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POR NADA

Domingo, 11.05.14

“No momento em que nada

O silêncio tenha a dizer-te,

Chora.

Chora em silêncio e por nada,

No só de dar vida ao silêncio que esconda

Uma lágrima inútil.”

 

 

Resendes Ventura

 

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publicado por picodavigia2 às 23:33

CRUDIVORISMO

Domingo, 11.05.14

O crudivorismo é uma dieta moderna, em que os alimentos são consumidos crus. Embora, habitualmente, os seus adeptos e consumidores, sigam uma dieta vegetariana estrita, o crudivorismo permite, no entanto, a inclusão de alguns produtos de origem animal, como o mel e o leite e até o peixe. Mas o que caracteriza verdadeiramente o crudivorismo e que o distingue de outras dietas é que nada pode ser preparado ao fogo, quer cozido, quer assado quer grelhado ou gratinado, por defender o postulado de que qualquer tipo de colocação dos alimentos no lume lhe provoca a perda de nutrientes. Isto, no entanto, não quer dizer, necessariamente, que se comam apenas alimentos crus. Existem processos de preparação que não causam perda de nutrientes, como a desidratação dos alimentos.

A alimentação crudívora, também chamada de "alimentação viva" ou "comida viva", é uma forma de alimentação baseada em alimentos crus, fruta fresca ou seca (desidratada), vegetais, sementes, grãos germinados como o germe de trigo e algas, isto porque, ainda, consideram os seus defensores de que os alimentos crus são ricos em enzimas, indispensáveis na alimentação das células humanas, por isso, se considera esta alimentação enzimática. Consideram também os crudivoristas que a falta de enzimas na comida cozida é ainda uma das maiores responsáveis pelo envelhecimento e morte precoce e ainda a causa subjacente de muitas doenças.

Há, no entanto, metrólogos que consideram que estas teorias não têm fundamento, porquanto não existe nenhuma comprovação de que as enzimas dos alimentos ajudem na digestão e, além disso, cuidam que também não há uma alteração significativa na quantidade de fibras nem de vitaminas, Outros vão mais longe, afirmando que muitos alimentos podem ser contaminados por vírus, fungos ou bactérias se não forem refrigerados na temperatura correta.

 

Dados retirados da Wikipédia

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publicado por picodavigia2 às 16:31

JOÃO PEREIRA DE LA CERDA

Domingo, 11.05.14

João Pereira de La Cerda nasceu na Horta, em 1772, onde faleceu 1776 e era filho primogénito de Joaquim Pereira de la Cerda, de origem espanhola, e de Emerenciana Dorothea Brum da Silveira. Foi capitão de milícias, possuía de ideias liberais avançadas, sendo, contudo, tolerante em questões religiosas, manifestando-se pelo pronunciamento liberal dos faialenses, dedicando-lhe, inclusivamente, várias composições poéticas. Com o restabelecimento do absolutismo retirou-se para a vida privada, passando largas temporadas na sua propriedade sita na Barca, ilha do Pico. Mais tarde, com a implantação do governo liberal, voltou à vida pública, mas a cisão acontecida no seu partido fê-lo retirar-se definitivamente.

De cultura vasta e sólida, conhecedor das literaturas inglesa e francesa, fez traduções de várias obras. Voltaire e Molière eram os seus autores favoritos, sobretudo o segundo de quem sabia de memória centenas de páginas. Grande parte da sua obra perdeu-se quando, na eminência de ser preso pelas autoridades miguelistas do Faial, a enterrou sem cuidar que ficasse devidamente protegida da humidade.

Como poeta, é considerado um autor lírico e um pouco satírico. Do que escreveu e traduziu restam menos de duas dezenas de composições poéticas. Das suas obras destacam-se sobretudo algumas traduções, entre as quais: «Retrato» de Diderot, «A monarchia dos solypsos» e «Guerra dos Deuses» de Evariste Parny, «Jorge Dandin» e «Misantropo» de Molière, «Conde d’Essex» de Thomas Corneille e «Branca e Alzyra»,  de Voltaire

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

 

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publicado por picodavigia2 às 13:54

ABRUPTO

Domingo, 11.05.14

M 41 - “ABRUPTO”

 

ENTRADA

 

Canapés de creme de queijo fresco com sabor a salmão, com folhinhas de alface e tirinhas de pimento coloridas, sobrepostas.

