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HISTÓRIA DO SENHOR MAR

Segunda-feira, 12.05.14

(POEMA DE MATILDE ROSA ARAÚJO)

Deixa contar...

Era uma vez

O senhor Mar

Com uma onda...

Com muita onda...

 

E depois?

E depois...

Ondinha vai...

Ondinha vem...

Ondinha vai...

Ondinha vem...

E depois...

 

 A menina adormeceu

Nos braços da sua Mãe...

 

                           Matilde Rosa Araújo

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publicado por picodavigia2 às 21:46

OS AMOLADORES

Segunda-feira, 12.05.14

Muito raramente vinham de fora, como em tantas vilas e aldeias de Portugal. Na Fajã Grande havia-os em grande quantidade e bons, sendo até que em muitos casos, eram os próprios donos que amolavam as suas próprias facas e tesouras, quer em esmeril próprio quer recorrendo ao de algum parente, amigo ou vizinho. Na realidade, apenas de vez em quando, chegavam à Fajã, alguns amoladores vindos de fora. Geralmente traziam os apetrechos necessários não só para amolar tesouras e facas mas também para por grafos em pratos, travessas e alguidares partidos, pois esta arte, na Fajã Grande era menos comum. Além disso, também colocavam varas novas em guarda-chuvas e sombrinhas. Hoje estamos na era do usar e deitar fora em vez de arranjar o partido ou quebrado, uma vez que, geralmente, comprar um produto novo fica menos dispendioso do que mandar arranjar os que se partiram, o que fez dos amoladores uma profissão em vias de extinção.

O amolar de facas tinha o seu epicentro em Dezembro por altura das matanças. Era um ritual importantíssimo e necessário. Sem facas bem acoladas a matança seria um fracassa. As tesouras, sobretudo as usadas na tosquia, eram também necessariamente amoladas antes de cada dia de fio.

Para amolar facas e tesouras usava-se o esmeril. Tratava-se de uma geringonça de madeira, no meio da qual tinha uma enorme pedra de esmeril, redonda, que circulava ao redor de um eixo, ligado um engenhoso sistema movido pelos pedais. Ao pedalar-se a roda andava, sendo-lhe encostada com arte e engenho o instrumento que se pretendia amolar. Em alternativa havia esmeris em que a roda era movida a mão. Era um instrumento mais pequeno, simples e barato mas cuja utilização exigia o trabalho de duas pessoas. Uma faca ou tesoura só estava bem amolada quando tinha fio no gume. Este era detectado com o passar do dedo polegar, operação que devia ser feita com muito cuidar para não lanhar o dedo.

Uma arte que, aparentemente, se perdeu.

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publicado por picodavigia2 às 21:04

VIRGÍLIO DE OLIVEIRA

Segunda-feira, 12.05.14

O poeta Virgílio de Oliveira nasceu na Achada de Nordeste, ilha de S. Miguel, em 10.4.1901 e faleceu em New Bedford, Estados Unidos da América, em 17.2.1967. Oriundo de uma família com muitas dificuldades económicas foi obrigado a trabalhar desde criança. Dos 13 aos 17 anos, viveu em Vila Franca do Campo, trabalhando como empregado de loja. De seguida, foi residir para Ponta Delgada, trabalhando também numa loja de fazendas e como empregado do Café Rex, passando depois para cobrador do Grémio da Lavoura. Após a reforma, embarcou para os Estados Unidos, para junto de familiares. As habilitações literárias não foram além do ensino primário, mas em Vila Franca do Campo iniciou-se nas letras, acarinhado por Cortes-Rodrigues, Urbano Mendonça e Teobaldo da Câmara. Numa primeira fase, foi influenciado por «versejadores saudosistas-nacionalistas» descobrindo, mais tarde, o modernismo. Eduíno de Jesus considera-o um poeta popular que não imitou a poesia popular mas criou-a. Usava o pseudónimo de Vital do Rio. O seu nome está ligado à toponímia da Achada.

