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ACONTECIMENTOS OCORRIDOS NAS FLORES NO SEC. XVII

Quinta-feira, 31.07.14

Em 1642, chegaram os primeiros escravos negros às Flores e trinta anos depois, em 1672, a ilha foi atacada por 40 navios de piratas holandeses

Por sua vez, em 1675 iniciou-se a construção da primitiva igreja da Fajãzinha, Até esta data os lugares da Fajã e o da Fajazinha, assim como outros muito mais pequenos, ao redor destes, pertenciam à freguesia das Lajes. O lugar da Ponta pertencia à paróquia de Ponta Delgada. Nessa altura, as Lajes teria pouco mais de 300 habitantes. Um ano depois foi criada a paróquia das Fajãs, com sede na Fajazinha, englobando a Fajã e a Ponta. Por essa altura Domingos Rodrigues Ramos era capitão na Fajã e fora testemunha da delimitação dos limites da paróquia na rocha da Ponta.

Em 1677 nasce na Fajã Grande o Alferes André de Fraga e, um ano depois, nasce, na Fajãzinha, Ana de Freitas, esposa do Alferes André Fraga, que se supõe terem sido os meus oitavos avós.

Em 1683 deu-se o desembarque, na ilha das Flores, de alguns colonos estrangeiros, vindos na fragata dinamarquesa Hawmanden.

Em 1890 nasce, em Santa Luzia do Pico, José Pereira de Azevedo que havia de casar com Maria de São João. Cerca de 22 anos mais tarde chegariam às Flores.

Em 1694 dá-se a célebre revolta dos Inhames, com epicentro na ilha de São Jorge em São Jorge, mas extensiva, mais tarde às Flores (Net)

Finalmente em 1696 verifica-se a 1ª Visita Pastoral de um Bispo diocesano às Flores. Tratou-se de D. António Vieira Leitão, 17.º bispo da Diocese de Angra, tendo-a governado de 1694 a 1714.

D. António Vieira Leitão nasceu em Lisboa, filho de Manuel Vieira Leitão, cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua mulher Maria Pedrosa. Ordenado presbítero em Lisboa, exerceu diversos cargos eclesiásticos de crescente relevo, entre os quais prior da freguesia de Santo Estêvão, desembargador da Relação Eclesiástica, provisor do Priorado do Crato e juiz da Legacia. Foi proposto para bispo de Angra por D. Pedro II, rei de Portugal, sendo confirmado por breve de 23 de Novembro de 1693 do papa Inocêncio XII. Foi sagrado bispo a 16 de Agosto de 1694 e a 25 do mesmo mês, ainda em Lisboa, nomeou uma junta para o governo da Diocese de Angra, enquanto não chegasse aos Açores. Governou a diocese açoriana até falecer, visitando todas as ilhas dos Açores, sendo o primeiro bispo diocesano a visitar as Flores e o Corvo. No entanto estas ilhas já haviam sido visitadas uma única vez, por um bispo, uma vez que, por volta de 1550, D. Baltasar de Évora ali terá chegado como visitador a mando de D. Rodrigo Pinheiro, 2.º bispo da diocese de Angra, que a governou de 1540 a 1552, sendo depois nomeado bispo do Porto, governando esta diocese de 1552 a 1572.

Por altura da visita de D. António Vieira Leitão, o concelho das Lajes teria cerca de 1200 pessoas e a ilha das Flores 1850.

 

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publicado por picodavigia2 às 16:52

A VELHA DAS LAJES

Quinta-feira, 31.07.14

Antigamente vivia nas Lajes uma mulher já de avançada idade, muito pobre e ranzelona. Além disso era um pouco desmiolada e, como não tinha familiares próximos, passava grande parte dos seus dias a arrastar-se pelas ruas, ou a sentar-se nas soleiras das portas, nas banquetas das praças, a falar com uns e com outros e a pedir alguma comida, pois nada tinha de seu.

Os rapazes, ávidos de se divertirem com o farrobodó que a velha fazia quando se metiam com ela, sempre que a encontravam pregavam-lhe partidas, levantavam-lhe a orla do saiote e chamavam-lhe nomes. A velha retorquia com maus modos, zangas, pregações e azedumes, ameaçando-os que deles havia de fazer queixa ao regedor. E quanto mais os rapazes se empolgavam em atrevimentos e provocações mais a velha ranzelava e se embravecia. Mas verdade é que, quando os não encontrava, com a sua voz ligeiramente mafiosa, perguntava a todos quantos com ela se cruzavam:

- Tu vite ui monces? Tu vite ui monces?

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publicado por picodavigia2 às 15:25

A FOLIA DO BEZERRO

Quinta-feira, 31.07.14

“… nas festas do ES é que as pessoas bailavam mais…Nos domingos não faziam isso. Mas nos dias que antecedia a uma função, na altura que andavam, por exemplo, a cozinhar o pão e depois iam peneirar a farinha, tinham um tempo pra isso. Junto às casas havia uma eira e faziam aí umas rodas, sobretudo na sexta-feira, que era o dia que faziam a matança do gado, era o dia por excelência… Em alguns lugares chamavam a folia do bezerro, depois matavam o bezerro ou os bezerros para a função do ES, e quando terminava essa matança, este trabalho todo que era necessário para preparar a carne, comiam queijo fresco de cabra, ou então mesmo de leite de vaca, como nós chamávamos pão de leite…”

 

J.B.C.M

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publicado por picodavigia2 às 06:43

O CANTO DA COTOVIA

Quarta-feira, 30.07.14

"Posso não lhe oferecer a utopia,

Mas posso convidá-lo para ouvir o canto da cotovia". 

 

Aj. Araújo

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publicado por picodavigia2 às 10:55

MINHA MÃE, CASAI-ME CEDO

Quarta-feira, 30.07.14

Não se nasce sobre a relva

E n’alcova não se almoça
Minha mãe, casai-me cedo

Já não sou menina moça.

 

A videira dá a uva,

A figueira dá o figo

Minha mãe, casai-me cedo

Estar solteira não consigo.

 

Fui ao monte, vim enxuto

Fui ao mar, voltei molhado,

Minha mãe, casai-me cedo

Qu’eu já tenho namorado.

 

Muito avança quem s’apressa

Muito perde quem s’atrasa.

Minha mãe, casai-me cedo

Vou-me embora desta casa.

 

Muito goza homem casado

Muito sofre quem tá solteiro.

Minha mãe, casai-me cedo

Muito m’arde o parrameiro.

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publicado por picodavigia2 às 10:40

MEMÓRIAS DE AMARANTE

Quarta-feira, 30.07.14

Entrou para o Seminário de Santo Cristo no ano lectivo de 1960/61, pelo que nos encontrámos, como alunos no SEA, apenas dois anos mais tarde e partilhámos, conjuntamente, a prefeitura dos Médios. O Cordeiro, hoje mais conhecido, em termos de “facebook” por António M. Arruda, natural do Ginetes, fez apenas uma parte da sua formação académica no Seminário de Angra. Enraizou-se, desde há muitos anos, nos Estados Unidos, residindo actualmente em East Providence, trabalhando na empresa Murphy's Liquors Inc, da qual é Manager.

No recente Encontro dos antigos alunos do SEA, a sua presença como que se tornou quase inesperada, por quanto, quinze dias antes se tinha deslocado a Portugal, incluindo Continente e Açores. Assim tornava-se quase impossível, voltar e participar no referido evento. Porém uma vontade “férrea” trouxe-o, de novo aos Açores e a Angra. A sua presença caracterizou-se por um grande empenhamento em todas as actividades e eventos, participando com uma alegria desmesurada, com um espírito de camaradagem gigantesco e com uma animação excedível e constante. Possui uma boa colecção de fotos do Encontro na sua página do FB.

