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O PRÍNCIPE SAPO

Segunda-feira, 14.07.14

Há muitos, muitos anos, quando os desejos ainda funcionavam e os animais falavam, vivia um rei que tinha várias filhas muito belas e formosas. A mais jovem era tão linda que até o Sol ficava atónito sempre que iluminava seu rosto.

Perto do castelo do rei havia um bosque, grande e escuro, atravessado por um pequeno córrego, rodeado de belos prados e de velhas árvores. Nos dias de muito calor, a princesinha ia ao bosque, aproximava-se do regato e sentava sobre a fresca e viçosa erva que crescia nas suas margens. Quando se aborrecia, pegava numa bola de ouro, atirava-a para o ar, recolhendo-a, de seguida. Esta era a brincadeira favorita da princesinha. Porém aconteceu que, uma das vezes em que a princesa atirou a bola, esta não caiu na sua mão, mas sim no solo, rolando, rolando sobre a relva até cair no regato.

A princesa, ao ver que a sua bola se perdera no fundo do regato, começou a chorar. Tanto chorou, tanto se agastou e tanto lamentou a perda do seu brinquedo preferido, que alguém lhe perguntou:

- O que te aflige, princesa? Choras tanto que até as pedras sentem pena de ti.

A princesa olhou para o lugar de onde lhe parecia que vinha a voz e viu um sapo com a sua enorme e feia cabeça fora da água. Disse-lhe, então:

- Ah, és tu, sapo. Estou a chorar porque a minha bola de ouro, com que gosto tanto de brincar caiu no fundo desse regato.

- Calma, não chores - disse o sapo. – Se quiseres posso ajudar-te. Mas o que me darás tu se eu te devolver a tua bola?

- O que quiseres, querido sapo - disse ela, - Dou-te as minhas roupas, ou as minhas pérolas, ou as minhas jóias. Até te dou esta coroa de ouro que trago na cabeça.

O sapo retorquiu:

- Não me interessam as tuas roupas, as tuas pérolas nem sequer as tuas jóias, nem a tua coroa. Deixa-me, simplesmente, ser teu amigo, brincar contigo, sentar-me à mesa a teu lado, comer no teu prato de ouro, beber do teu copo de cristal e dormir na tua cama de marfim e ébano. Se me prometeres tudo isto eu descerei ao fundo do regato e trarei tua bola de ouro.

- Oh, sim - disse ela – Prometo-te tudo o que quiseres, mas devolve-me a minha bola.

O sapo, depois de ouvir aquela promessa, meteu a cabeça na água e mergulhou. Pouco depois voltou e, nadando com a bola na boca, atirou-a para a relva da margem do regato, onde estava a princesinha que, ao vê-la, logo a agarrou, pondo-se, de imediato a correr, fugindo do sapo. Cuidava ela que um bicho como aquele nunca poderia ser amigo de um ser humano.

- Espera, espera - gritou o sapo. - Leva-me contigo. Eu não posso correr tanto como tu.

Mas de nada serviram os gritos e lamentos do sapo. Aprincesa corria cada vez mais, abandonando o pobre sapo que, assim, se viu obrigado a voltar ao riacho.

No dia seguinte, quando a princesa se sentou à mesa com o rei e toda a corte, comendo no seu pratinho de ouro, bebendo do seu copo de cristal, ouviu um barulho que lhe parecia algo a arrastar-se pela escada de mármore que dava para a sala.

De repente o barulho cessou e ela ouviu uma voz muito ténue e suave que dizia:

- Princesa, jovem princesa, abre-me a porta.

Ela, levantando-se, de imediato, correu para ver quem estava lá fora. Quando abriu a porta, viu o sapo que, de imediato, se sentou-se diante dela, Muito assustada e cheia de medo, a princesa bateu a porta e voltou a sentar-se. O rei, apercebendo-se de que algo de estranho se passava, perguntou:

- Minha filha, o que se passa? Por que estás tão assustada? Há um gigante ali fora que te quer raptar?