Obras Principais: Romeiros da saudade, Musa rústica: poemas da terra, Ecos na planície, Vinha do Senho, Poemas escolhidos, Rosas que vão abrindo e Poemas dispersos.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

 

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publicado por picodavigia2 às 16:45

A REGUEIFA DOS DOMINGOS

Segunda-feira, 12.05.14

Ainda hoje, muitas padarias de Paredes e de muitas outras localidades do Douro, têm por hábito, comercializar, aos domingos e como alternativa ao tradicional moulete a saborosíssima e deliciosa regueifa. Trata-se de um pão em forma de rosquilha, com a maça entrelaçada em forma de rosca, farinha de boa qualidade mas muito fofo, branquinho, macio e muito agradável e apetitoso. E então se as fatias forem barradinhas com manteiga… Uma verdadeira delícia!

A regueifa designa, na região do Douro, embora hoje expandida por muitas outras regiões do país, um pão de romaria., fazendo lembrar aquilo que, nalguns lugares, também se designa de "pão espanhol".

A regueifa é típica do Douro e do Norte, sendo conhecida desde o Minho até à região de Aveiro. Com a industrialização a regueifa, em especial no Entre-Douro-e-Minho, popularizou-se, na verdade, como pão domingueiro.

Cuida-se que o nome desta iguaria, assim como a forma tradicional de preparação, parecem intimamente ligados à massa original marroquina chamada rghaif e, especificamente, a uma variante desta, em que a massa é entrançada antes de ser cozida. Diz-se que teve origem em Branca, Albergaria-a-Velha.

Como alternativa, existe a regueifa doce. Para tal, desfaz-se fermento de padeiro num pouco de água tépida, mistura-se com uma pequena quantidade de farinha e deixa-se levedar cerca de uma hora. Batem-se gemas e uma clara de ovos com açúcar, junta-se manteiga amolecida e uma pitada de canela. Juntam-se as misturas anteriores com farinha, amassa-se e deixa-se repousar até aumentar de volume. Tendem-se as regueifas e torna-se a deixar aumentar de volume. Levam-se ao forno quente a cozer e, depois de cozidas, pincelam-se com manteiga.

 

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publicado por picodavigia2 às 12:04

O CURRICULO E OS PROFESSORES DO SEMINÁRIO DE ANGRA NAS DÉCADAS DE CINQUENTA E SESSENTA (ENSINO PREPARATÓRIO)

Segunda-feira, 12.05.14

O Ensino Preparatório, no currículo do Seminário, tinha a durabilidade de cinco anos, dos quais os dois primeiros, a partir do ano lectivo de 1956/57, eram leccionados no Seminário Menor de Ponta Delgada. A partir do ano lectivo de1958/59 o plano curricular destes cinco anos de ensino no Seminário era, praticamente, igual ao do ensino oficial, sendo, no entanto, acrescido de Latim, com uma carga horária bastante ampla e com o desenvolvimento dos conteúdos programáticos de Música e de Religião. As restantes disciplinas eram rigorosamente as mesmas dos currículos oficiais do Liceu e da Escola Industrial, com excepção da Educação Física, vulgarmente designada por Ginástica, mas que era mais considerada uma prática do que propriamente uma disciplina, uma vez que não tinha qualquer componente teórica, nem avaliação. Durante muitos anos foi leccionada pelo Dr Tavares da Silva, (Flete Oscila) professor de Educação Física na Escola Comercial e Industrial de Angra, ficando, posteriormente, à responsabilidade do prefeito. Era leccionada uma ou duas vezes por semana, durante a hora de estudo da manhã.

Na génese destas mudanças curriculares e como seu estratega e mentor, esteve o Dr. José Enes, com a colaboração do Dr Cunha de Oliveira. Os seus objectivos principais eram os de, por um lado, aproximar os currículos do Seminário aos do ensino oficial e, por outro, enriquecer cultural e cientificamente a formação dos futuros sacerdotes e ainda proporcionar aos que saíam, uma maior facilidade em obter equivalências junto das instituições do ensino oficial

