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FERNÃO DE HUTRA E OS ILHÉUS DAS CABRAS

Sábado, 30.08.14

Conta uma antiga lenda terceirense que, há muitos, muitos anos, nos Ilhéus das Cabras, terá vivido desterrado um homem chamado Fernão de Hutra.

Segundo a lenda, Fernão de Hutra terá sido um imprudente e desajuizado jovem faialense que se apaixonou por uma freira, e pela impossibilidade de a ter, tencionava raptá-la. Para isso, fez um pacto com o diabo, só que foi mal sucedido. Ao saber disso, a população expulsou-o da cidade da Horta, tendo o jovem procurado na cidade de Angra. Mas Fernão de Hutra não continha facilmente os seus devaneios amorosos e, em Angra, continuou na vadiagem, enamorando-se de uma das filhas do alcaide-mor. Este, para evitar um trágico desenlace do romance, foi falar com o cunhado que era proprietário dos ilhéus das Cabras, e ambos conseguiram prender o jovem Hutra, levando-o, como desterrado, para os ilhéus.

Fernão de Hutra permaneceu durante sete anos nos ilhéus e continuou com o seu pacto com o diabo, sendo alimentado pelo leite de algumas cabras que ali viviam e que deram nome aos ilhéus.

Finalmente, conclui a lenda, até que numa noite, se sentiu arrependido e morreu, mas só depois de ter sido absolvido e ungido por um fradinho, que misteriosamente lhe aparecera. Ainda hoje nas imediações dos Ilhéus das Cabras encontram-se uns penhascos chamados de ilhéus dos Fradinhos.

 

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publicado por picodavigia2 às 09:15

A ROSA MAIATA

Sábado, 30.08.14

A Rosa Maiata era a maior alcoviteira da freguesia e uma primorosa “queixinhas”. Queixava  de tudo e de todos, por isto e aquilo, pelo que lhe faziam ou pelo que ela cuidava e imaginava que lhe fazia, Eu era a principal vítima das suas queixas, junto do meu progenitor. Mas a Maiata era uma espertalhona e “bem-sabida” pois aproveitava para fazer queixa de mim ao meu pai, quando eu não estava por perto, De contrário a vingança estava assegurada e a Maiata sabia-o, melhor do que ninguém.

Certo dia em que fora levar as vacas ao Outeiro Grande, e regressara pela Cabaceira, demorando-me bastante, a Maiata não esperou. Apanhando-me ausente logo se dirigiu a minha casa, com a denodada intenção de, mais uma vez, me denunciar. Meu pai e meus irmãos já estavam â mesa. Sorrateira, a Malata bateu à porta. Foi minha irmã Amélia que, levantando-se, de imediato a veio abrir, exclamando, num misto de espanto e condenação, sabendo a bisca que ela era: Rosa Maiata muito exaltada).

- Ah! É a senhora Rosa. . e por entre dentes - Entre, entre.

A Rosa Maiata, espetada à porta, muito exaltada:

- Nem é preciso entrar que não tenho tempo. Teu pai está? Não me vou demorar. É só uma palavrinha com ele.

Lá do fundo da cozinha, sem levantar os olhos do prato da sopa, meu pai indagou:

- Estou sim Rosa, entra. Que me queres?

Continuando à porta, a Maiata cada vez mais se empolgava;

- Antonho, passaste há pouco tempo na minha do Pico? Junto ao bardo das faias do norte tinha um eito com uma grandeza de morangos. Não sei se chegaste a vê-los? Era uma lindeza! Sabes o que aconteceu?

- Não sei. Nem percebo o que tenho a ver com isso.

A Maiata cada vez mais exaltada, endurecendo o tom de voz, continuou as lamúrias:

- Ai não tens, não! Isso é o que vamos ver! Pois olha, foi a Maria Fangueiro que me veio contar tim-tim-por-tim, que o monço piqueno, o Álvaro, vinha com a ovelha do Canto do Areal. A maldita fugiu-lhe, foi para cima dos morangos e deu-me cabo deles todos. E agora? Quem mos paga? E tu dizes que não tens nada a ver com isto!

Minha irmã bem a tentava acalma;r

- A sra Rosa sabe bem que a Maria Fangueiro é uma grande mexeriqueira e inventa muitas coisas…

E meu pai, finalmente suspendendo a frugal refeição e voltando-se para a porta onde a Maiata continuava pregada:

- Rosa. Viste alguma coisa? Viste alguém meu lá? Não viste, pois não? Então não podes acreditar no que se diz. Diz-se tanta mentira nesta freguesia…

- Ah! É assim. Pois vou fazer queixa ao regedor.

- Vai-te queixar ao diabo-que-te-carregue. – E levantando-se, fechou-lhe a porta na cara

De seguida voltaram a sentar-se todos, mas minha irmã não se conteve:

- Está vendo pai? É preciso por cobro nisto. A Maria Fangueiro inventa muita coisa, mas esta da ovelha fugir para cima dos morangueiros…

- Tenho que falar com ele. É melhor a ovelha passar a andar amarrada.

- Oh pai, não adianta nada! – acrescentou o Alípio, com a boca cheia. - Ele é um caganita! Não a aguenta!

Minha irmã bem se queixava:

- Pai! Olhe que não há mais queijo. – e logo para o Justino.  - Justino não sabes que esse bocado maior é para pai.

Depois, voltou a interrogar o pai:

- Logo à noite posso tirar dois ou três litros do que vai para a Máquina para fazer um queijo?

- Este mês já se tem tirado muito… Mas olha, como já estão há três meses sem pagar, o melhor é ficar com o leite em casa para bebermos e fazer queijo.

- O melhor era deixar a Cooperativa e mudarmos para a Máquina de Cima. – propôs o Justino. - O Martins & Rebelo paga todos os meses e paga mais cinco centavos por litro do que a Máquina de Baixo. Muitos já se passaram para a de Cima

- Isso é que nunca!... – disse meu pai, batendo com a mão sobre a mesa. Sempre estive na Cooperativa e dela nunca hei-de sair. O Martins & Rebelo o que quer é destruir a Cooperativa. Paga mais agora e depois quando a Cooperativa acabar vai pagar o leite ao preço que quiser. Os que mudam estão a vender-se, estão a destruir a Cooperativa por cinco ou dez centavos. E o trabalho e sacrifício que foi para a criar!... Eu fui um dos fundadores e de lá nunca hei-de sair. Para esse ladrão do Martins & Rebelo é que nunca vou. Prefiro dar o leite inteiro aos bezerros e ao porco.

- Pai! Não diga isso! Sei que não gosta do Martins e Rebelo. Mas…É melhor então fazer queijos e até podemos vender alguns. – propunha minha irmã, com intenção de acalmar o meu progenitor

Nessa altura entrei. Olhando para mim com espanto, todos se calaram.

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publicado por picodavigia2 às 00:35

A SOPA DE PEDRA

Sexta-feira, 29.08.14

(CONTO TRADICIONAL)

 

Era uma vez um frade que andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, não lhe quiseram aí dar esmola. O frade estava a cair com fome, e disse:

- Como não tenho nada para comer, vou ver se faço um caldinho de pedra …

Dizendo isto, pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança. Perguntou-lhes o frade:

- Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma excelente sopa.

Responderam-lhe os da casa, ao mesmo tempo que o convidavam a entrar:

- Sempre queremos ver isso!

Foi o que o frade quis ouvir. Entrou para a cozinha e, depois de lavar a pedra muito bem lavada e pediu:

- Se me emprestassem aí um pucarinho…

Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.

- Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas…

Deixaram. Assim que a panela começou a chiar e água a ferver, tornou o frade:

- Com um bocadinho de unto, é que o caldo ficava um primor!

Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada pelo que via. Dizia o frade, provando o caldo:

- Está um bocadinho insosso. Bem precisava de uma pedrinha de sal.

Também lhe deram o sal. Temperou, provou e afirmou:

- Agora é que, com uns olhinhos de couve o caldo ficava tão bom que até os anjos o comeriam!

A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras. O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela.

Quando os olhos já estavam aferventados, disse o frade:

- Um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça…

Cada vez mais animados com o que viam, trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele deitou-o na panela e, enquanto cozia, tirou do alforje pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era um regalo. Comeu e lambeu o beiço. Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo. A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou:

- Ó senhor frade, então a pedra?

Respondeu o frade:

- A pedra lavo-a e levo-a comigo para fazer um caldo outra vez.

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publicado por picodavigia2 às 21:15

MEMÓRIAS (III)

Sexta-feira, 29.08.14

(UM POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

6

 

Um gato: os seus olhos

minando a noite.

Não perguntam, defendem-no.

 

7

 

“Há – tu disseste –

sinais de ilhas no teu olhar.”

Sei só que me tornei nómada.

