também como uma maneira de se educar, de ir percebendo que, o ser humano o que mais necessitava era de penitência a fim de conseguir as benesses de Deus, nomeadamente o perdão dos pecados e um lugar no Paraíso. Quem não cumprisse pecava, pelo que devia confessar estes pecados. Oficialmente, o jejum devia ser guardado apenas pelos cristãos baptizados, com a idade entre 18 e 60 anos, e em dois dias da Quaresma: na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Por sua vez a abstinência devia ser guardada nestes dias e em todas as sextas-feiras da Quaresma.

O pároco, nesta altura, vendia as “bulas” e “indultos”, segundo as quais, mediante o pagamento de certa importância por pessoa, ficavam estas desobrigadas, isto é, poderiam comer carne na Quaresma e em todas as sextas-feiras do ano excepto nas da Quaresma. Quem não pudesse pagar esta “penitência” só tinha que cumprir, da outra forma, os preceitos de  bom cristão: Não comer carne na Quaresma e em todas as sextas-feiras do ano.

Na igreja havia vários indicadores de que a Quaresma era um tempo de penitência. Para além de se usar a cor litúrgica do roxo, não se colocavam flores nos altares e, nas duas semanas antes da Páscoa, os santos eram tapados com panos pretos, o que tornava a Quaresma um tempo feio, triste, escuro e difícil de compreender. A realização da Festa do Senhor dos Passos, na Fajã Grande, no segundo domingo da Quaresma, tornava tudo mais triste, mais negro e mais medroso. Era a imagem do Senhor, sentado na pedra e coroado de Espinhos. Na Quaresma ainda era obrigatória a confissão e a convite do pároco vinham outros sacerdotes, para ajudar a fazer alguns dias de pregação e oração e ajudar no confesso.

A cor litúrgica deste tempo é o roxo que simboliza a penitência e a contrição. Usava-se no tempo da Quaresma e do Advento, para lembrar a tristeza e a dor, sendo que na altura nos funerais era utilizado o preto.

As celebrações da Semana Santa começavam no Domingo da Paixão, quinze dias antes da Páscoa, dia a partir do qual os santos eram tapados. Seguia-se o Domingo de Ramos, com a respectiva procissão, representando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Os ramos, eram benzidos na Casa do Espírito Santo de Cima, seguindo-se uma procissão até à igreja. Simbolizam-se com eles, geralmente de alecrim, a paixão e morte do Senhor.

Era também durante a Quaresma, às terças e sextas-feiras, geralmente após se fazer a Via-Sacra, ao romper da noite, que um grupo de homens subia o Outeiro e, ajoelhados, junto à cruz, quer chovesse, quer ventasse, ajoelhava, entoando cânticos e impropérios diversos e prolongados. As suas vozes, ecoando nas encostas dos montes, ressoavam e repercutiam-se sobre os velhos telhados dos casebres. Simultaneamente, em todos os lares, famílias inteiras ajoelhavam também e, em convicta e comunitária oração, uniam-se às preces dos cantores, suplicando perdão para os delituosos e pecadores e beneficência para os infelizes e sofredores.

A Quaresma, na Fajã Grande, terminava com a celebração da Páscoa, nomeadamente com a missa, durante a qual, ininterruptamente, se cantava o “aleluia” e era preparada com duas semanas e meia de uma espécie de pré-Quaresma, durante as quais os domingos eram denominados por septuagésima, sexagésima e quinquagésima.

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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