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MEMÓRIAS VIVAS DO DANIEL

Segunda-feira, 21.07.14

Recordo-me de meia dúzia de estórias que, quando criança, ia ouvindo aos mais velhos e, algumas, que lia. Apenas tenho o exame da quarta classe feito nas Lajes, em 1941, Todos os meus irmãos mais velhos também o fizeram, assim como as minhas irmãs, com excepção da mais velha. A minha mãe, nascida na última década do século XIX, frequentou a escola primária, que na altura era paga, por isso lia e escrevia muito melhor do que eu. Por sua vez, o meu pai apenas sabia escrever o seu nome e pouco mais.

Recordo-me, também, que, na Fajã Grande, antigamente, havia alguns pessoas que nem o nome sabiam escrever mas eram os que mais se ufanavam e vangloriavam, os que mais erguiam o pescoço, considerando-se os maiores, os mais importantes e os mais inteligentes. Também havia alguns “patrões” que cuidavam que sabiam tudo, governando-se com que era alheio, sendo seu hábito berrar e gritar com os que lhes eram submissos e que tremiam só de ouvi-los. Foram mal desenhados e pintados de noite.

O meu pai ficou órfão da mãe, Maria José Teodósio, aos seis anos, a vossa avó com dois  e a tia Glória da Cuada, com dez dias. O nosso bisavô, José Maria de Sousa, residente na Cuada, aos 41 ficou viúvo e com 11 filhos. O facto de ficar órfão em criança, afecta e marca as pessoas para sempre. O meu pai, mesmo assim, era um homem forte e trabalhador, como diziam alguns de língua solta, que ele andava a trabalhar já sem poder, pois dezasseis meses antes de falecer ainda foi ver umas ovelhas que tínhamos na Tapada, a relva mais próxima ao Morro Alto.

Mas já tudo vai longe! Estão todos petrificados e não foi nenhum deles que inventou a Álgebra, pois nem sequer sabiam o significado do Cosmo. A vossa avó foi criada por aquele casal que tinha perdido o filho com dezanove anos, num acidente, na rocha, por volta do ano de 1890. O meu pai também foi entregue pelo pai a pessoas estranhas, passando a viver com pessoas de duas famílias, que ainda eram primos dele. Destas famílias, houve um filho emigrou para o Rio de Janeiro mas morreu pouco depois e três outros rapazes da mesma família emigraram para a América e de lá voltaram tuberculoses, nas décadas dos 60 e 70 do século XIX. Todas estas pessoas com quem meu pai foi criado viviam com tristeza e já eram velhas. O homem que criou a vossa avó, chamava-se José Cristino Ramos e era primo em primeiro grau com o avô do Urbano, José António Ramos e com um outro irmão que vivia um pouco mais acima da Fonte Velha. José Cristiano também era primo, embora afastado, com Manuel Coelho Ramos que era o avô do José Caetano Pimentel, conhecido por “Coelho”. Este homem regressou da América, em 1930, com muito dinheiro. Comprou terras e construiu uma casa, gastando grande parte do que havia ganho. No entanto uma certa família, considerada muito importante na freguesia, fez com que ele gastasse algum no Tribunal. A matriarca dessa família era oriunda de S. Miguel ou de Sta. Maria. O pai do Coelho era de S. Miguel e era o melhor pedreiro da Fajã. José Cristiano tinha sido excelente homem do mar, sendo baleeiro, pescador, apanhador de lapas, etc. Ele adorava contar lendas, algumas inventadas por ele. Ia ao peixe num barco que possuía, juntamente com o primo Manuel Coelho Ramos. Por sua vez o outro primo, José Ramos também possuía uma lancha de pesca, indo juntos para o mar. Outro notável pescador da freguesia, naqueles tempos era o avo do José Pereira, António Augusto da Silva, possuidor de um barco e natural do Faial. Este era de meu tempo. Outro bom pescador, ainda do meu tempo era tio José Caetano, conhecido pelo Tesoureiro, vizinho de José Cristiano e, mais tarde dos vossos avós.