 

Pedro da Silveira in Poemas Ausentes

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publicado por picodavigia2 às 18:40

A BAIXA RASA II

Sexta-feira, 29.08.14

O Monchique não se pode ufanar de ser o único ilhéu a povoar sozinho os mares da Fajã Grande. Cá dentro, perto de terra, os ilhéus do Cão, do Constantino, o Calhau da Barra e muitos outros laredos e baixas. Mas no mar alto, apenas ele e a Baixa Rasa. Esta, ao seu lado e um pouco mais a norte e mais perto de terra um outro rochedo marítimo, embora não se impondo, firme e hirto, no meio das águas atlânticas. Pelo contrário, a sua altitude é praticamente nula, uma vez que não ultrapasse a da superfície das águas, sendo que, em dias de bonança e com a maré seca, quase se não vê. Por isso mesmo a Baixa Rasa mais parece um turbilhão de águas revoltas do que propriamente um ilhéu. Apesar de tudo é muito procurada pois é considerada uma excelente zona de mergulho da baixa rasa, situando-se a 500 metros da costa e a 2 milhas náuticas do porto da Fajã Grande, sendo apenas aconselhável a mergulhadores com alguma experiência já que se trata de um local propenso a correntes fortes e um mergulho de alguma profundidade.

A Baixa Rasa é considerada, talvez, o melhor local de mergulho da ilha  das Flores e um dos melhores dos Açores, para ver grandes cardumes de pelágicos “no azul”, como anchovas, serras, lírios e bicudas, entre outras espécies que abundam neste local remoto.

O Monchique e a Baixa Rasa um espécie de par de namorados, ali especados e quietos, durante séculos. O fundo desta formação rochosa submarina desce abruptamente para a quota dos 25 metros, com uma profundidade máxima de 30 metros, caracterizada por grandes blocos rochosos onde abunda a vida marinha mais comum como curiosos peixes-porco, garoupas, vejas, badejos, chernes, peixes-rei, os coloridos peixes-cão, assim com cardumes de salemas, sargos e carapaus.

O Monchique e a Baixa Rasa um espécie de par de namorados, ali especados e quietos, durante séculos, como vigias silenciosos de uma das mais belas freguesias dos Açores – A Fajã Grande das Flores.

 

 

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publicado por picodavigia2 às 10:41

PERSISTÊNCIA

Sexta-feira, 29.08.14

Era uma vez um menino que passeava sozinho num o bosque, olhando as árvores e admirando as maravilhas da natureza. Estava um lindo. O Sol brilhava com uma luz acariciadora, os pássaros cantavam alegremente, as árvores estavam carregadas de frutos e até as ervas que atapetavam o chão tinham um perfume maravilhoso.

Continuando o seu passeio, a certa altura o menino parou, maravilhado. À sua frente uma bela e frondosa árvore, carregadinha de belos frutos que o menino nunca vira. Reparando melhor, percebeu que não eram frutos como os demais. Eram frutos brilhantes, muito bonitos e apetitosos, como ele já mais havia visto. Parando junto da árvore disse para consigo:

- Tenho que apanhar estes belos frutos. Não me parece nada difícil, é só subir a árvore…

Se bem o pensou melhor o fez e, com firmeza, começou a subir a estranha árvore. Quando já ia quase a meio,  partiu-se um ramo da árvore e o menino caiu:

Então ele disse:

- Distraí-me. Não tive cuidado. Vou tentar subir, outra vez, com mais cuidado! – E decidido, resolveu subir outra vez.

Nessa altura, porém, sem que ninguém esperasse, começou a chover torrencialmente e a trovejar. De repente, fez um grande relâmpago e um raio muito brilhante caiu ali perto. Cheio de medo, o menino foi abrigar-se na aba duma parede.

Passado algum tempo e como a tempestade aliviasse, o menino encheu-se de coragem e decidiu, novamente, subir a árvore para apanhar, pelo menos um daqueles belos e estranhos frutos. Mas não conseguiu, pois, logo ao iniciar a subida, como o tronco da árvore estava muito molhado, escorregou e caiu. Mas, mais uma vez, não desanimou. Caminhou um pouco até encontrar uma enorme vara com a qual conseguiria baixar os ramos da árvore e apanhar um fruto. Mas ao erguê-la para puxar um ramo, a vara partiu-se, não conseguindo apanhar nenhum fruto.

- Ora essa! Até parece que a fruta desta árvore é mágica e não quer que eu a apanhe! E se eu construísse uma escada… Talvez conseguisse…

O menino procurou dois enormes paus e colocou-os no chão, ao lado um do outro. De seguida procurou alguns ramos que foi partindo de maneira que ficassem do mesmo tamanho e procurou folhas de espadana com as quais os amarrou muito bem em ambos os paus, Com muito esforço e sacrifício construiu uma escada que encostou à árvore. Subindo-a conseguiu, facilmente, chegar ao alto e apanhar os frutos.

Foi assim que aquele menino percebeu que nunca se deve desistir de tentar conseguir o que queremos, por mais dificuldades que nos surjam. Com persistência e também com trabalho é possível vencer todas as dificuldades que se atravessam no nosso caminho.

Vitorioso, o menino decidiu trazer os frutos e oferecê-los à mãe;

- Só ela merece esta bela fruta, que com tanto esforço consegui apanhar.

 

(Adaptado de um conto brasileiro)

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publicado por picodavigia2 às 09:51

SONDAGENS AUTÁRQUICAS

Quinta-feira, 28.08.14

Conta-se que, por alturas das eleições, numa ou noutra terra deste país à beira-mar plantado, algumas sondagens para as eleições autárquicas se fazem do seguinte modo: alguém, supostamente por mandato de um determinado partido ou do respectivo candidato, telefona para um número seleccionado, esclarecendo, minuciosamente, o interlocutor do objectivo do telefonema. Depois interroga-o sobre o candidato em quem vai votar: se no candidato X, ou no Y, ou W, ou no Z, pertencentes respectivamente às quatro forças políticas tradicionalmente mais votadas.

Como o interlocutor ainda demonstra alguma indecisão, de imediato a pessoa que efectuou o telefonema conclui:

- “Claro que vai votar em Fulano.” – Efectuando de imediato o respectivo registo

Como isto conta apenas para as sondagens, parece não acarretar nenhum problema nem por em causa, rigorosamente, nenhuma ilegalidade constitucional.

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publicado por picodavigia2 às 15:16

CARIÁTIDE

Quinta-feira, 28.08.14

Alguns há, que ao terem-te presente,

Te calcam aos pés, talvez convencidos

Que os destroços que pisam são resíduos

Que evapora a natureza, demente.

 

Outros, porém, procuram, docemente

Entre as ruinas de templos destruídos,

Destroços de arte. Depois, enlouquecidos,

Dão-te forma, dão-te alma, dão-te mente.

 

Exposta num museu, tu és agora,

A maravilha de arte que se adora,

Um ídolo de mármore, puro, limpo.

 

Ajoelhado, ante ti, ergo preces.

E contemplo-te, como se estivesses

No sossego perpétuo do Olimpo.

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publicado por picodavigia2 às 11:22

OS NEVOEIROS DE SÃO JOÃO

Quinta-feira, 28.08.14

A ilha do Corvo o tem, rigorosamente, 17,13 km² de superfície, sendo um pouco maior do que o território de Macau. O seu maior comprimento é de seis quilómetros e meio e a largura máxima é de quatro. Dista de Santa Cruz das Flores treze milhas náuticas e dez de Ponta Delgada.

A pequenina ilha é formada por uma única montanha vulcânica, desde há muito extinta, o Monte Gordo, coroado com uma ampla cratera de abatimento chamada localmente de Caldeirão. Nela, podem observar-se várias lagoas, turfeiras e pequenas "ilhotas", duas compridas e cinco redondas, nas quais, lendariamente, se diz esyarem representadas as outras ilhas açorianas, O ponto mais alto da ilha é o Morro dos Homens no rebordo sul do Caldeirão, com 718 metros de altura acima do nível médio do mar. Além desta elevação destacam-se ainda: a Lomba Redonda, a Coroa do Pico, o Morro da Fonte, o Espigãozinho e o Serrão Alto.

Todo o litoral da ilha é alto e escarpado, constituindo o cone central do vulcão, com excepção da parte Sul, onde numa fajã lávica se estabeleceu a Vila do Corvo, a única povoação da ilha. A escarpa oeste, com uma falésia quase vertical com cerca de 700 m de altura sobre o oceano, é uma das maiores elevações costeiras existentes no Atlântico.

As terras imediatamente em redor da única povoação da ilha e uma pequena zona abrigadas na costa leste, pertencentes às Quintas e ao Fojo, são as únicas em que é possível praticar a agricultura e manter algumas árvores de fruto. As melhores pastagens para o gado ficam mais para norte, nas chamadas Terras Altas, muitas delas dentro da própria cratera do Caldeirão.

Na enseada sul, denominada Enseada de Nossa Senhora do Rosário, existem três cais de desembarque – o Porto Novo, actualmente não utilizado, o Porto do Boqueirão e o Porto da Casa, o maior e o único utilizado no tráfego comercial. O Portinho da Areia, no extremo oeste da pista do aeroporto, é o único areal da ilha e a sua principal zona balnear.

O clima é húmido, com 915,7 mm de precipitação média anual, mas ameno, embora ventoso, com temperatura média anual de 17,6°C na Vila, com temperaturas médias mensais que variam entre os 14°C em Fevereiro e 20°C em Agosto. Nas zonas altas os nevoeiros são quase permanentes. A agitação marítima, particularmente do quadrante oeste, é muito elevada, resultando numa elevada erosão costeira.

A humidade relativa do ar oscila entre 74% em Outubro e 85% em Junho, o mês em que os nevoeiros são mais frequentes, são os "nevoeiros do São João".

