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LITANIA DO MAR

Sexta-feira, 02.05.14

Mar,

brejo incomensurável

de ondas e cachões d’espuma,

-  rochedos de lava, areais de prata.

 

Mar,

refluxo azulado

de naufrágios e horas amargas ,

- barcos perdidos, horizontes vermelhos.

 

Mar,

reboliço voluptuoso

de marés incontidas e de ondas abruptas

 - varadouros de rilheiras carcomidas

 

Mar,

estância sufocada

de algas murchas,  arrancadas aos rochedos

 - gaivotas escorraçadas em cio

 

Mar,

poema  estraçalhado

escrito por quilhas, rimado por remos

 -  quadras e sonetos sem versos.

 

 

Mar,

castelo solitário,

tabernáculo de sereias, cubículo piratas

- sonhos desenhados em brisas dispersas.

 

Mar

aconchego agreste

de brumas, tempestades e caligens,

 - epicentro de viagens perdidas.

 

Mar

de palavras debruadas a prata  

lembranças, de sonhos e desejos de sol

 - canto dolente, cio de liberdade.

 

Mar

hino inacabado

de estigmas e de lágrimas derramadas,

- percursos perdidos, destinos incertos

 

Mar

das madrugadas infinitas

onde a voz do vento embala e entontece

- as velas que partem sem destino. 

 

Mar

cais abandonado

onde o voo das gaivotas rompe a solidão:

-  a hora do embarque foi adiada

 

Mar

gesta inacabada

do pão, da morte, da vida e da saudade

- esperança paramentada de amargura.

 

Mar

roteiro da grande viagem

onde, no acordar de cada madrugada,

 - me vejo, revejo e me encontro comigo

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publicado por picodavigia2 às 18:16

JOÃO PATETA

Sexta-feira, 02.05.14

(CONTO POPULAR)

 

Há muito, muito tempo havia um   rapaz chamado João que vivia com a sua mãe numa pequena cabana na floresta...   Como eram muito pobres, a mãe do João tinha de trabalhar muito, a costurar e   a remendar roupa. E o João o que fazia? Nada! Durante o Inverno, era vê-lo   sentado em frente ao quentinho da lareira. Já no Verão, o que ele gostava era   de se sentar lá fora, no jardim, a apanhar Sol na cara. E era assim que ele   passava os dias…

Certo sia, a mãe, farta de ver   que ele, nada fazia, disse-lhe:

- Quem não trabuca, não   manduca! Tens de começar a trabalhar, João!

E lá foi ele… O primeiro   emprego que o João arranjou foi em casa de um lavrador, que lhe deu uma moeda   por um dia de trabalho no campo. João colheu o trigo, levou as vacas a pastar   e ainda deu de beber aos animais da quinta. O lavrador, muito satisfeito, deu-lhe   a recompensa prometida. Só que, já a caminho de casa, João tropeça e deixa   cair a moeda num pequeno ribeiro. Como é que ele ia contar à mãe o que lhe   tinha acontecido?

- És um tonto, João! Um cabeça   no ar! Então porque é que não guardaste a moeda no bolso?

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

No dia seguinte, João foi   contratado por outro lavrador para levar o rebanho a pastar às montanhas. E   assim foi… Só que, em vez de receber uma moeda, João ganhou um grande jarro   de leite fresco, acabadinho de sair da vaca. “Mas onde é que eu vou levar o   jarro de leite? Já sei, no bolso…” E lá foi ele para casa, com o jarro no   bolso. Mas, enquanto andava, o leite ia caindo no chão. Resultado: o João   chegou a casa sem leite nenhum para dar à mãe. Esta ficou espantada:

- Então não sabias que devias   trazer o jarro com o leite à cabeça?

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

Mais um dia de trabalho e mais   uma recompensa: desta vez foi um queijo amanteigado.
  Tal como a sua mãe lhe tinha indicado, João decidiu levar o queijo à cabeça.
  Só que, com o calor, o queijo acabou por derreter…

- Mas João, porque é que não   trouxeste o queijo na mão?

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

No dia seguinte, João foi   ajudar o padeiro da aldeia a preparar o pão. E recebeu em troca um belo gato…   Todo contente, João segurou o animal entre as mãos, caminhando  na direcção de casa. Mas, como o gato era   muito irrequieto, acabou por saltar-lhe das mãos e fugir. João ainda correu   atrás dele, mas o gato era muito mais esperto e escondeu-se entre o mato. A   mãe nem queria acreditar…

- Sabes o que é que devias ter   feito? Devias tê-lo atado com um cordel e arrastado atrás de ti.

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

O talho foi o sítio que João escolheu   para trabalhar, no dia seguinte… Depois de uma manhã de trabalho, João recebeu   um belo e saboroso presunto. “Como é que eu o levo para casa? Já sei! Atado   com um cordel e arrastado atrás de mim,” - pensou…

Claro que quando chegou a casa   o presunto já estava cheio de pó e ninguém o podia comer…

- João, o presunto é para   carregar às costas!

- Prometo que da próxima vez o   faço, mãe…

Depois de uma noite descansada,   João foi trabalhar para casa do pastor e recebeu um burro como recompensa. Apesar   de ser muito pesado, João não desistiu de seguir os conselhos da mãe. Pegou no   animal e pô-lo às costas, apesar de ser muito pesado. A caminho de casa, o   rapaz passou pela casa de um homem muito rico. Este tinha uma filha muito   bonita, a Maria, mas que tinha um problema: ninguém a conseguia fazer rir! Por   isso, o pai tinha prometido que quem fizesse rir a sua filha, iria casar com   ela. E foi isso que aconteceu… Muito aborrecida, Maria estava à janela quando   viu este espectáculo; um rapaz, muito encarnado, a carregar um burro às   costas. E, de repente, uma enorme gargalhada encheu a grande casa. Todos   vieram ver o que se estava a passar…
  Passado uma semana, João e Maria casaram e passaram a viver, felizes para sempre,   na mansão do pai de Maria. E o João nunca mais teve de trabalhar porque herdou   toda a riqueza do pai da sua esposa.

 

(Conto adaptado)

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publicado por picodavigia2 às 08:39





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