Naturalmente que o meu encontro com ele não foi tão emotivo como com os outros porquanto o recebera, quinze dias antes, aqui em Paredes. Uma vez sediado no Norte, através do FB, pudemos combinar um encontro. Na realidade passamos uma tarde maravilhosa, em amena cavaqueira e ainda tivemos tempo para dar um salto à belíssima cidade de Amarante, a fim de apreciar as suas belezas e saborear um bom naco de presunto, regado com o verde da região. Do melhor que há em Portugal. E os “docinhos” de ovos e o “Pão-de-ló” de Amarante também não faltaram!

Nessa altura, ele próprio e eu, cuidamos que, decididamente, não nos encontraríamos em Angra. Ainda bem que, surpreendentemente, mudou os seus planos, regressando aos Açores, tornando-se, assim, mais um dos vários “Senhores” presentes naquele inesquecível Encontro. A sua presença ainda contribuiu para que a freguesia dos Ginetes, ex-aequo com a das Capelas, fossem as que tivessem mais elementos presentes no Encontro, mas em números absolutos, porque em percentagem relativamente ao número de habitantes, a freguesia pioneira foi, indiscutivelmente, a Fajã Grande das Flores

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publicado por picodavigia2 às 09:39

ENTRE A FAJÃ E PONTA DELGADA

Terça-feira, 29.07.14

Um dos mais emblemáticos caminhos da ilha das Flores, nos anos cinquenta era o que ligava a Fajã Grande a Ponta Delgada. Trilhei-o na totalidade, apenas uma vez, em criança, mas em sentido contrário, isto é de Ponta Delgada, mas de noite. Consequentemente com muitos sustos e atribulações.

Actualmente este trilho, de cuja uma boa parte da sua extensão se situa em terreno pertencente à freguesia da Fajã Grande, foi, actualmente, transfomado num dos mais interessantes trilhos turísticos não apenas das Flores, mas talvez dos Açores. Este trilho, antigamente começava no Calhau Miúdo e seguia o antigo caminho que dava para a Ponta. Até aquela localidade era um caminho empedrado, com calçada romana e nele transitavam pessoas, animais, caros de bois e corsões. Do lado de Ponta Delgada, iniciava-se no sítio onde hoje se construiu uma estrada agrícola de betão, que tem como objectivo principal ligar o casario da freguesia de Ponta Delgada ao Farol da Ponta de Albarnaz. Ontem como hoje, demora-se cerca de duas e meia a três horas a percorrer este trilho tem a duração total de cerca de 2h30m.

Para quem como eu, o inicia em Ponta Delgada e pretende chegar à Fajã Grande, deve seguir pela estrada do Albarnaz até encontrar um caminho, hoje devidamente sinalizado, virando à direita. Esta parte do trilho, ladeada de hortênsias, desce e atravessa várias ribeiras, relvas, grotões e valados até chegar a uma cancela que corresponde a cerca de metade do percurso percorrido. Nesse local pode desfrutar-se de uma maravilhosa e deslumbrante vista sobre a parte Noroeste da ilha, nomeadamente o mítico Ilhéu de Maria Vaz, a Ponta de Albarnaz com o seu Farol, grande parte de Ponta Delgada e, mais além, a vizinha ilha do Corvo, que dali assume a forma de um gigantesco e fumegante biscoito. O caminho segue na direcção do Cimo da Rocha da Ponta, entre os Fanais e a Caldeirinha. Era por ali que seguiam, outrora, muitos jovens que, pretendendo demandar a ilha na procura das Américas. Desciam a rocha até à Baía dos Fanais, onde as baleeiras, ali escondidas e a abastecer-se de água e viveres, os esperavam e nas quais embarcavam clandestinamente. Consta que geralmente iam munidos de caniços e apetrechos de pesca para enganar os guardas, que os vigiavam dos fortes que abundavam na orla costeira. Finalmente assoma-se ao Cimo da Rocha, ao local chamado Risco, donde se vislumbra uma outra assombrosa vista. Agora sobre a Fajã, a Ponta e oceano com o Monchique plantado ali bem perto. O trilho continua até à Ponta, por uma vereda de terra batida alternada com pedra de calçada escaleiras. Depois de atravessar o casario da Ponta, o caminho, hoje, é em piso alcatroado que terminar na Fajã Grande.

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publicado por picodavigia2 às 20:16

LUXEMBURGO

Terça-feira, 29.07.14

“No Luxemburgo não se respirava este ar revolucionário. Reinava a ordem e o trabalho. A economia tinha outros comportamentos. Chocou-me muito, por isso, a presença massiva de portugueses na estação ferroviária do Luxemburgo, presença quase diária, sobretudo nas manhãs. Faziam-me lembrar pescadores à espera que o mar amansasse para saírem para o mar. Era gente cheia de saudades que esperava alguma coisa que estava a chegar, talvez de um país desconhecido ou do país donde vieram.”

 

Januário Pacheco

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publicado por picodavigia2 às 16:10

O POCEIRÃO

Terça-feira, 29.07.14

Encastoado entre as abruptas e negras rochas do baixio, ligado a terra pelo Caneiro do Porto e pelo Varadouro e quase literalmente tapado do oceano pelo Calhau da Barra, o Poceirão impunha-se, na década de cinquenta como uma espécie de ex-libris de toda a orla marítima da Fajã Grande, quiçá de toda a costa ocidental da ilha das Flores.

Situava-se no lugar do Porto e, por isso, a ele se tinha acesso pelo principal e mais importante caminho da freguesia, que a atravessava de sul a norte, iniciando-se no cimo da Assomada, para terminar a uns escassos metros mais além junto ao Farol e ao Cais. As rochas lávicas que o cercavam, a sua forma quase redonda, com algumas ramificações onde sobressaía a que dava acesso ao Porto Velho, o fecho da Barra e a tranquilidade habitual das suas águas davam-lhe semelhança a uma enorme e gigantesca poça, uma espécie de piscina natural. Por isso lhe chamavam o Poceirão.

Do lado norte, a rocha de lava era mais baixa mas menos rectilínea. Aí proliferavam pequenas enseadas, minúsculos ilhéus, inúmeros caneiros e poças, povoados de caranguejos, moreias, polvos, cabozes, mujas e camarões esverdeados, que recolhidos em cestas, serviam de isca aos inúmeros pescadores que demandavam aquele local, na mira de rateiros, sargos, peixes-reis, carapaus e gorazes. No caso das vejas, que as havia também ali em abundância, a isca era moira que deveria ser apanhada noutras paragens. A sul, porém, o rebordo era alto, abrupto e escarpado, pouco utilizada por pescadores ou nadadores, formando, do lado de terra, uma espécie de baia, protegida de ventos e intempéries, onde, normalmente, era apoitada a Santa Teresinha, a gazolina utilizada na caça à baleia. A leste uma clareira onde se situava o varadouro e, mais no interior o mítico e enigmático Caneiro do Porto, onde a ganapada da freguesia se iniciava na natação mas que, em tempos de debulha do trigo na eira, situada um pouco mais acima, também servia para despejo dos dejectos dos animais que, circulando ao redor do moirão de olhos tapados, puxavam o trilho.

O Poceirão, não era utilizado apenas pelos pescadores de pedra e cana. Havia outros, mais afoitos que ali mergulhavam, sobretudo na mira de polvos e cavacos que abundavam, sobretudo, na parte mais exterior. O lado sul, entre o Caneiro e a baía onde se apoitava a Santa Teresinha, formava uma interessante plataforma lávica, quase plana e de fácil acesso. Um excelente local de pesca e uma plataforma de lançamento para água de quantos terminavam com sucesso a sua aprendizagem no Caneiro. Hoje está totalmente coberta de cimento, com um guindaste ali preso, a ornamenta-la.