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publicado por picodavigia2 às 10:39

A TORRE

Quarta-feira, 27.08.14

Indomável,

fatídica

esta torre

deslumbra!

 

Do alto,

zunem os sinos,

ecos memoráveis

 

Na base,

unem-se os pilares.

harmonia delirante.

 

Ao meio

o indelével terraço

  (sem janela)

onde florescem girassóis.

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publicado por picodavigia2 às 11:31

VACINAS

Quarta-feira, 27.08.14

A senhora professora avisava de véspera:

- Amanhã venham bem limpinhos e bem lavadinhos. Vêm os senhores das Lajes dar as vacinas.

Começava, nesse momento, o nosso martírio. A escola, ou melhor a Casa do Espírito Santo, entrava num silêncio total, absoluto e inquietante. Olhávamo-nos uns aos outros sem dizer nada e o recreio seguinte, o da tarde, não tinha graça nenhuma.

Saíamos da escola macambúzios, vergados ao peso do medo e da angústia. O resto da tarde era de sufoco e a noite de agonia.

Na manhã seguinte, uma barrela como a dos dias de festa. Tronco nu, cabeça debaixo da torneira de água fria e pesquisa de algum piolho. O sabão azul havia de matar os que não aparecessem. Por fim cheirávamos a lavados.

Tímidos, hesitantes, sem a algazarra do costume, seguíamos para a escola… E os velhos à Praça a questionar:

- O que será que lhes deu hoje para irem tão acmodados!?

A meio da manhã, chegavam os carrascos. A senhora professora mandava as meninas para o recreio e, pondo-nos em fila, ordenava:

- Tirem sueras, camisas e camisolas.

E nós, nus da cintura para cima, como na lavagem da manhã. A angústia aumentava e o medo crescia. Apenas se ouvia o roçar de uns nos outros, dos apetrechos dos senhores das vacinas.

De cara sisuda, sem um sorriso sequer, os senhores das vacinas aproximavam-se de nós. Pegavam-nos no braço esquerdo e com uma espécie de pena de caneta permanente, aquecida, desinfectada e embebida num líquido… Zás. Cravavam-nos duas grandes riscadelas nos bracitos débeis e indefesos. Doía? Ai, se doía!

Mas o pior é que passados dois dias aquilo começa a inchar, a tumescer, a criar uma espécie de pus, dentro de umas bolhas enormes, que doíam e perduravam durante vários dias. Pior. Não se podiam romper, caso contrário a vacina perdia a validade e haveríamos de levar outra.

E a prova de tudo isto, é que passados sessenta anos, as marcas das ditas cujas ainda cá estão, no braço esquerdo.

 

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publicado por picodavigia2 às 10:25

NOMES SOLTOS

Quarta-feira, 27.08.14

Guilherme da Silveira é o povoador mais antigo povoador da ilha das Flores cujo nome se conhece. Não consta que lá tivesse deixado descendentes quando abandonou a ilha, para se fixar em São Jorge.

Gonçalo Anes de Sousa foi, segundo uma tradição, novo povoador das Flores logo a s seguir a Guilherme da Silveira. Consta que chegou à ilha em 1945 e trouxe consigo 30 casais. Sabe-se que era natural de Évora, tendo casado na ilha Terceira, com Beatriz de Sousa, filha de João Vaz Corte Real. Ao fixar-se na ilha das Flores, que cerca de dez anos antes fora abandonada por Guilherme da Silveira, tornou-se o primeiro dono e senhor da ilha.

Uma filha de Gonçalo Anes de Sousa, chamada Violante de Sousa, casou  com Pedro da Fonseca, escrivão da Chancelaria de D. João III, que, por ter comprado o Corvo a Antão Vaz, foi, mais tarde o segundo senhor das Flores e primeiro do Corvo.

Um filho deste casal, chamado Gonçalo de Sousa da Fonseca, foi o terceiro ou quarto senhor da ilha, com o título de capitão, que casou com D. Beatriz de Távora.

O senhorio das Flores também terá pertencido à família Teles.

Gomes Dias Rodovalho, casado com Beatriz Lourenço Fagundes, também foi senhor das Flores, constituindo o primeiro casal a fixar residência no local onde hoje é a freguesia da Fajã Grande.

Diogo Pimentel, de origem nobre como os anteriores, que casou com Catarina Antunes, filha do dito Antão Vaz, assim como os irmãos Rodrigo Anes e Álvaro Rodrigues, os irmãos António e Pedro da Fragoa ou Fraga, naturais de Braga, e respectivas mulheres, bem as irmãs Isabel e Margarida Rodrigues; os irmãos destas e respectivas mulheres; Pedro Vieira e Solanda Lourenço, ambos naturais da Madeira; João Rodrigues e Maria

Bela, casal também ido da Madeira; João Fernandes, o Barco Longo, e as sete filhas, idos da ilha da Rata, Gonçalo Anes Malho e Genebra Gonçalves, naturais de Ourém; João Fernandes, o Roxo, possivelmente, irmão ou parente do Barco Longo e sua mulher, Beatriz Fernandes, são nomes que se contam entre os primeiros povoadores das Flores.

 

Dados retirados de Drumond, Apontamentos Topográficos

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publicado por picodavigia2 às 09:25

OS LAVADOUROS

Terça-feira, 26.08.14

Aureolado por um verde estonteante, encastoado nos contrafortes da rocha e vizinho da Fajãzinha, o lugar dos Lavadouros, na Fajã Grande, situava-se na parte sul da freguesia, quase paredes meias com a Ribeira Grande, ladeado pela Ribeira do Ferreiro, tendo como fronteiras, a norte, a extensa a Alagoinha, a leste a Rocha, na sua enorme imponência, a sul, o Curralinho, o Portalinho, o Poço da Alagoinha e a Ribeira do Ferreiro, a oeste o Vale Fundo.

Era um extenso lugar, povoado de belas relvas, intercaladas com algumas terras de mato, muito abrigado dos ventos de leste, nordeste e sueste. Mas era a qualidade e a frescura da erva das suas pastagens o que mais caracterizava e valorizava aquele lugar, pese embora ficasse muito distante do povoado. Nos dias em que o gado era levado para ali para pastar, quer nas noites frescas de Verão ou nos dias chuvosos de Inverno, uma hora e meia para ir e voltar quase não era suficiente, o que significava uma enorme perda de tempo. Para atenuar estes malefícios e inconvenientes, normalmente, atribuía-se a tarefa de levar o gado para aqueles descampados às crianças ou, então, os homens aproveitavam para nas idas e vindas, a restante parte do dia para sachar inhames, ceifar feitos, cortar lenha ou esgalhar incensos em terras de mato ou quintas que tinham para aqueles lados ou que lhes ficassem a caminho.

A enorme extensão do lugar dos Lavadouros era atravessada por um caminho que resultava, no Cimo da Ladeira da Alagoinha, da junção de dois outros principais caminhos da freguesia; o que vinha da Fontinha, passando pelo Batel, Escada Mar, Paus Brancos e Alagoinha e o que partia da Assomada, passando pelo Delgado, Cabaceira, Espigão, Moledo Grosso, Lameiro e Alagoinha, este bem mais utilizado, no acesso aos Lavadouros, do que o anterior. O caminho que atravessava os Lavadouros, a meio destes, também se bifurcava, encaminhando-se um, mais estreito e de pior qualidade, para os lados do Curralinho e do Portalinho e um outro, calcetado e mais amplo, que seguia para a Ladeira do Vale Fundo, para o calhau do Tufo e para a Cuada, Dele também partiam várias canadas, umas, mais pequenas e mais estreitas, a ligar as propriedades circundantes, uma outra maior e mais larga, no termo do lugar, a ligar os Lavadouros à Ribeira do Ferreiro.

Meu pai tinha ali uma relva, boa, grande, com um amplo cerrado, logo à entrada, onde a erva era melhor, seguido de várias belgas, mais no interior, ladeadas por altas paredes e um curral, no centro. Muitos eram outros habitantes da Fajã e até da Cuada que ali tinham pastagens. Essa a razão por que quase todos os dias havia por ali um grande burburinho de homens e de animais, que se acentuava e aumentava, sobretudo, na época de ceifar os feitos e limpar as relvas, pese embora, nesses dias, estivessem vedadas a os animais.

É estranho o nome deste lugar e, sobretudo, difícil de descortinar a sua origem. Sabe-se, no entanto, que ali era lugar de muita água e de muitas grotas vindas da Rocha. É pois, provável, que em tempos idos, ali tenha sido lugar onde as mulheres fossem lavar a roupa. A obstaculizar esta tese apenas a grande distância que o lugar fica do povoado actual e este ser banhado por algumas ribeiras, bem mais próximas, onde na década de cinquenta do século passado ainda se lavava roupa. No entanto, como a Cuada se localiza bem mais perto dos Lavadouros e como neste lugar a água escasseia, poderiam muito bem ser os habitantes desta localidade, quiçá de outra ainda mais próxima e povoada antigamente, a irem aquele lugar lavar a sua roupa, dando assim nome ao lugar dos Lavadouros.