Vou descrever, agora, o pouco que sei a cerca da família do meu primo Pedro da Silveira. Nasceu a 5 de Setembro de 1922 e faleceu a 13 de Abril de 2003. Era filho de José Laureano da Silveira, e de Luísa Matilde Mendonça. José L. da Silveira nasceu a 27 de Abril de 1864 e faleceu em 1931. A esposa, minha tia Luísa, nasceu em 1893 e faleceu a 8 de Maio de 1969. José L. da Silveira era filho de José Laureano da Silveira e de Maria Claudina da Silveira. Casaram em 1862, ele com 35 anos e ela com 29. Ele faleceu em 1901 e ela, alguns anos, depois. Era neto paterno de Laureano José da Silveira e de Inácia de Jesus. Dizia o Pedro que os Silveiras eram todos parentes dele, os da Fajã, alguns da Ponta, outros da Fajazinha e alguns de St. Cruz. Estes eram os Armas da Silveira, entre eles o Dr. Armas, o irmão Roberto, o Fernando e outros. Dizia, também o Pedro, que o seu pai tinha emigrado para a América com 15 anos, juntamente com os irmãos. Aa chegar à Califórnia, como tantos outros, foi guardar rebanhos de ovelhas no local onde, hoje se está edificada a cidade de Fresno. Porém, após receber o primeiro salario, pôs-se a caminho da cidade de São Francisco, onde passou a trabalhar. Contava ele que o pai talvez tivesse emigrado para a América umas 5 ou 6 vezes e cada vez que regressava à Fajã vendia uma terra, certamente porque tinha muitas. O pai do meu primo Pedro foi às Flores ver a mãe e uma irmã, esta já casada, isto na primeira década do seculo 20. A irmã era casada com Joaquim Oliveira, que tinha ido para as Flores como Grumete da Armada, sendo de S. Miguel. Tiveram dois filhos que também emigraram. O mesmo aconteceu com o pai do António Vieira e o pai do José Eduardo, mas havia muitos outros homens residentes na Fajã, onde casaram, oriundos do continente, da Madeira e de outas ilhas. O Pedro tinha dois tios, irmãos do pai. Um também se chamava Pedro e vivia no Oakland. Teve um jornal e faleceu em 1943, com 74 anos. O outro chamava-se António e era casado com uma senhora de apelido Fagundes, descendente de gente da Fajã e que terá morrido por volta de 1930. O pai do Pedro confiara 30 mil dólares ao irmão António para ele investir da melhor forma, mas, a mulher gastava demasiado, e consta que terá gasto todo este dinheiro. Assim José Laureano perdeu não só todo este dinheiro mas ainda mais mil dólares que emprestou a um homem da Fajãzinha, o qual nunca mais lho pagou. O Pedro dizia que a família do pai era oriunda do Pico e do Faial e um dos seus trisavôs era do Corvo.

O pai do Pedro, na Califórnia, tinha um negócio com um amigo, natural da Arménia, negócio que seria uma Pensão ou Clube, muito possivelmente um bordel. Por sua vez, José Laureano tinha um filho que morreu em combate com os alemães na Itália, em 1918. A mãe seria Flamenga e tinha uma outra filha, duma mulher de Santa Maria. Ela mais o marido andaram na Segunda Guerra Mundial e foram presos no Pacifico, pelo que o Pedro, segundo dizia, que perdeu o contacto com eles. José Laureano terá ido para as Flores em 1920, para casa da irmã que era dona da casa que, mais tarde, o Francisco Tome comprou. A irmã faleceu em 1930. Os filhos morreram novos, na Califórnia.

Isto, o pouco que me recordo acerca de José Laureano. Toda a família morreu com doenças do coração. O Pedro também sofria do coração, mas foi operado em 2000, viveu mais alguns anos. Casou duas vezes. A primeira mulher era natural de Macau. Faleceu derivado um acidente de automóvel. A segunda mulher era de Angola, filha de pai Grego.

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publicado por picodavigia2 às 12:09

DESERTO

Segunda-feira, 21.07.14

A cidade esta manhã era um deserto. Apenas ecos de um limitadíssimo foguetório, de um pimba altíssima, aberrante e muito desordenada e das sirenes a chamar clientes aos carrocéis e baloiços.