O Poceirão, de facto, também servia como um excelente local de banhos, sobretudo no pequeno rectângulo em frente ao varadouro, onde após a aprendizagem no Caneiro, se atiravam os debutantes. Os mais experientes e mais fortes nadavam mais ao largo e muitos havia, que iam até â Barra. Ufanavam-se de subir o enorme calhau, de cujo cimo mergulhavam, pois o mar ali era bastante profundo, sobretudo do lado norte, onde havia uma espécie de portal, por onde as embarcações saíam e entravam.

No Inverno, porém, o Poceirão metamorfoseava-se. Dias havia que as suas águas se enchiam de um furor desusado, transformavam-se em ondas altivas que, cobrindo por completo a Barra, se atiravam com doidas, contra as rochas fazendo desaparecer, ilhéus, caneiros e enseadas, amedrontando os que por ali passavam e pondo em risco os barcos ancorados.

PS – Há dias, surgiu no FB uma foto deste Poceirão, na actualidade e que, pelos vistos e aparentemente, já perdeu quase tudo, até o nome!

 

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publicado por picodavigia2 às 11:27

QUERO VOLTAR AO MAR

Terça-feira, 29.07.14

Eu quero voltar ao mar,

Disfarçada de sereia,

P’ra encontrar meu amor

Trazido p’la maré cheia.

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publicado por picodavigia2 às 10:40

O PREGADOR

Segunda-feira, 28.07.14

Era um ilustre e conceituado pregador. O melhor da ilha! Sobretudo nos tríduos, novenas e festas de Inverno, quando não havia, em férias, professores do Seminário, Doutores formados em Roma - os únicos que lhe faziam sombra no Verão - assenhorava-se dos púlpitos e ambões, enchia as igrejas de esplendor e assinalava nas almas dos que, piedosamente, o ouviam o indelével carácter da mensagem divina.

Era exímio em citações. Poder-se-ia mesmo dizer que estas eram a sua especialidade. Para além dos Evangelhos, citava, com um rigor invejável, versículos do Antigo Testamento e das Epistolas de São Paulo, excertos dos Padres e Doutores da Igreja, das encíclicas e até dos discursos e sermões dos papas. Uma maravilha! Um dom invejado pela maioria do clero da ilha.

Certo ano, chegou à ilha, hospedando-se, por uns dias, em pleno Inverno, em casa de um amigo e colega de curso, um sacerdote a paroquiar noutra ilha, mas também ele com fama de bom conhecedor da doutrina da Igreja e muito capaz de a citar de cor.

Alertado para o dom do colega, ouviu-lhe, com redobrada atenção, um sermão pregado numa das mais importantes festas da terra. Nessa prédica, o erudito orador citou, com fluência desusada e convincente convicção, palavras de Pio XII, o Sumo Pontífice reinante, na altura.

Terminadas as cerimónias, na sacristia e já desparamentados, os outros padres elogiaram o sermão. A certa altura, o visitante observou-lhe;

- Olhe, colega. Também eu achei o seu sermão muito interessante, Mas que eu saiba Pio XII nunca disse aquelas palavras.

Resposta pronta do outro:

- Ah! Não disse! Mas devia ter dito.

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publicado por picodavigia2 às 21:12

JOSÉ CAETANO DE LACERDA

Segunda-feira, 28.07.14

O médico e poeta José Caetano de Sousa Pereira de Lacerda nasceu na freguesia da Ribeira Seca, concelho da Calheta, S. Jorge, em 21 de Julho de 1861 e faleceu no Estoril, em 12 de Julho de 1911. Formado pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1894, exerceu clínica no Hospital de S. José, a partir de 1903, tornando-se notado pelos seus conhecimentos científicos, particularmente em psiquiatria. A tese de fim de curso, Os neurasténicos, marcou o rumo dos seus estudos, sendo um dos capítulos considerado como incluindo tudo quanto existia de mais moderno na ciência patológica social, na altura.

Segundo Pedro da Silveira a poesia de José Caetano Lacerda, não sendo, a rigor, simbolista, também não cabe na classificação de parnasiana, antes tipifica um momento de intervalo entre o Parnaso e o Simbolismo. Daí que Flor de Pântano nunca obtivesse dos críticos a atenção que merecia, limitando-se a arrumá-lo como «poesia científica», isto à conta apenas das expressões paramédicas contidas nos poemas. Foi considerado como um espírito superior, vibrátil, que possuía uma estranha organização de artista, uma alma de poeta, veemente e sonhadora. Flor de Pântano é um livro acima do banal, que nos impressiona, que não esquece. Deixou colaboração em várias revistas e jornais, nomeadamente no jornal A Justiça, publicado nas Velas, ilha de S. Jorge, onde colaborou, regularmente. Foi deputado eleito pelo círculo de Angra do Heroísmo em 1901, nas listas do Partido Regenerador.

Obras principais: Hecatombe, a propósito do incêndio do teatro Baquet, Flor de Pântano, Lupercais, Os neurasténicos. Esboço de um estudo médico e filosófico, Bíblia Íntima, Esboços de Pahtologia Social e ideias sobre Pedagogia Geral e Algumas palavras sobre interesses açorianos pronunciadas na Câmara dos Deputados e ampliadas depois, com ligeiras notas a respeito do parlamentarismo português, e sobre a origem geológica, a situação geográfica, o clima, a flora, a fauna terrestre e marítima, o descobrimento, a colonização, a navegação, etc. do arquipélago dos Açores.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

 

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publicado por picodavigia2 às 08:18

PALAVRA

Segunda-feira, 28.07.14

(SOPHIA DE MELLO BREYNER)

 

Heraclito de Epheso diz:

" O pior de todos os males seria

A morte da palavra".

 

Diz o provérbio do Malinké:

" Um homem pode enganar-se em sua parte de alimento

Mas não pode

Enganar-se na sua parte de palavra"

 

Sophia de Mello Breyner Andersen

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publicado por picodavigia2 às 00:51

CLASSE E SIMPATIA

Segunda-feira, 28.07.14

Desde o início do século XX que soavam, por toda a ilha das Flores, ecos da obra de um dos mais destacados sacerdotes florenses que, para além de arrotear os púlpitos com uma oratória eloquente e sábia e encher as igrejas com o perfume do seu canto, se posicionava ao lado do povo, na luta e defesa dos seus direitos, orientando-o e ajudando-o no cumprimento dos seus deveres – o padre José Furtado Mota. O epicentro da sua obra, havia de concretizar-se e na criação das cooperativas de lacticínios das Flores. No dia 25 de Julho de 1949, a lendária “Velha do Corvo”, decidiu-se por, atravessar o tormentoso canal e vir, mais uma vez, às Flores, trazer um menino, entregando-o a uns sobrinhos daquele sacerdote, residentes no lugar dos Vales, freguesia e concelho de Santa Cruz.

O José Mota cresceu, influenciado pelo ambiente religioso da família, ingressou no Seminário Menor de Ponta Delgada, em 1962, transitando, dois anos depois, para o de Angra. Em 1969, decidiu abandonar o Seminário e inscreveu-se na Força Aérea Portuguesa, fazendo a sua formação inicial na Base Aérea da Ota. Terminada a recruta e a formação específica, foi colocado no GDACI, unidade de defesa aérea nacional, passando à disponibilidade em 1975, altura em que ingressou na Banca, trabalhando no ex-Crédito Predial Português, onde desenvolveu uma vida profissional marcada pela dignidade, competência, profissionalismo e honestidade. Actualmente está reformado, mas desenvolve uma intensa e profícua actividade, colaborando, em regime de voluntariado, em Instituições de Solidariedade Social e na paróquia da Matriz de Santa Cruz da Praia da Vitória, como membro permanente do Conselho Pastoral, integrando a presidência da Assembleia Pastoral Social. José Mota confessa-se eternamente grato pela excelente formação humana, moral e religiosa que recebeu no Seminário e porquanto ela foi importante ao longo da sua vida de profissional, familiar e cívica.

