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NO REINO DAS PIPOCAS

Sexta-feira, 01.08.14

Era uma vez,

Uma casa redondinha

Onde estavam bem juntinhos        

Os travessos milhozinhos.

 

Brincavam de rolar

Todos juntos amarelos

Depois começavam pular

E não usavam seus chinelos.

 

E naquela bagunça toda

O telhado se mexeu

Todas já ficaram brancas

E a garotada apareceu

 

Um cheirinho bem gostoso

Um gostinho especial

Quem não gosta de pipoca,

Vai brincar lá no quintal.

 

 

Claudia Liz

 

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publicado por picodavigia2 às 18:40

A GOSTO

Sexta-feira, 01.08.14

Aí está mais um! O oitavo! Meu Deus, como eles passam depressa. Assim como os meses, os anos. Este nasce tristonho e não parece que nos há-de correr lá muito a gosto. Não será um agosto a gosto.

É tempo para caminhar em trilhos metamorfoseados. São doze, assim como os míticos pares da Inglaterra que a história imortalizou em doze damas acusadas por doze cavaleiros de falta de virtude, honra e nobreza. As damas insultadas pediram aos seus parentes que lhes defendessem a honra e a dignidade, mas a reputação dos difamantes, que guerreiros valorosos, esmoreceu qualquer vontade de defender a honra das senhoras, por parte das respectivas famílias inglesas, por isso as damas injuriadas recorreram ao rei de Portugal, D. João I, para que as ajudasse a encontrar defensores para o pleito. O pedido foi, imediatamente, aceite por doze cavaleiros portugueses, que se propuseram a partir, o mais cedo possível, em defesa das damas inglesas. O navio que transportou os doze portugueses partiu do Porto, no entanto, um dos cavaleiros, D. Álvaro Gonçalves Coutinho, o Magriço, decidiu ir por terra, para ter oportunidade de alcançar grandes glórias e fama, e juntar-se, mais tarde, aos companheiros. No dia do combate, em Inglaterra, os cavaleiros portugueses, quando se alinharam perante os doze cavaleiros ingleses, reparam na desigualdade entre os dois partidos, pois Magriço ainda não tinha chegado. Estava a justa para iniciar-se, quando a população começou a produzir grande burburinho pela aproximação do Magriço, que se juntava, então, aos companheiros. Primeiro combateram a cavalo e, depois, a pé, terminando a contenda com a vitória dos Portugueses que, perante a sociedade inglesa, recuperaram a honra e a nobreza das damas.

Mas os trilhos não têm em comum com os portugueses de Inglaterra, apenas o número. Assim como os cavaleiros lutaram a gosto, os trilhos também se percorrem a gosto, neste mês em que o gosto se arrasta, indefine e entristece com o permanente tiroteio entre Israelitas e Palestinianos, apesar de balizado agora por 62 horas de um desejado cessar-fogo, os conflitos no Médio Oriente, a guerra na Ucrânia, na Síria, na África e em tantas outras paragens do universo, o rapto de dezenas de jovens, os maus trato de crianças e idosos, a fome, o abandono e a solidão de tantos humanos, o terrorismo e o recente abatimento de um avião das linhas aéreas da Malásia, para não falar do desaparecido há uns meses e do qual nada se sabe. Chamem cavaleiros portugueses para repor a ordem e a paz no mundo e os últimos dias trazem-nos à memória a incompreensível soma de 3.577.000.000 de euros, misteriosamente desaparecidos. Ninguém é capaz de explicar melhor o que está em causa, como se chega a um prejuízo destes, a um buraco tamanho, nem muito menos, onde foi parar esta verdadeira “pipa de massa”.

Pelo meio o Benfica vai continuando a perder, não a gosto meu, porquanto outros em subterfúgios espanhóis parecem ir despertando lentamente, mas a gosto.

Nunca se abre, a gosto, uma janela, se ela não estiver voltada para o mar. É isto o agosto a gosto, dos doze trilhos metamorfoseados.

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publicado por picodavigia2 às 10:13

A PEDRINHA

Sexta-feira, 01.08.14

A Pedrinha era um outro interessante lugar dos matos da Fajã Grande. Interessante não tanto pelo que significava para a população, em termos de aproveitamento económico, mas pelo nome. Como grande parte deste lugar era atravessado pelo trilho que ligava a Fajã Grande a Santa Cruz, ali havia uma pedra que, apesar de pequena, possuía um excelente aba que servia de abrigo milagroso a quantos passavam por ali, em dias de chuva. Era pois um lugar mítico, quase milagroso para os transeuntes, uma vez que os protegia de uma molha que haviam de suportar durante o resto do dia.