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publicado por picodavigia2 às 14:37

A HISTÓRIA NA OBRA

Terça-feira, 26.08.14

(RESPIGANDO UM ARTIGO DO BOLETIM DO NÚCLEO CULTURAL DA HORTA)

 

Pedro da Silveira é uma das mais fascinantes personalidades da cultura açoriana e a sua obra um contínuo desafio para os leitores, pese embora esteja dispersou-se por livros, jornais, revistas e folhetos. Em Pedro da Silveira a História tem um lugar central, embora ele seja, acima de tudo, um poeta, caracterizado pela erudição e também pela investigação. A sua paixão pela investigação fez dele um historiador de literatura que se apressa a divulgar o fruto da sua investigação com consciência da utilidade que ela possa ter para os outros.

A produção de Pedro da Silveira divide-se por três grandes áreas: a poesia, a história da literatura e crítica literária e a etnografia, ou melhor dito, a antropologia cultural. Em todas elas a História está presente. Ideologia e cultura ou cultura e ideologia estão entrançadas na obra de Pedro da Silveira o que se torna o fio condutor da unidade do seu pensamento e trespassa o conjunto da sua produção quer literária, quer de historiador, quer de etnógrafo, quer de crítico.

A marca fundamental da formação política e cultural de Pedro da Silveira é o autodidatismo assente numa vontade férrea e numa curiosidade sem limites. Em Angra, quando jovem começou a sua formação estética., onde a sua principal “escola” foi a tertúlia de amigos, a convivência com alguns grupos de intelectuais citadinos, a muita leitura, e a busca incessante das novidades literárias, paralela, a uma formação ideológica segura, nascida e firmada na sua adolescência nas Flores, onde conheceu alguns exilados políticos. Com eles primeiro, com um grupo anarquista em Angra depois, consolidaram-se os princípios essenciais que o acompanhariam por toda a vida e serviram de base à sua filosofia cultural e interpretativa da história e da criação literária.

Sem se ter presente o gosto pela açorianidade, a compreensão de que regional e universal não são antagonismos e se entender a história açoriana como um colonialismo político e cultural fruto do imperialismo português, dificilmente se entenderá a mensagem cultural de Pedro da Silveira.

O poema que serve de pórtico A Ilha e o Mundo intitula-se «História» e é uma espécie de rumo da história das ilhas, bebido nos cronistas, na tradição e na observação, os três pilares da sua sabedoria. É uma “história das angústias e das raivas” que fazem o açoriano, neste caso o florentino, aqui fixado como paradigma. O poema, cujos versos são “gritos de revolta nem sequer esboçados”, marca uma periodização da história de um povo subjugado e explorado, mas submisso. “«História» é um poema espantoso que em duas páginas de um livro ensina mais do que muitos compêndios e, de facto, quem quiser ir ao âmago de uma história das ilhas deve começar por lê-lo e interiorizá-lo. Se o compreender, fica com a chave para desvendar cinco séculos de história açoriana.

Mas outro poema famoso é «Soneto de identidade», onde invoca as suas raízes, as insulares e as outras, as flamengas, as castelhanas, as alemãs, todas aquelas que fizeram as raízes do açoriano e sobretudo a “outra pátria que me coube e tomo”.

Pedro da Silveira é um historiador comprometido e fiel aos princípios formativos, pois  “cada qual tem a sua verdade ou, então, o que dá no mesmo, o seu modo de ver (ou ajeitar...) a verdade

A Antologia de poesia açoriana é um trabalho de maturidade, fruto de uma vida de investigação e de crítica, e o «Prefácio», que levantou uma tempestade de críticas, acusações e despeitos, um quase testamento onde a literatura açoriana (nunca posta em causa) é explicada como a consequência lógica e paralela a outras experiências do colonialismo cultural e Pedro da Silveira aproxima o caso cultural açoriano da experiência norte-americana e canadiana.

Para Pedro da Silveira, o século XIX foi o tempo por excelência da longa e difícil elaboração da identidade dos açorianos e, consequentemente, de todas as experiências e de todos os ensaios com as inevitáveis lições, entre as quais a compreensão que um Estado açoriano de todo independente era uma utopia. Assim, nasceria a Autonomia que, mesmo com várias limitações, buliu com a literatura contagiando-a com o seu ideal, pois nos Açores, o processo de emancipação cultural foi paralelo e profundamente ligado ao processo político. Mas o que é de salientar na construção teórica da história da literatura açoriana de Pedro da Silveira é a ideia de que tal literatura é um produto de consciencialização do açoriano, da sua própria identidade e das consequências daí advindas, como libertação dos colonialismos culturais e políticos. A teoria da história em Pedro da Silveira é, pois, um produto da sua formação ideológica, do seu horror às formas ditatoriais e aos imperialismos contra os quais sentia o dever cívico de combater por todos os meios, à boa maneira anarquista, ainda que tenha usado meios pacíficos, mas servindo-se de uma linguagem crítica, agressiva, que é uma marca indelével da sua obra. Pedro da Silveira compreendeu, ainda, que o caso estudado por Nemésio era essencial para fundamentar a sua teoria literária e passou a dedicar uma atenção persistente a este autor, sem dúvida pelo interesse que sempre lhe despertaram os patrícios das Flores, mas mais do que isso pela exemplaridade da sua obra para alicerçar a sua opinião sobre literatura açoriana. O estudo de Pedro da Silveira fez sobre Roberto de Mesquita é um exemplo de como ele construía o seu trabalho de historiador da literatura e de incansável investigador de um inventário sobre o qual posteriormente trabalhava os seus ensaios e através do qual caracteriza cada personalidade, ajudando a compreendê-la nos seus gostos e nas suas intenções.

Pedro da Silveira foi sempre um apaixonado pela sua ilha natal, as Flores e, mais concretamente, pela Fajã Grande, aliás uma das características apontadas por Nemésio como fundamento da açorianidade, é esse amor irracional pela ilha de origem, e essa sua ilha transformou-se no objecto preferencial da pesquisa e da meditação e um ponto de partida para a compreensão mais alargada dos fenómenos sociais, económicos, políticos e culturais da história dos Açores.

 

Ex do Boletim do NCH

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publicado por picodavigia2 às 10:32

QUADRO VIVO

Segunda-feira, 25.08.14

A água cai em catadupa,

pelas encostas verdejantes.

E o seu dolente murmúrio

desfaz o silêncio da manhã.

 

Para os lados do Rolo

Voam passaroucos entontecidos…

 

O Sol, a pino, espelha-se no mar,

mas os homens não desistem da enxada.

Há velhos recostados à Praça

E as mulheres correm, apressadas, pelas ruas

- a lenha é verde e o conduto pouco.

 

Na mesa, pobre, entornam-se desejos…

Mas um côdea de pão

e uma tigela de café…

nunca faltam.

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publicado por picodavigia2 às 20:59

PELA POSSE DO POÇO

Segunda-feira, 25.08.14

Para confirmar, ao certo, a que freguesia pertence o Poço da Alagoinha, basta conferir os limites das duas freguesias que o reclamam como seu: Fajãzinha e Fajã. Urge, no entanto, recordar que a Fajãzinha, por razões históricas, se considerou sempre “superior” à Fajã Grande, por cuidar que foi a partir dela que se formou esta última freguesia. No entanto a história diz-nos que não foi bem assim, pois a freguesia primitiva, embora tendo a sede onde hoje é a Fajãzinha, era denominada de “Fajãs”. Esta sim, dividiu-se originando Fajãzinha e Fajã Grande. Já por altura do episódio de Tiana Tenenta, afogada na Caldeira da Água Branca, a Fajãzinha enviou um “ultimato”  à Fajã Grande, a fim de os seus habitantes retirarem de lá o cadáver da famigerada velha, pois infectava a água que bebiam no Rossio. Só que o caixão, vindo dos matos, em vez do corpo de Tiana Tenenta, trouxe paus e ervas e o embuste teve sucesso!...

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publicado por picodavigia2 às 20:35

UMA LENDA DA FONTE VELHA

Segunda-feira, 25.08.14

Antigamente, na Fontinha, em frente à casa do Arionó, havia uma fonte, chamada de Fonte Velha, talvez porque ali, outrora e antes de haver, na Fajã Grande, água canalizada, teria existido ali uma fonte natural, resultante de uma nascente, situada algures, nos confins da terra. Todos os dias, ia ali muita gente buscar água para dar de beber aos animais, para lavar a casa e a roupa ou simplesmente para beber.

Contavam-se que costumavam aparecer, junto à fonte gente misteriosa que aparecia e desaparecia, feiticeiras que se sumiam debaixo da fonte e muitos outros encantos que o povo presenciava, sobretudo na noite de São João.

Entre as várias lendas e estórias acontecidas, junto à Fonte Velha, contava-se uma, em que certa noite, ao passar por ali um homem que ia de viagem para os matos, parou para beber água e encher uma bóia que levava consigo. Depois de beber quanta água lhe apeteceu, começou a encher a bóia que há algum tempo achara no mar, a fim de levar água consigo para beber durante a longa caminhada que ia fazer. Ao encher a bóia, virou-se para apanhar a rolha e tapá-la, mas quando se foi a voltar a bóia, sem que ele contasse, caiu-lhe, rolando sobre as pedras da calçada. Só que ao baixar-se, para a apanhar, em vez da bóia da água viu uma moça muito bonita que lhe perguntou:

 —  Dás-me água para beber?

