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UM MAR DE ISOLAMENTO

Quarta-feira, 23.04.14

A freguesia da Fajã Grande ocupava, juntamente com a Fajãzinha, um ampla fajã delineada a Oeste pelo mar e a Norte, a Leste e a Sul por uma altíssima rocha que a separava do resto da ilha, isolando-a das restantes freguesias e das duas vilas – Santa Cruz e Lajes. O isolamento era tal que até as deslocações à freguesia mais próxima, a Fajãzinha, sobretudo no Inverno, tornavam-se bastante difíceis e por vezes impossíveis. Era necessário atravessar Ribeira Grande, muito larga, sem ponte e com um caudal fortíssimo. As margens ligavam-se por uma fila de enormes calhaus, mais ou menos alinhados, alguns ali colocados pela natureza outros pelos homens, relativamente próximos uns dos outros. Chamavam-se “passadeiras”. Quem se aventurasse a atravessar a ribeira, teria que o fazer saltando de calhau em calhau, o que, por vezes e para os menos afoitos, provocava escorregadelas que, para além do susto, encharcavam uma boa parte da roupa. Os animais atravessavam-na a pé ou a nado. A ribeira, no entanto, não dificultava apenas as deslocações à Fajãzinha. Era por ali também que se ia às vilas ou às outras freguesias. Apenas para Ponta Delgada se virava a Norte, subindo a rocha da Ponta, percorrendo um sem número de atalhos e veredas, muitas vezes saltando tapumes e atravessando relvas para encurtar caminho. Para os Cedros a as viagens eram ainda mais difíceis mas muito raras.

Todas estas deslocações para além de muito difíceis eram também demoradíssimas. As ligações por mar não existiam.

O isolamento era total, absoluto e permanente.

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publicado por picodavigia2 às 22:43

LUIZA DE MESQUITA

Quarta-feira, 23.04.14

Luíza de Mesquita nasceu na Horta, em 1926 e faleceu no Rio de Janeiro, em 2002. Concluídos os estudos secundários no Liceu da Horta, frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, iniciando o curso de Filologia Românica, que completou Paris. Foi funcionária da embaixada norte-americana na capital portuguesa durante oito anos, em 1972 transitou para o Brasil, onde exerceu, no Rio de Janeiro e naqueles serviços diplomáticos, o cargo de assistente cultural.

O seu primeiro livro de poesia, Ondas de Maré Cheia, teve o melhor acolhimento junto da crítica brasileira. Seguiram-se Mar incerto, Areias Movediças, Tempo de Mar, Tempo de Amar, Caminhos de Mar, Bateau de papier, Cantigas de Mar e Bem-Querer, Mar de Sempre Açores e Ciclone.

São três os pilares fundamentais da poesia: o mar, o amor e a saudade. Em versos sensuais e apaixonados, que fluem em ritmo encantatório, a poetisa de Luiza de Mesquita celebra o mar – o mar das ilhas - ligado à infância enquanto paraíso irremediavelmente perdido e o seu mar interior – símbolo de um desejo pressentido e de um amor em busca da sua plenitude. Dai a navegação dos corpos que, em viagem erótica, procuram a felicidade perdida. Eis uma poesia marítima, telúrica, vigorosa e uterina. De uma sinceridade total e de uma espontaneidade absoluta.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

 

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publicado por picodavigia2 às 14:00

A VIDA

Quarta-feira, 23.04.14

A vida duma pessoa não é o que lhe acontece, mas aquilo que recorda e a maneira como o recorda.

Gabriel Garcia Marquez

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publicado por picodavigia2 às 13:37

RITINHA

Quarta-feira, 23.04.14

Ela chega todas as manhãs, às vezes, antes do nascer do Sol! Traz consigo o brilho inebriante do astro-rei, o sorriso das estrelas adormecidas, o sabor da aurora debutante, a ternura das madrugadas florescentes. É uma dádiva celeste, um dom sublime, um encanto maravilhoso.

Assinala-a um meigo sorriso, envolve-a um abafado desejo, asperge uma terna vontade de ficar, de estar, de saltar para o meu colo e agarrar-se a mim com ambos os bracitos, como se tivesse medo de eu me evaporar.

Depois despede-se dos que partem: uns para a escola, outros para o trabalho, todos para a vida. Há, ali, escondido naquele olhar meigo e brilhante um misto indeciso, uma vontade partilhada, um não saber se ir ou se ficar. Fica! Não tanto por opção mas mais por imperativo de quem lhe cerceia o destino.

Depois sobe… O elevador parece que a distrai e desperta mais… Se os outros carregam no botão que lhe impinge o subir e o abrir da porta, por que não há-de ela carregar. Novamente os imperativos dos adultos a cercear desejos inocentes, vontades espontâneas.

Espera-a a caminha e o leitinho quente/morno, que a temperatura, naturalmente, tem que ser bem doseada, assim como o conteúdo. No meu colo suga, com suavidade e apetite, o biberon. Canto e embalo. A ternura atinge o epicentro: Junto ao berço, pequenino, Sonha mãe carinhosa, Sonho belo e divino… O encanto metamorfoseia-se em desvelo. É a sublimidade suprema.

Depois, deposito-a no bercito, ao lado da Quitinha, a que há muito se agarrara e ao peluche… Pouco depois, adormece…

Agora dorme, que regá-lo! Deixá-la dormir. Apetece-me reler o poema de António Nobre O Sono do João, e transcrever alguns excertos do mesmo:

O João dorme... (Ó Maria,

 Dize àquela cotovia

 Que fale mais devagar:

 Não vá o João, acordar...)

 

 Tem só um palmo de altura

 E nem meio de largura:

 Para o amigo orangotango

...

O João dorme... Que regalo!

 Deixai-o dormir, deixai-o!

 Calai-vos, águas do moinho!

 Ó mar, fala mais baixinho...

 E tu, Mãe! e tu, Maria!

 Pede àquela cotovia

 Que fale mais devagar:

 Não vá o João, acordar...

 

Ó Mãe, canta-lhe a canção,

 Os versos do teu irmão:

Na Vida que a Dor povoa,

 Há só uma coisa boa,

 Que é dormir, dormir, dormir...

 

 E tu vê-lo-ás crescendo

 A teu lado (estou-o vendo

 João! Que rapaz tão lindo!)

 Mas sempre, sempre dormindo...

 

 Mas para isso, ó Maria!

 Dize àquela cotovia

 Que fale mais devagar:

 Não vá o João, acordar...

 

António Nobre, in 'Só'

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publicado por picodavigia2 às 10:21

MENINA COM PAPAGAIO

Quarta-feira, 23.04.14

(PEDRO DA SILVEIRA)

 

Ainda na sua mão

que lhe dirá o barbante

de como se vê o mundo

com os olhos do vento?

 

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publicado por picodavigia2 às 09:25





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