 

PRATO

 

Supremos de pescada com limão e alho, sobrepostos em pão tostado, passado por azeite e barrado com doce de pimento. Refogado de pera e um misto de cebola, alho e pimento, coberto com queijo ralado. Alface fitada e temperada com azeite e vinagre balsâmico.

 

SOBREMESA

 

Doce abruto, suspiro e gelatina de morango.

 

Preparação da Entrada – Barrar tostas com creme de queijo fresco com sabor a salmão e colocar sobre este folhinhas de alface e tiras de pimento e um pouco de queijo ralado. Empratar.

 

Preparação do Prato - Descongelar o supremo de pescada e temperá-lo com limão, azeite, ervas aromáticas e um pouco de pimenta. Cortar finamente a cebola em meias-luas e laminar o alho, partir a pera em duas e retirar o caroço e cortá-la em fatias muito finas. Cortar o fiambre aos pedacinhos. Colocar um pouco de azeite numa frigideira e fritar o pão quando estiver bem quente. Depois, se necessário acrescentar azeite e fritar o supremo, podendo esta operação ser feita em conjunto com o pão. Refogar o alho, a cebola e a pera, cerce de 5 minutos. Misturar coentros ou ervas aromáticas. Colocar, sobre o pão, a marinada e, sobre esta a pescada. Acompanhar com a alface cortada em tiras, finamente.

 

Preparação da sobremesa – Para o Doce abrupto : ralar bolachas marias e esmagar os morangos, juntar uma colher de mel e o iogurte com sabor a morango e misturar. Gelatina e suspiro por processos tradicionais.

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publicado por picodavigia2 às 13:39

MANUEL ANTÓNIO PIMENTEL

Domingo, 11.05.14

“No dia 10 de Setembro de 2004 faleceu, em Ponta Delgada, o Padre Manuel António de Melo Pimentel, cuja vida é bem o exemplo de um percurso em prol das classes sociais mais desfavorecidas. Nascido na freguesia das Furnas, em 1939, Manuel António Pimentel descobriu a sua vocação desde muito cedo, tendo frequentado o Seminário de Angra a partir dos onze anos de idade. Depois da sua ordenação, a 3 de Junho de 1962, foi para Roma onde estudou Direito Canónico e Teologia Moral, tendo acompanhado de perto a realização do Concílio Ecuménico, Vaticano II entre 1962 e 1965. Regressa depois à ilha Terceira para ser professor do Seminário Maior de Angra durante dois anos. Passado esse tempo, assume o lugar de Director Espiritual no então Seminário de Ponta Delgada durante três anos, regressando de novo ao Seminário Maior de Angra do Heroísmo como professor, até 1975. 1975 marca uma viragem na vida deste sacerdote. Na sequência da revolução de Abril e por iniciativa de alguns lavradores terceirenses, o Pde. Manuel António é expulso da ilha, juntamente com outros três colegas, por ser um sacerdote activo da Associação dos Padres do Prado, cujos objectivos visavam a inserção dos padres e a evangelização no meio operário. A conselho do então bispo dos Açores, D. Aurélio Granada Escudeiro, viaja até França, onde frequenta o Curso de Formação dos Padres do Prado. Durante esse período da sua vida, o episcopado português encarrega-o, juntamente com outros sacerdotes, de trabalhar junto dos emigrantes. Nos anos oitenta, é designado assistente para o diálogo no Movimento dos Trabalhadores Cristãos, do qual é membro, desenvolvendo o seu trabalho durante seis anos em Bruxelas, sede deste movimento. Volta a Portugal, para a diocese de Setúbal e é pároco, entre outras comunidades, no Barreiro. Em 2000 e por iniciativa do actual Bispo dos Açores, D. António de Sousa Braga, é convidado a regressar à sua terra natal, onde começa por ser Vigário Episcopal para a Formação e, por último,fica encarregue pela coordenação do Tribunal Eclesiástico na delegação de Ponta Delgada. Vítima de uma doença incurável, o Pde. Manuel António Pimentel encarou o desfecho da sua vida de forma serena, num sentido cristão de quem considera ter valido a pena viver. Durante os últimos dez meses da sua vida, escreve um testamento espiritual, em jeito de acção de graças, onde se pode ler: “começo por manifestar a minha profunda gratidão e o meu elevado espanto pelo dom da vida”. O texto, que deixa escrito para os vindouros acaba, “pedindo perdão a todos quantos ofendi, confiante no perdão do Senhor, nas suas mãos entrego toda a minha vida em Acção de Graças e pelo anúncio do Reino de Deus no Mundo”.”