 — Dou, sim senhora. E só esperar — respondeu o homem que, no entanto, ficou muito admirado por ver aquela rapariga desconhecida, sozinha, àquelas horas da noite, em busca de água para beber.

Como a bóia, ao cair, rolara e despejara toda a água que tinha dentro, o homem voltou costas à rapariga, a fim de voltar a encher a bóia na fonte. Depois de a encher por completo, até derramar por fora, voltou-se para dar de beber à rapariga mas já não a viu. Apercebeu-se, porém, de que ela tinha bebido água pela bóia, sem sequer lhe tocar, pois esta, estava só meia e ele tinha a certeza que a enchera e de não espalhara nem um pingo.

O homem ficou tão assustado e nervoso, que já não continuou a sua viagem. Regressou a casa e na manhã seguinte, foi atirar a bóia para o mar, pois nunca mais a quis usar, nem muito menos beber água por ela.

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publicado por picodavigia2 às 10:19

APELIDOS (USADOS NA FAJÃZINHA NOS SÉCULOS XVIII E XIX)

Domingo, 24.08.14

Alegre, João de Freitas; Almança, António Furtado; Anina, António José; Areeiro, José de Freitas; Baijinha, António Coelho; Barrocas, José de Freitas; Baziga, José Rodrigues; Beca, Maria de Freitas; Beco, Manuel de Freitas; Belegum, Francisco Furtado; Bixo, Manuel Jorge; Bispo, Constantino Lourenço; Borreco, António José de FreitasBrilha, João de Freitas; Brindeiro, António Caetano; Cabaz, Isabel; Cabeleira, Manuel Freitas; Cachaço, Francisco José; Caixacinho, Francisco José; Canine, Manuel Furtado; Capão, Francisco Inácio; Capom, António de Freitas; Capona Rita; Carritel, António de Freitas; Cascado, José Inácio; Cassaia, Maria Rodrigues; Charamba, António José; Ciciro, Manuel; Cireneu, António José; Coqueiro, Francisco António; Engeitado, José António; Escrivão, João Rodrigues; Faladeira, Ana de Freitas; Farranfão, João Coelho; Fariz, Manuel Rodrigues; Farrobo, Francisco Pimentel; Favela, João António; Foladeira, Ana de Treitas; Formiga, Maria Rodrigues; Frade, António Rodrigues; Frexa, Maria de Jesus; Galo, Francisco de Freitas; Gangão, António Rodrigues; George, Amaro Rodrigues; Glandez, José Rodrigues; Guiné, Manuel Pimentel; Incenso, Manuel Furtado; Maio, António Coelho; Maleiro, Manuel de Freitas; Mangalasa, Manuel Inácio; Marrecas, Manuel Caetano; Mestre, António Valadão; Mija, Maria; Moleiro, Manuel Furtado; Ovilheiro, Ana de Jesus; Pastor, Manuel Dias; Pelcas, João Rodrigues; Peleias, João Rodrigues; Pereirinha, Manuel de Freitas; Piloto, Manuel Rodrigues; Pilra, António Rodrigues; Queimado, José Pimentel; Rabadoz, Maria; Ralhona, Maria de Freitas; Rapona, António Rodrigues; Ratinha, Maria de Freitas; Repenicado, João Rodrigues; Rigor, João Rodrigues; Rolhão, Dionísio José de Freitas; Rossos Francisco Dias; Sabina, João Coelho; Sargento, António de Freitas; Tamujo, Domingos Freitas; Trincão; Velho, Manuel Fernandes; Xanfana, José Pimentel e Xixarro, Francisco.

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publicado por picodavigia2 às 23:20

MEMÓRIAS (II)

Domingo, 24.08.14

(UM POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

4

 

A água do poço, quieta.

E uma eiró que desliza

para a treva do fundo.

 

5

 

Na calma azul do dia,

um pessegueiro florido.

Eterno e efémero.

 

Pedro da Silveira in Poemas Ausentes

 

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publicado por picodavigia2 às 14:54

DR ANTÓNIOMENDES MOREIRA

Sábado, 23.08.14

Faleceu ontem, no hospital de Penafiel, uma dos maiores vultos da cultura paredense, nos últimos tempos, o Dr António Mendes Moreira, médico e escritor.

António Mendes Moreira, médico desde 1951, residia na cidade de Paredes, onde nasceu em 5 de Julho de 1926. Foi director clínico do hospital de Paredes, director do centro de saúde da mesma cidade e professor do ensino secundário. Álvaro Salema salientou que se trata dum «autor que persevera por gosto de escrever e por mérito próprio, distanciado dos meios onde se forjam e alimentam as reputações literárias». Foi incluído na colectânea de escritores do livro Além Texto, da autoria do crítico e ensaísta Ramiro Teixeira. Em 1991, o Município de Paredes instituiu um prémio bienal de ficção com o seu nome a atribuiu-lhe o nome a uma rua na toponímia local

Obras principais: O Tojo Também Floresce (romance, 1956), Vida de Médico (contos, 1966), Vilateia (narrativa romanceada, 1975), Sobretudo o Amor (contos, 1985), Eu e os Outros (7 volumes em: 1983, 1984, 1987, 1992, 1995, 1997 e 2001), O Homem de Bronze (narrativa romanceada, 1993), A Jornada (compilação de toda a ficção, 1996), Conversa de Amor (1998), As Minhas Charlas (literatura biográfica, 1999), e A Alma Nua de um Médico (narrativas autobiográficas, 2002).

 

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publicado por picodavigia2 às 21:47

A REGIÃO AUTÓNOMO DOS AÇORES

Sábado, 23.08.14

A Região Autónoma dos Açores é um território autónomo da República Portuguesa, constituída por um arquipélago de nove ilhas, chamado Açores, situado no Atlântico nordeste- Actualmente a Região Autónoma dos Açores, outrora divida em três distritos, está dotada de uma autonomia política e administrativa, consubstanciada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, integrando a União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da mesma.

Com cerca de seis séculos de presença humana continuada, as ilhas açorianas, individual e colectivamente, granjearam um lugar importante na História de Portugal e na história do Atlântico, ao constituírem-se em escala para as expedições dos Descobrimentos e para naus da chamada Carreira da Índia, das frotas da prata, e do Brasil, contribuindo, também, para a conquista e manutenção das praças portuguesas do Norte de África; quando da crise de sucessão de 1580 e das Guerras Liberais. Além disso, as ilhas dos Açores firmaram-se como baluartes da resistência; durante as duas Guerras Mundiais, em apoio estratégico vital para as forças Aliadas, mantendo-se, até aos nossos dias, em um centro de comunicações e apoio à aviação militar e comercial.

O descobrimento do arquipélago permanece, ainda hoje, um pouco controverso. Algumas, assentando na apreciação de vários mapas genoveses, afirmam que as ilhas açorianas já eram conhecidas aquando do regresso das expedições às ilhas Canárias realizadas cerca de 1340-1345, no reinado de Afonso IV. Outras, porém, referem que o descobrimento das primeiras ilhas, nomeadamente Santa Maria, São Miguel e Terceira, provavelmente, terá sido efectuado por marinheiros ao serviço do Infante D. Henrique. A apoiar esta versão existe um conjunto de escritos posteriores, baseados na tradição oral, que se criou na primeira metade do século XV. Algumas teses mais arrojadas consideram, no entanto, que o achamento das primeiras ilhas ocorreu já ao tempo de Afonso IV de Portugal e que as viagens feitas no tempo do Infante D. Henrique não passaram de meros reconhecimentos.

O que se sabe concretamente sobre esta questão é que Gonçalo Velho Cabral chegou à ilha de Santa Maria em 1431, decorrendo nos anos seguintes o achamento ou, se quisermos, o reconhecimento das restantes ilhas do arquipélago dos Açores, no sentido de progressão de leste para oeste. Uma carta do Infante D. Henrique, datada de 2 de Julho de 1439 e dirigida ao seu irmão D. Pedro, é a primeira referência segura sobre a exploração do arquipélago. Nesta altura, as ilhas das Flores e do Corvo ainda não tinham sido achadas, o que aconteceria apenas cerca de 1450, por obra de Diogo de Teive. Entretanto, o Infante D. Henrique, com o apoio da sua irmã D. Isabel de Portugal, Duquesa da Borgonha, mandou povoar a ilha de Santa Maria.

O povoamento das ilhas deverá ter-se iniciado por volta 1432, no caso das ilhas mais orientais, sendo da responsabilidade de colonos oriundos do Algarve, do Alentejo e do Minho. Pouco depois terão ingressado nalgumas ilhas alguns colonos estrangeiros, nomeadamente, flamengos, bretões e outros europeus e norte-africanos.

Desde o início do povoamento foi necessário fortificar as ilhas, através da edificação de infra-estruturas militares e de apoio, como castelos, fortalezas, fortes, redutos e trincheiras.

Muitos dos primeiros colonos chegados aos Açores teriam sido cristãos-novos, isto é, judeus sefarditas que foram obrigados a se converter forçadamente pelas perseguições do catolicismo e que ali encontravam lugar de refúgio. O próprio monarca, através das Ordenações Afonsinas, procurou captar tanto judeus quanto flamengos nestas condições, para povoar o arquipélago, mediante a distribuição de terras. Assim, longe da Europa continental, esses grupos ficariam livres das perseguições religiosas de que eram vítimas nas suas terras de origem.