A Pedrinha ficava para além da Burrinha e da Água Branca, já quase no concelho de Santa Cruz e era terreno de ninguém, isto é não havia ali propriedades privadas. Era concelho. Do seu solo apenas nascia erva, mas de fraca qualidade, até porque cheia de montes de musgo e de burrecas. Essa a razão por que quase ninguém para ali se deslocava a não ser os que, por necessidade, tinham que se deslocar a Santa Cruz.

A Pedrinha, assim como a Burrinha e outros lugares ao redor serviam de pastagens das ovelhas bravas que andavam soltas, a pastar nos matos e que eram recolhidas apenas nos dias de fio. Era nestes que por ali passavam muitos homens, acompanhados por cães, a recolhê-las no curral, a fim de as tosquiar.

Pedrinha, mais um antigo lugar da Fajã Grande perdido, no tempo, quiçá no espaço e na memória das gentes.

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publicado por picodavigia2 às 09:33

DE OLHOS NEGROS

Sexta-feira, 01.08.14

Apesar de ter pesquisado junto de alguns colegas, não consegui nenhum dado sobre este “Senhor” presente no Encontro. Não lhe querendo deixar-lhe a página em branco, transcrevo um poema de Miguel Ramos Carrión, dedicado a todos os “estorninhos” que, mesmo sem “ojos negros” passearam pelas ruas de Angra, nas década de 50/60: El Seminarista de Olhos Negros:

“Desde la ventana de un casucho viejo

 abierta en verano, cerrada en invierno

 por vidrios verdosos y plomos espesos,

 una salmantina de rubio cabello

 y ojos que parecen pedazos de cielo,

 mientas la costura mezcla con el rezo,

 ve todas las tardes pasar en silencio

 los seminaristas que van de paseo.

 

Baja la cabeza, sin erguir el cuerpo,

 marchan en dos filas pausados y austeros,

 sin más nota alegre sobre el traje negro

 que la beca roja que ciñe su cuello,

 y que por la espalda casi roza el suelo.

                                                                                        

Un seminarista, entre todos ellos,

 marcha siempre erguido, con aire resuelto.

 La negra sotana dibuja su cuerpo

 gallardo y airoso, flexible y esbelto.

 Él, solo a hurtadillas y con el recelo

 de que sus miradas observen los clérigos,

 desde que en la calle vislumbra a lo lejos

 a la salmantina de rubio cabello

 la mira muy fijo, con mirar intenso.

 Y siempre que pasa le deja el recuerdo

 de aquella mirada de sus ojos negros.

 Monótono y tardo va pasando el tiempo

 y muere el estío y el otoño luego,

 y vienen las tardes plomizas de invierno.

 

Desde la ventana del casucho viejo

 siempre sola y triste; rezando y cosiendo

 una salmantina de rubio cabello

 ve todas las tardes pasar en silencio

 los seminaristas que van de paseo.

 

Pero no ve a todos: ve solo a uno de ellos,

 su seminarista de los ojos negros;

 cada vez que pasa gallardo y esbelto,

 observa la niña que pide aquel cuerpo

 marciales arreos.

 

Cuando en ella fija sus ojos abiertos

 con vivas y audaces miradas de fuego,

 parece decirla: —¡Te quiero!, ¡te quiero!,

 ¡Yo no he de ser cura, yo no puedo serlo!

 ¡Si yo no soy tuyo, me muero, me muero!

 A la niña entonces se le oprime el pecho,

 la labor suspende y olvida los rezos,

 y ya vive sólo en su pensamiento

 el seminarista de los ojos negros.

 

En una lluviosa mañana de inverno

 la niña que alegre saltaba del lecho,

 oyó tristes cánticos y fúnebres rezos;

 por la angosta calle pasaba un entierro.

 

Un seminarista sin duda era el muerto;

 pues, cuatro, llevaban en hombros el féretro,

 con la beca roja por cima cubierto,

 y sobre la beca, el bonete negro.

 Con sus voces roncas cantaban los clérigos

 los seminaristas iban en silencio

 siempre en dos filas hacia el cementerio

 como por las tardes al ir de paseo.

 

La niña angustiada miraba el cortejo

 los conoce a todos a fuerza de verlos...

 tan sólo, tan sólo faltaba entre ellos...

 el seminarista de los ojos negros.

 

Corriendo los años, pasó mucho tiempo...

 y allá en la ventana del casucho viejo,

 una pobre anciana de blancos cabellos,

 con la tez rugosa y encorvado el cuerpo,

 mientras la costura mezcla con el rezo,

 ve todas las tardes pasar en silencio

 los seminaristas que van de paseo.

 

La labor suspende, los mira, y al verlos

 sus ojos azules ya tristes y muertos

 vierten silenciosas lágrimas de hielo.

 

Sola, vieja y triste, aún guarda el recuerdo

 del seminarista de los ojos negros...”

 

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publicado por picodavigia2 às 07:11





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