Desde cedo o José Mota se envolveu na dinamização e preparação do Encontro, prestando-se a colaborar com a “Troika”, sediada em São Miguel. Com uma humildade impressionante, uma simplicidade deslumbrativa, uma dedicação gigantesca e um empenho desmesurado, sem acicatar nenhum tipo de protagonismo, o José Mota trabalhou, colaborou, ajudou, motivou, cooperou em tudo e com todos para que de facto o Encontro corresse da melhor forma, como de facto correu. Para além do trabalho desenvolvido no arranjo e preparação dos espaços, o José Mota disponibilizou, a toda a hora e a cada o momento, a sua ajuda, disponibilizando o seu automóvel, para o transporte de muitos dos participantes no Encontro, entre o aeroporto ou o cais da Praia e o Seminário. Foi ele também o responsável pela elaboração do “prato” como recordação a perpetuar o Encontro. Para além de realizar toda esta ajuda com uma alegria e satisfação permanentes, regozijou-se exuberantemente com o reencontrar de amigos, com o recordar de memórias, com o regresso virtual à excelência de uma passado glorioso que o espaço não destruiu nem o tempo desfez. Por tudo isto o Mota tornou-se mais um dos “Senhores” do Encontro, a quem, de forna muito especial, manifesto o meu sincero agradecimento.

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publicado por picodavigia2 às 00:27

TELHA CANDELHA

Domingo, 27.07.14

Una,

Dua,

Telha

Candelha

Cabeça de leão,

Engrossa cabelão!

 

Minha mãe

Mandou-me à fonte

E eu parti a cantarinha.

 

Minha mãe

Não me bata

Eu sou muito piquininha.

 

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publicado por picodavigia2 às 16:51

FREI JOÃO SEM CUIDADOS

Domingo, 27.07.14

Era uma vez um rei que ouvira, muitas vezes, falar em Frei João Sem-Cuidados como o único homem do seu reino que não se afligia com coisa nenhuma deste mundo. E isso provocava-lhe uma certa inveja:

- Deixa estar, que eu hei-de meter-te em trabalhos — pensou o rei para consigo.

Certo dia, mandou-o chamar à sua presença e disse-lhe:

- Vou dar-te uma adivinha e, se dentro de três dias, não me souberes responder, mando-te matar. Quero que me digas: 1.º Quanto pesa a lua? 2.º Quanta água tem o mar? 3.º Que é que eu penso?

Frei João Sem-Cuidados saiu do palácio bastante atrapalhado, pensando nas respostas que havia de dar a cada uma daquelas perguntas.

Um velho moleiro que o conhecia, pois era a ele que Frei João ia levar a sua farinha pata lh’a moer, encontrou-o no caminho e estranhou ver o frade tão macambúzio e de cabeça baixa.

- Olá, Senhor Frei João Sem-Cuidados, então porque é que está tão triste?

- Nem queira saber, Senhor Moleiro! É que o rei mandou-me chamar e disse-me que me mandava matar se, dentro de três dias, não lhe respondesse a estas três perguntas: quanto pesa a lua, quanta água tem o mar e em que é que ele pensa!

O moleiro desatou a rir e disse-lhe que não tivesse cuidado nem se preocupasse, que lhe emprestasse o hábito de frade, que ele iria disfarçado e havia de dar boas respostas ao rei.

Passados três dias, o moleiro, vestido de frade, foi pedir audiência ao rei. Este perguntou-lhe:

- Então quanto pesa a lua?

- Saberá Vossa Majestade que não pode pesar mais do que um arrátel, pois todos dizem que ela tem quatro quartos.

- É verdade. E agora: quanta água tem o mar?

- Isso é muito fácil de saber. Mas como Vossa Majestade só quer saber a quantidade de água do mar, é preciso primeiro mandar tapar todos os rios que nele desaguam, porque sem isso nada feito.

O rei achou bem respondido, mas, zangado de ver Frei João Sem-Cuidados a escapar-se às dificuldades, tornou:

- Agora, se não souberes que é que eu penso, mando-te matar!

O moleiro respondeu:

- Ora, Vossa Majestade pensa que está a falar com Frei João Sem-Cuidados e está mas é a conversar com o seu moleiro.

O velho moleiro deixou então cair o capucho de frade e o rei ficou pasmado com a esperteza dele e também com a do Frei João Sem-Cuidados, que tão bem soube fazer-se substituir.

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publicado por picodavigia2 às 09:27

DATAS

Domingo, 27.07.14

O meu avô materno, de nome José Fagundes da Silveira, nasceu, na Fajã Grande, a 18 de Setembro de 1884 e faleceu, na mesma freguesia a 8 de Maio de 1952, com 68 anos, tendo passado alguns anos da sua vida, antes de casar, na Califórnia. Por sua vez, a minha avó, Joaquina Fagundes de Sousa, nasceu a 1 de Novembro de 1890, no lugar da Cuada e faleceu a 26 de Dezembro de 1965, na Fajã Grande, com 75 anos. Nunca saiu da vila e poucas vezes da\Fajã Grande. Casaram na igreja da sua freguesia natal, em 11 de Janeiro de 1909. Tiveram doze filhos, todos nascidos na Fajã Grande, tendo um falecido pouco depois de nascer. A filha mais velha, Maria da Conceição, nasceu a 29 de Outubro de 1909 e casou com Augusto da Costa Benavide. Tiveram uma filha. O segundo filho, sempre designado por “José do Céu” nasceu a 26 de Maio de 1911, falecendo 6 meses depois. O terceiro rebento foi Angelina, a minha mãe, que nasceu a 7 de Setembro de 1912. Seguiu-se a Gloria, nascida a 2 de Novembro de 1914, a Ana, nascida a 26 de Julho de 1916 e José a 27 de Julho de 1918. A seguir, em 18 de Maio de 1920 nasceu a Luísa, a 17 de Marco de 1922 o Cristiano, recebendo o nome do pai adoptivo da minha avó, acontecendo o mesmo com a filha que nasceu a seguir, em 3 de Junho de 1924, que recebeu o nome de Margarida, ou seja o nome da mãe adoptiva da minha avó, também falecida muito nova. Seguiu-se Maria de São José, que nasceu a 18 de Marco de 1926 e o Luís, nascido a 4 de Marco de 1928. Por fim mais um casas, os únicos ainda vivos, Georgina, que nasceu a 26 de Outubro de 1931 e Francisco, nascido a 8 de Janeiro de 1933.

Os restantes filhos já faleceram. Angelina Fagundes, faleceu no hospital de Santa Cruz, em 5 de Agosto de 1954. Era casada com João Joaquim Fagundes, que nasceu a 18 de Outubro de 1902, faleceu a 16 de Janeiro de 1966, em Angra do Heroísmo, ilha Terceira. Casaram em 28 de Maio de 1938. Cristiano Sousa faleceu, na Califórnia, a 17 de Fevereiro de 1978, Luís Silveira a 24 de Junho de 1979, também na Califórnia e Maria de São José a 8 de Marco de 1980, em Lisboa. Maria Benavide faleceu na Califórnia, a 8 de Marco de 1994, assim como a Gloria Dias, esta a 21 de Marco de 1998.

Já faleceu um bisneto dos meus avós maternos e netos dos meus pais, Paul Garcia, que nasceu a 23 de Fevereiro de 1976, em Arcata, norte da Califórnia, onde faleceu a 24 de Marco de 1999, num acidente de automóvel. Era filho da Maria Victoria e Octávio Garcia.