No processo do povoamento de algumas ilhas mais ocidentais, como São Jorge, Pico, Faial, Flores e Corvo, ter-se-ão integrado muitos flamengos, cuja presença se veio a reflectir na produção artística e nos costumes, na toponímica e nos modos de exploração das terras. De recordar q,e a actual cidade da Horta, recebeu o nome do capitão flamengo Joss van Hurtere, a quem foi confiado o povoamento de parte da ilha do Faial. Além disso, existe ainda uma freguesia do concelho da Horta chamada Flamengos, para além dos moinhos e dos modelos da exploração agrária.

Por sua vez a administração primitiva das ilhas açorianas foi feita através do sistema de capitanias, à frente das quais estava um capitão do donatário. As primeiras capitanias constituíram-se nas ilhas de São Miguel e de Santa Maria. Em 1450, na sequência da progressão ocidental do descobrimento das ilhas, foi criada uma outra capitania na ilha Terceira, cuja administração foi atribuída também a um flamengo, de seu nome Jácome de Bruges. As restantes ilhas também se encontravam sob administração de capitanias. A administração e assistência espiritual das ilhas ficou subordinada à Ordem de Cristo, que detinha também o senhorio temporal das ilhas, mas a presença de outras ordens religiosas não deixou de se fazer notar no processo de povoamento desde o início, como no caso dos Franciscanos em Santa Maria e Terceira desde a década de 1940 do século XV.

A Região Autónoma dos Açores possui um clima temperado, sendo que as ilhas, inicialmente, se encontravam cobertas de densa vegetação Para que os colonos pudessem cultivar as terras foi necessário proceder ao arroteamento, isto é, ao desbastar de densos arvoredos que proporcionavam matéria-prima para exportação, para produção escultórica e para a construção naval. O cultivo de cereais e a criação de gado foram as actividades predominantes, com o trigo e o pastel a registarem uma produção considerável. A produção de pastel e a sua industrialização para exportação destinada a tinturaria desempenhou um papel relevante na economia do arquipélago. A exploração do pastel e da urzela, esta também para tinturaria, atingiu o seu auge precisamente quando a produção de cana-de-açúcar e do trigo entraram em decadência.

No século XVII, no entanto, as matérias-primas tintureiras sofreriam uma recessão, sendo substituídas pela produção do linho e de laranjas, que, por seu lado, registaram um impulso extraordinário. Nesta altura, foi introduzida a produção de milho, sendo esta significativa para as melhorias alimentares da população e também como apoio à pecuária. A primeira exportação de laranjas surgiu no século XVIII, numa altura em que foi também introduzida a cultura da batata. Em finais de Setecentos, regista-se o início de uma das mais expressivas e emblemáticas actividades económicas açorianas: a caça ao cachalote e a outros cetáceos. Na ilha de São Miguel, tanto a produção de chá como a produção do tabaco, revelar-se-iam muito importantes para a economia da ilha.

No século XVIII, os Açores já tinham uma população suficientemente grande para que a Coroa portuguesa incentivasse a emigração de famílias açorianas para terras brasileiras, sobretudo para a parte meridional de então sua colónia na América do Sul.

É de se notar que os açorianos sempre almejaram conquistar uma maior autonomia política e administrativa, o que, durante séculos, foi negado, dando ensejo a alguns movimentos em favor da emancipação do arquipélago. No entanto só muito recentemente esse desiderato foi conseguido, devido à persistência do regime fascista em Portugal e porque as regiões autónomas só foram consagradas na Constituição Portuguesa de 1976. Nos termos da Constituição, a autonomia regional não afecta a integridade da soberania do Estado. Compete às regiões autónomas legislar em todas as matérias que não sejam da reserva dos órgãos de soberania e que constem do elenco de competências contido nos seus Estatutos Político-Administrativos; pronunciar-se nas mais diversas matérias que lhes digam respeito; e exercer poder executivo próprio, em áreas como a promoção do desenvolvimento económico e da qualidade de vida, a defesa do ambiente e do património, e a organização da administração regional.

Assim, actualmente, os órgãos de governo da Região Autónoma dos Açores são a Assembleia Legislativa e o Governo Regional. A primeira é eleita por sufrágio universal directo e tem poderes fundamentalmente legislativos, além de fiscalizar os actos do Governo Regional. O presidente do Governo Regional é nomeado pelo Representante da República, que para tal considera os resultados eleitorais, e é o responsável pela organização interna do órgão e por propor os seus elementos. As atribuições do Governo Regional são fundamentalmente de ordem executiva.

O Representante da República é o representante do Chefe do Estado na Região, competindo-lhe assinar e mandar publicar os decretos da Assembleia e do Governo Regional.

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publicado por picodavigia2 às 15:41

A DINASTIA DE UOSTEROL

Sábado, 23.08.14

Outro régulo, facínora e depravado, também pertencente a esta draconiana dinastia, prendeu, em intransponível ergástulo, um gerontocrata, membro do conselho régio, só porque o mesmo opinara publicamente, opor-se à oferta e sacrifício de sete jovens, destinadas ao regalo das fantasias execráveis e dos apetites depravados, do monarca reinante.

Assim, viveu a serra, durante muitos anos, em constante estado de inquietação e insegurança sofrendo e suportando, na maior das ansiedades, os caprichos, veleidades, sarcasmos e depravações de governantes enfatuados e instáveis, déspotas destemidos, energúmenos insaciáveis, bárbaros facínoras e janízaros meliantes.

Desta maquiavélica dinastia, surgiu, finalmente, um outro monarca, heteróclito, perdulário e abstracto, que, apesar de tudo, se afastou notória e significativamente, das frivolidades lascivas e das ditaduras prementes e opressoras dos seus antecessores.

Uma áurea de esperança surgiu, então, nos ânimos dos serranos pradenses, agora libertos de férula governação, candidatos esperançados à liberdade e à vivência dos seus projectos colectivos e das suas realizações pessoais e individuais. Não pesava, agora, tão constante, lasciva e continuamente, sobre a sua vida e costumes, a maquiavélica e diabólica governação dos régulos anteriores. Porém, com o passar do tempo, os serranos cansaram-se de se sentir enfrascados de aborrecimento, arrecadando e armazenando tédio absoluto e desespero permanente, frutos dum cada vez maior afastamento do novo monarca, dos seus deveres de governante real. O rei era louco por caça e passava dias e noites nos bosques e nas florestas, na mira de acertar em tudo o que lhe surgisse pela frente. Mesmo no rigor do inverno, quando os nevões visitavam a serra, zebrando o ar plúmbeo, impedindo e obstaculizando, na totalidade, a concretização dos apetites cinegéticos do régulo, este ainda menos se ocupava com os seus súbditos e com a governação do reino, entregando-se, então, a extravagantes façunatas e lautas comezainas, as quais, embora, não cerceando o alvedrio quotidiano dos habitantes da serra, permitiam um efluente declínio e um evidente desgaste do erário público.

O povo, agora, experimentando a suprema vivência da liberdade, estava, porém saturado. A revolução estava eminente! Se as opressões das décadas anteriores tinham coarctado a liberdade e anulado a dignidade do povo, a alienação do monarca reinante desmoralizava o sentido de viver, confundia os valores constitucionais e provocava uma angustiante insegurança e uma confusa incerteza de viver, geradora dum lenocínio galopante, entre os povos serranos.

Os ânimos exaltavam-se, as opiniões dividiam-se e as teorias contradiziam-se. Forças político-sociais obscuras digladiavam-se nas praças e nas vias públicas. O terrorismo já se fazia sentir por toda a parte. Os gritos da revolta eminente ecoavam pelos esconsos mais recônditos da serra. O monarca, porém, continuava calma, impávida e serenamente a alienar-se de tudo e de todos, preparando-se para a caça, simplesmente caçando, ou saboreando lautamente os manjares subsequentes à mesma.

 

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publicado por picodavigia2 às 12:31

TRAÇOS BIOGRÁFICOS DE TI'ANTONHO

Sábado, 23.08.14

(Aqui se revelam os acontecimentos mais importantes da vida de Ti’Antonho, de cujo Diário têm sido transcritas algumas partes neste blogue “Pico da Vigia 2”)

 

1866 – Nasceu na Assomada, numa casa que ficava em frente ao Poço do Gado e que meu pai comprou mais tarde.

 

1880 – Foge numa espuma para a América.

 

1881– Chega à Califórnia. Vive e trabalha no condado do Fresno e, mais tarde, na cidade de S. Francisco.

 

1886 – Regressa à Fajã e casa com a sua Maria

            Nesse mesmo ano torna.se padrinho de casamento do seu compadre Mateus e da comadre Inácia.

 

1887 – Regressa à Califórnia. Na mira do ouro fixa-se no condado do Inyo, mas acaba por  tornar-se num simples  pastor de ovelhas, nas encostas do monte Witney, na serra Nevada

 

1892 - Volta definitivamente para a Fajã Grande, onde constrói uma casa, compra algumas terras e reinicia, definitivamente, a sua actividade agrícola

 

1946 – Começou a escrever o seu Diário.

