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SÓ EM CÓMODAS

Quinta-feira, 10.07.14

Há ninhos desfeitos. A angústia de um pássaro com o ninho destruído constitui uma das mais degradantes e empíricas misérias. Um pássaro sem ninho atira-se para qualquer sítio, à deriva do maquiavélico deambular de uma onda gigante. E, sempre que houver um pássaro que seja, com o ninho desfeito, as noites nunca mais serão o fim dos dias. Hão-de perpetuar-se memórias horríveis, perplexas e destruidoras

As noites não sorriem e as janelas, fechadas e com as cortinas corridas, já não se ufanam de anunciar o nascimento da madrugada.

Mas fica sempre a angústia de não se esconder uma migalha de pão. Os panos de linho estendem-se ao sol, na mira de secarem. Das toalhas com que nos limpámos, após o banho da labuta, brota um suco pestilento e amarelado.

Só em cómodas se guardam os sonhos de cada primavera. Só em cómodas se escondem as lágrimas das amarguras petrificadas. Só em cómodas…

E ainda há quem diga que Van Gaal, ontem, errou ao não substituir outra vez o seu guarda-redes, que sabia perfeitamente não estar vocacionado para defender penalties.

Só em cómodas se guardam os silêncios petrificados… Só em cómodas…

E se eu não tivesse exagerado no acento gráfico das cómodas, decerto que transformaria o “em” em “in”, aproximando, este último, devidamente.

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publicado por picodavigia2 às 21:35





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