O corpo docente que detinha o Seminário de Angra, à altura era bastante numeroso e constituído por um lote de professores, homens de letras, de ciência, de grande sabedoria, de profundos conhecimentos e defensores dos mais nobres princípios de humanismo, formados na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, aos quais se juntavam alguns padres que mais se distinguiam na diocese pelo seu conhecimento específico, numa ou noutra disciplina. Na globalidade, os professores do Seminário revelavam uma competência capaz de mobilizar os parcos recursos pedagógicos disponíveis, na altura, e que quase se limitavam aos manuais. É gratificante recordar estes mestres que, apesar de na maioria dos cassos se amarrarem em demasia a práticas pedagógicas tradicionais, sabiam criar uma grande empatia e laços de amizade com os alunos e motivá-los para o estudo, para o qual dispúnhamos de mais de quatro horas diárias: Português e Desenho – P.e Coelho de Sousa, Latim – Dr Alfredo Tavares, Francês – Dr Valentim, Inglês – Monsenhor Lourenço, Matemática e Geografia – Cónego Jeremias, Físico-Química e Ciências Naturais – P.e Vitorino, História Universal e Religião – P.e Augusto Cabral, Música – Dr Edmundo Oliveira. Outros professores: P.e Horácio Noronha, Dr Valentim Borges, Dr Artur Goulart, P.e Afonso Quental, P-e Jaime Silveira e no Seminário Menor: P.e Jacinto Almeida, Dr Hermínio Pontes, Dr Simão Leite Bettencourt, P.e José Franco, P.e Agostinho Tavares e P.e José Baptista.

Um reconhecimento muito grande e uma gratidão imensa a todos estes homens que colaboraram, significativamente, na formação humana e académica de dezenas de jovens que na década de sessenta frequentaram o Seminário de Angra.

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publicado por picodavigia2 às 11:10

A SELHA DE LAVAR OS PÉS E AFINS

Segunda-feira, 12.05.14

Na Fajã Grande, na década de cinquenta, a maioria das habitações não tinha casas de banho. Contavam-se pelos dedos de uma mão as que as teriam. Assim, a maioria das pessoas tinha grande dificuldade em realizar uma higiene corporal necessária e exigida, pelo tipo de vida agrícola, rural e laboriosa. Todas as operações de lavagem e limpeza do corpo, eram feitas por partes, geralmente em bacias ou selhas ou na rua, ao ar livre, na pia de lavar a roupa.

Mas o que era necessário lavar todos os dias, para além da cara pela manhã, eram os pés à noite. A quase totalidade das pessoas andava descalça e os qua andavam calçados, geralmente, usavam botas de borracha ou sapatos de pele de cabra, umas e outros a cheirarem muito mal. Assim, todas as noites, era obrigatório o lava-pés, antes de ir para a caminha.

Esta operação, para além da água e do pedaço de sabão azul, exigia, fundamentalmente, três outros utensílios: a selha, o banco e a pedra.

A selha de lavar-os-pés, assim chamada, era uma selha de madeira, geralmente, quando nova usada em outras funções e que servia simplesmente para isto. Era feita com pedaços de madeira, encastoados num fundo redondo, apertados e segurados com aros de ferro e a borda superior bem aplainada. Era guardada na cozinha, onde a função que desempenhava era realizada. A ela se associava um pequenino banco, também ele de madeira, mas que, ao longo do dia e ao contrário da selha, servia para as pessoas se sentarem, nomeadamente, as idosas e as crianças. A pedra que acompanhava a selha e que servia para esfregar os pés depois de ensaboados, era uma espécie de pedra-pomes ou tufo, bastante áspera e capaz de retirar toda a sujidade, sobretudo dos calcanhares.

À luz de um candeeiro ou de uma candeia, aguardava-se vez para lavar os pés. É verdade que a selha era grande, mas geralmente só havia, um banco, uma pedra e um pedaço de sabão, onde cada um ia lavando os pés à vez e, geralmente, na mesma água que ficava na selha até de manhã, pois ninguém queria sair rua, depois de lavar os pés para fazer o que quer que fosse, muito menos para despejar a água. Nas famílias com mais filhos, por vezes, geravam-se verdadeiras disputas para ver quem lavava os ditos cujos primeiro, pois ninguém o queria fazer na água dos outros, sobretudo dos que vinham de limpar o palheiro com os pés a tresandar a cheiro de bosta de vaca.

 

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publicado por picodavigia2 às 00:32





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