Um dos netos e meu irmão, já falecido, também na Califórnia, foi António Fagundes, que nasceu na Fajã Grande, em 25 de Fevereiro de 1943, faleceu a 8 de Maio de 2000. Alzira Sousa, nora dos meus avós, nasceu a 27 de Setembro de 1923 e faleceu a 13 de Novembro de 2000. Margarida Almeida, faleceu a 22 de Março de 2007, era casada com Manuel Almeida, nasceu em 1917, faleceu a 17 de Junho de 1991. Por sua vez José de Sousa faleceu a 8 de Julho de 2007 e Frank Fagundes Almeida, também meu irmão, a 30 de Julho de 2009. Todos faleceram na Califórnia

Ana e Luísa faleceram em Anadia e Maria de Jesus, minha irmã, faleceu em 9 de Abril de 2014, na Califórnia.

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publicado por picodavigia2 às 08:40

SENHORA SANTANA

Sábado, 26.07.14

Na Fajã Grande, na década de cinquenta contava-se a seguinte estória:

Era uma vez, um casal que se dava muito mal, o que lhes causava alguma tristeza. Além disso faziam tudo o possível para se entenderem.

Certo dia, cuidando que Santana havia de os ajudar a conseguir o seu desejo, dirigiram-se à igreja, a fim de rezar, implorando à Santa a tão almejada reconciliação, Mas nada, Voltaram, uma última vez, e já muito desanimados, fizeram as seguintes orações:

A mulher implorou assim:

 

Senhora Santana,

Dai-me um bom marido,

Porque o que eu tenho

Não dorme comigo.

 

Ao que o homem retorqui:

 

Senhora Santana.

Minha mulher mente,

Durmo com ela,

Mas ela não me sente.

 

A estória não esclarece se Santana fez o milagre.

 

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publicado por picodavigia2 às 08:11

AVÔ

Sábado, 26.07.14

“Avô é pai com açúcar.”

Dito brasileiro

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publicado por picodavigia2 às 07:38

O NABO GIGANTE

Sexta-feira, 25.07.14

(TEXTO DE ANTÓNIO MOTA)

 

Numa aldeia, à beira de uma montanha, havia uma pequena casa coberta de musgo. Junto da casa havia uma horta.

Na horta havia uma laranjeira que dava laranjas muito doces, um limoeiro que dava limões muito grandes, uma cerejeira que dava cerejas brancas, três videiras que davam enormes cachos de uvas saborosas, uma capoeira que tinha galinhas, galos, perus, codornizes e patos.

Na horta havia também um tanque. Por cima do tanque, havia uma bica que deitava água sempre muito fresca durante todos os dias do ano.

Na casa viviam duas pessoas: um velho muito velhinho, magro e baixinho; e a sua mulher, alta, gorda e velhota.

O velho, muito velhinho, magro e baixinho, desde menino que sachava, semeava, regava, mondava, colhia e comia o que a terra dava. E também repartia com as galinhas, os galos, os perus, as codornizes e os patos que viviam na capoeira.

Um ano, quando os primeiros dias da Primavera trouxeram sol e calor, os pássaros começaram a voar sobre a terra à procura de raízes finas, penas, trapinhos e ervas secas. Coisas leves que levavam no bico para cima das árvores, para os buracos dos muros, para os telhados e para os beirais para aí construírem os ninhos. Caminhas fofas onde haviam de pôr e chocar os ovos para que outros passarinhos nascessem bem protegidos e agasalhados.

E o velho, muito velhinho, levantou-se muito cedo, tomou o pequeno-almoço e foi trabalhar para a horta. Encheu uma carreta com o estrume do galinheiro e levou-o para a horta. Com um ancinho espalhou o estrume sobre a terra e cavou-a com a sua enxada muito velha, muito pesada, muito usada.

Pôs a terra muito lisinha e, muito transpirado, tirou do bolso das calças um pacotinho de papel amarelo.

Dentro do pacotinho havia sementes de nabo que ele semeou no chão cultivado, delicadamente, com muitos vagares e muito amor. Depois cobriu as sementes com a terra e regou-as com água do tanque. E antes de se ir embora disse assim:

- Façam favor de crescer, está bem?

Os dias passaram muito devagar, os passarinhos nasceram nos ninhos e começaram a pedir comida aos pais que voavam todo o dia, muito atarefados.

O sol aquecia a terra e fazia desabrochar as folhas e as flores das árvores.

As sementes de nabo, bem estrumadas, bem regadas e bem mondadas transformaram-se em pequeníssimos rebentos verdes e, mais tarde, em plantas grandes, com enormes folhas.

Numa tarde, o velho, muito velhinho, descobriu que no seu nabal havia um nabo que crescia muito mais que os outros. Ficou curioso. Contou à mulher e todos os dias, mal acordava, corria para a horta ver o que tinha acontecido ao nabo. E ficava muito espantado: o nabo cada vez estava maior que os outros.

O nabo ia crescendo, crescendo e já não era duas vezes, nem três vezes, nem quatro vezes, nem cinco vezes, nem dez vezes maior. O nabo era gigante. Tinha a mesma altura do velho e continuava a crescer de hora a hora, de dia a dia.

Como o nabo já estava a incomodar as alfaces, os tomates, os pepinos, as abóboras e as couves que serviam para fazer caldo verde, a mulher do velho, muito velhinho, disse-lhe assim:

 – Marido, é preciso ir à horta arrancar o nabo gigante!

 – Boa ideia – disse o velho, muito velhinho. – Vou tirá-lo da terra imediatamente. Não demoro nada.

O velho, muito velhinho, foi para a horta, agarrou-se muito bem ao nabo gigante e puxou um bocadinho. Mas o nabo não se mexeu.

O velhinho puxou outra vez, mas com muita, muita, muita força. Mas o nabo não se mexeu.

O velhinho resolveu chamar a mulher para o vir ajudar.

A velhota veio, puxou o velhinho e o velhinho puxou o nabo. Fartaram-se de puxar  mas o nabo...

A velhota resolveu chamar uma menina, que vivia lá perto.

A menina puxou a velhota, a velhota puxou o velhinho e o velhinho puxou o nabo. Fartaram-se de puxar, mas o nabo...

A menina resolveu chamar o irmão que andava a brincar.

O rapaz puxou a menina, a menina puxou a velhota, a velhota puxou o velhinho e o velhinho puxou o nabo. Fartaram-se de puxar, mas o nabo...

O rapaz resolveu chamar o seu cão, que era grande, meigo e muito forte. O cão veio a correr para ajudar a tirar o nabo.

O cão puxou o rapaz, o rapaz puxou a menina, a menina puxou a velhota, a velhota puxou o velhinho e o velhinho puxou o nabo. Fartaram-se de puxar, mas o nabo...

O cão ladrou a um gato e o gato veio a correr para ajudar a tirar o nabo.

O gato puxou o cão,  cão puxou o rapaz, o rapaz puxou a menina, a menina puxou a velhota, a velhota puxou o velhinho e o velhinho puxou o nabo. Fartaram-se de puxar, mas o nabo...

Então o gato pôs-se a miar e apareceu um rato muito pequenino.

O rato puxou o gato, o gato puxou o cão,  cão puxou o rapaz, o rapaz puxou a menina, a menina puxou a velhota, a velhota puxou o velhinho e o velhinho puxou o nabo. Puseram-se a puxar, a puxar, a puxar...

O nabo saiu da terra com tanta velocidade que o gato caiu sobre o rato, o cão sobre o gato, o rapaz sobre o cão, a menina sobre o rapaz, a velhota sobre a menina, o velhinho sobre a velhota e o nabo ao lado de todos.