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publicado por picodavigia2 às 00:46

TAXA À TACHA

Sexta-feira, 22.08.14

Nesta altura em que se discute e até se aguarda a divulgação de uma taxa sobre dispositivos digitais, que vai agravar os preços de artigos tão diversos como pens, discos rígidos, smartphones, telemóveis, Ipaids, computadores, impressoras ou tablets. Segundo recentes notícias, a medida foi aprovada quinta-feira no Conselho de Ministros e anunciada no briefing final, mas a tabela de taxas parece ainda não estar totalmente definida, parece legítimo que existem muitos outros objectos de uso pessoal e doméstico a terem o direito ou de se lhes exigir o dever de serem, também, taxados, entre os quais a pequena mas muito utilitária tacha. Haja pois, taxa à tacha! Taxem a tacha, já!

As razões são várias. Primeiro porque a tacha não tinha nada que usurpar o nome da taxa, pelo menos em termos fonéticos. A tacha açambarcou-se do que não era seu, em termos fonéticos, por isso mesmo deve pagar taxa. Em segundo lugar pela sua utilidade, pelo seu uso como substituta do prego, retirando-lhe, simplicidade, elegância, delicadeza e fina utilização. Por isso mesmo a tacha deve ter uma mais que justa taxa. Depois porque ainda há pessoas que arreganham a tacha e não arreganham a taxa, sendo que nestes casos a tacha está não apenas a substituir algo, mas a consubstanciar-se com um ente corrupto, gozão, pleno de malvadez e intolerância, pelo que deve ser bem taxada.

A tacha ainda deverá pagar taxa, porque sempre que se perde um desses pequeninos pregos de cabeça chata, muito bons para remendar tamoeiros e afins, ninguém se preocupa com mais uma ou menos uma tacha. Isto e, não há ninguém que tendo à sua disposição uma mão cheia de tachas, se perder uma, se vai dar ao trabalho de procura-la. Mais tacha menos tacha, mas não mais tacha sem taxa. Assim, passando a tacha a pagar taxa, quando alguém perder uma simples taxa, não a perderá simplesmente, mas perderá uma tacha com taxa, o que obviamente já pia mais fino.

Eia, pois, a taxa à tacha.

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publicado por picodavigia2 às 20:55

OS TRÊS COELHINHOS ESPERTOS

Sexta-feira, 22.08.14

Num país imaginário viviam três coelhinhos que eram irmãos e se chamavam Pim, Pam e Pum. Era um país de fantasia, com florestas muito densas, e lindos riachos a correr pelos campos cheios de flores. Certo dia. o Pim disse aos irmãos:

-Não gostavam de dar um passeio pelo bosque? Era divertido!

A ideia foi logo aceite com entusiasmo por Pam e Pum, e lá foram os três coelhinhos, passeando pelo bosque, à procura de surpresas. Chegaram a um vale muito tranquilo, cheio de bonitas flores nas quais os irmãozinhos se entretiveram a comer gostosíssimos trevos. Ah!, mas nem tudo era paz naquela floresta. Nela se erguia o castelo do gigante Brutamontes, que precisava de comer, todos os dias, três vacas e várias dúzias de cordeiros. Precisamente naquela manhã, o gigante tinha saído, à procura de lenha e de alimentos, armado com a sua terrível espada e um grande saco às costas. E, de repente, parou admirado:

-Mas o que é que eu estou a ver ali?! – Disse o Brutamontes. -Três coelhos! Com certeza são forasteiros, porque, se não, não se explica que andem por aqui tão à vontade! Lá muita carne não se pode dizer que tenham, mas vão servir-me de aperitivo. Então, meus rapazes!

Quando ouviram aquele vozeirão, os três coelhinhos sobressaltaram-se e, quando olharam e viram aquele gingantão, quase iam desmaiando. Quiseram fugir, mas o Brutamontes já lhes tinha cortado a retirada, rindo às gargalhadas:

- Ho, ho, ho! Corram mas é para dentro deste saco, que tenho a panela à vossa espera.

E, com grande habilidade, pegou neles e enfiou-os naquele saco enorme.

- Ele quer devorar-nos! - Choramingava o Pim, apavorado.

- É um gigante enorme! - Declarou o Pam.

- Com certeza, engole-nos num instante, ai que desgraça!

- Não adianta nada a lamentarmo-nos - disse muito sensatamente o Pum. - O que temos que fazer é tentar rasgar o saco. Se o conseguirmos...

Mas todos os esforços que fizeram não deram nenhum resultado. Entretanto, tinham chegado ao castelo do gigante, que começou logo a preparar o lume, à frente dos três coelhinhos apavorados, que já o gigante pusera fora do saco para os meter na panela.

-Tive uma ideia! - Disse subitamente o Pum.

Contou-a, baixinho, aos irmãos. Imediatamente os três coelhinhos se aproximaram do gigante Brutamontes e, num momento em que o viram distraído, atiraram-lhe cinza aos olhos. Aquele bruto começou a rugir como uma fera, porque não conseguia ver nada.

- Malditos! Hei-de apanhar-vos, hei-de apanhar-vos, - gritava. Mas o Pim, o Pam e o Pum, enquanto ele ia berrando aquelas ameaças todas, corriam já, mais velozes que o vento, em direcção à floresta e, quando conseguiram chegar à sua toca repetiam, uns aos outros, ainda tremendo de emoção, a história da sua salvação.

E nunca mais foram passear para aqueles lados!

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publicado por picodavigia2 às 00:03

O AMARGO LAMENTO DE UMA ÁRVORE QUE NÃO DÁ FRUTOS

Quinta-feira, 21.08.14

Tu que me plantaste aqui,

na esperança que eu desse frutos;

 

Tu que decidiste o meu destino,

plantando-me nesta encosta desconexa,

sem outras arvores ao redor

e sem pássaros de azas azuis.

 

Tu que chegaste ao cúmulo

de me abandonares neste deserto nocturno,

onde as sombras me envolvem

e as manhãs de ventura nunca retornam.

 

Colhe, agora o amargo sabor das minhas folhas

e ergue uma taça de nicotina

em memória dos meus frutos fenecidos.

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publicado por picodavigia2 às 20:55

COUVES (DIÁRIO DE TI ANTONHO)

Quinta-feira, 21.08.14

As couves foram sempre a hortaliça mais cultivada aqui, na Fajã Grande, servindo para alimentação não só dos homens mas também dos animais, nomeadamente, das vacas, dos porcos e até das galinhas. Por isso, na Fajã Grande sempre se plantaram grandes cerrados de couves, sobretudo, no Areal, nas Furnas e no Porto, pois elas dão-se melhor junto do mar, uma vez que esta hortaliça parece que se dá melhor em lugares amenos ou mais frescos, embora naqueles lugares as couves e outras culturas sejam muito prejudicadas pela salmoura, vinda do mar.

Hoje como antigamente, na Fajã Grande, as couves, geralmente, são plantadas depois de se apanhar o milho e a batata-doce, nas terras junto do mar e, por isso, são cultivadas durante o Outono e o Inverno, precisamente, porque o tempo é mais fresco. Os antigos diziam que durante os meses de Verão ou nos períodos de muito calor, as couves reduzem o seu crescimento e a qualidade das folhas produzidas é pior, tanto em tamanho e aparência, como em sabor. Daí um provérbio muito usado nesta freguesia e que é o seguinte: “Quem quiser o marido morto, dê-lhe lapas em Maio e couves em Agosto.”, com o qual se pretende lembrar que, assim como no mês de Maio as lapas não são tão saborosas nem tão boas para comer como nos restantes meses do ano, o mesmo acontece com as couves, pois, realmente no mês de Agosto e noutros meses mais quentes elas não são tão boas para comer. Tinham razão, os antigos pois até as vacas as comem melhor no Inverno do que no Verão.

As folhas da couve são, normalmente, consumidas cozidas, mas picadinhas, neste caso fazendo um belo caldo, por vezes acompanhado com feijão, batata branca e uma talhadinha de toucinho. Mas aqui na Fajã Grande também é costume cozê-las inteiras e com os talos, juntamente com os ossos do porco e batatas-doces. A minha Maria faz este saboroso cozido muitas vezes e é de lamber os beiços. Os animais, especialmente as vacas, comem-nas cruas, mesmo as folhas mais velhas e rijas. Mas os porcos e as galinhas preferem-nas cozidas e picadas. No caso das galinhas é costume na nossa freguesia, cozê-las e picá-las, misturando-as com farelo e água a cozer, formando bolas que elas adoram.

Eu já ouvi dizer que existem lugares neste mundo onde o plantio pode ser feito através de sementes lançadas directamente à terra. Mas aqui na Fajã Grande não é assim. Primeiro, fazemos um canteiro, num canto abrigado da terra, onde o terreno seja bom e estruma-se muito bem. Depois lançam-se as sementes em grandes quantidades e algum tempo depois começa a nascer as plantinhas que chamamos coivinha. Quando maiores, quando têm de 4 a 6 folhas verdadeiras e estão com pelo menos 10 cm de altura, arrancam-se e plantam-se no terreno onde se quer que elas cresçam, mas que antes foi lavrado com o arado e alisado com a grade. A plantação é feita com uma enxada, com a qual se faz uma pequena cova, onde se mete a planta, calcando-a nos lados O plantar coivinha deve ser feito de preferência em dias nublados e chuvosos ou no fim da tarde. O espaçamento ideal entre um pé e outro varia com a qualidade do terreno e com as condições de cultivo, mas geralmente um espaçamento de um palmo entre cada planta é o mais adequado. Mas a verdade é que quanto maior for o espaçamento entre os pés, maiores serão as plantas e maiores serão suas folhas. Felizmente, entre nós não é necessário sachar ou retirar as mondas que nascem entre as couves.