 - Ah não, - respondeu ela - não é um gigante, mas um sapo.

- E o que quer o sapo de ti? - Indagou o rei, com espanto

- Ah, querido pai, eu ontem, enquanto estava a brincar no bosque, junto ao regato, a minha bola de ouro caiu à água. Eu gritei muito, o sapo ouviu-me e mergulhou na água, devolvendo-me a bola. Comovida, eu prometi-lhe que ele seria meu amigo e companheiro… Mas nunca pensei que ele fosse capaz de sair da água e vir até aqui.
Entretanto, o sapo voltou a chamar por ela;

 - Princesa, abre a porta. Não te lembras do que me prometeste junto ao regato?
O rei era bom e justo e, por isso, disse à filha:

- Minha filha, deves cumprir o que prometeste. Deixa-o entrar.

 Ela abriu a porta e o sapo, de imediato, deu um salto, seguiu-a até sua cadeira, sentou-se à mesa, ao lado dela e pediu-lhe:

- Aproxima teu pratinho de ouro porque devemos comer juntos.

Contrariada, a princesa fez-lhe a vontade e o sapo aproveitou para comer.

- Comi e estou satisfeito, - disse o sapo - mas estou cansado. Leva-me ao teu quarto, prepara a tua caminha de seda, por que vamos descansar e dormir.
A princesa começou a chorar porque não gostava que o sapo fosse deitar-se na sua caminha. Porém, o rei, indignado, recriminou-a:

- Não sejas ingrata! Não deves desprezar quem te ajudou quando tinhas problemas.

Ela, obedecendo ao pai, pegou no sapo e levou para o quarto, atirando-o para um canto, deitando-se, de seguida. O sapo, muito a custo, arrastou-se para junto dela, dizendo-lhe:

 - Eu estou cansado, também quero dormir, deita-me na tua cama senão conto ao teu pai.
A princesa ficou muito aborrecida e, pegando-lhe atirou-o contra a parede.
- Cala-te, bicho odioso e feio - disse ela.

Mas quando caiu ao chão já não era um sapo mas sim um belo príncipe. A princesa ficou estupefacta e arrependia. Por vontade do pai ele seria o seu companheiro e marido.

Finalmente, o príncipe contou como havia sido encantado por uma bruxa malvada e que só ela o poderia livrar do feitiço.

Na manhã seguinte, quando o sol os despertou, miraculosamente, chegou junto ao palácio uma carruagem puxada por oito cavalos brancos com plumas de avestruz na cabeça. Estavam enfeitados com correntes de ouro. Atrás estava o jovem escudeiro do príncipe, que havia ficado pobre e desgraçado quando seu senhor foi convertido em sapo.

A carruagem levou o jovem rei ao seu reino, acompanhado da esposa. Foram recebidos com enorme alegria pelo povo, que passou a governar com muita bondade, sabedoria e justiça, na companhia da jovem e formosa rainha.

 

(Adaptado de um conto popular brasileiro)

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publicado por picodavigia2 às 16:02

JOSÉ DE VASCONCELOS CÉSAR

Segunda-feira, 14.07.14

O poeta José de Vasconcelos César nasceu em Ponta Delgada, a 29 de Março de 1906, tendo falecido na mesma cidade em 1991. Estudou na sua cidade natal e foi funcionário de Finanças. É considerado um poeta das coisas simples e de um lirismo espontâneo. Ele próprio compôs e imprimiu os seus livros de versos, tendo, em 1983, reunido a sua poesia em livro.

Também deixou inéditos vários contos, o romance Terra do Corisco e um volume de memórias. Foi, ainda, um dramaturgo muito apreciado. A sua principal obra é Poesias Completas.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

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publicado por picodavigia2 às 00:40

DÍSTICO

Segunda-feira, 14.07.14

(PEDRO DA SILVEIRA)

Todas as distâncias são a mesma distância,

ir ou vir o mesmo, se ninguém nos espera.

 

(de Corografias, Perspectivas & Realidades, 1985)

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publicado por picodavigia2 às 00:12





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