O nabo saiu da terra com tanta velocidade que o gato caiu sobre o rato, o cão sobre o gato, o rapaz sobre o cão, a menina sobre o rapaz, a velhota sobre a menina, o velhinho sobre a velhota e o nabo ao lado de todos.

A velhota, que era uma grande cozinheira, cortou o nabo em pedacinhos e fez um cozinhado muito apetitoso, muito saboroso. Mas o velhinho e a velhota não o comeram sozinhos.

Nessa noite tinham muitos convidados à mesa.

O rato, o gato, o cão, o rapaz, a menina, a velhota e o velhinho deliciaram-se a comer um fabuloso e gigantesco cozinhado de...

 

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publicado por picodavigia2 às 16:15

BELEZA NÃO PÔE MESA

Sexta-feira, 25.07.14

“Beleza não põe mesa.”

 

Este era um adágio muito utilizado na Fajã Grande, na década de cinquenta e anteriores.

Numa sociedade bastante pobre, com algumas limitações em termos alimentares, sobretudo no que à sua variedade dizia respeito, imperava o princípio de que mais importante do que a beleza era a saúde, o que para tal exigia o pão necessário em cada dia. Por outro lado, o uso deste adágio significava como que o anátema da vaidade, da preguiça, do deslumbramento.

De que serve a alguém ter beleza se afinal não tiver o alimento necessário em cada dia. Para isso impõe-se o trabalho.

 

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publicado por picodavigia2 às 10:24

ESPÍRITO SANTO EM SÃO CAETANO

Quinta-feira, 24.07.14

É por demais sabido que as festas de Espírito Santo, nos Açores, tomam matizes muito diversificadas e expressam tonalidades bem diferentes de ilha para ilha e até, dentro da mesma ilha, de freguesia para freguesia.

São Caetano do Pico é um bom exemplo das diferenças e dissimetrias existentes entre estas celebrações e as que referi, neste blogue, relativamente à Fajã Grande das Flores.

Em São Caetano “atestam-se” ou “arrolam-se” os irmãos, não para receber mas sim para dar, no caso, a tradicional rosquilha, feita de saborosa massa sovada. Cada irmão pode contribuir com um ou com meio açafate, sendo o primeiro de trinta rosquilhas e o segundo de quinze. Quem o entender, normalmente por não ter possibilidade de cozer a massa, pode substituir o açafate do pão por equivalente valor em dinheiro, contribuindo assim para as várias despesas da festa, nomeadamente para a compra das rezes e de outras iguarias destinadas a confeccionar a refeição comunitária que se realiza no dia da festa. É que o almoço conjunto de toda ou quase toda a população da freguesia constitui um dos momentos altos da festa.

Durante a semana que antecede a terça-feira de Pentecostes, dia em que se realiza a festa, canta-se o terço junto das insígnias. Trata-se de um conjunto de invocações ao Espírito Santo, cantadas de forma repetitiva e com uma estrutura semelhante à do terço habitual.

No dia da festa, alta madrugada ouve-se o foguete anunciador do início do cozer da carne. Esta é colocada em mais de uma dúzia de gigantescos tachos e é devidamente temperada. Assim vai cozendo lentamente e formando um saboroso caldo com o qual se irá regar o pão partido a meio, acamado em terrinas e coberto com folhas de hortelã. Antes da missa forma-se o cortejo, com destino à igreja, sendo as coroas transportadas por meninas familiares ou convidadas do mordomo, ricamente vestidas e pelo próprio mordomo, enquanto a bandeira é levada conjuntamente por um casal, umas e outras dentro de quadrados formados por varas, seguradas por crianças. Seguem-se conjuntamente os foliões com tambor, pandeiro e insígnias e o povo. Terminada a missa procede-se à “coroação do mordomo”, rito que consiste na imposição da coroa na sua cabeça, pelo celebrante, ao som do “Veni Creator”, agora numa adaptação vernácula “Vinde Espírito Paráclito”. O cortejo regressa ao local onde é servido, na presença da coroa e da bandeira, a refeição, sendo esta constituída pelas tradicionais sopas, carne assada e arroz doce, tudo regado com vinho de cheiro. Durante o almoço é revelado o nome do futuro mordomo, através de voto de cada irmão.

A festa e o convívio continuam durante a tarde e termina com o seu ponto alto ou seja, com a distribuição das rosquilhas, uma por cada habitante ou forasteiro que participe na festa ou simplesmente passe, por mero acaso, pela freguesia.

Actualmente a festa do Espírito Santo em São Caetano duplica-se, uma vez que, para além de ser efectuada na Prainha, na terça-feira seguinte ao domingo de Pentecostes, também é realizada, na Terra do Pão, no mês de Julho.

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publicado por picodavigia2 às 17:24

MOMENTO

Quinta-feira, 24.07.14

Atroz sobressaltar de meus enganos,

De meus erros, de minhas ilusões.

Seguro confirmar de tentações

De desejos maléficos, profanos.

 

Esperança sonhadora de meus anos,

Perenes, dolorosas ilusões

Em místicas e eternas doações.

Estáticos e imóveis desenganos!

 

Débil correspondência de meu ser!

Despojado de tudo, pobre e vão,

Estagnado de eterno amortecer.

 

Engano perspicaz de uma evasão,

De um contínuo e seguro esmorecer

Deixando-me pra sempre em solidão.

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publicado por picodavigia2 às 16:11

O MUNDO ENSANDECEU

Quinta-feira, 24.07.14

É verdade que este mundo em que vivemos, nos últimos cinquenta anos, evoluiu, em termos científicos e tecnológicos, substancialmente. Há quem afirme que, nas últimas cinco décadas o mundo avançou quinhentos anos, o que, em boa verdade, não será um exagero. Todos nos deslumbramos com este avanço, sobretudo com o tecnológico, e dele tiramos excelentes benefícios, entrelaçados com magníficas comodidades que nos proporcionam uma existência mais agradável, mais cómoda e, sobretudo, mais feliz.

Paralelamente, no entanto, o mesmo mundo parece ter ensandecido. Não bastavam as catástrofes naturais, a que o homem não pode pôr cobro, e que vêm prejudicar, substancial e atrozmente, por vezes até aniquilar, a sua própria vida. São as crises sísmicas, os terramotos, os ciclones, os desabamentos ou tantos outros acidentes aéreos, terrestres ou marítimos, as tragédias resultantes do desequilíbrio das forças da natureza que o homem embora, nalguns casos, as possa prever, não as pode impedir.

O pior, no entanto, é que a tudo isto, se juntam uma série de atrocidades, das quais o verdadeiro e único culpado é o próprio homem, que têm assolado o mundo, nos últimos tempos, com destaque para o permanente tiroteio entre Israelitas e Palestinianos, os conflitos no Médio Oriente, a guerra na Ucrânia, na Síria, na África e em tantas outras paragens do universo, o rapto de dezenas de jovens, os maus trato de crianças e idosos, a fome, o abandono e a solidão de tantos humanos, o terrorismo e o recente abatimento de um avião das linhas aéreas da Malásia, para não falar do desaparecido há uns meses e do qual nada se sabe. 

Na verdade, a recente queda do avião da Malaysia Airlines, nos céus da Ucrânia, com duzentas e noventa e oito pessoas a bordo, chocou o mundo inteiro e vem por a nu a bruta e selvagem desumanidade da humanidade e alertar os humanos para a tremenda indignidade que revelam as suas relações, mostrando que o homem é o lobo do homem, isto é, o seu pior inimigo. É verdade que, segundo notícias que circulam, “o corredor aéreo onde o avião circulava não devia estar aberto, e que o piloto, ou quem lhe deu orientações de voo, minimizou o risco. Mas verdade é que a Malaysia Airlines perde, num curto espaço de tempo, dois dos seus aviões, praticamente superlotados, devido a causas puramente humanas e difíceis de explicar, sobretudo, no caso do primeiro, sobre cujo desaparecimento existem as mais terríveis e aberrantes suspeitas. Na verdade, o ser humano revela-se como o mais desumano e estúpido dos animais.

