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AEGIS

Terça-feira, 01.07.14

Aegis ou Égide era, na mitologia grega, o escudo mágico, elaborado por Hefesto, que Zeus utilizava para se defender dos titãs, que tinha, em relevo, uma figura gorgônica que o tornava amedrontador para os inimigos do pai dos deuses, dando-lhe, por isso, uma grande capacidade de defesa pessoal. Mais tarde, Zeus cedeu-a à sua filha Atena, que o revestiu com a pele da Medusa, morta por Perseu. Era pois uma protecção.

No entanto, segundo, pelo menos, uma obra de Dionísio Escitobráquio, hoje perdida, a "aegis" seria, também, uma criatura mitológica nascida da Terra, que cuspia fogo, e ia queimando as terras por onde passava. Eventualmente, essa criatura foi atacada e destruída por Atena, que passou a usar a sua pele como forma de protecção.

Aegis ou Égide, pois, significa protecção, amparo, defesa. Se um acto foi praticado sob a égide de alguém, quer dizer que ele foi realizado sob a protecção e com total apoio. Por isso, passou a dizer-se que qualquer façanha conduzida sob a égide de alguém implica que ela foi realizada sob seu poder, protecção, e com seu acordo.

 

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publicado por picodavigia2 às 20:34

O CALDEIRÃO DA RIBEIRA DAS CASAS

Terça-feira, 01.07.14

O caminho entre o Cimo da Rocha e o Queiroal era atravessado pela Ribeira das Casas. Com a sua nascente lá para os lados da Água Branca, nos arredores do Morro Alto, o curso da Ribeira das Casas serpenteava por entre grotões e valados, saltando penhascos e ravinas, numa desproporcionada e abrupta sinuosidade, por vezes monstruosa, descomunal e inaudita. O Caldeirão, rigorosamente encravado no caminho para o Queiroal, era o mais claro exemplo de tão irregular e inóspito curso de água, um dos maiores e talvez o mais original de toda a ilha das Flores

O Caldeirão era um enorme, esconso e abrupto buracão, escavado no próprio leito da ribeira. Esta, cortando o caminho, formava, na direita de quem se dirigia para o Queiroal, uma espécie de pequeno açude, com avantajado volume de água, proporcionando ao gado que por ali passava, um excelente e muito apreciado bebedouro. Do lado esquerdo o temível e assustador Caldeirão, A separá-los umas pequenas alpondras ou passadeiras que, em dias de grandes chuvadas e correntes volumosas, submergiam por completo, por vezes pondo em risco e até impedindo a travessia de quantos por ali necessitavam transitar. O gado, por sua vez, atravessava a ribeira através do açude, o que lhe trazia, na verdade, dois grandes benefícios: refrescava-se e saciava a sede. É verdade que ao enfiar-se na água, sujava-a de bosta e urina para de seguida a beber como se ela estivesse na sua pureza original – límpida, fresca e transparente.

Quem atravessasse as alpondras, e não eram poucos os que ali passavam, diariamente, quer nas idas e vindas para a ordenha, quer para o transporte de fetos, lenha e acompanhamento do gado, deveria cuidar-se. Uma escorregadela imprevista, seria fatal. As crianças assustavam, as mulheres tremiam de medo e até os homens redobravam os cuidados. Em dias de grandes chuvadas era o caos. As águas turbulentas e ameaçadoras levavam tudo, incluindo árvores e animais, baldeando-os para dentro do famigerado Caldeirão, que depois os havia de transportar até à beira da rocha, atirando-os, de seguida, em catadupa, por ali abaixo, como se fossem cacos de um navio naufragado.

Mas o mais interessante é que o Caldeirão, de uma fundura nunca alcançada e de uma escuridão nunca clarificada, estava cheio de lendas, de mistérios e de relatos míticos que faziam dele um dos mais curiosos e interessantes ex-libris da Fajã Grande, pese embora a sua distância do povoado e o difícil acesso.

Mas o Caldeirão da Ribeira das Casas, no caminho entre o Cimo da Rocha e o Queiroal, decerto que se perdeu no espaço, assim como se terá perdido no tempo a sua memória e, com ela, todas as lendas, mitos e tradições que encerrava.

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publicado por picodavigia2 às 10:02

EM JULHO

Terça-feira, 01.07.14

“Em Julho ceifo e debulho.”

Estranho este adágio, pouco lógico, na década de cinquenta e raramente usado na Fajã Grande. Talvez se reportasse aos tempos do cultivo do trigo, o que, aliás. parece ser confirmado pelo uso do verbo ceifar. Na verdade, o milho não se ceifava embora fosse debulhado, embora por processos muito diferentes do trigo. Este, depois de ceifado era espalhado na eira e, com uma grade presa ao moirão e puxada por um junta de vacas, era como que “amassado”, de forma a que os grãos se soltassem das espigas. Outro indicador de que este adágio se refere ao trigo é o facto de este amadurecer e ser colhido no Verão, incluindo o mês de Julho, enquanto o milho era “apanhado” em Setembro e Outubro.

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publicado por picodavigia2 às 09:20





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