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O PREGADOR

Segunda-feira, 28.07.14

Era um ilustre e conceituado pregador. O melhor da ilha! Sobretudo nos tríduos, novenas e festas de Inverno, quando não havia, em férias, professores do Seminário, Doutores formados em Roma - os únicos que lhe faziam sombra no Verão - assenhorava-se dos púlpitos e ambões, enchia as igrejas de esplendor e assinalava nas almas dos que, piedosamente, o ouviam o indelével carácter da mensagem divina.

Era exímio em citações. Poder-se-ia mesmo dizer que estas eram a sua especialidade. Para além dos Evangelhos, citava, com um rigor invejável, versículos do Antigo Testamento e das Epistolas de São Paulo, excertos dos Padres e Doutores da Igreja, das encíclicas e até dos discursos e sermões dos papas. Uma maravilha! Um dom invejado pela maioria do clero da ilha.

Certo ano, chegou à ilha, hospedando-se, por uns dias, em pleno Inverno, em casa de um amigo e colega de curso, um sacerdote a paroquiar noutra ilha, mas também ele com fama de bom conhecedor da doutrina da Igreja e muito capaz de a citar de cor.

Alertado para o dom do colega, ouviu-lhe, com redobrada atenção, um sermão pregado numa das mais importantes festas da terra. Nessa prédica, o erudito orador citou, com fluência desusada e convincente convicção, palavras de Pio XII, o Sumo Pontífice reinante, na altura.

Terminadas as cerimónias, na sacristia e já desparamentados, os outros padres elogiaram o sermão. A certa altura, o visitante observou-lhe;

- Olhe, colega. Também eu achei o seu sermão muito interessante, Mas que eu saiba Pio XII nunca disse aquelas palavras.

Resposta pronta do outro:

- Ah! Não disse! Mas devia ter dito.

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publicado por picodavigia2 às 21:12

JOSÉ CAETANO DE LACERDA

Segunda-feira, 28.07.14

O médico e poeta José Caetano de Sousa Pereira de Lacerda nasceu na freguesia da Ribeira Seca, concelho da Calheta, S. Jorge, em 21 de Julho de 1861 e faleceu no Estoril, em 12 de Julho de 1911. Formado pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 1894, exerceu clínica no Hospital de S. José, a partir de 1903, tornando-se notado pelos seus conhecimentos científicos, particularmente em psiquiatria. A tese de fim de curso, Os neurasténicos, marcou o rumo dos seus estudos, sendo um dos capítulos considerado como incluindo tudo quanto existia de mais moderno na ciência patológica social, na altura.

Segundo Pedro da Silveira a poesia de José Caetano Lacerda, não sendo, a rigor, simbolista, também não cabe na classificação de parnasiana, antes tipifica um momento de intervalo entre o Parnaso e o Simbolismo. Daí que Flor de Pântano nunca obtivesse dos críticos a atenção que merecia, limitando-se a arrumá-lo como «poesia científica», isto à conta apenas das expressões paramédicas contidas nos poemas. Foi considerado como um espírito superior, vibrátil, que possuía uma estranha organização de artista, uma alma de poeta, veemente e sonhadora. Flor de Pântano é um livro acima do banal, que nos impressiona, que não esquece. Deixou colaboração em várias revistas e jornais, nomeadamente no jornal A Justiça, publicado nas Velas, ilha de S. Jorge, onde colaborou, regularmente. Foi deputado eleito pelo círculo de Angra do Heroísmo em 1901, nas listas do Partido Regenerador.

Obras principais: Hecatombe, a propósito do incêndio do teatro Baquet, Flor de Pântano, Lupercais, Os neurasténicos. Esboço de um estudo médico e filosófico, Bíblia Íntima, Esboços de Pahtologia Social e ideias sobre Pedagogia Geral e Algumas palavras sobre interesses açorianos pronunciadas na Câmara dos Deputados e ampliadas depois, com ligeiras notas a respeito do parlamentarismo português, e sobre a origem geológica, a situação geográfica, o clima, a flora, a fauna terrestre e marítima, o descobrimento, a colonização, a navegação, etc. do arquipélago dos Açores.