A colheita das folhas das couves pode fazer-se, normalmente, entre 10 a 16 semanas após o plantio. As plantas mais jovens podem ter suas folhas colhidas, mas isso pode prejudicar o crescimento das plantas. Primeiro apanham-se as folhas e deixa-se a planta crescer e produzir novas folhas procedendo-se então ao corte da planta. Mas é preciso ter muito cuidado porque o grande flagelo da couve é a bicha. Há lugares onde esta praga é tanta que como a folha toda, deixando apenas o talo. Felizmente, hoje em dia, já existem produtos para as sulfatar, mas o cuidado de as colher depois, deve ser redobrado.

Geralmente, muitas famílias tinham couves para a sua alimentação nos terrenos ou nas courelas junto de casa, enquanto as das terras da beira-mar eram para os animais. Mas por vezes, procuravam-se entre estas as folhas mais tenrinhas e era com estas que se fazia o cado. Meu pai dizia que as couves para o caldo não deviam ser colhidas nas horas mais quentes do dia e, também, dizia que deve deixar sempre, pelo menos as 5 folhas mais jovens em cada pé.

Não há dúvida que a couve é uma das grandes riquezas desta freguesia.

 

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publicado por picodavigia2 às 17:08

FOTOGRAFIA

Quinta-feira, 21.08.14

(UM POEMA DE PEDRO DA SILVEIRA)

Sentados na banqueta (sempre a mesma) da praça

falam do tempo,

das suas dores também.  

 

Quando um que não veio não virá nunca mais

os que estão entreolham-se,

cada um à espera que o outro seja quem diga.

 

Os que passam murmuram:

- Lá estão eles, os velhos.

 

Pedro da Silveira in Poemas Ausentes

 

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publicado por picodavigia2 às 09:40

O DESCANSADOURO DA BANDEJA (FAJÃ GRANDE DAS FLORES)

Quarta-feira, 20.08.14

O descansadouro da Bandeja, na Fajã Grande, era um dos mais pequenos e menos frequentados da freguesia, uma vez que, situado no lugar com o mesmo nome, servia apenas de local de descanso aos homens que ali se deslocavam, a que se juntavam, simplesmente, os que vinham das Queimadas, assim como os que regressavam das suas lides e trabalhos no Outeiro, mas apenas na parte do Outeiro paredes-meias com a Bandeja e que eram muito poucos. É que o chamado Caminho da Bandeja terminava nas Queimadas e nele desembocavam, somente, duas canadas: uma, a que vinha dos lados do Outeiro e que se cruzava com aquele caminho mesmo no coração da Bandeja, a outra, situada bem lá no alto das Queimadas, prolongando-se estendendo-se na direcção da Rocha, ligando as Queimadas à Laje da Silveirinha. No entanto, quem viesse com molhos ou cestos às costas daquelas bandas nunca viria por esta canada e pela Bandeja, percurso mais distante e, sobretudo, de muito pior qualidade.

Essa a razão por que o descansadouro da Bandeja era muito pouco frequentado, a não ser nos meses de Abril e Maio, em que o gado estava amarrado à estaca, nas forrageiras. Nesta altura do ano, à tardinha, antes da ordenha da tarde e de se dar às rezes a última cordada, aquele descansadouro enchia-se de homens, muitos vindos da Fonte-Cima e até do Batel, outros com gado na Bandeja e arredores, para ali se sentarem, a fumar, a falquejar, a conservar e, sobretudo, a descansar.

Situado numa zona bastante alta, no largo da entrada para a Canada do Outeiro, o descansadouro da Bandeja gozava de uma vista privilegiada sobre o oceano, sobre as Águas, a Ribeira das Casas e, mais além, sobre a Ponta com a sua igrejinha dedicada à Senhora do Carmo, de cujos sinos o toque das trindades ali se ouvia, podendo ainda observar-se e beneficiar da sombra da Rocha que se estendia da Figueira até ao Risco da Ponta, recortada das suas belas cascatas como da Ribeira das Casas, da Ribeira do Vime e da Ribeira do Cão e muitas outras grotas, impondo-se solene e majestosa.

Este descansadouro ficava voltado para o noroeste, pelo que era protegido dos ventos do sul e de sueste por uma alta e grossa parede, junto à qual se fora construindo uma pequena banqueta, feita de pedras rústicas e soltas que crescia sempre que o número de utentes aumentava.

Um sonho, este mítico descansadouro da Bandeja!

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publicado por picodavigia2 às 17:49

HINO AO DOURO LITORAL

Quarta-feira, 20.08.14

A região do Douro Litoral é, incontestavelmente, uma das mais belas e deslumbrantes de Portugal. Plantada à beira-mar e, consequentemente, embelezada pelas águas vivas e refrescantes do Atlântico que a abraça num equilíbrio entre o passado e o presente moderno, esta região do norte de Portugal adorna-se de belas paisagens, deixa-se sulcar por grandes e ternurentos rios que a caracterizam e mistificam como o Douro, o Tâmega, o Sousa, ou outros mais pequenos como o Mesio, o Ferreira, o Paiva, o Arda o Sardoura e tantos outros, alguns pequenos mas belos riachos, que fertilizam as terras das suas margens, ricas em vinha, em pomares de frutos secos e frescos, mas também em legumes variados cujos verdes, amarelos, castanhos, rosas dão cor a paisagens rurais de rara e inigualável beleza.

Terra rica e de abundância, habitada por dum povo generoso que sabe despojar-se do melhor para o bem comum, guardou, na sua gastronomia, a prova do seu altruísmo levando ao expoente máximo a gastronomia portuguesa que é Património Mundial, com as “tripas à moda do Porto”.

Na verdade, reza a história, misturada com a lenda que em tempos idos, aquando das Descobertas que trouxeram a globalização ao mundo e mais tarde, quando vítima das bizarras invasões napoleónicas, este povo abdicou das carnes mais nobres para as dar como alimento aos marinheiros que iam cruzar os mares e enfrentar verdadeiros cabos de tormentas, ou então delas sendo despojado pela tirania dos invasores, guardando, para si, apenas as miudezas, em especial as tripas da carne de vaca que confeccionou com o mesmo carinho e com uma satisfação renovada, transformando-as num belo e apetitoso prato, hoje conhecido, praticamente, em todo o mundo.

Esta humildade e generosidade, intrínsecas ao duriense foram, sem dúvida, gratificadas, recuperando-se a riqueza das carnes de vaca e essencialmente as carnes de porco e os enchidos, que são levados à mesa em pratos de “rojões à moda do porto” guarnecidos por tripas recheadas com a melhor farinha de trigo, suavemente temperados com alho e sal do mesmo Atlântico e realçados com folha de um louro de mil aromas. Por outro lado, e a quando das invasões francesas, foi a sua astúcia e subtileza que fizeram com que, escondendo entre duas fatias de pão cobertas de molho e batatas fritas um bom bife, criassem a hoje tão tradicional e característica francesinha.

 E se estas são as iguarias mais relevantes, o certo é que a imaginação gastronómica é rica em sabores e experiências de paladares infindáveis numa valsa de temperos agridoces como o “sarrabulho doce”, com sabor a canela ou as “tortas de São Martinho” e os “bolinhos de amor” de gema e cobertos de um manto de açúcar, verdadeiras delícias para o paladar.

O Douro Litoral é uma região onde as tradições, usos e costumes se revelam em festas e romarias, onde o profano e o sagrado se harmonizam numa mesma manifestação de vida e num mesmo louvor entoado com pronúncia do Norte em ritmos e cores variadas em adros de igrejas românicas que provam a fé de um povo e testemunham a sua rica história que vem manifestando e conservando pelos séculos até aos dias de hoje.  

Terra de uma cultura rica em história, a região do Douro Litoral exibe, com brio, vestígios de povos ancestrais, castros celtas e visigodos, citânias romanas, castelos e fortificações medievais, templos românicos e mosteiros seculares, solares e quintas abastadas, edifícios de uma arquitectura robusta e imponente, de uma beleza rural ímpar, em granito ou em xisto retirado com esforço das pedreiras locais.

A região do Douro Litoral é assim uma espécie de museu vivo e a céu aberto, um hino de glorificação e de homenagem à natureza.

Compõem-na todos os concelhos do distrito do Porto e que são: Amarante, Baião, Felgueiras, Gondomar, Lousada, Maia, Marco de Canaveses, Matosinhos, Paços de Ferreira, Paredes, Penafiel, Porto, Póvoa de Varzim, Santo Tirso, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia. Por sua vez, do distrito de Viseu, integram-se na região do Douro Litoral o concelho de Cinfães e o de Resende, enquanto todos os restantes concelhos da região, a saber, Arouca, Castelo de Paiva, Espinho e Santa Maria da Feira, pertencem ao Distrito de Aveiro.

 

NB - Dados retirados de um Roteiro Tuístico da Região

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publicado por picodavigia2 às 16:44


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