De resto, apenas a frota completa da equipa de recolha de lixo camarária, um ou outro transeunte, mais idoso, a comprar o jornal no quiosque aberto mais próximo, umou outro corredor matinal, objector de consciência a festejos e diversões, os que trabalham fora do concelho que hoje comemora o seu feriado e equipas de calceteiros, Vodafone, nos, sediadas noutras paragens.

O silêncio implantado, o espaço rasgado por clareiras, o ar matinal refrescante, o Sol semi acariciador e a inédita vontade de derrubar os vestígios de duas estúpidas e gordoentas fartura que, juntamente com uma mini transformada em panaché, garantiram de um momento para o outro, nada mais do que 800 gramas. Quase um quilo!

Havia que desfazer este acervo de calorias adquiridas quase inconsciente. Uma marcha tornada mais rápida e desgastante com a cumplicidade deste deserto em que emergi e que me galvanizou.

Pela primeira vez tive a oportunidade de correr, como um louco, pelo meio da cidade, sem que a polícia municipal, também ela vigilante, me multasse ou até prendesse, por cuidar que esta a fugir, depois de participar num assalto. De facto muitas eram, sobretudo na avenida, as barracas, para tal disponíveis. Já tinha presenciado várias vezes os muitos corredores e corredoras, mas mãos jovens, mais experientes, com currículo e perfil muito bem delineado. Eu corria à brita, como um selvagem pouco desenvolto e era isso que me intrigava, ao cruzar-me com um polícia.

De um momento para o outro 5 K, mas apenas menos 300 gramas. Um pequeno rombo na enorme monstruosidade do efeito farturas.

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publicado por picodavigia2 às 10:39

PASSAGENS A 134 EUROS

Segunda-feira, 21.07.14

Segundo informou o próprio presidente do Governo Regional, os residentes nos Açores vão passar a pagar o valor máximo de 134 euros nas suas deslocações ao Continente, quer para Lisboa quer para o Porto, ou seja menos da metade do que pagam habitualmente

Esta é uma das principais novidades do novo modelo de obrigações de serviço público nas ligações aéreas entre os Açores e o Continente e entre os Açores e a Madeira, revelado pelo presidente do Governo Regional dos Açores, que também prevê a liberalização das rotas Lisboa-Ponta Delgada, Lisboa-Terceira, Porto-Ponta Delgada e Porto-Terceira e a autorização da realização de voos low-cost.

Com o novo modelo de transporte de passageiros, que deverá estar em pleno funcionamento no Verão de 2015, estas rotas estarão abertas à entrada de qualquer companhia aérea, incluindo as low-cost, prevendo-se que a concorrência neste sector gerará benefícios no que respeita ao preço das passagens e na qualidade do serviço prestado.

 Quanto à passagem ida e volta para um residente nos Açores que se desloque ao Continente, Vasco Cordeiro explicou que os 134 euros correspondem ao preço final "sem restrições", incluindo a tarifa, todas as taxas aeroportuárias e de emissão de bilhete, bem como a taxa de combustível. "Este preço de 134 euros é garantido através do pagamento direto aos residentes do subsídio, nos casos em que o preço praticado pelas companhias aéreas ultrapasse 134 euros, mediante a apresentação após a viagem dos comprovativos da mesma", salientou aquele governante.

As novas obrigações de serviço público contemplam a melhoria das condições de encaminhamentos de passageiros no interior da Região, do transporte de carga por via aérea e a "proteção diferenciada dos residentes e estudantes açorianos", os quais, neste último caso, passam a pagar um valor máximo de 99 euros nas suas deslocações ao Continente.

 "Registe-se que os preços máximos atrás referidos, que significam uma redução de cerca de 50% em relação aos valores atuais, são aplicáveis em todas as gateways dos Açores, independentemente do regime das respetivas rotas. Ou seja, é um preço máximo garantido a todos os açorianos de todas as ilhas nas ligações com o Continente, utilizem eles os voos a partir de Santa Maria, de São Miguel, da Terceira, do Pico ou do Faial", esclareceu Vasco Cordeiro.

Nada se esclareceu, no entanto, relativamente aos voos entre ilhas, aliás bastante altos.

 

NB - Dados de: «Forum Ilha das Flores», «TeleJornal» e «Açoriano Oriental».

 

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publicado por picodavigia2 às 02:15





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