Recorde-se, no entanto, que o abate do voo da Malaysia Airlines, na quinta-feira passada, apesar de ser o que vitimou maior número de pessoas, no entanto, não é inédito nos últimos cinquenta anos. Antecederam-no outros, entre os quais:

A 4 de Outubro de 2001 um avião da Siberia Airlines, viajando da capital da Sibéria para Telavive, transportando 64 passageiros e 12 membros da tripulação, foi abatido sobre o mar Negro por um míssil ucraniano.

A 3 de Julho de 1988, durante a guerra entre Irão e Iraque, barcos americanos e iranianos debatiam-se no Golfo Pérsico. Nos meandros deste cenário, um Airbus 300, que era usado pelos iranianos para fins civis e militares, foi abatido pela marinha americana, que terá confundido o avião comercial com o militar F-14. Todos os passageiros que seguiam a bordo morreram.

O avião KAL007 foi, misteriosamente, derrubado a 1 de Setembro de 1983, vitimando 269 pessoas entre passageiros e tripulação, incluindo o congressista americano Larry McDonald.

No dia 27 de Junho de 1980, um avião da Itavia Airlines, que viajava de Bolonha para Palermo com 81 passageiros, foi abatido por um míssil, cujo a origem ainda hoje é desconhecida, despenhando-se no mar Tirreno, junto da Sicília.

No dia 21 de Fevereiro de 1973, um Boeing 727 pertencente à companhia Libyan Arab Airlines, que viajava de Tripoli para o Cairo, perdeu-se e sobrevoou a península de Sinai, que estava sob controlo israelita desde 1967. Depois de alguns avisos, os israelitas abateram o avião vitimando 108 pessoas das 113 que iam a bordo. Sobreviveram quatro passageiros e o co-piloto.

Finalmente, a 27 de Junho de 1955, um avião da Companhia El Al que viajava de Viena para Telavive foi abatido por dois aviões militares MiG fighters, no espaço aéreo Búlgaro. Todos os 58 passageiros morreram. A Bulgária, mais tarde, admitiu a responsabilidade do ocorrido.

A maldade dos humanos, corrói, corrompe, destrói e mata os seus semelhantes! Os cadáveres são profanados para lhes roubar jóias, dinheiro e cartões de crédito. E os responsáveis não são responsabilizados. O mundo ensandeceu, de verdade!

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publicado por picodavigia2 às 12:21

FAJÃ GRANDE - LUGAR DE VERÃO DE EXCELÊNCIA

Quinta-feira, 24.07.14

A RTP Açores tem estado a transmitir, a cargo do jornalista Vasco Pernes, alguns interessantes programas, intitulados «Lugares de Verão» onde se revelam e publicitam os melhores recantos de Verão açorianos.

No terceiro programa desta série o local escolhido foi a Fajã Grande, tendo sido transmitido no passado domingo, dia 20 e repetido ontem, dia 23, quarta-feira  na RTP Açores.

 Neste programa, dedicado à Fajã Grande e ás suas belezas naturais, pretende demonstrar-se que os lugares são das gentes que lá vivem e das gentes que por lá passam. Os lugares são feitos de sabores e de emoções. Nos lugares contam-se histórias e vive-se a ilha por dentro. Os lugares são do tempo e o tempo é de Verão. A televisão pública vai ao lugar e traz um novo olhar, com o encanto mais do que a ilha, do lugar!

 

http://v2.videos.sapo.pt/qukML6BplCWb1wfY3fZl

 

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publicado por picodavigia2 às 11:18

LINGUAGEM DA BONDADE

Quarta-feira, 23.07.14

“A bondade é uma linguagem que o surdo consegue ouvir e o cego consegue ler."

Mark Twain

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publicado por picodavigia2 às 19:21

PATRIMÓNIO CULTURAL DE MANTEIGAS

Quarta-feira, 23.07.14

O concelho de Manteigas constitui, por si só, um local de grande interesse cultural e turístico, visitado durante todo o ano por turistas nacionais e estrangeiros. São lugares de rara beleza natural e de interesse turístico neste concelho os seguintes: Cântaros (Magro, Raso, Gordo), Covão d' Ametade, Covão da Ponte, Covão do Boi, Fonte de Paulo Luís Martins, Lagoa Comprida, Miradouro do Fragão do Corvo, Nave de Santo António, Penhas da Saúde, Penhas Douradas, Poço do Inferno, Posto Aquícola da Fonte Santa - Viveiro das Trutas, Torre, Vale da Castanheira e Vale Glaciar do Zêzere

Em termos de património artístico e cultural, o concelho de Manteigas também é muito rico, possuindo um património histórico considerável, sobretudo, no que se refere a monumentos religiosos, nomeadamente, igrejas e capelas. Além disso, existem muitos padrões que marcam a história do concelho ao longo dos séculos e a fé religiosa dos antepassados., com destaque para a freguesia de Sameiro, a igreja de São João Baptista e a capela de Santa Eufémia. Destacam-se também monumentos de interesse na freguesia de Santa Maria e as igrejas Matriz de Santa Maria e a da Misericórdia, as capelas do Senhor do Calvário, de São Lourenço, de São Gabriel, de Santa Luzia, de Nossa Senhora da Estrela, de Nossa Senhora de Fátima, de Nossa Senhora do Carmo e a de Nossa Senhora da Saúde. Na freguesia de São Pedro, destaca-se a igreja de S. Pedro e as capelas de Nossa Senhora dos Verdes, de Santo António, de São Domingos, de São Sebastião, de Santo André, de Nossa Senhora de Lurdes e a do Imaculado Coração de Maria. Na freguesia de Vale de Amoreira, a igreja de Matriz.

Na vila de Manteigas a igreja de Santa Maria, a mais antiga da Vila, que possuía em meados do Séc. XVIII, cinco altares, a igreja de São Pedro, cuja construção é posterior à da Igreja de Santa Maria. Desta igreja saía, em anos alternados, nos meados do Séc. XVIII, a procissão real do Corpus Christi. Esta igreja era enriquecida pelo valor de sete capelas anexas: Santo Amaro, São Domingos, S. Sebastião, Santo André, Santo António d´Além do Rio, Santo António da Argenteira e Senhora dos Verdes, a mais recente edificação, mandada erigir pelos moradores de Manteigas no ano de 1756. Destaque ainda para a igreja da Misericórdia, que se supõe que tenha sido construída em meados do Séc. XVII, hipótese que parece confirmar-se pelo facto de existir no interior da mesma uma têmpera com um texto em português arcaico onde se pode ler que foi celebrada uma missa no ano de 1688. Em Manteigas destaque ainda para as capelas do Senhor do Calvário, de São Lourenço, de São Gabriel, de Santa Luzia, de Nossa Senhora da Estrela, de Nossa Senhora de Fátima, de Nossa Senhora do Carmo na Castanheira, de Nossa Senhora da Saúde na Quinta da Boavista, de Nossa Senhora dos Verdes, recentemente reconstituída, de Santo António, de São Sebastião, de Santo André, de São Domingos e a de Nossa Senhora dos Pastores, esculpida em rocha granítica, no alto da serra Covão do Boi. Vários oratórios, painéis e alminhas enriquecem este vasto património cultural religioso de Manteigas.