 

Dados retirados do CCA – Cultura Açores

 

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publicado por picodavigia2 às 08:18

PALAVRA

Segunda-feira, 28.07.14

(SOPHIA DE MELLO BREYNER)

 

Heraclito de Epheso diz:

" O pior de todos os males seria

A morte da palavra".

 

Diz o provérbio do Malinké:

" Um homem pode enganar-se em sua parte de alimento

Mas não pode

Enganar-se na sua parte de palavra"

 

Sophia de Mello Breyner Andersen

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publicado por picodavigia2 às 00:51

CLASSE E SIMPATIA

Segunda-feira, 28.07.14

Desde o início do século XX que soavam, por toda a ilha das Flores, ecos da obra de um dos mais destacados sacerdotes florenses que, para além de arrotear os púlpitos com uma oratória eloquente e sábia e encher as igrejas com o perfume do seu canto, se posicionava ao lado do povo, na luta e defesa dos seus direitos, orientando-o e ajudando-o no cumprimento dos seus deveres – o padre José Furtado Mota. O epicentro da sua obra, havia de concretizar-se e na criação das cooperativas de lacticínios das Flores. No dia 25 de Julho de 1949, a lendária “Velha do Corvo”, decidiu-se por, atravessar o tormentoso canal e vir, mais uma vez, às Flores, trazer um menino, entregando-o a uns sobrinhos daquele sacerdote, residentes no lugar dos Vales, freguesia e concelho de Santa Cruz.

O José Mota cresceu, influenciado pelo ambiente religioso da família, ingressou no Seminário Menor de Ponta Delgada, em 1962, transitando, dois anos depois, para o de Angra. Em 1969, decidiu abandonar o Seminário e inscreveu-se na Força Aérea Portuguesa, fazendo a sua formação inicial na Base Aérea da Ota. Terminada a recruta e a formação específica, foi colocado no GDACI, unidade de defesa aérea nacional, passando à disponibilidade em 1975, altura em que ingressou na Banca, trabalhando no ex-Crédito Predial Português, onde desenvolveu uma vida profissional marcada pela dignidade, competência, profissionalismo e honestidade. Actualmente está reformado, mas desenvolve uma intensa e profícua actividade, colaborando, em regime de voluntariado, em Instituições de Solidariedade Social e na paróquia da Matriz de Santa Cruz da Praia da Vitória, como membro permanente do Conselho Pastoral, integrando a presidência da Assembleia Pastoral Social. José Mota confessa-se eternamente grato pela excelente formação humana, moral e religiosa que recebeu no Seminário e porquanto ela foi importante ao longo da sua vida de profissional, familiar e cívica.

Desde cedo o José Mota se envolveu na dinamização e preparação do Encontro, prestando-se a colaborar com a “Troika”, sediada em São Miguel. Com uma humildade impressionante, uma simplicidade deslumbrativa, uma dedicação gigantesca e um empenho desmesurado, sem acicatar nenhum tipo de protagonismo, o José Mota trabalhou, colaborou, ajudou, motivou, cooperou em tudo e com todos para que de facto o Encontro corresse da melhor forma, como de facto correu. Para além do trabalho desenvolvido no arranjo e preparação dos espaços, o José Mota disponibilizou, a toda a hora e a cada o momento, a sua ajuda, disponibilizando o seu automóvel, para o transporte de muitos dos participantes no Encontro, entre o aeroporto ou o cais da Praia e o Seminário. Foi ele também o responsável pela elaboração do “prato” como recordação a perpetuar o Encontro. Para além de realizar toda esta ajuda com uma alegria e satisfação permanentes, regozijou-se exuberantemente com o reencontrar de amigos, com o recordar de memórias, com o regresso virtual à excelência de uma passado glorioso que o espaço não destruiu nem o tempo desfez. Por tudo isto o Mota tornou-se mais um dos “Senhores” do Encontro, a quem, de forna muito especial, manifesto o meu sincero agradecimento.

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publicado por picodavigia2 às 00:27





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