 

Voto de Pesar, apresentado pelo Partido Socialista na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores no dia 26 de Janeiro de 2005.

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publicado por picodavigia2 às 10:48

SEM NADA

Domingo, 11.05.14

Nos dias seguintes, o corregedor de São Roque, o edil e muitas outras autoridades representantes da municipalidade percorreram toda a freguesia de Santa Luzia, desde das Bandeiras até Santo António, para se certificarem dos prejuízos e fazerem o levantamento das maiores necessidades, bem como o rol dos que tinham sido mais atingidos pelas terríveis consequências de tão trágica calamidade.

Feitos os registos e anotadas as mais patentes situações de prejuízo material, verificou-se que, afinal, o rol era bem maior do que se esperava. É verdade que não morrera ninguém e o número de feridos também era quase nulo, mas a quantidade de pessoas afectadas pelas consequências da tragédia era muito grande, os prejuízos materiais eram enormíssimos e nem tinham sido todos contabilizados. Muitas casas haviam sido destruídas, inúmeras famílias haviam ficado sem gado, sem campos e sem vinhas e grande parte da população não tinha onde dormir, nem algo para comer. Muitas pessoas tinham ficado rigorosamente sem nada.

Aos apoios vindos do Cais e de São Roque chegaram outros vindos da Horta. Eram barcaças carregadas de agasalhos e mantimentos, a atravessar o canal e a contornear a parte norte da ilha, da Madalena até Santa Luzia. Aí encostavam aos rola pipas que haviam escapado à torrente de lava, onde homens de calças arregaçadas até aos joelhos, enfiados na água, os esperavam, na tentativa de amarrar os barcos e descarregar por ali a cima, com a maior urgência possível, tudo aquilo que as embarcações traziam e que era tão necessário para minguar as agruras e satisfazer as necessidades de quantos haviam sido atingidos por tamanha calamidade.

Entre o enormíssimo número de desalojados que haviam ficado sem nada, encontrava-se José Pereira de Azevedo. Sem casa, sem terras, sem gado e sem família, José Pereira de Azevedo, a mulher e o filho, não tinham onde dormir, nem sequer como se alimentar. Nos primeiros dias foram-se acomodando nos improvisados abrigos trazidos de São Roque e da Horta. Mas tinham que partilhá-los com outras famílias, amontoando-se e escarrapichando-se uns sobre dos outros, sem condições, sem sossego e, sobretudo, sem esperança. As crianças, os velhos e os doentes, apesar de serem sempre os primeiros a serem atendidos, eram rigorosamente os mais afectados e os mais desprotegidos. A comida também rareava e a pouca que existia e era distribuída, vinha sobretudo dos lados de Santo António e São Roque e só se conseguia obtê-la depois de horas e horas em fila, à espera de vez. José Pereira de Azevedo não se queixava e até considerava que, apesar de tudo, aquilo até era uma dádiva de Deus, que no meio de tão grande aflição, de tão eminente perigo, os havia protegido e salvo, através da sua infinita bondade. Para ele e para a mulher o sacrifício nem era demasiado… Mas para o filho, sobretudo para o seu menino… A criança não podia viver naquelas condições.

Alguns habitantes de Santa Luzia já haviam partido para Santo António, São Roque e até para outros lugares mais distantes, onde tinham familiares. No entanto chegavam notícias desagradáveis, desanimadoras e muito alarmantes. Noutras localidades do Pico, sobretudo do lado do Sul, nomeadamente em São João e em São Mateus haviam sido sentidos abalos semelhantes aos verificados em Santa Luzia. Também ali as bocas da montanha se haviam aberto e lançado jactos de lava sobre as encostas, encharcando de fogo e de destruição toda a zona entre estas duas freguesias. Dizia-se mesmo que grande parte da freguesia de São João, incluindo a igreja, havia desaparecido.

Estas notícias assustavam e preocupavam sobretudo Madalena de São João. E quando José, consciente da sua situação, da sua desgraça, lhe propunha abandonar Santa Luzia e fixar-se noutra freguesia do Pico, Madalena contrariava:

- Para outra freguesia? Para, amanhã, nos acontecer o mesmo? Nem pensar! Ou ficamos aqui ou a sair, vamos para outra ilha, para uma ilha onde não haja nem abalos, nem vulcões, nem esta lava destruidora.

- Mas essa ilha existe, Madalena! Essa ilha existe! – Repetia José, vezes sem conta, em voz baixa, como se estivesse a sonhar.

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publicado por picodavigia2 às 00:05





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