No que aos monumentos civis diz respeito, destaque para a Casa das Obras, robusta construção de tipo solarengo, encimada por brasão a conferir título de nobreza. No seu interior existem ainda algumas peças de mobiliário de qualidade, nomeadamente, sete quadros a óleo dos Séculos XVIII e XIX, retratando algumas das mais iminentes figuras da Família. Construída em Manteigas, na segunda metade do Séc. XVIII pelo capitão - mor e mais tarde desembargador João Teodoro Saraiva Fragoso de Vasconcelos Cardoso, a Casa das Obras impõe-se pelas suas dimensões e qualidade e o seu nome está relacionado com a duração e a expectativa da sua construção, que deve ter durado, pelo menos, de 1770 ao primeiro quartel do Séc. XIX.

Finalmente, outro lugar de interesse turístico neste concelho é Torre do Cume, com 9 metros, a perfazer 2000 metros de altitude, no topo da Serra da Estrela a assinalar o ponto mais alto de Portugal; Torre do Cume, com 9 m (A perfazer 2000 m de altitude), no topo da Serra da Estrela a assinalar o ponto mais alto de Portugal;

 

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publicado por picodavigia2 às 19:18

DESTEMIDO

Quarta-feira, 23.07.14

M 50 – “DESTEMIDO”

 

ENTRADA

 

Gadeletes de arroz recheadas com conserva de atum, com alho, cebola, pimentos e creme de queijo fresco e canapés de alface, atum, temperado com alho, cebola, pimentos e creme de queijo fresco.

Rodelas de pepino grelhadas com creme de queijo de salmão.

 

PRATO

 

Hamburguer de salmão, grelhado e temperado com alho, pimenta, ervas aromáticas e sumo de limão e barrado com creme de queijo fresco de ervas aromáticas.

Arroz de grelos e cenoura raspadinha.

 

SOBREMESA

 

Melão e geleia de pêssego.

 

 

 

******

 

Preparação da Entrada: - Escorrer a água do atum e desfazê-lo, misturando-lhe o alho, a cebola, os pimentos picados e duas colheres de queijo creme. Barrar as godeletas com esta mistura. Partir triângulos de pão de forma torrados, cobri-los com alface e a mesma mistura. Grelhar as rodelas de pepino e barrá-las com o creme. Empratar

 

Preparação do Prato –Temperar o hambúrguer e grelhá-lo. Fazer um refugado com azeite, cebola e alho e juntar a cenoura raspada e os grelos. Juntar o arroz e a água necessária à cozedura. Empratar, barrando o hambúrguer com creme de queijo fresco de salmão r o arroz com o mesmo mas de ervas aromáticas.

 

Preparação das Sobremesas – Confecção tradicional.

 

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publicado por picodavigia2 às 14:19

UMA VACA PARA O SENHOR ESPÍRITO SANTO (DIÁRIO DE TI’ANTONHO

Quarta-feira, 23.07.14

“Quando eu era criança, meu pai contava que há muitos anos, tinha havido um homem da Cuada que tinha feito a promessa de dar um jantar em louvor do Senhor Espírito Santo, pelo que decidiu criar uma vaca. Para poder cumprir a sua promessa e porque era pobre e não tinha relvas cá em baixo, nem comida para lhe deitar, resolveu ir levar a vaca ao mato, ao concelho para que ela lá ficasse durante o Verão e engordasse, a fim de que desse para cumprir a promessa.

 De vez em quando o homem ia ao mato ver a vaca e voltava sempre muito satisfeito porque o animal engordava a olhos vistos. Certo dia, porém, o homem chegou ao mato, ao sítio onde a vaca, normalmente, andava a pastar, mas não a encontrou. Procurou por todo o lado e por tudo o que era sítio, mas havia por ali muitos buracos, muitos valados, muitos grotões e muitos precipícios que dificultavam a busca. O homem regressou a casa muito triste e, à Praça, contou aos seus amigos o desgosto que tinha, sem saber o que havia de fazer para cumprir a sua promessa. Os homens que ali estavam tentaram acalmá-lo sem sucesso e, vendo aquela angústia e enorme tristeza, muitos ofereceram-se para ir com ele, no dia seguinte, procurar o animal. Procuraram um dia, dois dias, vários dias, todo o concelho mas não encontraram a vaca. Cuidando que ela teria morrido, regressaram ao povoado, sentindo que não podiam fazer mais nada. O homem ficou muito triste, pois como era muito pobre, não podia comprar outra vaca.

No entanto, lá foi economizando uns tostões e, ao fim de muitos anos, lá conseguiu juntar o dinheiro necessário para cumprir a sua promessa, porque o prometido é devido. Assim comprou outra vaca para pagar a sua promessa. Mas a vaca era pequena e pouca carne daria.

 Mas na semana antes do dia do Senhor Espírito Santo, juntou-se muita gente em casa do homem. Todos ajudaram a rachar a lenha, aquecer o forno, a amassar e a cozer o pão de trigo para comerem com a carne, mesmo sendo pouca, e a massa sovada. Na sexta-feira, foram em cortejo para o matadouro, para matar a vaca que o homem tinha comprado, depois da outra desaparecer. De repente viram ao longe, descendo uma canada, algumas reses que caminhavam na direcção do matadouro. O homem viu que o animal da frente era a vaca que lhe tinha desaparecido no mato e trazia atrás de si sete bezerros. Os animais chegaram-se para o lugar onde deviam ser mortos, como a oferecer-se e toda a gente se benzia e louvava o Senhor Espírito Santo pelo milagre. Mataram o gado e naquele jantar houve carne em abundância para todos.”

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publicado por picodavigia2 às 10:14

PADRE JOÃO DE FREITAS LOURENÇO

Terça-feira, 22.07.14

Pouco se sabe sobre a vida deste ilustre fajãgrandense, o padre João Lourenço Fagundes, que teve escritura de doação patrimonial de bens, em 1820, uma ancestral das actuais Escrituras Públicas de Doação, feitas junto de um tabelião e através das quais uma das partes doa determinado bem, tanto móvel como imóvel a outra. Assim e em função desta data e da data de casamento dos pais, o padre João de Freitas Lourenço terá nascido no final do século XVIII, por volta de 1790. Era filho de João de Freitas Lourenço e de Mariana da Ascenção. O pai, falecido em 11 de Abril de 1815, com 83 anos, foi alferes num dos fortes da Fajã Grande e também era natural do lugar da Fajã, assim como a mãe. O pai era filho de Manuel Lourenço e de Joana de Freitas, tendo casado, e, 16 de Janeiro de 1779, com 49 anos de idade, na igreja da Fajazinha, na altura paróquia das Fajãs, com aquela que foi a mãe deste sacerdote, Maria da Ascenção, uma das filhas do capitão António de Freitas Henriques e de Maria de Freitas.

O avô paterno do padre João de Freitas Lourenço, Manuel Lourenço, casou duas vezes, ambas na igreja da Fajazinha. Em 1723 com Maia de Freitas filha do alferes André Fraga Pimentel e da segunda, em 1751, com Joana de Freitas, filha de António George Garcia e de Maria de Freitas., sendo esta a avó do padre João de Freitas Lourenço. Por sua vez os avós maternos, António de Freitas Henriques e Maria de Freitas também casaram na Fajãzinha, em 1760, ele filho do capitão Gaspar Henriques Coelho e de Francisca Rodrigues e ela filha de Bartolomeu Lourenço e de Isabel de Freitas, sendo irmã de Catarina de Freitas, casada com António da Silveira Azevedo, meus sétimos avós. Recorde-se que António da Silveira Azevedo era filho de José Pereira Azevedo, naturais de Santa Luzia do Pico, onde casaram, tendo-se refugiado nas Flores por altura da crise sísmica, em 1718.

 

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publicado por picodavigia2 às 16:34


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